sábado, 27 de agosto de 2011

O nome de Deus é Yaohu Uluhim ? e do messias Yaohushua?



tetragrama sagrado proto e moderno
Sempre quando falo algo referente ao nome do messias ou ao tetragrama sagrado, é comum eu receber comentários e mais comentários de pessoas que defendem a pronuncia do nome como sendo Yaohu e do messias como sendo Yaohushua. O mais irônico disso é que a maioria são de pessoas que não falam hebraico e não estudam o idioma, mas a maioria defende isso devido á alguns videos do youtube e devido ao site antares que propaga este nome. O mais interessante é que dizem que o hebraico foi corrompido pelos judeus e que a palavra Elohim na verdade se pronunciaria Uhulim. Bom vamos analisar alguns pontos racionalmente. Baseado nesse raciocínio, os adepetos defendem que a pronuncia do tetragrama é Yaohu devido a transliteração das letras em hebraico, lembrando que no idioma hebraico não existem vogais. O hebraico é uma língua consonantal e existem sinais massoréticos criados pelos judeus que junto com as consoantes indicam os sinais vocálicos da vogal a ser pronunciada. Os sinais massoréticos foram criados justamente para não se perder a pronuncia do hebraico.

O tetragrama é formado por quatro letras hebraicas, Yud (י ) Hei (ה ) Vav (ו ) Hei (ה ) .Essas letras seriam correspondentes em português á YHWH, sendo o Yud correspondente a letra Y ou I, o Hei correspondente a letra H e o Vav correspondente a letra V ou W. O Vav também é usado como vogal e ao lado de uma determinada letra pode ser tanto O quanto U dependendo do sinal massorético que possui. Então segundo a transliteração deles Yud seria Yao, o Hei seria H simplesmente, mas junto com o Vav que nesse caso seria a vogal U formam Hu. E o ultimo Hei seria só uma aspiração da palavra na ponuncia. Formando então a palavra Yaohu. Tudo bem, não vou abordar a pronuncia do tetragrama, mas vou usar a analise deles mesmo para mostrar como existem contradições. Vamos tomar como certo a analise deles. Vejamos agora a palavra Elohim:
Elohim em hebraico

A palavra é formada pelas letras Alef (א ) Lamed (ל ) Hei (ה ) Yud (י ) e Mem (ם ). Como vemos nessa palavra não aparece nenhuma letra Vav que seria a letra que daria o som de U. Então se não tem essa letra, a pronuncia não pode ser ULuhim. Se eles usam o Vav como letra U no tetragrama, de onde tiraram o U nessa palavra se não tem essa letra? E ainda duas vezes? Como podem ler ULU him se não tem um vav sequer?

Dizem que EL é um deus pagão cananeu pai de Baal. Baal em hebraico também significa senhor. O próprio Eterno era chamado de senhor. Até que os hebreus começaram a cultuar um deus pagão e chamavam esse deus de senhor (BAAL). E isso fazia com que o povo se esquecesse do seu nome (tetragrama) pois cultuavam a esse senhor (BAAL)

"Os quais cuidam fazer com que o meu povo se esqueça do meu nome pelos seus sonhos que cada um conta ao seu próximo, assim como seus pais se esqueceram do meu nome por causa de Baal."  (Jeremias 23 : 27)

A palavra El em hebraico significa Deus ou uma força, um poder. Elohim é o plural majestatico dessa palavra. Por isso Elohim significa divindade. Deus foi chamado com esse Titulo, os juzes de Israel recebiam esse titulo e até mesmo Baal é chamado desse titulo na bíblia.Vejamos:

"E sucedeu que ao meio dia Elias zombava deles e dizia: Clamai em altas vozes, porque ele é um ELOHIM (deus); pode ser que esteja falando, ou que tenha alguma coisa que fazer, ou que intente alguma viagem; talvez esteja dormindo, e despertará" 1Reis 18,27

A escrita em Gênesis acerca da criação é a mesma de Reis, é a mesma forma de linguagem e o mesmo alfabeto. Mesmo no arcaico a escrita seria a mesma nos dois livros. Então como pode Em gênesis le-se ULUHIM e em reis ler-se ELOHIM? Como se Elohim fosse uma divindade pagã pai de Baal. Mas se fosse assim enntão em gênesis, na narrativa da criação também seria porque a palavra é a mesma: אלהים

ELOHIM é um titulo e não o nome sagrado, e como vemos analisando sob a ótica deles mesmos, não tem como a pronuncia ser Uluhim porque não aparece nenhum sinal massorético que indique a letra U. No site antares eles dizem que os sinais massoréticos só surgiram no século VIII devido a dispersão dos judeus e por isso os judeus perderam a pronuncia do nome. Se isso fosse verdade, se os sinais só surgiram no século VIII, como eles podem alegar saber a pronuncia do tetragrama baseados apenas nas consoantes?
O sinal massorético "qâmatz gadol" ( ָ ) , representa uma vogal longa quando tem som de "a", e tem a pronúncia mais correta como um "a" com formato de "o", mas geralmente é utilizada apenas como "a" mesmo. O caso do "qamatz qatan", que tem o mesmo formato do "qâmatz gadol" , sua pronúncia é de "o" fechado, por exemplo na palavra כָל - "kôl" - "todo", e nesse caso, é uma vogal breve.

Portanto a pronúncia "ao" é inexistente no hebraico seja com qamatz gadol ou com qamatz qatan. Quanto a ter alguma vogal no Nome do Eterno, é uma das maiores mentiras que eles já contaram, pois como já foi dito por eles mesmos, não haviam vogais no hebraico até o século VIII e depois, quando o hebraico foi restaurado novamente, caíram novamente no desuso. Tanto que em Israel hoje não se usam mais os sinais massoréticos. Então como eles podem afirmar que o sinal massorético embaixo da primeira letra do Nome de D-us é um qamatz qatan ? Ou mesmo do nome de Yeshua ?

Então isso não tem nenhuma base lógica  e não é sustentado por nenhum linguista ou por quem entende o hebraico. O mais irônico disso tudo é a forma como isso se espalha e a imposição tamanha que eles fazem com relação ao nome. Dizem que o nome é importante e quem tenta esconde-lo é satanista, herege etc.... Se o nome é realmente tão importante, por que usar um nome errado? Porque defender tanto um nome que é tão refutado? Porque não pesquisar um pouco sobre o hebraico e a gramatica e ver se esta mesmo certo? Ou seja, é tão importante que qualquer um que me disser um nome qualquer eu me apego e pronto, mesmo sem entender nada de hebraico. O nome é importante sim, mas não mais que a fé. Milhões de pessoas no mundo e no Brasil não sabem hebraico e nem imaginam que o nome do messias seja Yeshua. Será que estão todas condenadas por isso? Será que não serão salvas porque não sabem hebraico? E as milhares de pessoas que usaram o nome Jesus antes de surgir esta história de pronuncia certa, será que foram condenadas? Eu falo yeshua porque é o nome do messias, mas também falo Jesus porque sei que milhares conhecem o messias por este nome e meus estudos não são para judeus, são para qualquer pessoa que quiser estudar e pesquisar.

O judaísmo não pronuncia o tetragrama em obediência a própria Torá que não permite a pronuncia em vão do mesmo, sendo uma violação gravíssima. Os judeus não revelam o nome sagrado porque ele não pode ser profanado. Imagine se esses pastores picaretas que surgem aos montes por ae soubessem a pronuncia do tetragrama! Ai além de pecarem e escarnecerem da palavra como muitos fazem eles ainda estariam blasfemando do nome sagrado que não pode ser usado em vão. Por isso que os tradutores judeus quando traduziram as escrituras para o grego, na "suposta" septuaginta, não colocaram o tetragrama substituindo-o por palavra gregas como Deus ou senhor. O nome sagrado não é um amuleto mágico que vai te fazer ficar milionário e tudo vai dar certo na sua vida. Não. O nome é para se louvar a Deus nas preces e orações e mesmo assim o judaísmo é arredio em revelar a pronuncia porque segundo o judaísmo nós pecamos em pensamentos também. Não podemos por exemplo pensar no nome sagrado pensando em adquirir bens. Isso ja seria um erro. Como o próprio Yeshua falou em mateus 5, se alguém ao menos cobiçar algo em pensamento ja cometeu pecado. Portanto, o recomendável é que cada um estude, aprenda um pouco e na hora certa acabará aprendendo o nome sagrado.

O nome Iahwéh não é a pronuncia do tetragrama, mas é defendido por teólogos como a pronuncia mais próxima do original. Não é a pronuncia original e algumas bíblias que usam essa pronuncia como a bíblia de Jerusalém comenta em seu rodapé que essa só é uma forma respeitosa do mais próximo da pronuncia original. A palavra foi formada usando as vogais de Adonay com o tetragrama. Alguns também usam a palavra Jeová da mesma forma, usando-se as vogais de Adonay no tetragrama.



Alguns defendem também que o nome do messias é Yaohushua devido a interpretação do tetragrama e que o nome do Pai tem que estar presente no nome do filho. O hebraico utiliza apenas uma abreviação do tetragrama nos nomes, não o mesmo. Os sufixos usados são Ye e Ya no começo e no fim. O sufixo El também é usado. Mas nunca o tetragrama todo e mesmo assim existem nomes na própria biblia que não possuem nenhum sufixo. Dadid, Shlomom, Shimom etc... Ya ou Yaho geralmente é utilizado como sufixo no fim e não no começo, como IshaYaho, MatitYaho etc.... Ye é um sufixo geralmente usado no começo com Yehudá, Yerushalaim etc.... Mas isso não significa que Yaho seja o tetragrama, é só uma abreviação, como a palavra AleluYa.

Cada nome bíblico tem seu significado na própria bíblia. Jacó ou Ya'acov, por exemplo vem da palavra calcanhar (acov) e a explicação esta na própria bíblia:

"E depois saiu o seu irmão, agarrada sua mão ao calcanhar de Esaú; por isso se chamou o seu nome Ya'acóv. E era Isaque da idade de sessenta anos quando os gerou." (Gênesis 25 : 26)

A biblia diz claramente que a origem do nome de Ya'acov vem da palavra calcanhar mas para esses do site antares tem que ter o tetragrama em todo nome e por isso eles dizem que o nome de Jacó é Yaohutzak

do site antares
Isso é passar por cima da própria bíblia e ainda acusam a gente de seguir a tradição de homens. Se a bblia diz que o nome dele foi dado por que segurou o calcanhar do irmão, por que eles dizem que o nome é Yaohutzak??!!Onde entra a palavra calcanhar nesse nome??!!! Ou então a bíblia também foi corrompida e o pessoal do site antares é que esta certo??Isso não é hebraico! Como eu posso ensinar para alguém um idioma que eu não conheço? Inventando? E o pior que muitos estão acreditando nisso! É o mesmo que um chinês vim para o Brasil nos ensinar a como falar português!! Não tem lógica! Mas esses acham que sabem mais que os judeus que são os donos da lingua, dizem que os judeus corromperam a pronuncia e criaram uma nova, que segundo eles, é a original do hebraico arcaico. Como eles saberiam qual é a pronuncia original do hebraico arcaico??!!! Se não sabem nem o hebraico moderno. Então Israel esta erradíssimo e deveria mudar seus nomes milenares. Israel deveria então se chamar IsraUL . Daniel deveria DaniUL como eles dizem e assim por diante!

Yaohu, defensores da ignorância:

Apesar de muitos me criticarem por isso, eu penso que o mais importante é o estudo da palavra. Existem pessoas por ae se deixando levar por nomes, palavras e preceitos e falam sempre com palavras em hebraico e usando os nomes em hebraico. Mas estão falando o que? Será que a verdade? Será que um estudo cheio de nomes em hebraico e com um monte de heresias e mentiras vale mais que um em português mesmo que tenha conteúdo? Infelizmente é isso que tenho visto muito ultimamente. Tem pessoas que não sabem nem quem foi abiatar ou abmeleque por exemplo e andam com quipá, barba, tsiri etc.... Prefiro transmitir o estudo da palavra de uma forma coerente e útil que qualquer doutrina errada e repetida só mudando os nomes para o hebraico.

Esse texto meu não é um ataque aos que pronunciam Yaohu ou qualquer outro nome, só estou postando porque sempre sou criticado com relação a isso quando faço algum vídeo que menciono Yeshua por exemplo. E realmente me incomoda ouvir criticas de pessoas que defendem um hebraico grotesco e ainda criticam os outros. Por mim cada um siga o que achar correto. Mas também me incomoda diversas pessoas que devido aos meus videos ficarem perguntando qual é o real nome de Deus como se isso fosse um amuleto mágico. Espero que as pessoas estudem mais a Torá e os evangelhos e não se apeguem tanto a supertições pois Deus não faz acepção de pessoas, seja o judeu ou o gentio, o que vale são as nossas preces sinceras.


A verdade sobre o deus YAO dos gnósticos e como eles o fundiram com o tetragrama:


Como o nome Yeshua foi transliterado para Jesus!



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DEVIDO AO NÚMERO DE COMENTARIOS ESTOU ADICIONANDO ALGUMAS IMAGENS:

Ferreira de Almeida


A prova da seita Ulim é a mesma que diz que EL é Deus e UL é pilantra!




Vulgata latina
Tumulo do Rabi Yehoshua II século d.C.

Manuscrito semita com o nome YEHOSHUA Josué

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O martelo das bruxas e o poder do mito

O martelo das bruxas
Durante a inquisição católica surgiu um dos mais terriveis livros da humanidade, um tipo de manual de caça a bruxas chamado "O martelo das bruxas"
O Malleus Maleficarum (Martelo das Bruxas em latim), é provavelmente o tratado mais importante já publicado no contexto sobre a perseguição as bruxas. É um livro sobre a caça as bruxas que logo depois de ser publicado na Alemanha em 1486, teve várias outras edições, se espalhou pela Europa e teve um profundo impacto nos juízos contra as bruxas no continente por cerca de 200 anos. Esta obra é notória pelo seu uso no período de combate a bruxaria que alcançou sua máxima expressão em meados do século XVI até metade do século XVII.
O Malleus Malleficarum foi compilado e escrito por dois monges inquisidores dominicanos, Heinrich Kramer e Jacob Sprenger, os quais afirmaram no livro que lhes havia sido outorgados direitos especiais para processar as bruxas na Alemanha pelo Papa Inocêncio VIII, por meio de um decreto papal em 5 de dezembro de 1484; porém este decreto foi emitido antes que o livro fosse escrito e antes que seus planejados métodos fossem conhecidos.

Kramer e Sprenger apresentaram o livro a faculdade de Teologia da Universidade de Colônia em 9 de maio de 1487, esperando que o mesmo fosse aprovado. Mas o clero da universidade o condenou, declarando-o ilegal e antiético. Kramer no entanto, incluiu uma falsa nota de apoio da universidade em edições posteriores do livro. O ano de 1487 é geralmente aceito como o ano da publicação, ainda que edições anteriores da obra foram provavelmente produzidas em 1485 ou 1486. A igreja então qualificou e incluiu o Malleus Malleficarum na Lista de Obras Proibidas (Index Librorum Prohibitorum). Apesar disso, entre os anos de 1487 e 1520 a obra foi publicada 13 vezes. Depois de 54 anos foi novamente publicada ente 1574 e a edição de Lyon de 1669, num total de 16 publicações.
A suposta aprovação que aparece no inicio do livro contribuiu para sua popularidade, dando a ilusão de que lhe havia sido outorgado um respaldo garantido.

O texto chegou a ser tão popular que vendeu mais cópias que qualquer outro além da bíblia. Sendo ultrapassado pelo “O Progresso do Peregrino” de John Bunyan, que foi publicado em 1678.

Conteúdo:
O livro está dividido em três sessões, cada uma das quais contém perguntas específicas e se propõe respondê-las através de argumentos contrários. Há pouco material original no livro, pois na verdade foi usado uma compilação de crenças e práticas já existentes com muitas partes tomadas de obras anteriores tal como Directorium Inquisitorium (1376) de Nicolau Aymerich, ou Formicarius (1435) de Johannes Nider.

A primeira parte busca provar que a bruxaria e feitiçaria existiam. Detalha como o demônio e seus seguidores, bruxas e feiticeiros utilizam-se da magia.
Parte desta sessão explica como por que as mulheres, por sua suposta natureza mais débil e intelecto inferior são por natureza mais propensas as tentações de Satã do que os homens. Tanto que os escritores declaram (incorretamente) que a palavra “femina” (mulher), é uma derivação de “fé + minus”, sem fé (ou infiel, ou desleal). A segunda parte do livro descreve as formas de bruxaria. Esta sessão detalha como as bruxas lançam feitiços, e como suas ações podem ser prevenidas ou remediadas. Uma forte ênfase se dá ao pacto com o diabo e a existência de bruxas e a existência de bruxas é apresentada como um fato. Muitas das informações do livro de feitiços, pactos, sacrifícios ao diabo foram obtidos (supostamente) de juizes inquisidores.
Malleus Maleficarum

A terceira parte detalha os métodos para detectar, julgar e sentenciar ou destruir bruxas. A tortura na detenção de bruxas é vista como algo natural; se o bruxo ou bruxa não confessava voluntariamente sua culpa, a tortura era aplicada como um incentivo para que o fizesse. Os juizes eram instruídos a enganar o acusado se necessários, prometendo-o misericórdia pela confissão.
Esta sessão também fala da confiança que se pode pôr nos relatos das testemunhas e a necessidade de eliminar acusações maliciosas, mas também sustém que o rumor público era suficiente para levar a pessoa a juízo e que uma defesa muito vigorosa é evidência de que o defensor está utilizando-se de bruxaria. Há também regras a respeitos de como prevenir que as autoridades sejam enfeitiçadas.De uma maneira geral, o Malleus Maleficarum declara que algumas coisas confessadas por bruxas, tais como transformações em animais, eram meras ilusões induzidas pelo demônio, enquanto outros atos, como voar, por exemplo, causar tempestades e destruir plantações, eram reais. O livro fala detalhadamente sobre todos os atos cometidos pelas bruxas, sua habilidade de criar impotência nos homens, e inclusive deixar a dúvida sobre se os demônios poderiam ser ao pais dos filhos das bruxas. O estilo narrativo é sério, completamente isento de humor, inclusive os fatos mais duvidosos são apresentados como informação confiável.


Arrastadas de suas casas sem saber ao certo do que estavam sendo acusadas, as bruxas eram despidas e submetidas a um criterioso exame em busca das marcas de Satanás. Sardas, verrugas, um mamilo grande, olhos dissemelhantes ou azuis pálidos eram considerados sinais seguros de que a mulher, principal vítima da perseguição, travara contato com as forças do mal. Informada sobre as suspeitas que pesavam sobre ela, a mulher que resistisse às lágrimas ou murmurasse olhando para baixo, seguramente era uma seguidora dos espíritos malignos. Escaldadas em água com cal, suspensas pelos polegares com pesos nos tornozelos, sentadas com os pés sobre brasas ou resistindo ao peso das pedras colocadas sobre suas pernas, as rés não tardavam a gritar aos seus inquisidores que ´sim, era verdade`, elas sacrificavam animais e criancinhas, evocavam demônios nas noites de lua cheia, e usavam ervas e feitiços para matar e trazer infelicidade aos inimigos. Convencidos pelos argumentos do Malleus malificarum - manual encomendado pelo Papa Inocêncio VIII aos monges dominicanos Heinrich Kraemer e Jacob Sprenger e publicado em 1486 -, o tal Martelo das Bruxas, que dizia "quando uma mulher pensa sozinha, ela pensa maldades", os torturadores respiravam aliviados com a confissão que finalmente poderia reconduzir àquela alma aos braços da cristandade, mesmo que fosse através da queima final de todos os seus pecados nas fogueiras sulfurosas - o enxofre impedia a morte por asfixia, o que abreviaria o sofrimento necessário para purificar seu espírito. Nunca terá lhes ocorrido que sobrenatural seria resistir a tudo isso se negando a concordar com qualquer coisa que lhe dissessem? Provavelmente não, caso contrário o inquisidor Nicholas Remy não declararia atônito a sua surpresa com o fato de "tantas bruxas terem desejo positivo de morte".

Esse livro gerado pelo fanatismo e ignorância medieval levou milhares a morte. Bastava uma simples verruga para a mulher ser considerada uma bruxa, segundo esse manual. Como se sinais fisicos fossem marcas de satanás ou demônios. E hoje, que ja não estamos mais na era medieval, será que as coisas mudaram? Basta você ver o youtube e sites conspiracionistas que não é muito dificil de você encontrar matérias sobre sinais fisicos de possessão demoniaca. os sinais variam desde um simples olhar assustado até palpebras duplas, segundo os conspiracionistas. Então se uma pessoa é naturalmente feia ou não tem uma perfeição fisica estética ela deve ter cuidado, pois segundo essas teorias, essas pessoas estão com algum tipo de possessão demoniaca ou são reptilianos. Até onde vai o poder do mito?


Shalom!
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