quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O Politeísmo no Antigo testamento

Segundo a própria escritura e tradição, os hebreus se tornaram monoteístas a partir do patriarca Abraão. Segundo a tradição, o pai de Abraão era um fabricante de ídolos e um dia Abraão percebeu que só havia um Deus. Ele se revoltou, quebrou as imagens de seu pai, e então achou graça aos olhos de Deus, que fez um pacto com ele e lhe disse para deixar a terra de Ur, dos caldeus e seguir para a terra prometida. Então é obvio que se Abraão foi o primeiro monoteísta, os persnagens anteriores a ele não foram, como Noé, Enoque, Matusalém etc.... Mas na escritura da a entender que sim. 

O fato é que o monoteísmo, foi adotado e sendo desenvolvido pelo povo judeu através dos anos, e só se solidificou de fato após o cativeiro Babilônico.

Até o ano de 586 a.C. quando começou o exílio dos israelitas em Babilônia o politeísmo fazia parte da cultura de Israel. Foi apenas após o exílio que a adoração única e exclusiva de Yahweh (Javé ou Jeová) tornou-se estabelecida e possivelmente só mais tarde no tempo dos Macabeus (2º século a.C.) que o monoteísmo se tornou universal entre os judeus. O Deus bíblico do Antigo Testamento provavelmente foi uma fusão de vários Deuses pagãos. 

escultura antiga do deus El, cananeu
A personalidade e os atributos de Yahweh foram influenciados por outras antigas divindades do Oriente como o Pai celestial El, o jovem guerreiro Baal e a senhora Asherah. Especialistas que estudam os textos bíblicos, leem antigas inscrições encontradas nos arredores de Israel e escavam sítios arqueológicos estão reconhecendo a influência conjunta de diversos Deuses pagãos antigos no retrato de Yahweh traçado pela Bíblia que parece ter múltiplas personalidades. Elementos comuns à cultura das antigas civilizações do Oriente Médio, principalmente da região onde hoje ficam o estado de Israel, os territórios palestinos, o Líbano e a Síria, contribuíram para as ideias que os antigos israelitas tinham sobre os seres divinos (Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman, The Bible Unearthed: Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. Simon & Schuster, 2002, pág. 241-42). 


     Há bons indícios de que o Deus do Velho Testamento é uma fusão entre um Deus idoso e paternal (El), um jovem Deus guerreiro (Baal) e a Deusa do sexo feminino (Asherah). 

Baal em hebraico significa senhor, mas também era o nome de uma divindade dos caldeus. Todos conhecem a história do profeta Elias contra os profetas de baal ou as várias menções a essa divindade nos livros proféticos, sobretudo jeremias:

"Os quais cuidam fazer com que o meu povo se esqueça do meu nome pelos seus sonhos que cada um conta ao seu próximo, assim como seus pais se esqueceram do meu nome por causa de Baal."  (Jeremias 23 : 27)

"Porque edificaram os altos de Baal, para queimarem seus filhos no fogo em holocaustos a Baal; o que nunca lhes ordenei, nem falei, nem me veio ao pensamento."  (Jeremias 19 : 5)

"E quando nós queimávamos incenso à rainha dos céus, e lhe oferecíamos libações, acaso lhe fizemos bolos, para a adorar, e oferecemos-lhe libações sem nossos maridos?"  (Jeremias 44 : 19)

Existe uma base cultural comum entre o antigo povo de Israel e seus vizinhos e adversários, os cananeus, moradores da terra de Canaã, como era chamada a região entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo em tempos antigos. A Bíblia retrata os israelitas como um povo quase totalmente distinto dos cananeus, mas os dados arqueológicos revelam profundas semelhanças de língua, costumes e cultura material. A língua de Canaã, por exemplo, era só um dialeto um pouco diferente do hebraico bíblico. Os cananeus não deixaram para trás uma herança literária tão rica quanto a Bíblia, no entanto, poucos quilômetros ao norte de Canaã, na atual Síria, ficava a cidade-Estado de Ugarit, cuja língua e cultura eram praticamente idênticas às de seus primos do sul. Ugarit foi destruída por invasores bárbaros em 1200 a.C., mas os arqueólogos recuperaram numerosas inscrições da cidade, nas quais dá para entrever uma mitologia que apresenta semelhanças impressionantes com as narrativas da Bíblia (Mark S. Smith, The Origins of Biblical Monotheism: Israel's Polytheistic Background and the Ugaritic Texts. Oxford University Press, USA, November 6, 2003. ISBN 978-0195167689).

     Uma das figuras mais proeminentes nesses textos é El, nome que quer dizer simplesmente “Deus” nas antigas línguas da região, mas que também se refere a uma divindade específica, o patriarca, ou chefe de família dos Deuses. O El de Ugarit tem paralelos muito específicos com a figura de Deus durante o período patriarcal, retratado no livro do Gênesis e personificado pelos ancestrais dos israelitas, Abraão, Isaac e Jacó. Nesses textos da Bíblia há, por exemplo, referências a El Shadday (literalmente “El da Montanha”, embora a expressão normalmente seja traduzida como “Deus Todo-Poderoso”), El Elyon (“Deus Altíssimo”) e El Olam (“Deus Eterno”). O curioso é que, na mitologia ugarítica, El também é imaginado vivendo no alto de uma montanha e visto como um ancião sábio de vida eterna.  Tal como os patriarcas bíblicos, El é uma espécie de nômade, vivendo numa versão divina da tenda dos beduínos e mais importante ainda, El tem uma relação especial com os chefes dos clãs e tal como Abraão, Isaac e Jacó, ele os protege e lhes promete uma descendência numerosa. Ora, a maior parte do livro do Gênesis é o relato da amizade de Deus com os patriarcas israelitas, guiando suas migrações e fazendo a promessa solene de transformar a descendência deles num povo “mais numeroso que as estrelas do céu”.

     Segundo o professor Frank Moore Cross, professor de Hebraico e outras Línguas Orientais, emérito da Universidade de Harvard, notável por seu trabalho na interpretação dos Manuscritos do Mar Morto, Yahweh (YHWH) era um título dado pelos primeiros israelitas à suprema divindade El, durante o período da Idade do Bronze (aproximadamente 1200 a.C.). Posteriormente, o contrário aconteceu, tornando-se a palavra El um título e Yahweh o nome próprio da suprema divindade israelita, talvez num ímpeto nacionalista daquele povo em querer se perceber diferente dos outros povos que habitavam a Palestina (Frank Moore Cross, Canaanite Myth and Hebrew Epic: Essays in the History of the Religion of Israel. Harvard University Press, 1997. ISBN 978-0674091764).

     Outra hipótese muito estudada é a chamada “Hipótese Quenita-Midianita”, proposta pelo teólogo holandês Cornelius Petrus Tiele em 1872, em que Yahweh originalmente era uma divindade originária de perto da região do Sinai, de Parã e Edom. A bíblia retrata que Moisés tinha conexões com os povos desta região, os Quenitas, por meio de seu sogro Jetro, que era Quenita:  

     “E Moisés tornou-se pastor do rebanho de Jetro, sacerdote de Midiã, de quem era genro” (Êxodo 3:1).

     “E os filhos do queneu, de quem Moisés era genro” (Juízes 1:16).

     Independentemente se um Moisés histórico existiu, esta história preserva uma tradição que os israelitas tinham em conexão com estes povos de vida nômade (Quenitas/Midianitas) que viviam na região desértica ao sul de Israel. Provavelmente a história da origem de Moisés é uma construção literária de tribos nômades como os primeiros israelitas e os cananeus adoradores da divindade El, para retratar a incorporação ao Deus do deserto Yahweh. A medida que houve uma miscigenação entre os povos, um acabou identificando sua divindade protetora com a outra, e com o tempo Yahweh foi incorporando aspectos da divindade El, numa espécie de sincretismo religioso (Donald B. Redford, Egypt, Canaan, and Israel in Ancient Times. Princeton University Press, 1992. ISBN 978-0691036069).

     Outros textos bíblicos corroboram com a tradição de que a habitação ou residência original de Yahweh (Jeová) era nesta região desértica próxima ao Sinai:

     “E ele passou a dizer: “Jeová — de Sinai ele veio, e raiou sobre eles desde Seir, reluziu desde a região montanhosa de Parã, e com ele havia santas miríades, à sua direita, guerreiros pertencentes a eles” (Deuteronômio 33:02)

     “Jeová, quando saíste de Seir, quando marchaste desde o campo de Edom, tremeu a terra... Montes fluíram de diante da face de Jeová, este Sinai, de diante da face de Jeová, Deus de Israel” (Juízes 5:4-5).

     “O próprio Deus passou a chegar de Temã, sim, um Santo desde o monte Parã. Sua dignidade cobriu [os] céus; e do seu louvor encheu-se a terra” (Habacuque 3:3).

     Uma evidência extra bíblica que concorda com esta visão de que Yahweh (YHWH) originalmente é associado com os povos de vida nômade que habitavam regiões desérticas próximas ao Sinai, foi encontrada no Templo de Amon em Soleb, Núbia, erigido pelo faraó Amenófis III (1391-1353 a.C.). Em uma parede do templo, o Faraó egípcio faz menção a um grupo de pessoas retratadas como “Shasu”, que no idioma egípcio significa “nômades/beduínos”. Dentre vários grupos de Shasu, encontram-se os “Shasu de YHW” (Michael C. Astour, Yahweh in Egyptian Topographic Lists. In Festschrift Elmar Edel, M. Gorg & E. Pusch, Bamberg, 1979 / Anson F. Rainey, Shasu or Habiru. Who Were the Early Israelites? Biblical Archeology Review 34:6, Nov-Dez / Dermot Anthony Nestor, Cognitive Perspectives on Israelite IdentityContinuum International Publishing Group, 2010 p.185) [Nota – As argumentações acima a partir da referência ao professor Frank Moore Cross são de autoria de Gustavo Padovan extraídas do link: http://extestemunhasdejeova.net/forum/viewtopic.php?f=11&t=14440#p286892].

     Quando Yahweh entra em cena na bíblia com seu “nome oficial” durante o êxodo bíblico, a impressão que se tem é que ele já absorveu boa parte das características de um outro Deus cananeu chamado Baal (literalmente “senhor”, “mestre” e em certos contextos, até “marido”), um guerreiro jovem e impetuoso que acabou assumindo na mitologia de Ugarit e da Fenícia (atual Líbano) o papel de comando que era de El. Indícios dessa nova “personalidade” de Deus surgem no fato de que, pela primeira vez na narrativa bíblica, Yahweh é visto como um guerreiro, destruindo os “carros de guerra e cavaleiros” do Faraó e mais tarde, guiando as tribos de Israel à vitória durante a conquista da terra de Canaã. Tal como Baal, Yahweh é descrito como “cavalgando as nuvens” e “trovejando”. E mais importante ainda, uma série de textos bíblicos falam de Deus impondo sua vontade contra os mares impetuosos (como no caso do Mar Vermelho) ou derrotando monstros marinhos (Isaías 51:9; Êxodo 14:15-31). 

Há aí uma série de semelhanças com a mitologia Cananéia sobre Baal, o qual derrotou em combate o Deus-monstro marinho Yam (o nome quer dizer simplesmente “mar” em hebraico) ou “o Rio” personificado. Na mitologia do Oriente Próximo, as águas marinhas eram vistas como símbolos do caos primitivo, e por isso tinham de ser derrotadas e domadas pelos Deuses. Yahweh também é associado à chuva e à fertilidade da terra pelos antigos autores bíblicos, atributos que aparecem entre as funções de Baal (John Day, Yahweh and the Gods and Goddesses of Canaan [Library Hebrew Bible/Old Testament Studies]. Bloomsbury T&T Clark; 1 edition, December 1, 2002. ISBN 978-0826468307).

     Asherah possivelmente era uma Deusa e consorte de Yahweh no Antigo Israel e não um simples atributo deste. Há referências à adoração de vários Deuses pelos reis israelitas. É relatado na bíblia que Salomão construiu vários templos para muitos Deuses e Josias destruiu as estátuas de Asherah que foram erguidas por seu avô Manassés. (1º Reis 11:1-8; 2º Reis 21:1-9) Várias descobertas arqueológicas nos ajudam nesta reflexão, destacando as de Khirbet el-Qom em 1967 e a de Kuntillet Adjrud em 1976, que traz a inscrição “abençoo-te em Yahweh de Teman e sua Asherah” mostrando claramente que a Deusa Asherah era encarada na época como uma companheira ou esposa de Yahweh. Um dos mais antigos artefatos arqueológicos de Israel datado de 1000 a.C., um púlpito politeísta de Tanach escavado em 1968 pelo arqueólogo americano Paul Lapp, apresenta representações da Deusa Asherah e Yahweh, mostrando a natureza politeísta da antiga cultura israelita. (Othmar Kell and Christoph Uehlinger, Gods, goddesses, and images of God in ancient Israel. Fortress Press, 1998, págs. 228-239 / Meindert Djikstra, I Have Blessed you by YHWH of Samaria and his Asherah: Texts With Religious Elements from the Soil Archive of Ancient Israel, in Bob Becking, Only One God? Monotheism in Ancient Israel and the Veneration of the Goddess Asherah. Sheffield Academic Press, 2001, págs. 32-34).

     O livro bíblico dos Provérbios, bem como alguns outras fontes israelitas, apresenta a figura da Sabedoria personificada, uma espécie de “auxiliar” ou “primeira criatura” de Deus que o teria auxiliado na obra da criação do mundo. Segundo o texto dos Provérbios, Deus “se deleita” com a Sabedoria e a usa para inspirar atos sábios nos seres humanos (Provérbios 8:22-31). Para muitos pesquisadores a figura da Sabedoria incorpora aspectos da antiga Asherah na maneira como os antigos israelitas viam Deus. 

Embora o próprio Deus não seja descrito como feminino, haveria uma complementaridade entre ele e sua principal auxiliar. Portanto, assim como os antigos gregos, os israelitas tinham um panteão de Deuses em sua adoração como Yahweh, Baal e Asherah, conforme comprovado por evidências arqueológicas.   

     A proibição da Deusa Asherah é fruto de um dado momento histórico de elaboração e ascensão do monoteísmo. A identidade judaica, após a drástica experiência do exílio babilônico e na tentativa de reorganização da nação, passa a se basear num só Deus. A centralidade em Yahweh se torna um fator importante da nova identidade nacional em formação, que foi moldada pelos movimentos reformadores de Esdras e Neemias




A idolatria passa a ser a causa da ruína de Israel. Vemos este reflexo no conflito que os textos bíblicos demonstram em relação a Asherah e a outros Deuses e Deusas, bem como, em relação principalmente às mulheres estrangeiras. A elaboração e instituição do monoteísmo não aconteceu de forma democrática e pacífica. A partir de um contexto politeísta, a centralidade em Yahweh é um processo violento, proibindo e demonizando o diferente como uma ameaça. Um processo nítido de intolerância religiosa e destruição da cultura anterior. A supressão do culto e da imagem da Deusa Asherah traz consequências profundas, afetando em especial as mulheres, que tinham na Deusa uma possibilidade de representação do feminino no sagrado. Assim, a religião judaica vai se constituindo em torno de um único Deus masculino, sustentando historicamente uma sociedade patriarcal (William G. Dever, Did God Have a Wife? Archaeology and Folk Religion in Ancient Israel. Wm. B. Eerdmans Publishing Co. July 23, 2008. ISBN 978-0802863942).

     Um relato bíblico que demonstra bem esta questão do politeísmo no Antigo Israel encontra-se no livro de 1 Samuel capítulo 15. Nesta passagem o profeta Samuel ordena que Saul, o primeiro Rei de Israel destrua a nação de Amaleque, que segundo o profeta havia agido mau para com os israelitas no passado. A orientação é destruir tudo sem dó nem piedade, incluindo mulheres e bebês, até mesmo os animais. Só que Saul resolveu ter compaixão e não matou o Rei Aguague e o melhor do rebanho amalequita. Quando Samuel ficou sabendo disso ficou furioso com o Rei Saul que tentava de todas as formas explicar os motivos que o levaram a agir daquela forma. Mas o profeta Samuel não quis dar ouvidos as explicações do Rei Saul, ele disse que Jeová (Yahweh) havia rejeitado Saul. Desesperado o Rei Saul agarra a aba da túnica do profeta e implora usando a seguinte expressão: “Pequei. Agora, por favor, honra-me diante dos anciãos do meu povo e diante de Israel, e volta comigo, e eu certamente me prostrarei diante de Jeová, teu Deus” (1ª Samuel 15:30).

     Observou a última expressão usada pelo Rei Saul, “teu Deus”? O texto mostra claramente que Jeová (Yahweh) era o Deus de Samuel, mas Saul prestava reverência a outro Deus além de Jeová. Samuel não era da mesma tribo de Saul, pelo visto cada tribo tinha um Deus considerado o principal e provavelmente Jeová não era o Deus principal da tribo de Saul. Se Jeová fosse o Deus principal de Saul ele usaria a expressão “nosso Deus”. Mas não foi esta expressão que Saul usou, o texto é bem claro, ele disse “teu Deus”. O fato de Saul ter dito “teu Deus” era porque Samuel era um profeta de Jeová. Havia profetas de vários Deuses no Antigo Israel, profetas de Jeová, profetas de Baal, profetas de Asherah, etc. Cada um era consultado para determinado assunto. Presume-se que Jeová era associado à guerra, portanto, esta divindade era consultada para este tipo de assunto. 

Em certa ocasião, o Rei Acazias de Israel pediu consulta ao Deus Baal-Zebube, para saber se ele se recuperaria de seu acidente. Provavelmente, Baal-Zebube era uma divindade ligada à cura: “Certo dia, Acazias caiu da sacada do seu quarto no palácio de Samaria e ficou muito ferido. Então enviou mensageiros para consultar Baal-Zebube, deus de Ecrom, para saber se ele se recuperaria” (2 Reis 1:2, Nova Versão Internacional). Se Saul estivesse interessado em saber algo relacionado com sua saúde ou de sua família possivelmente teria consultado um profeta de Baal-Zebube. É sabido que Saul tinha um filho chamado Esbaal, cujo nome significa Homem de Baal: “Ner gerou Quis, que gerou Saul. Saul gerou Jônatas, Malquisua, Abinadabe e Esbaal(1 Crônicas 8:33, Nova Versão Internacional). [Nota – O parágrafo acima é de autoria de Gustavo Padovan extraído do link: http://extestemunhasdejeova.net/forum/viewtopic.php?f=11&t=14925#p294442]

     Obviamente, depois do exilio babilônico, os escribas que reescreveram a história de Israel fizeram questão de colocar os profetas dos outros Deuses que não fossem de Jeová (Yahweh) como sendo falsos e os que os seguiam como sendo pessoas desviadas da verdadeira fé. Sempre quando havia alguma disputa entre os profetas para determinar quem era o verdadeiro e mais poderoso Deus, os escribas passaram a colocar os profetas de Jeová (Yahweh) com sendo sempre os vitoriosos, dando assim suporte a adoração monoteísta que eles queriam justificar e perpetuar. Apesar dos reformadores do período pós exilio reescreverem a história de Israel tentando retirar todos os traços de politeísmo de seus escritos sagrados, observamos em algumas passagens expressões que indicam a cultura politeísta do antigo Israel. Observe alguns versos na bíblia que mostram Yahweh (Jeová) como um entre vários outros Deuses existentes.

     “Quem entre os deuses é semelhante a ti, ó Jeová?”. Entre os deuses, Hebraico: ba·’e·lím, plural de ’El (Êxodo 15:11).

     “Não há nenhum igual a ti entre os deuses, ó Jeová, nem há quaisquer trabalhos iguais aos teus”. Entre os deuses, Hebraico: va·’elo·hím; Grego: the·oís (Salmos 86:8).

     “Agora sei deveras que Jeová é maior do que todos os [demais] deuses”. Os [demais] deuses, Hebraico: ha·’elo·hím; Grego: tous the·oús (Êxodo 18:11).

     “Pois, Jeová, vosso Deus, é o Deus dos deuses”. Ou “Deus de deuses”, Hebraico: ’Elo·héh ha·’elo·hím; Grego: The·ós ton the·ón (Deuteronômio 10:17).

     “O Deus dos deuses, Iahweh, o Deus dos deuses, Iahweh, bem o sabe, e Israel deve sabê-lo: se houve de nossa parte rebelião ou infidelidade para com Iahweh, que ele deixe de nos salvar neste dia”. Ou “Deus de Deuses”, Hebraico: ’El  ’Elo·hím  Yehwáh (Josué 22:22, Bíblia de Jerusalém).

     “Fala Iahweh, o Deus dos deuses, convocando a terra, do nascente ao poente”. Ou “Deus de deuses”, Hebraico: ’El ’Elo·hím (Salmos 50:1, Bíblia de Jerusalém).

     Expressões como “Entre os deuses”, “Os demais deuses” e “Deus de deuses” são claras em demonstrar a cultura politeísta no antigo Israel.

    O melhor termo para enquadrarmos a antiga religião israelita seria o monolatria, que significa o reconhecimento da existência de outros Deuses, mas prestação de adoração consistente e exclusiva à apenas um Deus. Porém, até mesmo esta classificação pode ser contestada, haja vista que a história israelita que sobreviveu até nós foi contada pelos Judeus séculos depois dos acontecimentos. Para os sacerdotes do Judaísmo do 2º Templo (após a queda da Babilônia) seria um vexame mencionar que outros Deuses eram adorados conjuntamente com Jeová, portanto eles reescreveram a história, apontando que a adoração de outros Deuses foi uma exceção, um desvio. Porém a arqueologia está provando cada vez mais que aquilo que a bíblia conta como exceção na verdade era a regra, o politeísmo era a principal religião deles (Mark S. Smith, The Early History of God: Yahweh and the Other Deities in Ancient Israel [Biblical Resource Series]. Wm. B. Eerdmans Publishing Company, 2 edition, August 3, 2002. ISBN978-0802839725). [Nota - O parágrafo acima é de autoria de Gustavo Padovan extraído do link: http://extestemunhasdejeova.net/forum/viewtopic.php?f=11&t=14767&st=0&sk=t&sd=a&start=10#p291998]



Fonte - Este texto foi extraído do livro "A Bíblia Sob Escrutínio", publicado pela Editora Clube de Autores. Para conhecê-lo acesse o site através deste link: www.clubedeautores.com.br/book/161402--A_BIBLIA_SOB_ESCRUTINIO 


A ORIGEM DA DIVINDADE IAVÉ E A PEQUENA HISTÓRIA DA RELIGIÃO DE ISRAEL
De Edmilson Bento da Silva

Prefácio
O ensaio que abaixo reproduzo trata-se de uma palestra por mim proferida na Universidade Federal Fluminense, no Centro de Estudos Interdisciplinar de Antiguidade (CEIA), às 08:00 horas do dia 26 de outubro de 1999. Naquela época, meu intento era rebater a visão histórica evolucionista e idealista a respeito da história da religião do antigo Israel. Por visão evolucionista os historiadores denominam a abordagem sequencial e linear: fetichismo?politeísmo? monoteísmo, e, por visão idealista, compreende o modo de explicação dos eventos históricos que privilegia o papel da consciência (as "grandes idéias"), expressas nas idéias políticas, éticas, filosóficas, científicas, etc. que mudam por si só no curso da história, sem considerar a vida social e o contexto sócio-histórico em que tais idéias emergem. Minha surpresa foi constatar que os alunos universitários ali presentes, ao no lugar de abrir um diálogo sobre as novas abordagem e novas fontes para a pesquisa, se sentiram indignados com o processo de historização do fenômeno da crença.
Por incrível que pareça, os dados descritos abaixo a respeito do desenvolvimento da religião iaveística é de conhecimento comum a teólogos (católicos e protestantes) e biblistas.

I - O nome
O nome da divindade israelita é chamada Iavé. A palavra "Yahweh" é o termo acadêmico e consagrado do nome próprio em hebraico da divindade israelita YHWH, oriundo das quatro letras hebraicas: הוהי (iod-he-vav-he) lida de trás para frente cuja leitura é aproximadamente "ieuê" ou "iaué". O nome Jeová constitui um erro de tradução; ocorreu devido ao tabu de não pronunciar o nome da divindade, assim, quando o sacerdote lia o texto do Pentateuco e aparecia as quatro letras YHWH, substituía a pronúncia pela palavra Adonai(meu senhor). Muito mais tarde, no século XVI de nossa era, os exegetas interpolaram as vogais de Adonai: a-o-ai, daí Jahovah ou Jeovah. Apesar de popular, a notação não corresponde a fatos e sim a um acidente histórico, e deve ser recusada.
A pronúncia primitiva e correta da divindade israelita não pode ser fixada com precisão. Mesmo a forma do nome Iavé não é correta, esta forma pode ter origem na teologia do estamento sacerdotal que forçou a aproximação de YHWH com a passagem do Êxodo III, 13-15:  ehyeh ,asher ,ehyeh, ao qual é traduzido por "eu sou aquele que sou" ou então, "eu sou aquele que é", sugerindo que o nome de YHWH provém da forma imperfeita da raiz qal cujo verbo é hyy (haia), o verbo ser hebraico. O prefixo "Y" põe os verbos hebraicos no futuro e anteposto à raiz "HWH" (infinitivo presente do verbo "ser"), faria o significado de YHWH em: "o ser para todo o sempre", o ser absoluto, assim entendido, como quer a versão dos Setenta, que traduziu para o grego: εãù åéìé ´ï ïí (ego eimi ho ôn). Todavia, o redator da passagem do Êxodo III, 13-15, movido pelo extremo zelo do tabu da pronúncia do nome, utilizou este recurso enigmático, para criar um rodeio poético, equivalente recusa da divindade em responder, impedindo a Moisés vir a conhecer a sua natureza. Os especialistas que fazem derivar o nome de Iavé da raiz hyy não estão em acordo sobre a forma de como reconhecê-la em Yahweh. Eles entendem que o nome de Iavé deve ser traduzido por "ele é" ou "ele faz ser". No entanto, é mais fácil reconhecer em Yahweh uma outra raiz, hwh/hwy, a raiz do verbo hebraico que significa "cair", "abater", "descer", desapareceu quase que por completo no hebraico, mas se conservou no árabe. Julius Wellhausen, D. H. Holzinger e H Bauer Leander defendem que o nome Yahweh deriva da raiz semítica hwh "cair".
Os primeiros cristãos anotavam a pronúncia de YHWH nas letras gregas Iabe(iabe), Iaone (iaoune), Iaonai (iaounai). Nos papiros míticos judeus-cristãos a forma é Iawonhe (iaôouêe). Já a transcrição grega mais freqüente e também a mais antiga é a notação Iao (íao), que é atestada desde o Qumran.
Roland de Vaux e André Caquot tentaram reconstituir a antiga pronúncia e forma do nome de Iavé. Eles acreditam que podem encontrar o antigo nome da divindade israelita nos nomes teóforos hebraicos correspondentes a Yeho eYahu. A forma Yeho é atestada nos nomes Yehokhakin (Joaquim), Yehoshuah(Josué ou Jesus). A forma Yahu é encontrada nos nomes Azaryahu (Azarias),Yahuddah (Judas) e Mattitiyahu (Matias). Também há uma forma curta Iah que aparece em outros nomes: Azaryah (Azarias), Tobiyah (Tobias) e na expressão hallelu-yah ("deus seja louvado"). Atualmente, a partir destas formas teóforas, formou-se um consenso em torno da palavra Yaho para designar o nome primitivo da divindade israelita, tal como querem Roland de Vaux e André Caquot.


II - A origem do deus
Segundo Jean Leclant, egiptólogo, o nome do deus de Israel é um topônimo. Baseando-se em escavações arqueológicas realizadas em Soleb, na margem esquerda do Nilo, foi encontrada uma inscrição na sala hipostila do templo erguido por Amenhotep III; a inscrição contida no escudete (séc. XIV a. C.) refere-se a um povo nômade inimigo do Egito ao leste. O trecho é o seguinte:to sho-su iahuo; "to" refere-se à designação geopolítica, terra estrangeira; o vocábulo "sho-su" remete-se aos habitantes do deserto, aos povos nômades; e o termo "iahuo" é identificado com o nome de alguma montanha, situada a leste do Egito e ao sul da Palestina. A decifração da inscrição é o seguinte: "terra dos shosu de Iahuo". Ou melhor "país dos beduínos de Iahuo". SeLeclant estiver certo, a inscrição é a mais antiga notação histórica conhecida do nome do deus de Israel fora da Bíblia. Argumenta Jean Leclant que do nome desta montanha, os israelitas teriam tirado o nome da divindade protetora de sua confederação. Em apoio a afirmativa de Leclant, destacamos: 1- o nomeIahuo está em acordo com a antiga pronúncia defendida por alguns biblistas juntamente com Roland de Vaux e André Caquot (Iahuo = Yaho); 2- o nome se aproxima muito da mais antiga transcrição grega (Iao = Yaho); e 3- a referência ao deus de Israel na inscrição moabita, conhecida como a estela deMesha (século IX a. C.), permite fazer a transcrição do nome da divindade com o final em "o" (Yahu = Yaho).
Assim, Yahweh é a pronúncia transfigurada de Iaho, um deus cultuado em uma desconhecida montanha Iahuo, em território madianita.
O deus dos israelitas é o resultado do sincretismo religioso do deus dos relâmpagos, Iahu, dos madianita e quenitas, conhecido também pelos arameus do norte da Síria, com a divindade das terríveis tempestades de deserto, o deus Ya'uq, temido pelos árabes, ao qual os hebreus entraram em contato nos séculos XII e XI a. C.




III - O período "pré-mosaico" (séc. XIV a. C.)
Dados da historiografia e da arqueologia não atestam o culto de Iavé antes do século XIII a. C. e, portanto, antes de Iavé tornar-se o protetor da confederação tribal israelita, os hebreus admitiam vários sistemas religiosos simultâneos, e nenhum deles entravam em conflito na cabeça daqueles nômades.
Os hebreus pertenciam a grande etnia semítica. Os antigos semitas veneravam uma força impessoal, invisível e intangível, expressa no princípio divino 'l, que agia na natureza mas não tinha consciência de si. Este princípio divino aparece em todas as civilizações semíticas posteriores como Allá dos árabes, El dos cananeus, Baal dos fenícios, Ilu dos assírios e Bel dos caldeus.

A) O culto ao "deus dos pais". Os líderes dos acampamentos, os patriarcas, rendiam culto especial ao chamado "deus dos pais", o antepassado mítico do clã. Cada clã possuía seu "deus dos pais", uma espécie de herói lendário que fundou o clã e transmitiu os costumes e instituições da família. O "deus dos pais" não tinha um local fixo de culto, residia em uma tenda especial e acompanhava as viagens do clã pelo deserto e pela estepe, assegurando o bom relacionamento com os vizinhos e protegendo os membros do clã contra os infortúnios das viagens. O "deus dos pais" não possuía uma representação figurativa, porque é extremamente difícil no deserto e na estepe a confecção de imagens.
Paralelamente ao culto do "deus dos pais", os hebreus veneravam árvores, fontes de água, grutas, montes, etc., que se relacionavam de alguma maneira com os eventos lendários do mito do "deus dos pais" (locais por onde o antepassado passou, etc.). Por outro lado, estes objetos da natureza também eram compreendido como entidades sagradas, pois, eram o receptáculo de uma força invisível, similar aos gênios das tribos árabes.

B) O culto às pedras. Os hebreus dos século XIV também veneravam pedras mágicas, os terafins, relacionados também ao culto ancestral. Apareceram após a supressão ao culto de imagens de "deusas-mães", que as mulheres recorriam a sua proteção no momento do parto. Os terafins não eram propriamente deuses mas, amuletos mágicos, símbolos da prosperidade. Estas pedras eram mantidas dentro das tendas.
 "E fez Gideão dele um éfode, e colocou-o na sua cidade, em Ofra; e todo o Israel prostituiu-se ali após ele; e foi por tropeço a Gideão e à sua casa."  (Juízes 8 : 27)
"E teve este homem, Mica, uma casa de deuses; e fez um éfode e terafins, e consagrou um de seus filhos, para que lhe fosse por sacerdote."  (Juízes 17 : 5)
Moisés faz uma serpente em uma haste e
todos que olhassem para ela seriam curados
C) O culto às forças naturais e à serpente. Era crença corrente que uma entidade furiosa habitava o deserto e os hebreus imputavam a esta força a responsabilidade pelas tempestades de areia que derrubava as tendas e desaparecia com as rezes, além de trazer as doenças como urticária que atacavam o gado. Para aplacar a ira desta entidade, os hebreus recorriam ao sacrifício do cordeiro e do bode. Era um sacrifício pascal, praticado antes do início da primavera, quando então, imolava-se um cordeiro. Um sacrifício análogo ocorria no outono, antes da transumância para a pastagem na estepe, quando então, era solto um bode no deserto. A circuncisão, prática encontrada entre os sacerdotes egípcios da Antiguidade e numerosas tribos árabes, era uma medida para afastar a infertilidade que poderia abater tanto sobre a família quanto sobre o gado: para agradá-la, recorria-se a circuncisão, a entidade fugia afugentada pelo horror ao sangue ou era aplacada com o rito. O prepúcio era oferecido e, ocorria na ocasião da passagem do membro masculino para a vida adulta ou da iniciação ao casamento. O culto à serpente era uma prática muito comum na Palestina; imagens de serpentes recebiam culto especial pois, com este culto apotropeico, os hebreus julgavam afastar ou minimizar as picadas das víboras reais, já que eram muito freqüente na Palestina.
 
A circuncisão já era praticada no Egito.
D) Práticas mágicas. Os hebreus eram um povo rude, sem escrita e muito supersticioso. Havia numerosas interdições religiosas de carácter alimentar, sexual e social. Vivendo em um ambiente hostil do deserto e da estepe, em confronto com povos vizinhos e sofrendo constantes perigos de animais selvagens, os hebreus recorriam freqüentemente às magias. Entre elas, destacam-se a crença no "mau olhado", o poder mágico da palavra (proferido como bênção ou maldição pelo moribundo), a crença na magia da dança da chuva e da dança da guerra, o uso mágico do vestuário, a magia da impostura da mão, o uso da necromancia, etc. Havia, curandeiros, videntes, adivinhos.

E) Os mitos. Há forte indícios que os antigos hebreus conheciam uma pluralidade de mitos, entretanto, a grande maioria foi combatida e propositadamente esquecida pelo clero iaveísta. Os hebreus acreditavam na existência de gigantes, do monstro marinho Tannin e no dragão Leviatã; possuíam uma concepção que acima da abóbada celeste era coberta por água. A presença mitológica de animais fabulosos, os serafins, criaturas sinuosas, serafim está na raiz srph, (seraph), que significa "abrasador", uma alusão a crença em dragões.

IV - O antigo iaveísmo (sécs. XIII e XII)
Com o assentamento em Palestina, os hebreus, agora denominados israelitas, tornaram-se agricultores e fundaram uma confederação tribal denominada Beni-Israel, filhos de Israel. Nesta época, o contato com a civilização cananéia provocou modificações na religiosidade israelita. O culto ao "deus dos pais" foi substituído pelo culto à divindade cananéia El, o deus do céu, da palavra el, originou no hebreu o termo eloá, deus; a palavra eloim é o plural intensivo de eloá, para designar a majestade divina.

A) A emergência do culto de Iavé. A origem de Iavé está ligada ao grupo que saiu do Egito em 1.200 a. C., conheceu a divindade madianita Yahu e fez o sincretismo com o Ya'uq dos árabes, constituindo, então, em Yaho. Deus guerreiro, senhor do relâmpago, tal como sugere o nome original Yaho do verbo hwh/hwy primitivo, que significa "cair", "abater", ou "descer", uma clara alusão ao relâmpago, assegurava a vitória sobre os inimigos de Israel.
O grupo que saiu do Egito dirigiu-se ao oásis de Cades, onde ali receberam elementos que futuramente iriam se constituir na tribo dos levitas. Esses futuros levitas cultuavam o deus-serpente Nehustan da palavra nahash, o deus símbolo da sabedoria e da cura medicinal. Os levitas, cuja palavra árabe lawah significa "desenroscar-se", possui uma etimologia muito parecida com Levi-athan, o dragão, adentraram ao círculo de Moisés após a saída do Egito e identificaram em Iavé atributos do seu próprio deus e foram um dos principais divulgadores do iaveísmo. Este clero trouxe para o culto israelita um nova modalidade de adivinhação: os objetos de pedra urim e tumim (que significam respectivamente "maldito" e "inocente"). Relacionados a prática oracular, estes objetos eram mantidos dentro de sacolas, e quando se fazia uma pergunta e se tirasse um tumim, significava um "sim", e se tirasse um urim significava um "não".
Iavé era sempre evocado no contexto das batalhas com os povos vizinhos como convém a um deus guerreiro, pois, era o protetor da confederação tribal israelita.

Efode, um tipo de oraculo de pedras utilizado
pelos sacerdotes em sua veste para se
comunicar com deus


B) Os outros cultos. Com a adoção da agricultura, os israelitas cultuavam os diversos "baals" de cada localidade, tidos como generosos propiciadores de abundante colheita. Era a Baal e não a Iavé que os agricultores israelitas julgavam a responsabilidade da fertilidade do solo. Os "baals" eram concebidos na forma de um tronco de árvore decepado, de uma estaca de madeira fincada no terreno ou na forma de um amontoado de pedras.
Os terafins assumiram uma forma humana e passaram a ser amuletos de cunho pessoal, em vez de ser da família, como era na época da pastorícia. Quando os terafins eram recobertos com algum tipo de metal chamavam-se de éfode. O éfode, do hebraico 'pd, significa: 1o a parte do vestuário sacerdotal, a tanga de linho, usada pelos ministros do culto, 2o o éfode do sumo-sacertode, espécie de colete preso por um cinto e suspensório, 3o os objetos oracular e surim e tumim.
 "Antes andaram após o propósito do seu próprio coração, e após os baalins (Baals , deuses), como lhes ensinaram os seus pais."  (Jeremias 9 : 14)
V - O Iaveísmo no Período dos Juízes (secs. XII - X a. C.)

A) Os ritos agrários. No período pré-estatal, os israelitas adotaram muitos deuses cananeus, além de El e de Baal, as divindades cananeias adotadas possuíam um atributo específico, de acordo com a divisão do trabalho, reflexo que se operava na complexificação da sociedade. Havia Dagon, o deus do trigo; Astarte, a deusa do amor; Tammuz, o deus da vegetação; a deusa do Sol, Shapach, e a deusa-mãe Asherah associada ao culto de Baal. 
"E levou-me à entrada da porta da casa do SENHOR, que está do lado norte, e eis que estavam ali mulheres assentadas chorando a Tamuz."  (Ezequiel 8 : 14)

A preocupação com a fecundidade da terra afetou profundamente o iaveísmo. Os camponeses adoravam Iavé na forma de um touro em um altar cercado por uma paliçada (que mais tarde a teologia sacerdotal transformou na narrativa do "Bezerro de Ouro"). A assembléia de anciãos recorria a Iavé na forma de máscaras humanas (encontradas em Hazor) para obter oráculos sobre a estratégia de guerra. E, na liturgia, os sacerdotes utilizavam um objeto, o éfode.
 "Porém ele restituiu aquele dinheiro à sua mãe; e sua mãe tomou duzentas moedas de prata, e as deu ao ourives, o qual fez delas uma imagem de escultura e uma de fundição, que ficaram em casa de Mica."  (Juízes 17 : 4) Mica, um juiz de Israel.

B) Os deuses tribais. Cada tribo, além disso, possuía um patrono: o asno, o cordeiro, o bezerro. As tribos do norte (José e Efraim) cultuavam o deus-touro, símbolo da fecundidade.

C) O deus El. A divindade cananéia El era o deus do céu, os cananeus julgavam-no o criador do mundo e da humanidade; o seu culto foi sobrepujado pelo deus Baal, tornando, assim, um deus ocioso. Entretanto, os israelitas associaram os atributos do deus El ao deus Iavé, criando agora um novo sincretismo. Acontece que o El israelita era uma divindade da confederação tribal, era uma entidade impessoal, por exemplo, Iavé-El era adorado sob a forma de vários epítetos, cada um deles evocado de acordo com um contexto específico. El Elion, o deus altíssimo (a parte mais alta de uma porta); El Shaddai, "o todo poderoso" (na verdade, a etimologia da palavra sugere ser o deus da estepe: shaddu, estepe), era cultuado em Manre; El Sebaot, o "deus das hostes celestiais", evocado no contexto da batalha, era adorado em Silo;El Ro'i, o deus da visão, "o onisciente", cultuado em Neguebe; El Olam, o deus eterno, cultuado em Berseba; El Bethel, o deus de Bethel, cultuado nesta cidade; sem mencionar, é claro nos vários qone eretz, o possessor do solo, representado pelos "baals", e o massebah (plural massebot), estela de pedra, na forma de um falo, símbolo das divindades masculinas cananéias. Havia um versão feminina dessa estela: a asherah (plural asherot).

D) A representação de Iavé. O carácter anícola de Iavé não foi uma peculiaridade na História das Religiões. Na Antigüidade houve povos que concebiam que o seu deus supremo como uma divindade cósmica, com poderes extraordinários mas, restritos ao seu país. Estes povos concebiam o seu deus sob a forma humana mas, admitiam que nenhum humano podia vê-los. Inclusive, entre os assírios, Assur, aparentemente não chegou a ter representação figurativa. Além disso, as tribos árabes do norte da Síria possuíam uma concepção metafísica de uma força invisível, o princípio 'l, que certamente contribuiu para a formação do mito de Iavé. Por outro lado, os israelitas não desconheciam ídolos religiosos, como já foi mencionado. Ademais, além do símbolo do touro, no dia a dia da vida do camponês havia o éfode, a massebah, e a arca da aliança, o símbolo da presença do deus. Os trechos do Êxodo XX, XXIII e XXIV, 17 proíbem a representação do deus de Israel moldado em metal, ouro ou prata, o que deixa livre o uso de outros materiais como osso, madeira e pedra, certamente menos custosos. Era senso comum que os israelitas concebiam do seu deus nacional Iavé na forma humana e pertencente ao sexo masculino; é um deus temível, exigente, vingativo e muito ciumento - constitui um reflexo de uma sociedade altamente militarizada, machista e patriarcal -, protegia seu povo e era implacável com quem o contestasse. Os textos do Pentateuco comentam a sua personalidade: Iavé descansa, arrepende-se, ira-se, alegra-se, ouve, vê e fala aos homens.

E) O monoteísmo. Na mente da população camponesa, iletrada e restrita ao seu território, a idéia de uma divindade humana, de carácter universal, única e sem representação figurada era deveras abstrata e difícil de conceber. Outrossim, os israelitas aceitavam normalmente que os deuses de outros povos eram tão verdadeiro quanto o seu, Iavé era o deus nacional de Israel assim como Marduc era o deus nacional da Babilônia, Assur o deus dos assírios, Quemoch o deus dos moabitas e Milcom, a divindade protetora do povo amorita, o que significava que o israelita comum professava uma monolatria (processo pelo qual um devoto diante de uma multiplicidade de divindades, declara culto exclusivo a uma só, por uma espécie de bajulação excessiva e uma relação afetiva para com o seu deus, excluindo os demais deuses mas, reconhecendo-os como reais).

VI - O iaveísmo no período da monarquia (secs. X - VII)
O iaveísmo conviveu com a religião cananéia e foi pouco a pouco absorvendo suas concepções. Tal sincretismo continuou por muitos séculos, tal como podemos encontrar na religião dos colonos judeus, no século V a. C., em Elefantina, Egito, que, inclusivamente, conceberam uma divindade fêmea consorte de Iavé: Anat Iahu.
Iavé estava a frente de uma multiplicidade de divindades, era o deus supremo de Israel, o protetor da confederação tribal, contudo, no dia a dia, os israelitas recorriam as divindades mais ligadas ao culto agrário: os deuses tribais tinham mais substância e presença do que o deus supremo - Iavé era o deus nacional da confederação tribal e não um deus de cunho pessoal. Por outro lado, devemos considerar que as concepções do iaveísmo variavam muito de aldeia para aldeia e na prática, cada pessoa interpretava livremente os mitos e os ritos.

A) A participação do Estado na religião. Quando a realeza unificou as tribos, deu realidade a idéia de Israel, mas tarde formulada na mitologia do "pacto". Neste ponto, o iaveísmo foi bastante promovido pelo Estado: foi a corte e o clero ligado ao palácio que tiveram recursos para criar a literatura religiosa e o culto elaborado. Na ideologia de Estado, Iavé foi comparado à realeza: era um deus que governava Israel com sua corte celestial; dizia-se que Iavé possuía servos, mensageiros, um trono e indumentária; reinava em Israel assim como os outros deuses reinavam em outras nações.
O clero elaborou um primitivo decálogo (dez mandamentos), mais tarde atribuído a Moisés, onde podemos encontrar as antigas concepções do iaveísmo:
1- Não curvarás a tua fronte diante de nenhum deus estrangeiro.
2- Não construirás nenhum deus de metal fundido.
3- Observarás sempre a festa dos ázimos, no mês de nisan(março/abril), para recordar a tua passagem no deserto. [O termo hebraico é pesah, em grego é dito pascha, que se tronou depois páscoa. Relacionava primitivamente à festa do início da primavera. Veja a parte III-C.]
4- Todo primogênito é meu: resgatarás com um sacrifício o primeiro parto entre a criação, grande ou pequena, o primogênito entre os filhos. [O sacrifício de crianças não era desconhecido pelo iaveísmo; sacrificava-se crianças na ocasião da erecção da pedra angular ou no término de uma construção; entretanto, considerando a alta taxa de mortalidade infantil, é possível que as crianças fossem oferecidas já mortas. Outrossim, o sacrifício a Iavé era as rezes]
5- Jamais comparecerás diante de mim de mãos vazias.
6- Três vezes por ano todos os teus filhos homens comparecerão perante o Senhor. [As três festas pastorais da primavera, do verão e do outono]
7- Jamais deixarás correr o sangue da minha vítima diante do pão fermentado. [Lembranças das velhas proibições rituais, ligado ao carácter sagrado do sangue e do lêvedo]
8- Não deixarás para amanhã o consumo de minha vítima pascal. [ Para que não se esgote a carga mágica que traz em si todo animal sacrificado aos poderes divinos]
9- Levarás a flor das flores das primícias do solo à casa de Iavé.
10- Não cozinharás o cabrito no leite da sua mãe. [Esta é uma antiga proibição tabu, encontrada, sob uma forma mágica, em uma das lâminas órficas descoberta nos túmulos da Magna Grécia, em Turi, hoje Terra Nova de Sibari, Calábria, século IV a. C.: "Cabrito cai no leite", isto é, estou para me tornar imortal]

B) Os novos mitos. Israel agora concebia a sua divindade principal com a mesma noção de deuses indo-europeus e sumero-acadiano, isto é, como um senhor poderosíssimo acima da humanidade, ao qual o devoto deveria submeter-se e servir; de fato, isto se explica pelo motivo de o iaveísmo está no contexto de uma sociedade de classes, reflexo da existência de senhores poderosos reais. O clero estatal elaborou uma mitologia para a religião, graças aos acréscimos vindo da Mesopotâmia: da Assíria, incorporaram a idéia de querube (plural, querubim), do caribu assírio, gênios com cabeça de homem, corpo de leão ou touro, asas de águia e patas de ouro, que vigiavam as portas de templo e palácios; da Babilônia, Iavé foi comparado a Marduc, o deus que derrotava o dragão Tiamat e criava o mundo, em Israel, o monstro era o dragão marinho Leviatã. Iavé estava acima do bem e do mal; a abundância, as graças, infortúnios e as pragas era devido a Iavé - os textos bíblicos mencionam que Iavé amaldiçoa gerações inteiras, destrói cidades, aflige a humanidade com dilúvios, etc. Contudo, a jurisdição de Iavé sob o mundo não era total; era idéia corrente que após a morte o defunto não estava mais sob a proteção do deus.
Um outro mito que foi combatido e propositadamente esquecido pelo clero iaveísta foi a lenda da primeira mulher de Adão: Lilith, que se revoltou contra o seu marido. Esta lenda se tornou um escândalo para a sociedade patriarcal e machista, e foi rejeitada na redação final do Gênesis.


C) Reformas religiosas. Os reis Saul, Asa, e Josafá proibiram a necromancia, a prostituição sagrada, em seguida, combateram a erecção de estacas divinas (massebah). Saul e depois Josias passaram a perseguir e a punir os feiticeiros com a morte (1Sm XXVIII, 3 e 9; 2Rs XXIII e XXIV).
Ocorre gradativamente o desaparecimento do ro'eh, vidente e adivinho para questões privadas, cujo Samuel foi um dos últimos, é substituído pelo nabi (do cananeu, nabu, "aquele que foi chamado") profeta de origem cananéia que se vestia de manto de pele preso por um cinto de couro, levava uma vida cenobítica, perambulando em grupo pelas regiões e profetizando sob a autoridade de um chefe, chamado "o pai".

VII - O Iaveísmo no século VII
Uma nova versão do decálogo foi elaborada, que remonta ao período que vai do século VII ao século VI a. C. Havia duas versões, a mais antiga está incluída no Deuteronômio V, 6-18, pode ser atribuída ao programa de reforma religiosa, e a outra, a mais recente, está transcrita no Êxodo XX, 2-17, e é de carácter litúrgico-ritual, pertence ao período de cem a duzentos anos após a tomada de Jerusalém pelos babilônios;
1- Não terás outro deus diante de Iavé. [Trata-se de uma afirmação de monoteísmo ritual, e não teológico; outros povos possuem deuses tão verdadeiros quanto Iavé, mas os israelitas não podem cultuá-los]
2- Não esculpirás nenhuma imagem e nenhuma representação de coisas que estejam no céu, sobre a terra e nas águas debaixo da terra.
3- Não pronunciarás em voz alta o nome do Senhor. [Quem possui o segredo do nome também possui o poder mágico que ele confere; é por isso que é necessários impedir que os estrangeiros possam apoderar-se do nome do deus]
4- Guardai escrupulosamente o dia de sábado. [O sábado era a festa da lua cheia dos sumérios, os babilônios tomaram dos sumérios com o nome de shabattu; abstiam de trabalhar nos dias "que traziam desgraças" (dias 7, 14, 21, e 28 dos dois meses de Elul II e Marchesvan). Os cananeus tomaram o sábado dos babilônios que, por sua vez, transmitiram aos israelitas com o nome de shabbath. Era o dia do repouso e "ação de graças" recordando os anos que os hebreus passaram como escravos no Egito, e foi mais tarde estendidos aos escravos hebreus. Sob o impulso dos profetas do século VII, teve um significado teológico: o dia de descanso de Iavé]

5- Honrarás teu pai e tua mãe. [Trata-se de um preceito que se seguido assegura longos anos de vida na terra]
6- Não matarás. [Em hebraico, a expressão é "não assassinar", isto é, não matar um membro do clã; outrossim, a morte do inimigo, mulheres e crianças, é admitida]
7- Não praticarás adultério. [Isto é, apenas não seduzir uma mulher casada ou apenas prometida a outro; seduzir uma mulher núbil ou escrava não é adultério, e o mesmo não se aplica às mulheres]
8- Não roubar.
9- Não levantar o falso testemunho contra o teu vizinho.
10- Não desejar a mulher do seu vizinho, nem o seu campo, a sua escrava, o seu escravo, o seu boi, o seu asno, etc. [O termo hebraico para desejar é "por os olhos em cima", é provável que se refira ao mau olhado, isto é, lançar um mau agouro sobre a propriedade alheia]

VIII - Epílogo
Com o cisma político, Iavé tornou-se um deus nacional de dois povos inimigos. Este foi o primeiro exemplo histórico que permitiu a concepção de um deus de uma outra nação, e daí para o universo.
Foram os nabim (singular: nab), profetas errantes que combateram o culto deBaal e outros deuses, transformando a religião iaveística centrada no templo de Jerusalém, e depois, pelos sacerdotes do exílio, em uma religião ritualista.

IX - Bibliografia
FOHRER, Georg: História da Religião de Israel, Edições Paulinas, 1982.
HUBERT, Henri et Lévy, Isidore: Manuel d’Histoire des Religions, Librairie Armand Cilin, Paris, 1904.
DONINI, Ambrogio: Breve História das Religiões, Editora Civilização Brasileira S/A, RJ, 1965.
BRANDON, S. G. F. (editor): Dictionary of Comparative Religion, The University of Manchester Press,Londres, Inglaterra, 1970.
DONNER, Herbert. História de Israel e dos Povos Vizinhos. 1a edição. Petrópolis, R. J. : Editora Vozes S. A., 1997. 535 páginas, em dois volumes.
GARELLI, Paul et NIKIPROWETZKY, V. O Oriente Próximo Asiático (impérios mesopotâmicos e Israel), 1a edição. São Paulo, S. P. : Editora Universidade de São Paulo, 1982. 338 páginas.
MOSCATI, Sabatino. Las Antigas Civilizaciones Semíticas. 1a edição espanhola. Barcelona, Espanha :Editiones Garriga S. A., 1960. 318 páginas.
CARREIRA, José Nunes. Estudos de Cultura Pré-Clássica. 1a edição. Lisboa, Portugal : Editora Presença, 1985.


fonte: http://deusesehomens.com.br/deuses/israelita-judaico/item/181-o-politeismo-no-antigo-israel

10 comentários:

  1. Meu caro, como disse no meu comentario anterior sobre ecologia, tenho acompanhado as tua postagens a ja algum tempo (1 ano e mais qualquer coisa) e digo que esta foi a melhor postagem que ja fizeste, Estas de parabens!!! por explorar mais informacoes, principalmente historicas e longe das asneiras teologicas, mais uma vez PARABENS!!! o unico ponto negativo e' a mencao de Israel como escravo no Egipto e sua passagem no deserto, sabendo que isto nao passa de invencao de um dos povos mais sem escrupulos que ja existiu na face da terra. ademais Parabens. um abraco "da Mata"

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    1. Por que vc afirma que a história de Israel no Egito e sua passagem no deserto é uma invenção ?

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    2. Por que vc afirma que a história de Israel no Egito e sua passagem no deserto é uma invenção ?

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  2. Você citou 1 Samuel 15:30, e se referiu a Deus como Jeová onde está escrito no hebraico SENHOR, você é Testemunha de Jeová? As TJs acreditam que tem que chamar Deus pelo nome Dele, então por que usa o Je se no hebraico e no grego não existe o J? Eu o chamo pelo título, por Jeová, Pai, Eterno, mas eu não penso assim: Que temos que chama-lo pelo nome.

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    1. Não sou testemunha de Jeová. Muitos teólogos utilizam o título Jeová como uma aportuguesação. No próprio artigo mostra que este título é uma pronuncia do tetragrama com os sinais massoréticos de Adonay. Neste caso, o artigo não é meu, e nas referências citadas abaixo do artigo o autor é um ex-testemunha de Jeová, por isso ele optou por se referir a Deus com este título. Abçs

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    2. Obg por me responder, vlogdo ronaldo.

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  3. Já pode verificar a parte sobre analise do livro a historia de Deus? https://www.youtube.com/watch?v=g3zHxUurS-A

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  4. Este é o nome de Deus(YHVH), Traduzido YAHWEH .

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  5. É verdade que os deuses pagãos da antiguidade tinha atribuições, poderes e virtudes, tais deuses foram criados e esculpidos por homens; esculpidos para identificar suas divindades(espiritos, poderes ou senhores no Hebraico: Baal´s) conforme a sua crença(s), cultura e vida. É notório para mim que sou um Servo de Yhwh e estudante da Sua Palavra que o homem se extraviou do Verdadeiro Elohim por Adã e Eva e á partir daí as trevas (confusão, engano) começou a crescer na humanidade e o pecado tomou conta da sociedade pré-diluviana pela corrupção, maldade e violência; neste contexto só sobreviveu noé e os seus que entraram na arca da salvação. Após o Diluvio Elohim confirma novamente a sua aliança com o Homem, pois YHWH ama o Homem! É evidente que na antiguidade se teve homens retos monoteístas Ex: Adão, Abel, Enos (como está escrito em Gn 4:26 que á partir dali se começou a evocar o no de Adonai) e em Gn 5:24 A Palavra do Eterno diz: E andou Enoque com Elohim... E Elohim o guardou(tomou para si) para que a corrupção não o contaminasse e etc. É por demais evidente que logo depois do diluvio a raça humana recomeça sua reprodução e novamente sua natureza carnal se sobrepõe a rezão e a verdade, seu coração desligado de D-us(que não buscava a reconciliação) o faz construir uma Torre que demonstrava sua rebeldia e incredulidade. É importante relembramos que a influencia de Lucifer e seus anjos não pararam no Edem, suas manifestações eram reais; ainda mais pelo coração perverso daquela geração! O homem inventou ídolos para si, ídolos que retratavam imagens da criação ex: figuras de homens, animais ou a misturas de ambos; usavam ferramentas ou armas de guerra nos bonécos que lhes conferiam significados como guerra ou colheita. O homem se afastou de Elohim para não obedece-lo, nisso se criou alternativas: os ídolos. Os homens ficaram tão cegos pelo pecado que já não conseguiam compreender a Yhwh que era invisível. Fizeram D-us a sua imagem e semelhança (mortos e cegos) de barro, pedra e metais. Tais Baal´s receberam atributos tais: Senhor dos Céus, Todo-Poderoso, Unipresente (olho que tudo ver), Senhor do Juizo. É de se compreender que o homem tivesse essa noção que apesar de não ter mais comunhão com Elohim Invisível, se ficou a genialidade e se atribui-o ao ídolos atributos de homem e de D-us como liderança e juízo. (O homem é imagem de Adonai, não física, mas Espiritual) como semelhante a D-us o homem pode pensar, julgar e agir; é terrível ver tamanho adultério da Natureza de D-es feita pelo homem, O transformando em Bonecos!(Assim como satanás o homem quer tomar o lugar de D-eus, para criar divisão, uma terra dividida cheia de deuses (que representa a natureza humana caída) e interesses egoístas e particulares.) Então, na minha opinião o D-us que se revelou a Abrão é o Verdadeiro D-us, Ele é tudo: Senhor de Tudo: da visão, da justiça, do poder, da vida, Ele é um Só, o cabeça. Os homens daquela Época sabia da influencia dos espíritos(poder) sobre a matéria, mas eles não queriam o SENHOR DOS ESPÍRITOS YHWH, eles queriam os poderes menores, os demônios (representados pelos seus ídolos), a quem negociavam sacrifícios para alcançarem seus objetivos perversos sem censura ou bençãos sem deveres justos. Adonai por todos os tempos enviou profetas Seus para clamar por Arrependimento, e sempre deu ao homem a capacidade de conhece-lo pela própria natura e seu Espirito Santo. Agora aqui fica a escolha de cada um de nós: A benção ou Maldição. Obrigado a todos ass. Iago Ventura.

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