quarta-feira, 22 de junho de 2011

A superficial reforma protestante

Martinho Lutero
A Religião Católica em Declínio
Em fins do século 15, a Religião de Roma, com paróquias, mosteiros e conventos espalhados por todos os seus domínios, tornara-se a maior proprietária de terras de toda a Europa. Consta que ela era dona de nada menos que a metade das terras na França e na Alemanha, e dois quintos ou mais na Suécia e na Inglaterra. O resultado?

O “esplendor de Roma aumentou imensuravelmente em fins dos anos 1400 e início dos 1500, e sua importância política prosperou temporariamente”, diz o livro Uma História da Civilização (em inglês). Toda essa grandeza, porém, tinha um preço, e, para mantê-la, o papado teve de encontrar novas fontes de renda. Descrevendo os vários métodos empregados, o historiador Will Durant escreveu:

“Cada delegado eclesiástico era solicitado a enviar à Cúria Papal — escritórios de administração do papado — metade da renda de seu cargo para o primeiro ano (‘anatas’), e daí em diante um décimo ou dízimo por ano. Um novo bispo tinha de pagar ao papa uma quantia importante (pelo) pálio — tira de lã branca que servia de confirmação e insígnia de sua autoridade. Na morte de um cardeal, arcebispo, bispo ou abade, suas propriedades particulares revertiam ao papado. . . . Todo julgamento ou favor conseguido da Cúria exigia um presente como confirmação, e às vezes, o julgamento era ditado pelo presente.”

As grandes somas que ano após ano afluíam aos cofres papais acabaram levando a muitos abusos e corrupção. Tem-se dito que ‘nem mesmo um papa pode tocar em piche sem sujar os dedos’, e a história da religião católica desse período teve o que certo historiador chamou de “uma sucessão de papas bem mundanos”.

Entre estes havia Sisto IV (papa de 1471-84), que gastou enormes somas para construir a Capela Sistina, que leva seu próprio nome, e para enriquecer seus muitos sobrinhos e sobrinhas: Alexandre VI (papa de 1492-1503), o infame Rodrigo Bórgia, que abertamente reconhecia a seus filhos ilegítimos e dava-lhes cargo: e Júlio II (papa de 1503-13), sobrinho de Sisto IV, que era mais propenso a guerras, política e arte do que a seus deveres eclesiásticos. Foi com plena justificação que o erudito católico holandês, Erasmo, escreveu em 1518: “A falta de vergonha da Cúria Romana atingiu o clímax”.

A corrupção e a imoralidade não se limitavam ao papado. Costumava-se dizer na época: “Se quer estragar seu filho, faça dele um sacerdote”.Registros daquele tempo confirmam isso. Segundo Durant, na Inglaterra, entre as “acusações de incontinência (sexual) registradas em 1499, . . . os faltosos clericais perfaziam uns 23 por cento do total, embora o clero fosse talvez menos de 2 por cento da população. Alguns confessores pediam favores sexuais a suas penitentes. Milhares de padres tinham concubinas: na Alemanha, quase todos.(Contraste com 1 Coríntios 6:9-11: Efésios 5:5.)

Os deslizes morais alcançaram também outras áreas. Consta que certo espanhol da época se queixou: “Vejo que dificilmente podemos obter algo dos “ministros” de Cristo sem ser por dinheiro: no batismo, dinheiro.. . no casamento, dinheiro, para confissão, dinheiro — sim, nem mesmo a extrema unção se consegue sem dinheiro! Eles não tocam os sinos sem dinheiro, não realizam funerais religiosos sem dinheiro: parece que o Paraíso está vedado aos que não têm dinheiro.” — Contraste com 1 Timóteo 6:10.

Igreja primitiva:
“Da multidão dos que criam, era um só o coração e uma só a alma, e ninguém dizia que coisa alguma das que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns. Com grande poder os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Yaohushua, e em todos eles havia abundante graça. Pois não havia entre eles necessitado algum: porque todos os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que vendiam e o depositavam aos pés dos apóstolos. E se repartia a qualquer um que tivesse necessidade”.At-4: 32-35.

Primitivos Empenhos de Reforma
A crise na Religião Católica foi notada não apenas por homens como Erasmo e Maquiavel, mas também pelos próprios participantes. Convocavam-se concílios da para considerar algumas das queixas e abusos, mas sem resultados duradouros. Os papas, refestelando-se em poder e glória pessoais, desestimulavam quaisquer empenhos reais de reforma.
E por isto, começaram-se a ouvir clamores por reforma de dentro e de fora da religião católica . Os valdenses e os albigenses, embora tivessem sido condenados como hereges e impiedosamente esmagados, eles haviam despertado no povo um descontentamento com os abusos do clero católico e suscitado o desejo de um retorno à Bíblia. Tais sentimentos encontraram expressão através de vários primitivos reformadores.

Os primeiros protestantes
Muitas vezes chamado de “estrela da manhã da Reforma”, João Wycliffe (1330? -84) era sacerdote católico e professor de teologia em Oxford, Inglaterra. Bem ciente dos abusos na falsa igreja, ele escreveu e pregou contra coisas tais como corrupção nas ordens monásticas, taxação papal, a doutrina da transubstanciação (a afirmação de que o pão e o vinho usados na Missa literalmente se transformam no corpo e no sangue de Yaohushua Cristo), a confissão, e o envolvimento da falsa igreja em assuntos temporais.
Wycliffe era especialmente franco quanto à negligência da Religião católica em ensinar a Bíblia. Disse ele certa vez: “Queira D-us que toda paróquia da ‘igreja’ neste país tenha uma boa Bíblia e boas explicações do evangelho, e que os sacerdotes os estudem bem, e que realmente ensinem o evangelho e os mandamentos do Eterno ao povo!” Com esse fim, Wycliffe, nos últimos anos de sua vida, dedicou-se à tarefa de traduzir a Bíblia Vulgata latina para o inglês. Com a ajuda de seus associados, especialmente Nicolau de Hereford, ele produziu a primeira Bíblia completa no idioma inglês. Esta foi, sem dúvida, a maior contribuição de Wycliffe à causa da busca do Eterno, por parte da humanidade.

Os escritos de Wycliffe e partes da Bíblia foram distribuídos por toda a Inglaterra por um grupo de pregadores muitas vezes chamados de “Sacerdotes Pobres” porque iam de vestes simples, descalços e sem bens materiais. Eram também desdenhosamente chamados de Lolardos, que provém da palavra do holandês médio Lollaerd, ou “aquele que murmura orações e hinos”. (Dicionário de Frases e Fábulas, de Brewer (em inglês)) “Em poucos anos, o seu número era considerável”, diz o livro The Lollards (Os Lolardos). “Calculou-se que pelo menos um quarto da nação estava real ou supostamente inclinado em favor desses sentimentos”.Tudo isso, naturalmente, não passou despercebido pela falsa igreja. Devido à sua notoriedade entre as classes dominante e erudita, permitiu-se que Wycliffe morresse em paz no último dia de 1384.

Os seus seguidores foram menos afortunados. Durante o reinado de Henrique IV, da Inglaterra, eles foram tachados de hereges e muitos deles foram presos, torturados ou queimados vivos.

Fortemente influenciado por João Wycliffe havia o boêmio (tcheco) João Huss (1369? -1415), também sacerdote católico e reitor da Universidade de Praga. Como Wycliffe, Huss pregou contra a corrupção da Religião Católica Romana e frisou a importância de ler a Bíblia. Isto prontamente trouxe sobre ele a ira da hierarquia. Em 1403, as autoridades ordenaram-lhe que parasse de pregar as idéias antipapais de Wycliffe, cujos livros também queimaram publicamente. Huss, porém, passou a escrever algumas das mais pungentes acusações contra as práticas da falsa igreja, incluindo a venda de indulgências. Ele foi condenado e excomungado em 1410.
Huss não transigia no seu apoio à Bíblia.

“Rebelar-se contra um papa faltoso é obedecer a Cristo”, escreveu. Ensinou também que a verdadeira igreja, longe de ser o papa e a instituição romana, “é o conjunto de todos os eleitos e o corpo simbólico de Cristo, cuja cabeça é Cristo: e a noiva de Cristo, a quem à base de seu grande amor ele remiu com o seu próprio sangue”. (Compare com Efésios 1:22, 23: 5:25-27.) Por tudo isso, ele foi julgado no Concílio de Constança e condenado como herege. Dizendo “ser melhor morrer bem do que viver mal”, ele recusou-se a retratar-se e foi queimado vivo na estaca, em 1415. O mesmo concílio ordenou também que os ossos de Wycliffe fossem desenterrados e queimados, embora já estivesse morto e sepultadoo mais de 30 anos!

Outro Reformador primordial foi o monge dominicano Girolamo Savonarola (1452-98) do mosteiro de São Marcos, em Florença, Itália. Embalado pelo espírito da Renascença italiana, Savonarola falou contra a corrupção tanto na falsa igreja como no Estado. Afirmando ter como base as Escrituras, bem como visões e revelações que dizia ter recebido, ele tentou fundar um estado cristão, ou ordem teocrática.

Em 1497, o papa excomungou-o. No ano seguinte, ele foi preso, torturado e enforcado. Suas últimas palavras foram: “Meu Senhor morreu pelos meus pecados: não devia eu gratamente dar esta pobre vida por ele?” Seu corpo foi queimado e as cinzas lançadas no rio Arno. Apropriadamente, Savonarola autodenominou-se “precursor e sacrifício”. Poucos anos depois, a Reforma irrompeu com plena força em toda a Europa.

Lutero reformador ou mais um falso mestre?
Quando a tormenta da Reforma finalmente irrompeu, ela destroçou a casa religiosa do cristianismo católico na Europa Ocidental. Tendo estado sob o domínio praticamente total da Religião Católica Romana, ela tornou-se então uma casa dividida. O sul da Europa — Itália, Espanha, Áustria e partes da França — permaneceu na maior parte católico. O resto acomodou-se em três principais divisões: Luterana, na Alemanha e Escandinávia: Calvinista (ou Reformada) na Suíça, Países-Baixos, Escócia e partes da França: e Anglicana na Inglaterra. Entremeados entre estas havia grupos menores, porém mais radicais primeiro os anabatistas e mais tarde os menonitas, huteritas e puritanos, que com o tempo levaram as suas crenças para a América do Norte.

No decorrer dos anos, essas principais divisões fragmentaram-se adicionalmente em centenas de denominações atuais — Presbiteriana, Episcopal, Metodista, Batista, Congregacional, apenas para mencionar algumas. O catolicismo deveras se tornou uma casa dividida. Como foi que ocorreram tais divisões?

revelação de Cristo:
“A mulher estava vestida de púrpura e de escarlata, e adornada de ouro, pedras preciosas e pérolas: e tinha na mão um cálice de ouro, cheio das abominações, e da imundícia de sua prostituição: e na sua fronte estava escrito um nome simbólico: A grande Babilônia, a mãe das prostitutas e das abominações da terra”.Ap-17: 4e5.

Lutero e Suas Teses
Se necessário fosse indicar um ponto inicial decisivo na Reforma protestante, este seria 31 de outubro de 1517, quando o monge agostiniano Martinho Lutero (1483-1546) pregou as suas 95 teses na porta da templo católico do castelo de Wittenberg, no estado alemão da Saxônia. Contudo, o que provocou esse dramático evento? Quem era Martinho Lutero? E contra o que protestou?

Como Wycliffe e Huss, antes dele, Martinho Lutero era um monge erudito. Era também doutor em teologia e professor de estudos bíblicos na Universidade de Wittenberg. Lutero ficou famoso por sua compreensão da Bíblia. Embora tivesse fortes opiniões sobre o assunto da salvação, ou justificação, por meio de fé em vez de obras ou de penitência, ele não intencionava romper com a falsa igreja de Roma. De fato, a emissão de suas teses foi sua reação a um incidente específico e não uma revolta planejada. Ele protestava contra a venda de indulgências.

Nos dias de Lutero, as indulgências papais eram publicamente vendidas não apenas em favor dos vivos mas também em favor dos mortos. “Assim que a moeda no cofre cai, a alma do Purgatório sai”, dizia um ditado popular. Para o povo, uma indulgência era quase que uma apólice de seguro contra a punição por qualquer pecado, e o arrependimento saía pela tangente. “Em toda a parte”, escreveu Erasmo, “vende-se a remissão do tormento purgatorial: não é apenas vendida, mas forçada aos que se recusam a comprá-la”.

Em 1517, João Tetzel, um frade dominicano, foi a Jüterbog, perto de Wittenberg, para vender indulgências. O dinheiro arrecadado visava em parte financiar a reconstrução da Basílica de São Pedro, em Roma. Visava também ajudar Alberto de Brandenburgo a repor o dinheiro que tomara emprestado para pagar à Cúria Romana pelo cargo de arcebispo de Mainz. Tetzel usava toda a sua perícia de vendedor, e o povo afluía a ele. Lutero indignou-se, e recorreu ao que lhe parecia ser a maneira mais rápida de expressar publicamente a sua opinião sobre esse espetáculo circense — pregar 95 pontos de discórdia na porta da templo.

Lutero chamou suas 95 teses de Disputa Para Esclarecer o Poder das Indulgências. Seu objetivo não era tanto desafiar a autoridade da Religião Católica, como apontar os excessos e abusos da venda de indulgências papais. Pode-se ver isto das seguintes teses:

“. O papa não tem a intenção nem o poder de remir qualquer penalidade, exceto as que ele impôs por sua própria autoridade”.
Por conseguinte, quando o papa fala da plena remissão de todas as penalidades, isso não significa realmente de todas, mas apenas daquelas impostas por ele mesmo. . . .
Todo cristão que sente verdadeira compunção tem direito à plena remissão da punição e da culpa, mesmo sem cartas de indulto.”
Ajudado pela então recém-inventada imprensa, essas explosivas idéias não demoraram a atingir outras partes da Alemanha — e Roma. O que começou como debate acadêmico sobre a venda de indulgências logo se transformou numa controvérsia sobre assuntos de fé e autoridade papal. De início, a Religião de Roma envolveu Lutero em debate e ordenou-lhe que se retratasse.

Quando Lutero se recusou, tanto o poder eclesiástico como os políticos foram acionados contra ele. Em 1520 o papa emitiu uma bula, ou edito, que proibia Lutero de pregar e ordenou que seus livros fossem queimados. Em desafio, Lutero queimou a bula papal em público. O papa excomungou-o em 1521

Mais tarde naquele ano, Lutero foi convocado à dieta, ou assembléia, em Worms. Foi julgado pelo imperador do Santo Império Romano, Carlos V, um católico fanático, bem como pelos seis eleitores de colegiado dos estados alemães, e por outros líderes e dignitários, religiosos e seculares. Ao ser novamente pressionado a retratar-se, Lutero fez a sua famosa declaração:

“A menos que eu me convença pelas Escrituras e pela razão evidente.. . não posso e não vou retratar-me de coisa alguma, pois ir contra a consciência não é direito nem seguro. Que D-us me ajude. Amém.” Conseqüentemente, o imperador declarou-o fora-da-lei. Contudo, o governante de seu próprio estado alemão, o eleitor Frederico de Saxônia, veio em seu auxílio e ofereceu-lhe abrigo no castelo de Wartburg.

Essas medidas, porém, não impediram a disseminação das idéias de Lutero. Por dez meses no refúgio de Wartburg, Lutero dedicou-se a produzir escritos e à tradução da Bíblia. Traduziu as Escrituras Gregas para o alemão, do texto grego de Erasmo. As Escrituras Hebraicas vieram mais tarde. A Bíblia de Lutero revelou ser justamente o que o povo necessitava. Consta que “foram vendidos cinco mil exemplares em dois meses, duzentos mil em doze anos”. Sua influência sobre o idioma e a cultura alemã é muitas vezes comparada à da Versão Rei Jaime sobre o inglês.

Nos anos que se seguiram à Dieta de Worms, o movimento da Reforma ganhou tanto apoio popular que em 1526 o imperador concedeu a cada estado alemão o direito de escolher sua forma de religião, luterana ou católica romana. Contudo, em 1529, quando o imperador reverteu a decisão, alguns dos príncipes alemães protestaram: assim, cunhou-se o nome protestante para o movimento da Reforma. No ano seguinte, 1530, na Dieta de Augsburgo, o imperador empenhou-se em sanar as diferenças entre as duas partes.

. Os luteranos apresentaram suas crenças num documento, a Confissão de Augsburgo, produzido por Philipp Melanchthon, mas à base dos ensinos de Lutero. Embora o documento tivesse um tom mui conciliatório, a Religião Romana rejeitou-o, e a brecha entre o protestantismo e o catolicismo tornou-se intransponível. Muitos estados alemães aliaram-se a Lutero e os estados escandinavos logo seguiram os seus exemplos.

Reforma ou Revolta?
Quais eram os pontos fundamentais que dividiam os protestantes dos católicos romanos? Segundo Lutero, havia três. Primeiro Lutero cria que a salvação resulta da “justificação apenas através da fé” (latim, sola fide) e não da absolvição sacerdotal ou de obras de penitência. Segundo, ele ensinava que o perdão é concedido apenas devido à graça do Eterno (sola gratia) e não pela autoridade de sacerdotes ou papas. Por fim, Lutero sustentava que todos os assuntos doutrinais deviam ser confirmados pelas Escrituras apenas (sola scriptura) e não por papas ou concílio.

Apesar disso, diz The Catholic Encyclopedia, Lutero “reteve das antigas crenças e liturgia tudo aquilo que era possível ajustar a seus conceitos peculiares sobre o pecado e a justificação”. Sobre a fé luterana, a Confissão de Augsburgo diz que “nada existe que seja discordante das Escrituras, ou da Religião Católica, ou mesmo da “Igreja” Romana, conforme essa falsa igreja é conhecida à base de escritores”. De fato, a fé luterana, conforme delineada na Confissão de Augsburgo, incluía doutrinas antibíblicas como a Trindade, o descanso dominical a alma imortal e o tormento eterno, bem como práticas tais como o batismo de bebês e feriados e festas religiosas.

A Reforma de Zwingli na Suíça
Enquanto Lutero se mantinha ocupado batalhando contra os emissários papais e as autoridades civis na Alemanha, o sacerdote católico Ulrich Zwingli (1484-1531) iniciou seu movimento de reforma em Zurique, Suíça. Sendo esta uma região de língua alemã, o povo já estava influenciado pela maré de reformas vinda do norte. Por volta de 1519, Zwingli começou a pregar contra as indulgências, a mariolatria, o celibato clerical e outras doutrinas católica. Embora Zwingli afirmasse ser independente de Lutero, ele concordava com Lutero em muitos aspectos e distribuía os panfletos de Lutero por todo o país. Em contraste com o mais conservador Lutero, porém, Zwingli defendia a remoção de todos os vestígios da Católica Romana — imagens, crucifixos, batina, e até mesmo música litúrgica.

No entanto, uma controvérsia mais séria entre os dois Reformadores dizia respeito à Eucaristia, ou Missa (Comunhão). Lutero, insistindo numa interpretação literal das palavras de Yeshua: ‘Este é meu corpo’, cria que o corpo e o sangue de Cristo estavam milagrosamente presentes no pão e no vinho servidos na Comunhão. Zwingli, por outro lado, argumentava, em seu tratado On the Lord’s Supper (Sobre a Ceia do Senhor) que a declaração de Yeshua “deve ser tomada ilustrativa ou metaforicamente: ‘isto é meu corpo’, quer dizer ‘o pão significa meu corpo’, ou ‘é uma representação do meu corpo’”. Por causa dessa diferença, os dois Reformadores se apartaram.

Zwingli continuou a pregar as suas doutrinas de reforma em Zurique e fez muitas mudanças ali. Outras cidades logo seguiram seu exemplo, mas a maioria das pessoas nas áreas rurais, mais conservadoras, apegaram-se ao catolicismo. O conflito entre as duas facções tornou-se tão grande que irrompeu uma guerra civil entre suíços protestantes e católicos romanos. Zwingli, servindo como capelão de exército, foi morto na batalha de Kappel, perto do lago Zug, em 1531. Quando finalmente veio a paz, concedeu-se a cada distrito o direito de decidir sua própria forma de religião, protestante ou católica.

A verdadeira religião:
“Se alguém cuida ser religioso e não refreia a sua língua, mas engana o seu coração, a sua religião é vã. A religião pura e imaculada diante de nosso D-us e Pai é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo Tg-1: 26-27

Anabatistas, Menonitas e Huteritas
Alguns protestantes, porém, achavam que os Reformadores não foram suficientemente longe em renunciar às falhas da Religião Católica papista. Criam que a igreja cristã devia compor-se apenas dos fiéis praticantes que se tornavam batizados, em vez de todo o povo numa comunidade ou nação. Assim, eles rejeitavam o batismo de bebês e insistiam na separação entre a falsa igreja e Estado.

Secretamente rebatizavam seus concrentes e, por isso, ganharam o nome de anabatistas (ana significa “de novo” em grego). Visto que se recusavam a portar armas, fazer juramentos ou aceitar cargos públicos, eles eram encarados como ameaça à sociedade e eram perseguidos tanto por católicos como por protestantes.
De início, os anabatistas viviam em pequenos grupos espalhados por partes da Suíça, Alemanha e Países-Baixos. Sendo que pregavam suas crenças onde quer que fossem, suas fileiras aumentavam rapidamente. Um grupo de anabatistas, levados por seu fervor religioso, abandonou seu pacifismo e capturou a cidade de Münster, em 1534, e tentou estabelecê-la como comunal e polígama Nova Jerusalém.

O movimento foi logo derrubado, com grande violência. Isto estragou a reputação dos anabatistas e eles foram praticamente eliminados. Na verdade, a maioria dos anabatistas eram pessoas religiosas simples que tentavam levar uma vida separada e tranqüila. Entre os mais bem organizados originários dos anabatistas havia os menonitas, seguidores do Reformador holandês Menno Simons, e os huteritas, liderados pelo tirolês Jacob Hutter. Para fugir da perseguição, alguns deles migraram para a Europa Oriental — Polônia, Hungria e até mesmo Rússia — outros para a América do Norte, onde por fim surgiram como comunidades huterita e amish.

A obra de reforma na Suíça prosseguiu sob a liderança de um francês chamado Jean Chauvin, ou João Calvino (1509-64), que entrou em contato com ensinamentos protestantes durante seus dias de estudo na França. Em 1534, Calvino deixou Paris por causa de perseguição religiosa e fixou-se em Basiléia, na Suíça. Em defesa dos protestantes, publicou Institutes of the Christian Religion (Preceitos da Religião Cristã), em que resumiu os conceitos dos primitivos pais da igreja e de teólogos medievais, bem como os de Lutero e Zwingli. Esse trabalho veio a ser considerado como fundamento doutrinal para todas as seitas protestantes fundadas mais tarde na Europa e nos Estados Unidos.

Surge o Calvinismo
A obra de reforma na Suíça prosseguiu sob a liderança de um francês chamado Jean Chauvin, ou João Calvino (1509-64), que entrou em contato com ensinamentos protestantes durante seus dias de estudo na França. Em 1534, Calvino deixou Paris por causa de perseguição religiosa e fixou-se em Basiléia, na Suíça. Em defesa dos protestantes, publicou Institutes of the Christian Religion (Preceitos da Religião Cristã), em que resumiu os conceitos dos primitivos pais da igreja e de teólogos medievais, bem como os de Lutero e Zwingli. Esse trabalho veio a ser considerado como fundamento doutrinal para todas as seitas protestantes fundadas mais tarde na Europa e nos Estados Unidos.

Em Preceitos, ele apresentou a sua teologia. Para Calvino, D-us é o soberano absoluto, cuja vontade determina e governa tudo. Em contraste, o homem decaído é pecaminoso e totalmente imerecedor. A salvação, portanto, não depende das boas obras do homem, mas do Eterno — resultando disso a doutrina da predestinação, de Calvino, sobre a qual ele escreveu:“Afirmamos que, por um eterno e imutável desígnio, D-us determinou de uma vez por todas, tanto a quem Ele concederá a salvação, como a quem Ele condenará à destruição. Afirmamos que este desígnio, no que tange aos eleitos, é fundado em Sua gratuita misericórdia, totalmente independente de mérito humano: mas que àqueles a quem Ele entrega à condenação, o portão da vida é fechado por um julgamento justo e irrepreensível, porém incompreensível.”

A austeridade de tal ensino reflete-se também em outras áreas. Calvino insistia que os cristãos devem levar uma vida santa e virtuosa, abstendo-se não somente do pecado, mas também do prazer e da frivolidade. Ademais, ele argumentava que a igreja, composta dos eleitos, deve ser poupada de todas as restrições civis e que apenas através da Religião é possível estabelecer uma sociedade realmente piedosa.

Pouco depois de publicar Preceitos, Calvino foi persuadido por William Farel, outro Reformador francês, a radicar-se em Genebra. Trabalharam juntos para pôr o calvinismo em prática. Seu objetivo era transformar Genebra numa cidade do Eterno, uma teocracia de governo divino combinando as funções de Religião e do Estado.

Instituíram regulamentos estritos, com sanções, que abrangiam tudo, desde instrução religiosa e serviços eclesiásticos à moral pública e até mesmo assuntos tais como saneamento e prevenção de incêndio. Certo livro de história conta que “certa cabeleireira, por exemplo, por arrumar o cabelo de uma noiva duma maneira considerada indecorosa, foi encarcerada por dois dias: e a mãe, junto com duas amigas, que haviam ajudado no processo, sofreram a mesma penalidade. Dançar e jogar baralho também eram punidos pelo magistrado”. Dispensava-se um tratamento duro aos que divergiam de Calvino em teologia, o caso mais famoso sendo a queima do espanhol Miguel Servet.

Calvino continuou a aplicar o seu tipo de reforma em Genebra até a sua morte, em 1564, e a falsa igreja Reformada ficou firmemente estabelecida. Reformadores protestantes, fugindo da perseguição em outras terras, afluíram a Genebra, assimilaram os conceitos calvinistas e serviram de instrumentos em iniciar movimentos de reforma em seus respectivos países de origem. O calvinismo logo chegou à França, onde os huguenotes (como eram chamados os protestantes calvinistas franceses) sofreram severa perseguição às mãos dos católicos. Nos Países-Baixos, os calvinistas ajudaram a estabelecer a falsa igreja Holandesa Reformada. Na Escócia, sob a zelosa liderança do ex-sacerdote católico João Knox, a falsa igreja Presbiteriana da Escócia foi estabelecida segundo a linha calvinista. O calvinismo desempenhou um papel também na Reforma na Inglaterra, e de lá seguiu com os puritanos para a América do Norte. Neste sentido, embora Lutero tivesse acionado a Reforma protestante, Calvino teve em muito a maior influência no seu desenvolvimento.

Quem são os filhos do Eterno?

“Nisto são manifestos os filhos do Eterno, e os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não é do Eterno, nem o que não ama a seu irmão. Porque esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio, que nos amemos uns aos outros, não como Caim, que era do Maligno, e matou a seu irmão. E por que o matou? Porque as suas obras eram más e as de seu irmão justas”. 1Jo-3: 10-12

Reforma na Inglaterra
Bastante distante dos movimentos de reforma na Alemanha e na Suíça, a Reforma inglesa pode remontar suas raízes aos dias de João Wycliffe, cuja pregação anticlerical e ênfase na Bíblia gerou o espírito protestante na Inglaterra. Seu empenho em traduzir a Bíblia para o inglês foi seguido por outros. William Tyndale, que teve de fugir da Inglaterra, produziu seu Novo Testamento em 1526. Mais tarde foi traído na Antuérpia e estrangulado na estaca, e seu corpo foi queimado. Miles Coverdale terminou a obra de tradução de Tyndale, e a Bíblia completa surgiu em 1535. A publicação da Bíblia na língua do povo foi sem dúvida o mais poderoso fator que contribuiu para a Reforma na Inglaterra.

A ruptura formal com o catolicismo romano ocorreu quando Henrique VIII (1491-1547), chamado de Defensor da Fé pelo papa, proclamou o Ato de Supremacia, em 1534, nomeando a si mesmo chefe da falsa igreja da Inglaterra, ou “Igreja” Anglicana. Henrique também fechou os mosteiros e dividiu os bens destes entre a pequena nobreza. Além disso, ordenou que se colocasse um exemplar da Bíblia em inglês em todas as falsas igrejas. Contudo, a ação de Henrique era mais política do que religiosa. O que ele queria era independência da autoridade papal, especialmente sobre seus assuntos conjugais. No aspecto religioso, ele continuou católico em todos os sentidos, menos no nome.

Foi durante o longo reinado (1558-1603) de Elizabete I que a Igreja da Inglaterra tornou-se protestante na prática, embora permanecesse largamente católica na estrutura. Aboliu o dever de obediência ao papa, o celibato clerical, a confissão e outras práticas católicas, não obstante, reteve uma forma episcopal de estrutura eclesiástica em sua hierarquia de arcebispos e bispos, bem como ordens de monges e freiras.

Este conservadorismo causou considerável descontentamento, e surgiram vários grupos dissidentes. Os puritanos exigiam uma reforma mais cabal para purificar a igreja de todas as práticas católico romanas: os separatistas e os independentes insistiam que os assuntos da igreja deviam ser cuidados por anciãos locais (presbíteros).

Muitos dissidentes fugiram para os Países-Baixos ou para a América do Norte, onde fundaram adicionalmente suas igrejas Congregacional e Batista. Também surgiu na Inglaterra a Sociedade de Amigos (Quakers) sob George Fox (1624-91) e os Metodistas sob João Wesley (1703-91).

A morte eterna:
“Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia, a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos, as invejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como já antes vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o reino do Eterno”.Gl-5: 19-21

Quais Foram os Efeitos da Reforma?
Tendo considerado as três principais correntes da Reforma — Luterana, Calvinista e Anglicana — temos de parar para avaliar o que a Reforma realizou. Inegavelmente, ela mudou o rumo da história no mundo ocidental. “O efeito da Reforma foi aferventar no povo uma sede de liberdade e de cidadania mais elevada e mais pura. Onde quer que a causa protestante se expandisse, ela tornava as massas mais cônscias de seus direitos”, escreveu John F. Hurst em seu livro Short History of the Reformation (Breve História da Reforma). Muitos estudiosos crêem que a civilização ocidental como hoje a conhecemos teria sido impossível sem a Reforma. Seja como for, temos de perguntar: O que a Reforma realizou em sentido religioso?

O maior bem realizado pela Reforma foi, sem dúvida, que ela colocou a Bíblia ao alcance do povo na sua própria língua. Pela primeira vez, as pessoas tinham diante de si a inteira Palavra do Eterno para ler, podendo assim ser nutridas espiritualmente. Mas, naturalmente, exige-se mais do que apenas ler a Bíblia. Será que a Reforma libertou o povo, não só da autoridade papal, mas também das doutrinas e dogmas errôneos aos quais estivera sujeito por séculos? — João 8:32.

Praticamente todas as seitas protestantes endossam os mesmos credos — os credos de Nicéia e Atanasiano — e esses professam algumas das mesmíssimas doutrinas que o catolicismo tem ensinado por séculos, como a Trindade, o descanso dominical a casa do Eterno ser um lugar a imortalidade da alma e o inferno de fogo. Tais ensinos antibíblicos deram ao povo um quadro distorcido a respeito do Eterno e Seu propósito. Em vez de ajudar as pessoas na sua busca do D-us verdadeiro, as numerosas seitas e denominações que surgiram em resultado do livre espírito da Reforma protestante apenas as dirigiram a muitas diferentes direções. De fato, a diversidade e a confusão levaram muitos a questionar a própria existência do Eterno. O resultado? No século 19 surgiu uma crescente onda de ateísmo e agnosticismo.

Nota: Martinho Lutero casou-se em 1525 com Catarina von Bora, uma ex-freira que se evadira de um convento cisterciense. Tiveram seis filhos. Ele declarou que se casara por três razões: para agradar a seu pai, por despeito contra o papa e o Diabo e para selar seu testemunho antes do martírio.

sábado, 11 de junho de 2011

Yetzer hará, a nossa inclinação para o mau

yetzer hará: nosso grande satan [adversário]
por: Hoshéa
Adão e Eva
Para quem não tem conhecimento, a expressão "yetzer hará" foi uma expressão retirada da bíblia hebraica (em hebraico: יֵצֶר לֵב הָאָדָם רַע, yetzer lev-ha-adam ra), que ocorre duas vezes na Bíblia Hebraica, em Gênesis 6:5 e 8:21.   
O Eterno viu que a maldade do homem era grande sobre a terra, e que a imaginação do coração do homem é o mal. (Gn 6:5) 

O Eterno respirou o agradável odor e disse consigo: "Eu nunca mais amaldiçoarei a terra por causa do homem, porque a imaginação do coração do homem é o mal desde a sua infância". (Gn 8:21) 

A yetzer hará é traduzida como má inclinação. É uma tendência instintiva que impele o indivíduo a realizar determinados atos que se manifesta ao homem em forma de paixões e desejos inadequados. Seu objetivo é tentar nos impedir de fazer o bem, esta é a sua função para a qual Deus a criou, é isto que nos garante o livre arbítrio, Desse modo, a nossa escolha pelo bem tem que ser sempre voluntária. Cada um de nós luta diariamente contra seu mau instinto. 
 
Em decorrência do impulso pelo mal somos recompensados por D'us pelo empenho em resistir às tentações que o Mal coloca em nossa estrada.  
 
Nosso homem mais exterior é animal, e a serpente astuciosa representa a imaginação egoísta de nosso coração, nossos desejos mais instintivos, nossos desejos mais egoístas e animalescos. O nossa natureza animal que é nossa natureza exterior [a carne] está mais inclinado aos instintos, e é nessa parte que tendemos ao mal. A yetzer hará é concebida como a natureza egoísta, o desejo de satisfazer as necessidades pessoais (alimentação, moradia, sexo, etc) sem levar em conta as conseqüências morais de satisfazer os desejos.

Contrapondo-se a yetzer hara [má inclinação] temos a yetzer hatov [boa inclinação]. 
A yetzer hatov é a consciência moral, a voz interior que faz você lembrar da lei de D'us quando você pensa em fazer algo que é errado e proibido. 
 
Estas duas inclinações funcionam como se fossem dois conselheiros dentro do ser humano. Cada inclinação é simplesmente "um conselheiro que expressa sua opinião com relação ao ato que será decidido pela nossa consciência, nosso eu que toma as decisões".  
 
Segundo esta analogia, podemos entender que as ações de uma pessoa não dependem diretamente de suas inclinações, pois elas não podem forçar suas opiniões sobre ele. Podem apenas mostrar-lhe seus respectivos pontos de vista.  
 
Devemos ter portanto um controle sobre nossa natureza animal, para que a nossa má inclinação não nos leve desordenadamente para onde não queremos nem pudemos. O Talmud, um dos grandes livros da sabedoria judaica, faz uma analogia interessante sobre esta questão: o corpo é o cavalo e o espírito [consciência] é o cavaleiro. É melhor que o cavaleiro esteja sobre o cavalo e não o contrário. O grande objetivo é controlarmos tudo que está ligado ao nosso lado animal para que nossa consciência [espírito] possa se (re)posicionar sobre o cavalo. 
 
Aprenda a dominar seu cavalo. E você verá como é bom ter as rédeas da vida nas mãos. Você estará em uma posição de ver e compreender os obstáculos, por mais difíceis que sejam, de uma forma muito diferente do que se estivesse embaixo dele ou, em muitos casos, como se fosse o próprio cavalo.

A "yetzer hará" se refere as NOSSAS idéias que são estranhas ao nosso próprio objetivo ético e moral; ao desejo de cometer ações contrárias à Lei divina, e às justificativas mentais que são geradas POR NÓS enquanto decidimos sobre fazer ou não fazer aquilo que ferirá os princípios da Lei de D´us que decidimos observar. Resumindo é a uma inclinação para fazer o mal por violar a vontade divina. 
 
A “tentação” existe dentro nós, por intermédio dos dois instintos que D’us mesmo criou no homem, tanto o inclinando ao bem como ao mal. O mais importante, é que somente esta habilidade de escolha absoluta torna possível que façamos o bem e o mal, com total e absoluta decisão pessoal. 
 
O Talmud observa que sem o yetzer hará (o desejo de satisfazer as necessidades pessoais), o homem não iria construir uma casa, casar com uma mulher, ter filhos ou tratar de negócios. Mas o yetzer hará pode levar a injustiças, quando não é controlada pelo yetzer hatov. Não há nada de intrinsecamente errado com o desejo de satisfazer a fome, mas esta vontade pode levá-lo a roubar comida. Não há nada de intrinsecamente errado com o desejo sexual, mas pode levá-lo a cometer o estupro, adultério, incesto ou perversão sexual de outros. 
 
O yetzer hará é geralmente visto como algo interno a uma pessoa, não como uma força externa agindo sobre uma pessoa. veja este exemplo bíblico: 
 
"Ninguém, sendo tentado, diga: Sou tentado por Elohim; porque Elohim não pode ser tentado pelo mal e ele a ninguém tenta. Cada um, porém, é tentado, quando atraído e arrastado pela sua própria cobiça [desejos do coração]; então a cobiça, havendo concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte". (Tg 1:13-15)

A essência do yetzer hará é o “fervor do sangue”. E a arma do yetzer hará é a imaginação, o devaneio.  
A má inclinação personificada como um animal a nossa espreita, esperando a ocasião de dar o seu bote: 
 
E o Eterno disse a Caim: "Por que estás enfurecido e anda de cabeça baixa? Se estivesses bem disposto, andaria com a cabeça erguida; mas, se não ages bem, o pecado está junto a porta, como animal acuado que te espreita. Por acaso, será que podes dominá-lo?" (Gn 4:6-7) 
 
A brit chadasha [Novo Testamento] chama a má inclinação de "os desejos da carne". Nossos desejos carnais clamam dia e noite por satisfação. Os desejos que militam em nossa carne são ao mesmo tempo, suscetíveis de ser estimulados e também, reprimidos; podem ser alimentados, como também, sufocados. Shaul haShaliach [o apóstolo Paulo] também ensina que os desejos da carne, suas inclinações e as tentações que sofremos, podem ficar debaixo de nosso controle, caso contrário nos tornamos escravos dos mesmos. 
 
"Verifico, pois, esta lei: quando quero fazer o bem, é o mal que se me apresenta. No meu íntimo, eu tenho prazer na Torá de Elohim; mas percebo em meus membros outra lei [yetzer hará] que luta contra a lei da minha razão e que me torna escravo da lei do pecado [inclinação para fazer o mal] que está nos meus membros" (Rm 7:21-23) 
 
A yezer hará é personificada como um maláh [anjo], pois ela se apresenta trazendo sempre uma mensagem que nos incita a praticar o que é errado. Mas ela é um anjo apenas sob a forma de personificação, pois na verdade ela é a voz interior do próprio ego humano, é uma força, uma inclinação interna. 


A yetzer hará é o maior satan do ser humano
A palavra hebraica שטן “Satan” significa literalmente “Inibidor/ Evitador/ Impossibilitador”. Inibir quer dizer, tentar impedir alguém de realizar algo. E é exatamente este o papel da yetzer hará [má inclinação]; ou seja nos inibir, nos servir de obstáculo na vida, devemos enfrentá-la para que a gente atinja a auto-superação, e assim a gente progrida espíritualmente.  
 
A yetzer hará nosso inibidor, nosso satan é o responsável por tornar as coisas difíceis, por desafiar e assim colaborar para que tenhamos a chance de vencer a nós mesmos; para passarmos no teste, pois devemos negarmos a nós mesmos se quisermos tornar-mos verdadeiros vencedores.  
 
Portanto, para nos induzir a escolher o bem o Eterno nos oferece o bem no mundo vindouro, e para que mereçamos isso, é preciso que algo nos iniba, é necessário que algo nos tente impedir para que nós o superemos. Nosso grande satan, portanto é nossa inclinação ao mal (yetzer hará).  
 
As Escrituras Hebraicas deixam bem claro, que o Altíssimo colocou no mundo, tanto o bem como o mal como está Escrito: Deuteronômio 30:15, Vê que pus diante de ti hoje a vida e o bem, a morte; e o mal. Em Isaías 45:7, o profeta descreve o plano da criação de D´us expressando que, Eu formo a luz e crio a escuridão; Eu faço a paz e Sou Eu quem cria o mal; EU SOU o ETERNO que tudo faz.

...Pois é do interior, do coração dos homens, que procedem os maus pensamentos, as prostituições, os furtos, os homicídios, os adultérios,... (Marcos 7:21) 
 
Yeshua nos ensina a dominar o que nasce do coração humano, a vencer as paixões, e inclinações carnais.

Antiga serpente: arquétipo da imaginação do homem
A antiga serpente astuciosa é o símbolo da tentação que acontece dentro do coração do homem, embora dado o estilo simbolizante da narração, foi exteriorizada. O narrador atribui à serpente a função de tentadora, devido à proverbial astúcia deste animal. A serpente é desse modo a personificação da imaginação do coração do homem. 
 
A serpente mora dentro de nós como um arquétipo de inteligência e astúcia e acompanha a humanidade desde os primórdios, corresponde às paixões mais instintivas, e é resultado da imaginação, representa aquela voz interior correspondente ao ego, a voz do desejo expressada em pensamentos egoístas, que visa unicamente satisfazer a vontade da natureza anima [carnal]. 
 
A figura da serpente habita o imaginário popular. Deixou de ser apenas um réptil asqueroso e rastejante para tornar-se num poderoso arquétipo. A palavra 'arquétipo' (grego archétypon) pode ser traduzida por "modelo", "padrão", ou "tipo primitivo". De acordo com Carl Jung, pai da Psicologia Analítica, os arquétipos "são as partes herdadas da psiquê", padrões de estruturação do que Jung denominou de inconsciente coletivo. Assim como temos uma herança biológica, também teríamos uma herança psíquica. Estruturas com as quais já nascemos. Cada nova geração assenta num novo tijolo neste muro psíquico. 
 
No relato da tentação do jardim Eva foi seduzida pelo apetite, pela cobiça e pela vontade de aventurar-se no desconhecido. Em resumo, ela foi dominada pela mais poderosa força existente em nós: o desejo. O desejo é a nossa força motriz, é aquilo que nos impele em todos os sentidos; é como se fosse o vento para um barco à vela, ou o combustível para a máquina. Não “funcionamos” sem o desejo.

A serpente que tentou a Eva no jardim do Edén não passa de representação, personificação ou símbolo do próprio desejo egoísta de seu coração, Eva teve um dialogo com sua própria voz interior, sua imaginação, a voz de seu desejo egoísta, a cobiça partiu da própria Eva. 
 
Este relato é alegórico: 
 
A serpente [imaginação] era o mais astuto [sagaz] dentre todos os animais do campo que Iahweh Elohim havia feito. Ela disse para a mulher: "É verdade que Elohim disse que vocês não devem comer de nenhuma árvore do jardim?" (Gn 3:1) 
 
Portanto a imaginação foi uma criação do próprio D'us, e realmente a imaginação do homem é a coisa mais astuta que existe. 
 
Vocabulário: 
personificação: Figura de estilo que consiste na atribuição de sentimentos, psicologia e comportamento humanos a seres inanimados e a animais. 
Astúcia: Habilidade maliciosa em conceber e realizar estratégia para se obter o que se deseja. O mesmo que sagacidade. 
Sagacidade: inteligência, percepção e compreensão muito aguçada. 

Em hebraico temos uma observação importante: 
 
NAHASH = SERPENTE 
NAHESH = Maledicência inventada, uma coisa criada pela cabeça humana para justificar uma vontade, a própria imaginação.Duas palavras bastante parecidas em hebraico não acham? Apesar do som ser igual elas tem significados diferentes. 
 
A serpente tanto quanto a imagem de fruto proibido são claramente figuras, pois serpentes não falam, não andam e tão pouco são inteligentes ou tão astutas assim, tanto quanto não existe no mundo uma fruta literal que der ao homem o conhecimento do bem e do mal.  
 
Serpente não pensa e nem tem imaginação....só uma criatura pensa, e esta é o ser humano, e foi essa a criatura que Deus criou e que era a mais astuta de todas.

O que então seriam os juízos de Deus contra a Serpente?    
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Então Iahweh Elohim disse para a serpente: "Por ter feito isso, você é maldita entre todos os animais domésticos e entre todas as feras. Você se arrastará sobre o ventre e comerá pó todos os dias de sua vida. Eu porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a semente dela. Estes vão lhe esmagar a cabeça, e tu ferirás o calcanhar deles". (Gn 3:14-15)    
    
Na interpretação literal da alegoria quem sofre a punição é o animal chamado "a serpente", esta é a interpretação do sentido literal, mas no sentido que está oculto, não é o animal que deve ser subjugado e sim aquilo que ela representa [os desejos do coração que nos arrastam ao pecado].    
    
A semente da mulher representa aqueles que subordinariam a 'serpente' (o desejo ou inclinação para o mal, yetzer hará), esmagando-lhe a cabeça; naturalmente eles não sairiam incólumes desse processo mas com o 'calcanhar' ferido. Ou seja, sofreriam dano menor.    
    
A Serpente, Adão e Eva. Cada um representa uma coisa.    
    
Exemplo:    
    
*O Homem representa a RACIONAL.    
*A Mulher representa o EMOCIONAL.    
*A Serpente representa o DESEJO OU IMAGINAÇÃO.    
    
As Escrituras classsifica como “ímpio” ou pecador todo aquele que cede aos seus desejos e paixões, nunca direcionando-os da forma correta para o alvo determinado por Deus.    
    
Sendo assim, a serpente é um símbolo mais do que apropriado para nossas paixões, vontades e desejos. No Éden, a mulher ouve a voz da “serpente” e cede à mesma.  

Razão e Emoção fazem parte de nosso ser, e a parte que cede ao desejo e às paixões é certamente a emoção, e Eva é um símbolo mais que adequado ao nosso eu emocional, por ter ela cedido aos apelos da “serpente”.   
   
Depois Adão “ouve a voz de Deus” no jardim, e se esconde. Ao ser interrogado por Deus, Adão responde (no singular): “Tive medo “Tive medo porque estava nu e me escondi”. Somente o nosso eu racional pode “ouvir a voz de Deus” e dar-se conta do estado em que nos encontramos; logo, Adão é o modelo perfeito da consciência, do racional. 
 
A pena aplicada à “serpente” é rastejar e comer pó. A mulher por sua vez, deve ter sua vontade sujeita a Adão [Gênesis 3:14 e 16]. 
 
Se atentarmos para esses dois casos, notaremos que ambas as penalidades são idênticas, são na verdade uma só. Nossos desejos [a “serpente”] devem estar um nível abaixo de nós [“rastejar”], e nossa emoção [“Eva”] dever ser subjugada, dominada pela razão [“Adão”].  
 
Deus afirma que colocaria inimizade entre a semente da “serpente” e aquela da “mulher”, o que significa o contraste entre os desejos e as emoções e a luta que todos teríamos no futuro para subjugar nossas paixões quando as mesmas apelam não para o nosso aspecto racional, mas sim, para a parte mais frágil de nosso ser – o nosso eu emocional.  
 
A semente da mulher feriria a serpente na cabeça (i.e., obteria sucesso na tentativa de subjugar seus desejos) mas não sairia totalmente incólume nesse novo mundo ainda não desbravado do pós-árvore do conhecimento, pois sairia ferida no calcanhar, uma alusão aos revéses que sofreríamos aqui nessa nova realidade.  
 
As Escrituras está repleta de exemplos de pessoas que obtiveram sucesso nessa empreitada espiritual, mas que vez ou outra, acabaram sendo feridas no calcanhar pela serpente (Abraão, Davi, Ezequias etc).

mais:

Porque Deus não destruiu satanás



Lucifer e a estrela da manhã


Shalom!
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