sexta-feira, 3 de junho de 2011

Lutero e o anti-semitismo

Ainda no começo da sua posição como teólogo e reformador Lutero até gostava dos judeus veja o que ele dizia sobre eles: “Os judeus são parentes de sangue do Senhor; se fosse apropriado vangloriar-se na carne e no sangue, os judeus pertencem mais a Cristo do que nós. Rogo, portanto, meu caro papista, que se te cansares de me vilipendiar como herético, que comeces a me injuriar como judeu”.
Lutero

Entretanto, quando eles não se uniram a Lutero em suas críticas violentas à Igreja Romana, ele afirmou: “Todo sangue da mesma linhagem de Cristo queime no inferno, e eles com certeza merecem isso, de acordo com suas próprias palavras que falaram a Pilatos”.

É importante ressaltar que o ódio alemão aos judeus não é o mesmo que o Nazista, embora o que o Nazismo fez pode muito bem ser a representação do que Lutero tinha recomendado cerca de 400 anos antes. O ódio de Lutero aos judeus se baseava na religião, ou seja, se um judeu que passasse a ser protestante não seria mais um alvo de Lutero, já o ódio Nazista matava todos os judeus possíveis (cristãos ou não).

Embora não seja o único, o texto anti-judeu mais famoso de Lutero se denomina Sobre os Judeus e Suas Mentiras, ou Contra os Judeus e Suas Mentiras. Caso você tenha interesse em comprar, existe uma editora neonazista no Brasil (Editora Revisão de S.E. Castan) que ainda tenta publicar ele (embora seja proibida a circulação de livros dessa editora). Engraçado que o famoso Reformador possua hoje textos sendo publicados em uma editora Neonazista. Eis aqui o famoso panfleto na integra:

SOBRE OS JUDEUS E SUAS MENTIRAS - Martinho Lutero

O que devem fazer os cristãos contra este povo rejeitado e condenado, os judeus? Já que eles vivem entre nós, não devemos ousar tolerar a sua conduta, agora que sabemos das suas mentiras e suas injúrias e suas blasfêmias. Se o fizermos, tornamo-nos participantes de suas mentiras, sua injúria e sua blasfêmia. Portanto não temos como apagar o inextinguível fogo da ira divina, da qual falam os profetas, e tampouco temos como converter os judeus. Com oração e temor de Deus devemos colocar em prática uma dura misericórdia, para ver se conseguimos salvar pelo menos alguns deles dentre as chamas crescentes. Não ousamos vingar a nós mesmos. Vingança mil vezes pior do que qualquer uma que poderíamos desejar já os toma pela garganta. Quero dar-lhes minha sincera recomendação:

Em primeiro lugar, queimem-se suas sinagogas e suas escolas, e cubra-se com terra o que recusar-se a queimar, de modo que homem algum torne a ver deles uma pedra ou cinza que seja. Isso deve ser feito em honra de nosso Senhor e da Cristandade, de modo que Deus veja que somos cristãos, e não fazemos vista grossa ou deliberadamente toleramos tais mentiras, maldições e blasfêmias públicas tendo como alvo seu Filho e seus cristãos. Pois o que quer que tenhamos tolerado inadvertidamente no passado – e eu mesmo estive ignorante dessas coisas – será perdoado por Deus. Mas se nós, agora que estamos informados, protegermos e acobertarmos essa casa de judeus, deixando-a existir debaixo do nosso nariz, na qual eles mentem, blasfemam, amaldiçoam, vilipendiam e insultam a Cristo e a nós, seria o mesmo que se estivéssemos fazendo tudo isso e muito mais nós mesmos, como bem sabemos.

Em segundo lugar, recomendo que suas casas sejam também arrasadas e destruídas. Pois nelas eles perseguem os mesmos objetivos que em suas sinagogas. Eles devem ao invés disso ser alojados debaixo de um único teto ou pavilhão, como ciganos. Isso fará com que eles aprendam que não são senhores no nosso país, da forma como se vangloriam, mas que vivem em exílio e no cativeiro, da forma como gemem e lamentam incessantemente a nosso respeito diante de Deus.

Terceiro, recomendo que todos os seus livros de oração e obras talmúdicas, nos quais são ensinadas tais idolatrias, mentiras, maldições e blasfêmia, sejam tirados deles.

Quarto, recomendo que seus rabis sejam de agora em diante proibidos de ensinar, sob pena de morte ou da amputação de algum membro. Pois eles perderam da forma mais justa o direito a tal posição ao manterem os judeus cativos com a declaração de Moisés (em Deuteronômio 17.10ss.) na qual ele ordena que obedeçam os seus mestres sob pena de morte, embora Moisés acrescente claramente: “o que eles ensinam segundo a lei do Senhor”. Esses desprezíveis ignoram isso. Eles arbitrariamente empregam a obediência do pobre povo de forma contrária à lei do Senhor, infundindo neles esse veneno, essa maldizer, essa blasfêmia. Do mesmo modo o papa nos manteve cativos com a declaração de Mateus 16, “Tu és Pedro,” etc, induzindo-nos a crer em todas as mentiras e falsidades que provinham de sua mente diabólica. Ele não ensinava em conformidade com a palavra de Deus, e perdeu, portanto seu direito a ensinar.

Quando um judeu se converter, serão dados a ele cem, duzentos ou trezentos florins.

Quinto, recomendo que o salvo-conduto para o livre-trânsito nas estradas seja completamente negado para os judeus. Eles não tem o que fazer no campo, visto que não são proprietários de terras, oficiais do governo, mercadores ou coisa semelhante. Que fiquem em suas casas.

Sexto, recomendo que sejam proibidos de emprestar a juros, e que todo o dinheiro e peças de ouro e prata sejam tomados deles e colocados sob custódia. O motivo de tal medida é que, como foi dito, eles não possuem qualquer outro modo de ganhar a vida que não seja emprestar a juros, e através da usura furtaram e roubaram de nós tudo que possuem. Esse dinheiro deveria ser agora usado para nenhum outro fim que não o seguinte: quando acontecer de um judeu se converter, serão dados a ele cem, duzentos ou trezentos florins, da forma como sugerirem suas circunstâncias pessoais. Com isso ele poderá estabelecer-se em alguma ocupação de modo a sustentar sua pobre mulher e filhos e dar suporte aos velhos e fracos. Pois tais ganhos malignos são amaldiçoados se não colocados em uso com a benção de Deus numa causa digna e justa.

Sétimo, recomendo que se coloque um malho, um machado, uma enxada, uma pá, um ancinho ou um fuso nas mãos dos jovens judeus e judias, e deixe-se que eles ganhem o seu pão com o suor do seu rosto, como foi imposto sobre os filhos de Adão (Gênesis 3:19). Pois não é justo que eles deixem que nós, os gentios malditos, labutemos debaixo do nosso suor enquanto eles, o povo santo, gastam o seu tempo atrás do fogareiro, banqueteando-se e peidando, e acima de tudo isso vangloriando-se blasfemamente do seu senhorio sobre os cristãos através do nosso suor.
Martinho Lutero,
Sobre os Judeus e Suas Mentiras, 1543

Em um outro texto Shem Hamphoras(um tratado contra os judeus) Lutero rapidamente reproduz uma lenda judaica e a ataca os judeus em todo o resto do livro. Nesse tratado ele faz a seguinte referência ao panfleto Sobre os Judeus e Suas Mentiras:

“Eis porque não dei àquele panfleto o nome de Contra os Judeus, mas Contra os Judeus e Suas Mentiras, para que os alemães possam conhecer através da evidência histórica o que é um judeu, de modo a poderem alertar nossos cristãos contra eles da mesma forma que os alertamos contra o próprio Diabo, a fim de fortalecermos e honrarmos nossa crença; não para converter os judeus, o que seria quase tão impossível quanto converter o Diabo.” — Martinho Lutero, em ‘Shem Hamphoras’.

Difícil de acreditar que um homem tão especial como Martinho Lutero tenha falado em poucos escritos tanta bobagem, declarado tanto ódio, e chutado tudo que Jesus disse sobre amar ao próximo, perdoar, e claro sobre "as ovelhas perdidas de Israel", "os filhos de Abraão", povo que Deus tanto ama.

O anti-semitismo dos Pais da Igreja
Antes da reforma protestante

Eusébio:
Disse que os judeus costumavam matar as crianças dos cristãos nas cerimônias anuais.
"As escrituras judaicas são destinadas aos cristãos e não aos judeus".

Marcion:
Qualquer cristão que utilizasse um símbolo judaico, um nome judaico, ou realizasse qualquer celebração judaica, seria considerado cúmplice da morte de Cristo juntamente com os judeus.

Crisóstomo (bispo de Antioquia - escreveu oito sermões contra o povo judeu):
"As sinagogas são zonas de meretrício e teatro, cheio de ladrões e bestas selvagens. Os judeus são culpados da morte de Cristo".
"Não há expiação para o povo judeu. Deus sempre os odiou. Os cristãos devem odiá-los porque eles foram assassinos de Cristo e são adoradores de satanás".

Justino Mártir:
Acusou os judeus de iniciarem a matança de cristãos.
"Se alguém, por fraqueza de espírito, resolver observar as instituições como foram entregues a Moisés, e das quais esperam alguma virtude, mas que julgamos terem sido indicadas em razão da dureza dos corações, juntamente com sua esperança neste Cristo, e desejarem cumprir os eternos e naturais atos de justiça e piedade, mas optam por viver com os cristãos e os fiéis conforme declarei anteriormente, não os introduzindo a serem circuncidados como eles próprios, ou a observarem o Shabat, ou a observarem qualquer outra cerimônia, sou da opinião que nos devemos reunir a eles e nos associarmos a eles em todas as coisas, como parentes e irmãos."

Orígenes:
Acusou o povo judeu, dizendo eles conspiravam para matar os cristãos.

St Hilary de Potiers:
Disse que os judeus eram um povo perverso, amaldiçoado por D'us.

St Ephraim:
Difamava os judeus chamando de prostíbulos as suas sinagogas.

St Cyril:
Deu aos judeus a escolha de exílio, apedrejamento ou conversão.

São Jerônimo (Tradutor da Vulgata):
Disse que os judeus não são capazes de compreender as escrituras e devem ser perseguidos severamente até serem forçados a confessar a verdadeira fé.

Sto Agostinho:
"Os judeus e a nação de Israel são apenas testemunhas da verdade do cristianismo, serviram apenas para deixar o legado da fé e da verdade cristã. Agora deveriam estar em constante humilhação quanto ao triunfo da igreja sobre a sinagoga. Não há salvação para os judeus. Eles já estão perdidos de qualquer forma."
"O judaísmo é uma corrupção e os judeus devem ser escravizados".

Tomás de Aquino:
Perpetuou a perversa teoria de Sto Agostinho

A volta do messias (Zacarias 12 no judaismo)

Yeshua
Análise de Zacarias 12 que é uma das muitas profecias acerca da volta do messias segundo o ponto de vista judaico exceto pelo fato de que o judaismo atruibui a Israel o transpassado mencionado que nós messiânicos atribuimos a Yeshua.

Zacarias 12 - em contexto
Para que possamos entender esta passagem, não devemos isolá-la do seu contexto, pois é exatamente isso que sempre fizeram (e ainda fazem) aqueles que são mal intencionados e que ainda iludem as pessoas com suas fantasiosas interpretações bíblicas.
Analisemos então, Zacarias 12 desde o início:

Zac 12:1
"O peso da palavra do Senhor acerca de Israel: Fala o S-nhor, o que estendeu o céu, e que lançou os alicerces da terra e que formou o espírito do homem dentro dele".
Acerca de quem é esse texto? É acerca de ISRAEL ou acerca de JESUS?
A resposta é óbvia: A passagem é acerca de Israel, e ninguém mais.

Zac 12:2
"Eis que eu farei de Jerusalém um copo de atordoamento para todos os povos em redor, e também de Judá, durante o cerco contra Jerusalém"
A passagem é ainda para cumprimento futuro ou já se cumpriu?
Jerusalém já foi colocada como “copo de atordoamento” para todos os povos em redor? O que significa a expressão, “copo de atordoamento” nesse caso?
Já houve o cerco contra Jerusalém?

SIMULAÇÃO DE POSSÍVEL RESPOSTA:
"Isso se cumpriu no ano 70, com a destruição de Jerusalém e do Templo"

NOSSA RESPOSTA:
Bem, acreditamos que estão enganados, pois Jerusalém não foi posta como “copo de atordoamento” para todas as nações no ano 70 EC, e também de acordo com Zac 12:3 (o próximo verso), todas as nações virão contra Jerusalém, e não apenas uma (Roma) como ocorreu no cerco do ano 70 EC. Assim, a palavra ainda está para se cumprir.
(Nota: a expressão “copo de atordoamento” é usada como uma simbologia para o juízo divino, cf. Isa 51:22/Jer 25:15-17. O copo ou cálice é simbolicamente cheio de bebida inebriante, que intoxica as nações fazendo-as sucumbir, não podendo mais permanecer; Em Zac 12:2 a expressão anuncia o castigo e a punição divina sobre os opressores de Israel)

Zac 12:3
"Naquele dia farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos; todos os que a erguerem, serão gravemente feridos. E ajuntar-se-ão contra ela todas as nações da terra"

De acordo com a passagem acima, D-us fará fará de Jerusalém uma “pedra pesada” para todas as outras nações, repetindo a mesma idéia da expressão “copo de atordoamento”. A pedra pesada também transmite a idéia de “fardo”, de alvo de pesadas preocupações e de grandes temores. É o que vemos hoje diante de nossos olhos: Jerusalém e as disputas que a envolvem preocupam as nações e faz com que a região seja sempre destaque nos noticiários.
Note agora a parte grifada do nosso texto: “todos os que a erguerem, serão gravemente feridos” >>>> Será que isso aconteceu algum dia no passado? Aconteceu por acaso no ano 70 EC, quando Roma invadiu Jerusalém e a destruiu completamente?

De forma alguma, pois o profeta Zacarias diz claramente que naquele dia (quando a profecia se cumprir) todos os que tentarem erguer a “pedra pesada” (Jerusalém) serão gravemente feridos (o hebraico diz, “cortados em pedaços”). Sabemos que não foi isso que aconteceu com Roma no ano 70 EC quando invadiu Jerusalém - muito pelo contrário. Logo, a profecia ainda está para o futuro. A parte final do verso afirma que todas as nações da terra se ajuntarão contra Jerusalém naquele dia – fato que jamais ocorreu > mais uma evidência de que essa profecia deverá ainda cumprir-se no futuro.

Zac 12:4
"Naquele dia, diz o S-nhor, ferirei de espanto¹ a todos os cavalos, e de loucura² os que montam neles. Mas sobre a casa de Judá abrirei os meus olhos, e ferirei de cegueira³ todos os cavalos dos povos"

O que temos de acordo com o verso acima: um cenário de guerra, ou um cenário de crucificação? É óbvio que temos aqui um cenário de guerra, onde todas as nações formarão uma aliança para atacar Jerusalém, e isso não tem nada a ver com crucificação. Já vimos anteriormente que tal cenário jamais ocorreu. Está ainda no futuro.

No mesmo verso, notamos que o profeta afirma que D-us abrirá Seus olhos sobre Judá > > > > > esta expressão significa “proteger”, “velar por alguém”, “cuidar” conforme IRs 8:29/Nee 1:6 e Sal 32:8.

O Altíssimo protegerá Judá (o povo judeu), conferindo-lhe uma grande vitória sobre os opressores. Mais uma vez, vemos que isso não aconteceu no ano 70EC, quando “Judá” ou o povo judeu, foi derrotado por Roma.

Espanto¹, loucura² e cegueira³ são os três tipos de pragas que cairão sobre os opressores dos judeus naquele dia e também sobre os seus instrumentos de guerra, notoriamente os mesmos tipos de pragas com as quais os israelitas seriam feridos no caso de desobediência (Deu 28:28). Após ter bebido do cálice de atordoamento e de ter sido ferido com as punições descritas aqui, o povo judeu obterá vitória sobre os inimigos pois chega finalmente a hora da retribuição prometida aos seus opressores (cf. Isa 51:22-23).

Zac 12:5
"Então os chefes de Judá dirão no seu coração: Os habitantes de Jerusalém são a minha força no S-nhor dos exércitos, seu D-us"

Os chefes de Judá (os dirigentes do povo judeu) confiarão na eleição divina de Jerusalém, reconhecendo que sua força está justamente aí. Note que embora o termo “chefes de Judá” seja plural, a frase que dizem está no singular: “Os habitantes de Jerusalém são a minha força no S-nhor dos exércitos”. Isto será importante na seqüência de nossa análise.

NOSSA PERGUNTA:
Por que embora use a expressão plural “chefes de Judá”, o profeta usa o singular quando relata a frase que eles dizem?

Zac 12:6
"Naquele dia porei os chefes de Judá como um braseiro ardente no meio de lenha, e como um facho entre gavelas; e eles devorarão à direita e à esquerda a todos os povos em redor; e Jerusalém será habitada outra vez no seu próprio lugar, mesmo em Jerusalém"
Vemos nesse verso que o S-nhor os capacitará os chefes de Judá (os lideres do povo judeu) com poder e força militar sem precedentes, destruindo os povos ao redor que ameaçavam Jerusalém assegurando que a cidade permanecerá habitada em seu próprio lugar.

Zac 12:7
"Também o S-nhor salvará primeiro as tendas de Judá, para que a glória da casa de Davi e a glória dos habitantes de Jerusalém não se engrandeçam sobre Judá."

A declaração de que o S-nhor “salvará primeiramente as tendas de Judá, para que a glória da casa de Davi não se engrandeça sobre Judá” traduz o pensamento de que a salvação das mãos do opressor ocorrerá de tal forma que nenhuma parte da nação poderá se exaltar sobre a outra, e que essa redenção será trazida não pela mão do homem, nem pelo poder humano, mas sim, por virtude da intervenção objetiva de D-us na história do Seu povo. A expressão “as tendas de Judá” significa na verdade, a fragilidade da nação como um todo. Tendas ou cabanas são habitações temporárias, frágeis e que denotam fraqueza e coisas passageiras. As cidades de Judá, frágeis e incapazes de se defenderem, serão salvas primeiramente e Jerusalém logo em seguida.

Zac 12:8
"Naquele dia o S-nhor defenderá os habitantes de Jerusalém, de sorte que o mais fraco dentre eles naquele dia será como Davi, e a casa de Davi será como D-us, como o anjo do S-nhor diante deles"

No conflito com as nações, o S-nhor defenderá aos habitantes de Jerusalém por meio dos chefes de Judá como vimos anteriormente. Os fracos, designados em hebraico como hanikhshal, traduz a idéia de alguém que “tropeça” (cf. 1Sam 2:4), aquele que cai na batalha - estes se tornarão “como Davi”, o mais bravo herói de Israel (cf. 1Sam 17:34., 2Sam 17:8). Os fortes, designados aqui como “a casa de Davi”, serão como Elohim (D-us) diante dos habitantes da cidade.

Eles agirão como o anjo do S-nhor que no passado ia adiante das hostes de Israel, ferindo os egípcios e outros inimigos do povo de D-us (Exo 23:20; Jos 5:13). A idéia básica aqui é a coragem e a valentia que tomará conta de todos da nação, em especial de sua liderança. Ao dotar os habitantes da cidade de um poder extraordinário e sobrenatural, D-us destruirá assim a todas as nações que tentarem atacar Jerusalém.

Zac 12:9
"E naquele dia, tratarei de destruir todas as nações que vierem contra Jerusalem"
Isso já ocorreu, ou ainda vai acontecer? Será que D-us já tratou de destruir todas as nações que vieram contra Jerusalém? As nações já sofreram a pesada derrota profetizada aqui nos dias de Jesus? Será que algum dia no passado, especificamente no tempo de Jesus, todas as nações da terra tentaram invadir Israel ou destruir a cidade santa e o povo judeu? Gostaríamos que nos mostrassem isso com evidências bíblicas e históricas, se possível.

Zac 12:10
"Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o espírito de graça e de súplicas; e olharão para Mim a quem traspassaram, e prantearão por ele como quem pranteia pelo único filho; e haverá lamentação amarga por causa dele, como a lamentação amarga pelo primogênito"

Esta profecia já se cumpriu, ou está ainda para o futuro?
De acordo com Ezequiel, quando será derramado o espírito sobre Israel?
QUANDO EU TORNAR A TRAZER DE ENTRE OS POVOS e os houver ajuntado das terras de seus inimigos, e eu for santificado neles aos olhos de muitas nações, Então saberão que eu sou o S-nhor seu D-us, vendo que eu os fiz ir para o cativeiro entre os gentios, e os ajuntarei para voltarem a sua terra, e não mais deixarei lá nenhum deles. Nem lhes esconderei mais a minha face, pois DERRAMAREI O MEU ESPÍRITO SOBRE A CASA DE ISRAEL, diz o S-nhor D-us. (Eze 39:27-29)

O profeta Ezequiel afirma que primeiro, D-us tornará a trazer Israel dentre os povos e só depois derramará Seu espírito sobre Seu eleito. Ainda no próprio livro de Ezequiel vemos que o Eterno “ressuscita” Israel, retirando-o de seus “sepulcros” (símbolo do exílio), fazendo com que o povo se estabeleça e só depois vem sobre ele o espírito (Eze 37:8-10). Assim, o peso da evidência profética aponta para o fato de que Israel deve estar já congregado dentre os
povos para que só então o Eterno D-us envie sobre ele o Seu espírito. Logo, perguntamos:
Isto de fato ocorreu nos dias de Jesus? Será que Israel (as doze tribos, Judá e Israel) já estava congregado como povo nos dias do fundador do cristianismo? Sabemos que não, pois apenas parte da tribo de Judá estava presente naqueles dias. As outras tribos jamais estiveram congregadas por mais de 2700 anos. As
outras tribos, que constituíam o antigo reino do norte jamais retornaram e até hoje encontram-se na dispersão – sem esquecer que algumas décadas depois de Jesus, até mesmo o restante de Judá seria ainda disperso, quando da destruição da cidade santa no ano 70 EC. Em resumo, a profecia ainda não se concretizou.

“Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o espírito de graça e de súplicas” – Como vimos, isso só poderá ocorrer quando da restauração completa do reino de Israel, conforme Jer 31:8-9 abaixo:

"Eis que os trarei da terra do norte e os congregarei das extremidades da terra; e com eles os cegos e aleijados, as mulheres grávidas e as de parto juntamente; em grande companhia voltarão para cá. Virão com choro, e com súplicas os levarei; guiá-los-ei aos ribeiros de águas, por caminho direito em que não tropeçarão; porque sou um pai para Israel, e Efraim é o meu primogênito"

“Olharão para Mim, a quem traspassaram”

Para quem olharão, segundo a profecia?
O judaismo não encherga Yeshua nesta passagem, mas Israel. A versão judaica:

”...olharão para Mim” – A resposta é “para Mim”; Sabemos aqui que quem fala é o próprio D-us.

“a quem traspassaram”
– Naturalmente não poderíamos pensar no D-us Eterno como sendo “traspassado”, mas nosso texto parece aludir a isso. No entanto, isso soaria logicamente absurdo. Quanto a famosa frase, devemos entender que TODO AQUELE QUE TOCA EM ISRAEL é como se tivesse MALTRATADO E OFENDIDO o PRÓPRIO D-US (Zac 2:8/Deut 32:10). Os servos de D-us sempre agiram em Seu nome, como Seus representantes (Ex 4:15-17/Mal 2:7/Is 42:1/49:3e 6). Entendemos então o que a frase quer dizer.

O que ocorrerá com muitos dentre o povo judeu naquele dia? Temos aqui o contexto de uma batalha final, em que as nações buscarão eliminar Israel [Jerusalém como centro do mundo judaico]. O S-nhor, entretanto, defenderá o Seu povo (Zac 12:4-9) impondo uma pesada derrota às nações. Todavia, muitos dentre o povo perecerão como mártires na batalha antes da intervenção divina; perdas de vidas humanas são infelizmente normais numa grande guerra.

O que diz Zacarias dois versos antes? (Zac 12:8)

"Naquele dia o S-nhor protegerá os habitantes de Jerusalém; e o que dentre eles tropeçar será naquele dia como Davi, e a casa de Davi será COMO D-US, como o anjo do S-nhor diante deles"

“Tropeçar” no texto significa “cair na batalha” (cf. Lev 26:37/Jer 20:11)


Como então serão considerados aqueles que tropeçarem? – Como Davi;
E a casa de Davi será “como D-us”.

O povo, recebendo o “espírito de graça e de súplicas” pranteará por este SERVO COLETIVO que caiu na batalha, chorando amargamente por ele, e suplicando o favor divino para tirar-lhes do apuro e do aperto das nações. Assim, o Eterno interfere (Zac 13:1-2/14:3-9) e a Era Messiânica tem início.

De acordo com a profecia, olhar para aquele que foi traspassado, o judaismo atribui ao próprio Israel. Nós enchergamos Yeshua que foi transpassado, nesta profecia messiânica.

Todo esse cenário reflete outro episódio da história judaica, quando o justo e bom rei Josias acabou caindo na batalha contra o faraó Neco, em Hadad-Himmon, no vale de Megidom. Josias era justo (assim como inferimos dos chefes de Judá); todavia, Josias cometeu um deslize (assim como os chefes de Judá em questão irão cometer), e saiu à batalha contra o faraó Neco, no vale de Megidom (Ha megidom é o mesmo local descrito em apocalipse conhecido popularmente como armagedom). Ali, ele caiu traspassado pelas flechas inimigas. O povo enlutado chorou amargamente pelo seu rei, no mesmo vale onde futuramente se ouvirá o lamento fúnebre pelos valorosos líderes judeus (II Cro 35:20-25).

“como quem pranteia pelo único filho; e haverá lamentação amarga por causa dele, como a lamentação amarga pelo primogênito”

– Finalmente, o “único filho” e o “primogênito” em Zac 12:10 são mencionados no contexto de um filho único recém-falecido ou de um primogênito recém-falecido.

Não seria um choro de luto como atesta o original hebraico, mas sim, um choro de arrependimento. A referência aqui é a qualquer filho único, qualquer primogênito, e não temos nomes ou maiores detalhes ou especificações sobre ninguém.

A ênfase do profeta está na intensidade do clamor, do lamento e luto que se espalhará por todo o Israel – a dor será grande, como a dor daquele que perde um filho único ou como a dor daquele que perde um primogênito. A palavra em destaque aqui (“como”) indica comparação, ou seja, a ação de considerar a relação entre as pessoas ou coisas a fim de descobrir suas semelhanças ou diferenças.

¹ O termo misped (choro por luto) é usado com o mesmo sentido em Gen 50:10/Jer 48:38.

Zac 12:11
"Naquele dia será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadad-Rimom no vale de Megidom"

Após a morte dos valentes líderes da casa de David que seriam “como D-us”, de acordo com a visão, os habitantes da terra de Israel chorarão amargamente, enlutados pelos seus valorosos que caíram na batalha. Aqui, Zacarias alude ao grande pranto e luto que ocorreu no passado quando da morte do rei Josias, ele também da casa de Davi (II Cron 35:20-25). Assim como o rei Josias tombou morto no vale de Megidom, também no futuro muitos guerreiros perecerão no mesmo vale, e os judeus olharão para os que tropeçaram no feroz combate como se fossem um só, e entenderão que os valentes da casa de Davi serão “como D-us” –

Hadad-Rimon era uma cidade ao norte de Israel, situada na região onde hoje localiza-se a Galiléia, entre as cidades de Megido e Taanach. A cidade manteve esse nome até a dominação romana, quando passou a chamar-se Maximianopolis, no campo de Megido onde o rei Josias foi abatido por ordem de Neco, faraó do Egito. O nome antigo da cidade foi entretanto preservado pelos habitantes árabes do local, desde os dias da invasão islâmica no séc. VII EC. Seus moradores chamam-na aldeia de Rumuni, que lembra o hebraico Rimon. O grande pranto dos enlutados pelos guerreiros caídos na futura grande batalha se assemelhará àquele em memória ao bom rei Josias e ocorrerá no mesmo local, em Hadad-Rimon, no vale de Megidom.

Zac 12:12
"E a terra pranteará, cada família à parte: a família da casa de Davi à parte, e suas mulheres à parte; e a família da casa de Natã à parte, e suas mulheres à parte"

Zac 12:13
"a familia da casa de Levi à parte, e suas mulheres à parte; a família de Simei à parte, e suas mulheres à parte"

Zac 12:14
"todas as demais famílias, cada família à parte, e suas mulheres à parte"

Cabe salientar mais uma vez e antes de mais nada, que o termo “prantear” usado pelo profeta é derivado da raiz saped que indica “choro por luto” –
Convém notar que os nomes mencionados nos versos citados acima: DAVID, NATÃ, LEVI e SIMEI. (versos 12-13) pretende demonstrar a abrangência do lamento e do luto pela morte dos heróis na grande batalha.

Davi representa a casa real;

Natã representa os profetas,

Levi é o pai da casa sacerdotal e

Simei alude aos guerreiros (ou aliados da casa de Davi). (II Sam 5:3/II Sam 7:2/Deu 21:5/IRs 1:8) – em resumo, todo o Israel lamentará por meio do luto a queda de seus heróis na grande batalha predita por Zacarias.

Resumo de Zac 13/14
Mas, apesar do tom melancólico e triste em que termina Zac 12, percebemos na seqüência uma mensagem de salvação e regeneração. A batalha anunciada no capitulo 12 será de fato grandiosa, e as nações sofrerão terríveis baixas em seus contingentes militares; os chefes de Judá atacarão o inimigo com ferocidade e heroísmo inimaginável, mas por depositarem sua confiança não primeiramente em D-us, eles cairão na batalha. O clamor que então se sucederá encherá de luto toda a terra de Israel.

No capítulo 13, a graça divina estabelece uma “fonte aberta” contra o “pecado e a impureza” para “a casa de Davi e para os habitantes de Jerusalém”. Serão extirpados num só dia os falsos profetas e o espírito de impureza e idolatria. E ninguém mais se vestirá ao estilo dos profetas antigos (com peles de animais) para mentir e enganar; e aquele que insistir na prática da falsa profecia será morto.

O capítulo 14 alude à última e maior das batalhas da grande guerra que se inicia no capítulo 12. As nações inimigas parecem marchar do norte (do vale de Megidom) até o sul, ao vale de Cedron (Kidron), em frente à cidade santa, no seu flanco oriental. Jerusalém é saqueada e parte da população é expulsa da cidade; é aí que então o Eterno D-us intervém na história de Seu povo, e infringe pesadas punições sobre os opressores de Israel. As nações são derrotadas e o seu remanescente reconhecendo a soberania messiânica trarão a Jerusalém toda sorte de tesouros e tributos, devendo subir de ano em ano para celebrarem a Festa das Cabanas (Sukkot). Assim, vemos todo o Israel congregado e reunificado e as nações remanescentes de uma extremidade a outra da Terra servindo ao único D-us vivo, vindo buscar em Jerusalém e em Sião o conhecimento das coisas eternas.

“Naquele dia” – diz o profeta, - “só um será o S-nhor, e só um será o Seu Nome”.
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Fontes Bibliográficas (obras usadas neste estudo)

Tanach (Bíblia Hebraica), The London and Foreign Bible Society
Jewish Press Bible (Bíblia Judaica – edição americana)
Talmud da Babilônia, The Soncino Classics Collection, Soncino Press.
História de Israel, Martin Metzger (Ed. Sinodal)
Shalom!
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