Analise das escrituras, traduções e elementos pagãos colocados posteriormente no cristianismo.
"Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" Jo8,32
O livro de Atos, tendo 28 capitulos, termina abruptamente, deixando o leitor em suspense:
"31 pregando o reino de Deus e ensinando as coisas concernentes ao Senhor Jesus com toda a intrepidez, sem impedimento"
É o único livro que não tem uma finalização formal. Dos 27 livros do novo testamento, apenas dois não trazem um final explicito: Atos e a carta de Tiago. A carta de Tiago, contudo, possui recomendações finais aos leitores, demonstrando o seu final. Atos, porém, parece não ter fim. No codex sinaiticus, no entanto, o livro tem um ultimo capitulo.
Alguns estudiososn creem que o final de Atos teria se perdido. Outros, que teria sido terminado por Lucas após o martirio de Paulo. Outros acreditam que não tem final porque os crentes atuais estariam vivendo seu final, a igreja moderna. Dentre outras teorias....
Durante o reinado de Luis XVI (1774 a 1793), um cientista francês C.S.Sonnini viajou por ordem do rei ao oriente médio. Durante sua passagem pelo império Otomano, Sonini recebeu um presente do sultão Abdoul Achmet.
O presente recebido por Sonini era uma verdadeira reliquia: uma cópia de um manuscrito em grego do livro de Atos contendo o seu encerramento: o capitulo 29! O manuscrito fora descoberto nos idos de 1780, nos arquivos de Constantinopla, no mesmo local onde o didaquê havia sido encontrado.
Sonini traduziu a parte final de Atos do manuscrito grego para o francês e para o inglês. A tradução para o inglês foi encontrada em uma cópia do livro de Sonini "Viagens na Turquia e na Grécia", pertence à familia de Sir.John Newport, da Irlanda. O livro continha o brasão da familia de Sr.Newport, e uma cópia da permissão do sultão da Turquia para que viajasse em partes do dominio Otomano. O capitulo final de atos foi publicado no inglês em 1799.
Um dado importante que temos para legitimar o manuscrito de Sonini é que de fato, sabemos que a viagem de Paulo à Espanha e possivelmente a outras regiões da Europa atual de fato ocorreram. A narrativa acerca da viagem de Paulo, passando também pela Espanha, é coerente com o que é relatado em Romanos 15, 23-29:
... Assim que, concluído isto, e havendo-lhes consignado este fruto, de lá, passando por vós, irei à Espanha"
Vemos aqui que de fato Paulo tinha a intenção de ir á Espanha.
A geografia de Atos 29, além de perfeita é totalmente condizente com o mundo romano do primeiro século.
Um bom exemplo disso é o porto romano de Rafinus, conhecido na Inglaterra dos dias atuais com "Sandwich" (em Kent). O mais impressionante é que há uma história corrente naquela região de que Paulo teria de fato a visitado. Na época dos Saxões havia uma casa naquele exato local que havia sido chamada de "Casa dos apostolos". Tais evidências tornam muito improvavel a não-autenticidade do manuscrito Sonini.
Vejamos o final deste capitulo, baseado na tradução de Sonini e na versão em inglês do codex:
1 E Paulo, cheio das bênçãos de Cristo, e cheio de espírito, partiu de Roma, determinado a ir para a Espanha, pois tinha há muito tempo proposto fazer uma viagem para lá, e estava disposto a andar dali para a Bretanha.
2 Porque ele tinha ouvido na Fenícia que alguns dos filhos de Israel, no tempo do cativeiro assírio, escaparam pelo mar para "ilhas de mais longe"[1], como dito pelo profeta, e chamadas pelos romanos de Bretanha.
3 E o Senhor ordenou que o evangelho fosse pregado longe daqui para todas as nações distantes daqui e às ovehas perdidas[2] da casa de Israel.
4 E ninguém impediu Paulo: pois ele testificou corajosamente de Jesus perante os tribunais e entre as pessoas, e levou consigo alguns dos irmãos que moravam com ele em Roma, e tomaram uma embarcação em Ostrium e com os ventos favoraveis, foram trazidos em segurança em um paraíso da Espanha.
5 E muitas pessoas estavam reunidas de cidades e aldeias, e do interior montanhoso, porque tinham ouvido falar da conversão do Apóstolo, e dos muitos milagres que ele fizera.
6 E Paulo pregou poderosamente na Espanha, e muitas multidões creram e foram convertidas, porque perceberam que ele era um apóstolo enviado por Deus.
7 E eles partiram da Espanha, e Paulo e seus companheiros encontrando um navio em Armórica que viajava até a Bretanha, eles entraram nele, e passando ao longo da Costa Sul, eles chegaram a um porto chamado Rafinus.
8 Ora, quando foi dito no estrangeiro que o Apóstolo havia pousado em sua costa, uma grande multidão dos habitantes o conheceau.E trataram com cortesia a Paulo e ele entrou pela porta oriental da cidade, e se alojou na casa de um hebreu e um de sua própria nação.
9 E no dia seguinte ele veio e ficou sobre o Monte Lud e as pessoas se aglomeravam no portão, e se reuniam no caminho largo, e ele pregou o Messias, e eles acreditaram na palavra e testemunho de Jesus.
10 E á noite o Espírito Santo desceu sobre Paulo, e ele profetizou, dizendo: "Eis que nos últimos dias, o Deus da Paz viverá nas cidades, e seus habitantes serão numerosos. E no sétimo censo do povo, os seus olhos se abrirão, e a glória da sua herança brilhará diante deles. As nações virão adorar no monte que dá testemunho a paciência e a longanimidade de um servo do Senhor.[3]
11 E nos últimos dias notícias novas do evangelho devem sair de Jerusalém, e o coração do povo se alegrará, e eis que, as fontes serão abertas, e não haverá mais praga.
12 Naqueles dias haverá guerras e rumores de guerra, e um rei se levantará, e a sua espada, será para a cura das nações, e Sua paz devem respeitar, e a glória do seu reino será uma maravilha entre os príncipes.
13 E aconteceu que alguns dos Druidas chegaram até Paulo em particular, e mostraram por seus ritos e cerimônias que eles eram descendentes dos judeus que escaparam do cativeiro na terra do Egito, e o apóstolo acreditou nessas coisas, e ele deu a eles o beijo da paz.
14 E habitou Paulo em seus aposentos por três meses, confirmando continuamente e pregando o Messias continuamente.
15 E depois destas coisas, Paulo e seus irmãos partiram de Raphinius e navegaram até Atio na Gália.
16 E Paulo pregou na guarnição romana e entre o povo, exortando todos os homens a se arrependem e confessarem seus pecados.
17 E veio a ele alguns dos belgas para inquiri-lo sobre a nova doutrina, e do homem Jesus, e Paulo abriu seu coração a eles e disse-lhes tudo o que lhe tinha acontecido com ele e com o Messias.Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, e eles partiram ponderando entre si as coisas que tinham ouvido.
18 E depois de muita pregação e trabalho, Paulo e seus companheiros passaram em Helvetia, e chegaram ao monte Pôncio Pilatos, onde aquele que condenou o Senhor Jesus caira,e, precipitando-se,[4] morrera tão miseravelmente.
19 E imediatamente jorrou uma torrente da montanha e levou seu corpo, em pedaços, em um lago.
20 E Paulo estendeu as mãos sobre a água, e orou ao Senhor, dizendo: Ó Senhor Deus, dá um sinal, para todas as nações que aqui Pôncio Pilatos, que condenou o teu Filho unigênito, caiu precipitado no fosso.[5]
21 E, enquanto Paulo estava ainda falando, eis que veio um grande terremoto, e a face das águas foi alterada, e a forma do lago tornou-se semelhante ao Filho do homem pendurado em agonia sobre o madeiro[6].
22 E uma voz veio do céu, dizendo: "Até Pilatos escapou da ira vindoura pois ele lavou as mãos diante da multidão no derramamento de sangue do Senhor Jesus".
23 Quando, pois, Paulo e os que estavam com ele viram o terremoto, e ouviram a voz do anjo, eles glorificaram a Deus, e foram poderosamente fortalecidos pelo espírito.
24 E eles viajaram e chegaram ao monte Júlio onde haviam dois pilares, um à direita e outro à esquerda, erguidos por César Augusto.
25 E Paulo, cheio do Espírito Santo, levantou-se entre os dois pilares, dizendo: "Homens e irmãos, estas pedras que vós vedes hoje testemunharão de minha jornada para cá. E em verdade vos digo, elas devem permanecer até que a efusão do Espírito sobre todas as nações, nem será o caminho obstruido por todas as gerações".
26 E eles saíram e vieram até IItricum, pretendendo ir pela Macedônia para a Ásia. E graça e foi encontrada em todas as igrejas, e eles prosperaram e tiveram paz. Amém
Lake Lucene
[1] 29:2 Isaias 66,19
[2] 29:3 Algumas versões simplificam "Gentios"
[3] 29:10 Ezequiel 20,24
[4] 29:18 Outra versão diz: "Caindo de cabeça para baixo"
[5] 29:20 var. mergulhado no buraco
[6] 29:21 O "Lake Lucene" geralmente atribuido a este mencionado no livro, realmente tem o formato similar a uma cruz, mas é improvavel que seja o mesmo lago. A palavra geralmente designada referindo-se a crucificação de Jesus em grego é "Stauros" que significa madeiro e não cruz. O lake Lucene fica atualmente na Suiça e não na penisula ibérica, portanto, apesar de terem atribuido este lago, provavelmente o lago que o apostolo se refere pode ser outro. Também não podemos ignorar que apesar de a palavra ser madeiro, históriadores acreditam sim que Jesus tenha sido crucificado em uma cruz, pois este tipo de madeiro (cruz) ja era utilizado por Roma em alguns casos.
Por que Deus não destruiu Satanás? Essa é uma das perguntas mais dificeis para qualquer pastor ou pregador. Existem diversas teorias e explicações para isto. Desde as mais simples até as mais complexas. A maioria se baseia principalmente na parabola de Yeshua sobre o Joio e o trigo (Mt 13,24-30) de modo analogo, comparando o joio com o diabo.
Ateus e céticos são grandes criticos desta teologia e desta exegese, porque causa um certa impressão de impotência da parte de Deus, ou até mesmo, masoquismo, segundo ateus. Em partes, tais criticas possuem um certo grau de fundamento, pois se cremos que Deus é onipotente, onisciente e onipresente, é no minimo contraditório supôr que ele não possa ou não queira destruir seu inimigo, permitindo que ele corrompa os homens e os leve a pecar.
Certas religiões, como o judaismo ortodoxo, por exemplo, não crêem na existência de satanás como um ser, antropormófico, mas como uma inclinação para o mal de cada ser humano. Outras crenças, como a doutrina espirita, por exemplo, também seguem uma linha de raciocinio semelhante. Ja a grande maioria de religiões cristãs, crêem na existência fisica de satanás, como um ser, inimigo de Deus e da humanidade e que será derrotado na segunda vinda do messias. Algumas religiões possuem isto como dogma fundamental e pilar de fé. Para alguns fundamentalistas a crença na existência do diabo tornou-se tão fundamental quanto a crença no messias. Ja para teologos universitarios, a exegese judaica é mais coerente e menos blasfêmica, pois não torna o criador maligno, nem incapaz, mas tolerante e bom para com o homem.
A primeira coisa que observamos, se seguirmos uma linha do tempo biblica, é a diferença do monoteismo judeu para o cristianismo atual, que segundo alguns teologos, esta mais parecido com a cultura grega que a judaica. Antes de Abraão, os povos do mundo antigo eram politeistas e tinham um deus para tudo. Um deus da agricultura, um dos rios, um das chuvas, em do amor etc...Abraão foi o primeiro homem a reconhecer a existência de um único Deus. A partir dai, surgiu o monoteismo, a crença em um Deus invisivel, poderoso, que era tudo e responsavel por tudo. A partir de Abraão Deus formou seu povo, que se destacava dos demais por ser um povo monoteista e que tinha sempre a presença desse único Deus consigo, abençôando e até ajudando em combates e castigando quando seu povo desobedecia seus mandamentos. Essa caracteristica monoteista, vemos presente também em suas escrituras sagradas. Tudo era atribuido á Deus, até mesmo fatos que são de dificil compreesão para nós humanos, mas que tinham um propósito maior.
Era o próprio Deus que endurecia o coração do faraó do egito,para não libertar seu povo (Ex 9,12); foi o próprio Deus que enviou um espirito mau, o que nós chamamos de demônio, para atormentar o Rei Saul (1Sm 18,10); foi o próprio Deus que levantou Nabucodonossor, rei da Babilônia, contra seu povo como castigo por sua idolatria (Jr21,7) e tudo era atribuido a um único Deus. Quando então satanás entrou nas escrituras? Segundo alguns teologos, ele surge logo no livro de gênesis, como a serpente do Edén que tentou o homem e leovou a sua queda. Isto baseado no que diz o livro das revelações, apocalipse:
"E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele"ap12,9
Mas segundo alguns teologos a narrativa do gênesis não é literal, é simbólica. O judaismo mesmo não interpreta gênesis, Bereshith, literalmente. Alguns teologos ainda atribuem a serpente de forma simbolica, aos anjos que pecaram narrado no livro apócrifo de Enoque. E estes supostos anjos não teriam relação alguma com satanás, sendo que segundo as próprias escrituras eles estariam presos até o dia do juizo:
"Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo;" 2Pe2,4
A palavra "Satã" significa em hebraico "acusador", "opositor" e "Inibidor". Aparece, pela primeira vez no livro de Ióv (Jó), sendo como um promotor celestial. A sua intimidade com Deus e o direito de entrar no "Céu", de ir e vir livremente e dialogar com Ele, torna-o uma figura de muito destaque. Veja o livro de Jó 1:6 "Um dia em que os filhos de Deus se apresentaram diante do Senhor, veio também Satanás entre eles".
Jó
O livro de Jó foi escrito depois do Exílio Babilônico. Sabemos que o povo judeu, tendo retornado a Israel com a permissão de Ciro, rei persa, no ano 538 a.C, assimilou muitos costumes dos persas. Isto ocorreu devido à simpatia e apoio que receberam do rei, que inclusive permitiu a construção do Segundo Templo judaico e ainda devolveu muitos de seus tesouros, que haviam sido roubados. A religião dos persas, o Zoroastrismo, influenciou sobremaneira o judaísmo. No Zoroastrismo, existe o Deus supremo Ahura-Mazda, que sofre a oposição de uma outra força poderosa, conhecida como Angra Mainyu, ou Ahriman, "o espírito mau". Desde o começo da existência, esses dois espíritos antagônicos têm-se combatido mutuamente.
O Zoroastrismo foi uma das mais antigas religiões a ensinar o triunfo final do bem sobre o mal. No fim, haverá punição para os maus, e recompensa para os bons. E foi do Zoroastrismo que os judeus aprenderam a crença em um Ahriman, um diabo pessoal, que, em hebraico, eles chamaram de SATAN - Por isso, o seu aparecimento na Bíblia só ocorre no livro de Jó e nos outros livros escritos após o exílio Babilônico, do ano 538 a.C. para cá. Irônicamente no mesmo livro, todo o mal que Jó passara também é atribuido somente á deus:...e o consolaram acerca de todo o mal que YHWH lhe havia enviado....Jó42,11
Nestes livros já aparece a influência do Zoroastrismo persa. Observe ainda que a tentação de Adão e Eva é feita pela serpente e não por Satanás, demonstrando assim que o escritor do Gênesis não conhecia Satanás. Os sábios judaicos, interpretando o Eclesisastes 10:11, afirmam (Pirkei de Rabi Eliezer 13) que, na verdade, a cobra que seduziu Adão e Eva era o Anjo Samael, que apareceu na terra sob a forma de serpente. Ele, que é conhecido como o "dono da língua", usou sua língua para seduzir Adão e Eva ao pecado. O poder do mal está em sua língua, e este poder pode ser usado somente para dominar o sábio. Ele não pode prevalecer sobre um ignorante. "Naquele tempo falou Jesus, dizendo: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos" Mt11,25
Uma outra observação interessante é que o livro de Samuel foi escrito antes da influência persa no ano de 622 a.C. e, no II livro de Samuel em seu capítulo 24:1, você lê com relação ao recenseamento de Israel o seguinte:
"A cólera de YHWH se inflamou novamente contra Israel e excitou David contra eles, dizendo-lhe: Vai recensear Israel e Judá".
Agora veja esta mesma passagem no I livro das Crônicas, que foi escrito no começo do ano 300 a.C, portanto, já sob a influência do Zoroastrismo persa, com o já conhecimento de Ahriman/Satanás. No capítulo 21:1 desse livro está escrito:
"E levantou-se Satã contra Israel, e excitou David a fazer o recenseamento de Israel".
Portanto, o que era YHWH no livro de Samuel aparece agora no livro das Crônicas como SATANÁS (Confira em sua Bíblia). Assim, está evidenciado que Satanás não é um conceito original da Bíblia, e sim, introduzido nela, a partir do Zoroastrismo Persa.
O livro de Jó também não possui uma interpretação literal. Na biblia hebraica ele figura dentre os livros sábios. Não situa uma época, um rei ou mesmo outro livro da biblia. Ele retrata a história de um homem justo e fiel, mesmo que sem nada e a relação de d'us com o sofrimento humano. Interpreta-lo literalmente também implica em contradições com outros livros da biblia. "Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta" Tg1,13
Outra passagem interessante que observamos é em Mateus 16 a partir do versiculo 16, onde Kefa (Pedro) reconhece Yeshua como o Messias: "E Shimon Kefá, respondendo, disse: Tu és o Mashiach, o Filho do Elohim vivo..." E logo em seguida Yeshua mesmo lhe diz que quem lhe revelara isto não foram os homens, mas o próprio Eterno o revelara:...E Yeshua, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Shimon Bar Yona, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus...E logo depois Yeshua lhes diz que terá que sofrer e padecer nas mãos dos homens (vs21) pedro o repreende pois não queria ver seu mestre sofrer e Yeshua então lhe diz:..."Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens" Muito exegetas interpretam esta passagem como se o diabo estivesse usando o apostolo Kefá. Mas esta interpretação gera dois problemas. Primeiro que é estranho imaginar uma manifestação demôniaca, bem na presença de Yeshua HaMashiach, ou mesmo o diabo estar usando o apostolo Kefá no mesmo instante que a Ruach do Eterno estava com ele e acabara de reconhecer Yeshua como messias. Segundo que é também estranho o diabo usar o apostolo Kefá para num ato de compaixão querer impedir que Yeshua sofresse e fosse preso. É no minimo contraditório. Se formos analisar sob a ótica teologica mais profunda, de que satã é só uma palavra que significa opositor, então podemos entender que Yeshua chamou Kefá de Satanás porque ele estava se opondo ao sacrificio que Yeshua teria de passar, portanto, por isso Yeshua o chama de satanás, não por uma possessão.
O mesmo ocorre no exemplo acima, do senso de Israel. Não foi um ser, satã que se levantou em Israel ou utilizou o rei David, mas uma idéia opositora, e o levou a pecar, indo contra a vontade do Eterno. Vemos nos versiculos seguintes do capitulo vinte e quatro de Samuel, que o Eterno Elohim oferece a Davi a opção de escolha de como deveria ser castigado e o próprio rei Davi diz: ...Eis que eu sou o que pequei...(vs17) Observe também que das três opções de castigo que o Eterno lhe oferece, nenhuma é para o diabo, mas todas para os homens: ...Queres que sete anos de fome te venham à tua terra; ou que por três meses fujas de teus inimigos, e eles te persigam; ou que por três dias haja peste na tua terra?(vs13)...Então onde fica a justiça divina neste exemplo? Satã se levanta em Israel, leva o rei David a pecar e quem é castigado é o povo? É claro que isto é incoerente com a própria natureza justa do criador. A explicação teologica e a judaica parecem mais coerente neste caso, que uma idéia opositora tomou conta do Rei David, não um ser.
Para analisarmos bem este tema, primeiro temos que entender que o cristianismo era originalmente uma crença judaica e que depois passou por uma transformação de Roma. Vejamos então a visão judaica sobre este tema. A seguir um texto do Rabi Tovia Singer :
Anjo
A Idéia Original acerca do Satán.
Pra começar, Satán é um conceito judaico, que os cristãos usurparam, deturparam, modificaram, corromperam e antropoformizaram. Como dissemos, a palavra hebraica remete-nos a um inibidor, opositor, adversário [humano; jamais de D-us!] Segundo o Judaísmo, ele é um Maláh (Um ser espiritual autômato enviado por D-us para específicas missões, cuja indicação missionária está no título {nome} que é dado ao ser. Podemos no momento entender este ser simplesmente como “anjo”.) Um anjo, neste contexto é um princípio de força guiada pela Inteligência Suprema, D-us. A função ou missão do Satan é explicada no Talmud da seguinte forma: Esta entidade é o Ietzer Hará. Mais sobe isto: tecle aqui
Esta entidade é o Satan. Esta entidade é o Maláh HaMávet (Anjo da Morte). Começando pela primeira explicação, quando falamos de Ietzer Hará, estamos nos referindo à má inclinação; às NOSSAS idéias estranhas ao nosso próprio objetivo ético e moral; ao desejo que cometer ações contrárias à Lei divina, e às justificativas mentais que são geradas POR NÓS enquanto decidimos sobre fazer ou não fazer aquilo que ferirá os princípios da Lei de D-us que decidimos observar. Do mesmo modo que temos dentro de nós o Ietzer Hará o Instinto ao Mal, temos na mesmíssima medida o Ietzer HaTov o Instinto ao Bem. Do mesmo modo, este nosso lado se mostra presente quando manifestamos pensamentos e conceitos que nos levam a agir à favor do bem e da justiça. Ambos estão dentro de nós na mesma medida.
Assim, por exemplo; se uma pessoa se levanta contra você para te matar, e você subitamente se vê motivado a se defender e proteger sua vida, mesmo que custe a vida daquele que primeiro se levantou contra você, esta é a motivação do Ietzer A essência do Ietzer Hará é o “fervor do sangue”. E a arma do Ietzer Hará é a imaginação, o devaneio. Mas o Ietzer Hará por si mesmo, não é mau, assim como a Imaginação ou o devaneio não são maus por si mesmos. O que ocorre é que a pessoa é aquela que caracteriza as forças dentro de si, tornando-as boas ou más. Outro conceito importante é que somente o ser humano pode ser mau. Portanto, o Ietzer Hará é a natureza humana voltada - pela própria pessoa - para o mal. Em si mesmo, não é mais que uma força neutra que podemos utilizar para o que desejarmos, inclusive para temas espirituais bons e de caráter justo. Já a natureza animal/ emotiva precisa ser controlada pelo intelecto. Após estar convencido de fazer o mal, a decisão da pessoa é levada pelo Satan diante da Corte Celestial para o veredicto. Então ele pode voltar com a missão de punir a pessoa, ou mesmo como a missão de ser o Maláh HaMávet (“anjo” da morte) e por um fim na vida de crimes vivida pela pessoa. Tudo isso são temas de caráter espirituais e portanto, NÃO PODEM SER COMPREENDIDOS LITERALMENTE.
Todas estas colocações são meros exemplos de conceitos puramente espirituais! Uma outra alegoria que explica o que dizemos, é o que é dito em Kabalá: O ar dos céus e o ar do inferno estão sempre nos rodeando. Quando uma pessoa faz uma boa ação esta é escrita no ar dos céus. Quando faz uma má ação é escrita no ar do inferno.
A completa explicação destas alegorias é maior do que o que posso oferecer por agora, mas o ponto principal disso tudo, é que Satán não é mesmo o cara com chifres.
As Escrituras Hebraicas deixam bem claro, que o Altíssimo colocou no mundo, tanto o bem como o mal como está Escrito: Devarim {Deuteronômio} 30:15, "Vê que pus diante de ti hoje a vida e o bem, a morte; e o mal". Em Ieshaiáhu {Isaías} 45:7, o profeta descreve o plano da criação de D-us expressando que, "Eu formo a luz e crio a escuridão; Eu faço a paz e Sou Eu quem cria o mal;EU SOU o ETERNOque tudo faz"
Estes versos declaram abertamente que o único responsável pelo que chamamos de mal é D-us. Estes versos apóiam e comprovam a idéia judaica sobre o balanço espiritual perfeito entre o que denominamos “bem e o mal”, que toda alma confronta. Este é o plano de criação de seres conscientes, realizado pelo D-us o Altíssimo. Ieshaiáhu 45:7 e Devarim 30:15 (ver tbm Is8,,13) apresentam problemas teológicos ao Cristianismo, que mantém que D-us haveria criado o Satan, o anjo que ficou mal. De acordo com a doutrina cristã, o Satán teria sido um anjo elevado, o qual; por um ato de corrupção espiritual e rebelde desobediência, tornou-se o chefe adversário e caluniador de D-us, e teria sido ele quem introduzira o mal no mundo. Na teologia cristã D-us não criou aquilo que chamamos mal, ELE somente seria o autor do que chamamos bem. Portanto - dizem os cristãos - D-us jamais criaria algo tão sinistro como o diabo. Ao invés disso, foi o diabo mesmo que teria se tornado perverso e se transformado no diabo que é hoje. Esta concepção é completamente estranha ao pensamento hebreu (de onde a idéia de Satán se origina), e obviamente não tem suporte nos textos originais hebraicos; nem no sistema legal judaico. Afinal, sugerir que D-us teria criado o Satán perfeito, mas mesmo sendo “perfeito” o Satán ainda pudesse se rebelar contra D-us, mostra que D-us fez algo “perfeito” de forma “imperfeita”. Afinal, se D-us cria somente o bem, o mal é algo fora do seu plano, ou seja; uma conseqüência inesperada, que O levou para um “plano B”...E se o Satan tirou de dentro de si mesmo, sua própria rebelião, então não era de fato perfeito. Satan teria então, um “defeito de fábrica” que transferiria a responsabilidade para D-us, em última análise!
Ignorando esta contradição por enquanto, o Judaísmo ensina que o propósito da criação do Satán é justamente o sugerido por seu nome “ser um inibidor do homem”. Como servo de D-us, o Satan leva adiante os propósitos divinos em todos os seus detalhes. Satan é um dos “anjos” mencionados nas Escrituras Hebraicas. Em momento algum ele é chamado de diabo ou demônio. Em momento algum a palavra hebraica Maláh que significa mensageiro é usada nas Escrituras Hebraicas para referir-se a seres diabólicos!
Não existe um único exemplo nas Escrituras Hebraicas, sobre o Satan ser inimigo de D-us ou ter um reino paralelo ao de D-us. O Satán jamais se opõe a vontade de D-us! Em parte alguma da Bíblia Hebraica isso é mais evidente do que o livro de Ióv (Jó). No primeiro capítulo, Satan aparece juntamente com outros anjos diante de D-us, e sugere que a fé a fidelidade de Ióv poderia ser simples resultado da sua falta de dificuldades. Então propõe que Ióv fosse testado em suas convicções. D-us concorda com a elaboração de Satan, e não somente permite que ele realize o que sugeriu, mas ainda lhe concede instruções específicas, que ele por sua vez observa religiosamente. Ou seja, não estamos diante do relacionamento de dois inimigos! Estamos diante de D-us e uma de suas criaturas! Numa alegoria que procura nos revelar um pouco mais do caráter espiritual do mundo. Em última análise, todo o sofrimento de Ióv foi a vontade de D-us para ele para testá-lo e elevá-lo.
Enquanto em termos de interpretação cristã, o triunfo pessoal de Ióv é algo teologicamente impossível, enquanto que, em termos autenticamente judaicos sua história (a de Ióv) é apenas o reflexo da própria missão humana, e o modelo do projeto de D-us para a humanidade. Em Devarim {Deuteronômio} 30:15 a Torá declara abertamente sobre D-us colocar o que chamamos “mal” diante de nós, enquanto que em Ieshaiáhu {Isaías} 45:7 este mesmo conceito está vivo no Judaísmo ecoando a mensagem da Torá de que D-us mesmo é o criador do bem e do mal. E como tais conceitos obviamente foram problemáticos para os “tradutores”
Como podem os cristãos manter a opinião de que D-us não criou o mal, se as Escrituras Hebraicas declaram que sim, ELE criou o mal? É até compreensível que os “tradutores” - por exemplo – os da Bíblia Católica Ave Maria, ao invés de traduzir corretamente a palavra Hebraica “ráh” (mal) registrada em Ieshaiáhu {Isaías} 45:7 escrevam ao invés disso: 7. formei a luz e criei as trevas, busco a felicidade e suscito a infelicidade. Sou eu o Senhor, que faço todas essas coisas.
As palavras “felicidade” e “infelicidade” foram eleitas para deturpar o conceito original do termo que nada mais é que o reflexo do próprio pensamento hebreu no uso da palavra “ráh” que significa literalmente Mal. Isso não incomoda nem mesmo os protestantes, e apenas demonstra o mau uso e desonestidade dos cristãos em geral no uso das Escrituras Hebraicas. Se existem Bíblias que procuraram traduzir corretamente este trecho em particular, não deixam de usar outros para continuar impondo seu sistema particular de pensamento em frente ao texto original hebraico. Agora, vale a pena mencionar que o Cristianismo apresenta Ieshaiáhu {Isaías} 14:12 como se fosse uma referência sobre a mitologia de um demônio rebelde que teria caído do céu, um anjo caído. Eles argumentam dizendo que Ieshaiáhu {Isaías} teria usado o termo “estrela da manhã”
Temos aí sérios problemas com tais alegações.
Primeiro, caso cristãos mantenham que a expressão “estrela da manhã” seja uma referência ao Satan exclusivamente; como é que irão explicar que no seu próprio livro religioso, em Apocalipse 22:16 Jesus é chamado “estrela da manhã” também?
Em segundo lugar, uma leitura atenta de Ieshaiáhu {Isaías} 14 revela que ele está se referindo a Nevuhadnetzar (Nabucodonosor), o perverso rei da Babilônia e não ao Satán.
Em 14:4 o profeta explicitamente menciona diretamente do rei da Babilônia como o tema da sua profecia: Que pronunciarão esta parábola sobre o rei da Babilônia: Como o opressor cessou de oprimir e como se esgotou sua arrogância? Por intermédio de todo este capítulo e do capítulo anterior, o profeta prediz o levante e a queda deste arrogante rei, que usou seu poder para atacar Jerusalém e destruir o Templo; mas que no fim; sofreria também uma queda cataclísmica. Em 14:12 Nevuhadnetzar é comparado ao planeta Vênus, cuja luz ainda pode ser vista no começo da manhã, mas que finalmente se esvai quando surge o sol. Assim como a luz de Vênus, Nevuhadnetzar reinaria e brilharia com um curto período de tempo, mas como o profeta disse, ele seria ofuscado pela luz de Israel que perduraria para além de seu tempo, e ofuscaria toda sua glória arrogante.
Então como vemos, segundo o conceito judaico, satãn nada mais é que um mensageiro a serviço do Eterno, ou nossa própria inclinação para o mal, nosso Ietzer Hará. Até os primeiros séculos da igreja, era assim que os primeiros seguidores do messias enchergavam satã, como um mensageiro ou uma palavra que indica oposição, não como um ser. Em sua segunda epistola aos corintios o apostolo Shaul (Paulo) parece exemplificar bem este conceito judaico:
"E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar." 2Cor 12,7
Esta explicação parece ser mais coerente, e de acordo com o pensamento judaico. Senão teremos que imaginar explicações estranhas para algumas passagens controversas, como quando Paulo manda que se entregue pessoas a Satanás para se salvarem (1Cor5,55) e o mesmo admite que entregou dois homens, Himineu e Alexandre para satanás (1Ti1,20). Qual a lógica do apostolo Paulo, entregar dois homens á satanás e ainda recomendar que se entregue um para que seu espirito se salve no dia do juizo? Se tormarmos o significado da palavra como opositor, então o texto passa a ter mais lógica nos dois casos. Um exemplo muito citado por religiosos e ja praticamente um chavão é o de 2 corintios 11,14: "E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz."
Mas se vemos o versiculo anterior, vemos que Shaul não esta falando de um ser espiritual mas de homens:
"Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo"
Ou seja, homens falso, que fingiam-se apostolos, mas opunham-se ao evangelho de Cristo. Estranhamente quase ninguém ve este versiculo anterior ou o contexto deste. Será que é porque Shaul esta criticando justamente os falsos apostolos e obreiros? O mesmo ocorre com João 10,10, onde ao contar uma parabola, sobre o bom e o mau pastor, Yeshua diz que o Ladrão (o mau pastor) vem somente para roubar, matar e destruir. Religiosos ignoram este contexto e atribuem ao diabo esta passagem, mudando não só o contexto original como ignorando o que o próprio Yeshua disse neste mesmo contexto: "Eu sou o bom pastor". Atribuindo esta passagem ao diabo, eles além de blasfemarem contra o único Deus negando-lhe atributos e transferindo-os ao seu suposto inimigo, como contradizem as próprias escrituas como o livro do profeta Jeremias, onde o Eterno disse: "Olha, ponho-te neste dia sobre as nações, e sobre os reinos, para arrancares, e para derrubares, eparadestruíres, e para arruinares; e também para edificares e para plantares" Jeremias 1,10
satanás
Interpretar satanás literalmente gera estes tipos de contradições dentro da própria escritura. Principalmente sobre a suposta queda de satanás que a teologia tradicional diz que se refere ao oraculo de Isaias 14,12 e ezequiel 28. (vide estudo sobre: lucifer e a estrela da manhã) Então segundo esta teologia ele caiu do céu no Edén, mas também caiu quando Yeshua enviou seus setenta discipulos a pregarem(Lc10,18), mas ainda cairá no final dos tempos(Ap12,9) Ou seja, não tem como respaldar esta teologia sem entrar em inumeras contradições. Todas essas passagens e todas que aparecem esta palavra, podem ser analisadas de uma forma mais coerente segundo uma ótica judaica que havia nos primeiros séculos. Após a formação da igreja romana, isto virou uma grande Bavel, dividiram a glória de Elohim atribuindo-lhe um suposto inimigo, e ainda tranformaram isto em um dogma fundamental, sendo acusado de heresia, qualquer um que não interprete Hasatã como um ser, antropormófico. Mas nenhum consegue responder de maneira lógica e livre de contradições o porque Deus não destruiu o diabo e permite que ele continue corrompendo os homens. Respeito a visão teologica da maioria dos segmentos cristãos, mas acho produtivo e edificante analisar sob uma ótica judaica, afim de se evitar certas contradições e ter uma interpretação mais coerente e racional.
Por que Deus não destruiu satanás?Porque ele não é um ser. È só uma palavra que simboliza o que nos inibe, nos impede de crescer, e nossas idéias opositoras, um anjo á serviço do próprio Eterno como diz em Colossensses 2,10.E mesmo se ele existe como um ser, é sujeito á vontade de D'us!