Hoje no meio religioso, existe um movimento bonito de retorno as raizes judaicas do cristianismo conhecido como judaismo messianico. Nada mais é, literalmente que judeus que creem que Jesus foi o messias. O judaismo, aliás, tem uma excelente interpretação bíblica, coerente, e quando aceitam que Jesus foi o messias prometido, analisam o novo testamento sob uma ótica mais judaica e mais excelente.
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| judeu ortodoxo |
Mas como em todo meio religioso, existem os joios e os trigos e no judaismo messianico não seria diferente. É comum vermos alguns que se dizem judeus e na verdade não são. Isto não tem nada de mais a principio, pois o judeu não é superior e nem inferior a ninguém. Somos todos iguais e Deus não faz acepção de pessoas. Mas o problema é que quando alguém que não é judeu e diz ser, o que esta pessoa prega, os seguidores começam a achar que aquilo é judaismo e muitas vezes não é. É comum nos debates que eu participo este tipo de argumento e conflitos de idéias, quando alguém aborda um tema, sempre outro diz: "Ah, mas fulano disse isso, e ele é judeu" .E muitas vezes este não é de fato judeu.
Alguns são ex-adventistas ou simplismente simpatizantes do judaismo. Outros se envolveram tanto nos estudos judaicos que acabaram se convertendo ao judaismo tradicional. Outros, chegaram a falsificar o titulo de Rabino, como se tivessem sido ordenados em Nova Yorque e Jerusalém e acabaram tendo problemas legais. E a maioria das pessoas, leigas no que diz respeito ao judaismo acabam se deixando levar por pessoas que estão fingindo serem o que não são.
E o maior problema, é acima de tudo, a questão teologica. Tem muitas coisas que o cristianismo prega que não existe no judaismo. Tem coisas que os cristãos defendem que no judaismo é até proibido. Existe de fato um abismo enorme entre judaismo e cristianismo. Judaismo é uma coisa e cristianismo é outra. Mas muitos que tem surgido se dizendo judeus messianicos estão pregando justamente estas coisas que o judaismo nunca teve e nunca aceitou.
O maior foco dos que fingem serem judeus, é a questão da lei. Mas só impòr a lei e ignorar pontos importantes da teologia, é tornar-se legalista apenas. Como os fariseus na época de Jesus. E mesmo a lei, nunca foi obrigatória ao gentio. O judaismo tradicional nunca fez proselitismo e nunca achou prudente impor a lei aos gentios, criando inclusive as leis noéticas, como unicas mitsvots que os gentios deveriam observar.
Certos pontos, são tão óbvios, que ambas as religiões tradicionais condenam pois pode levar a pessoa a perdição. O próprio Jesus disse aos fariseus que percorriam céu e terra para fazerem um prosélito e o tornavam mais digno de réu do inferno que eles (Mt 23,15). Porque o judaismo nunca pregou proselitismo, porque o que faz parte da aliança entre Deus e seu povo, é entre Deus e seu povo e não ao gentio. Um exemplo, a circuncisão. O judaismo pratica a circuncisão como um mandamento da aliança. Nunca para o gentio. O cristianismo também nunca aceitou a circuncisão, sendo inclusive combatida por Paulo veementemente.
"Eis que eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará." (Gálatas 5 : 2)
E mesmo assim, algumas congregações messianicas tem praticado a circuncisão, mesmo sendo contra ambas as religiões. O sabado, outro exemplo, é assessivel ao gentio que quiser guardar este mandamento dado por Deus, e repousar neste dia santo. Mas nunca foi obrigatório ao gentio. Nunca foi uma lei para o gentio, e mais um caso, condenado tanto pelos rabinos quanto pelos teologos cristãos. Escritos rabinicos chegam a considerar isto uma heresia.
Algumas congregações na pascoa, estão celebrando ceiando um cordeiro. Mas isto vai contra ambas as religiões. Na lei judaica é proibido a um gentio comer da ceia de Pascoa. No cristianismo, Jesus é o nosso cordeiro que se fez sacrificio por nós. Então celebrar a ceia com um cordeiro é negar o sacrificio de Jesus, e violar a lei de Moisés ao mesmo tempo.
Fora que o judaismo prega essencialmente estudo. Muitas sinagogas são na verdade casas de estudo, beit midrash. É comum também vermos em algumas, uma total falta de escatologia e exegese, e pregadores que ignoram completamente o contexto histórico e o preterismo e pregam as mesmas coisas que já aconteceram; como alguns protestantes já o fazem há anos. E iludem as pessoas que ficam esperando uma besta que já veio e uma tribulação que nunca foi destinada para nós, mas para Jerusalém. E alguns até sabem disso, mas pregam porque é conveniente. É uma coi$a boa para ele$$ ! Se é que da para entender!
Independente de conceitos teológicos distintos, como preterismo ou futurismo, o judaismo se baseia em treze principios de fé. Isto tem sido a base do judaismo e de seus conceitos de fé há anos. Mesmo que um judeu seja ateu ou se afaste do judaismo, dificilmente ele vai seguir conceitos distintos de seus principios de fé, porque na sua formação ele já aprende tais conceitos e pelo raciocionio lógico, é dificil fugir de certos conceitos. Esta é a única maneira maneira de distinguir um judeu verdadeiro de alguém que finge ser judeu.
O conceito mais importante, que é o pilar da fé judaica e sempre distinguiu os judeus dos outros povos, é o monoteismo. O judeu acredita em apenas UM Deus. No judaismo Deus é UM como disse o próprio Jesus citando o shemá: "O principal mandamento é, o senhor vosso Deus é UM" (Mc 12,29) . Portanto, Deus é UM. Ele não é dois, não é três, não é quatro etc... Ele é UM. Se alguém se diz judeu, e foge desta regra, prega que Deus é três em um ou Um que é três ou conceitos semelhantes que fogem do monoteismo, esse alguém con certeza ou esta equivocado ou esta fingindo ser judeu. Em Isaias 45,7 Deus disse claramente que faz tanto o bem quanto o mal. Ele é UM. Portanto o que foge disso, foge das escrituras e não esta fazendo retorno algum. Andar em circulos não é retornar e nem avançar!
A palavra trindade não existe na bíblia. Não tem um versiculo sequer que fale da trindade. Existem interpretações que tentam ver uma trindade em toda a bíblia, desde o gênesis. Mas a bíblia toda fala somente de UM Deus, não de três. "A minha glória não darei a outrem"(Is 48,2) Deus jamais disse que faria outro Deus ou daria sua glória a outro como Deus. Portanto, isso não existe no judaismo.
O judaísmo acredita em UM Deus invisivel, que não tem forma, não tem uma imagem, não tem um ídolo e não tem sequer um nome. O nome de Deus, apesar dele o ter revelado a Moisés, é considerado indizivel, pois não se diz seu nome para não toma-lo em vão e incorrer em pecado. O tomar o nome de Deus em vão ou blasfema-lo, é um pecado tão grave quanto a lashon hara, a mentira, a calunia e pode causar as mesmas consequências, como a lepra ou uma pertubação espiritual por ter blasfemado do nome santo. Por isso, um judeu não diz e não ensina o nome indizivel. Qualquer um que tenta decifrar o nome, ou os arqueologos do nome e os que ensinam o nome em vídeos ou sites publicos, não podem ser judeus de verdade. Porque o judaismo entende as consequências disso e evita incorrer neste erro. A prórpia septuaginta, que diz a lenda que foi traduzida pos sábios judeus, eles verteram o tetragrama para Senhor e Zeus, conceitos gregos, para evitarem que o nome sagrado fosse blasfemado pelos gentios. Mesmo se a septuaginta foi uma farsa feita pelos gentios com sua péssima tradução, vemos que eles não descobriram o nome sagrado senão teriam colocado.
A interpretação judaica das escrituras, costuma ser bem clara. O judaismo prega que Deus não faz as coisas as escuras ou com confusão, pois Deus é claro e sua palavra também é. Portanto, o judaismo tenta não ultrapassar o que esta escrito, apesar do Talmud e da tradição judaica, eles tentam interpretar sem ultrapassar. Até porque Deus não mente, e se ele revelou sua palavra através dos seus servos, os profetas, não cabe a nós transcedermos isto por interpretações pessoais e contradizermos o que Deus disse.
Um exemplo claro disso é sobre as setentas semanas de Daniel e as profecias do seu livro. O anjo foi claro ao dizer que setenta semanas foram fixadas para o seu povo e sua cidade. Mas a teologia cristã criou a teologia da lacuna, onde eles entendem que a ultima semana de Daniel se refere a outro povo, os gentios, e a uma outra época, a nossa, e a uma outra cidade santa, isto é, um evento global. Mas o texto não diz isso em momento algum. O texto não separa a semana 69 da 70. Isso é ultrapassar a escritura. E ainda usam esse mesmo texto para dizerem que Israel fará um acordo de paz com o Anti-Cristo por sete anos. O texto não diz absolutamente nada disso.
O judaismo jamais interpretou este texto com essa lacuna, por que não existe tal lacuna no texto. Se alguém diz que é judeu e prega isto, esta sendo influenciado provavelmente pela teologia protestante ou se passando por judeu.
Outro exemplo é o texto de Daniel sobre as quatro feras onde o anjo lhe explica claramente que a quarta fera seria o quarto reino da terra, seguindo a ordem, Babilônia, medo-presa, grego e portanto roma. Então porque interpretar este quarto reino como a nova ordem mundial, ou a união da europa, ou um bloco econômico, iluminati etc...? O anjo não foi claro ao dizer o quarto reino? Não veio o quarto reino, os romanos? Isso é ultrapassar o que esta escrito.
Em Ezequiel 28, vemos outro exemplo. Deus foi muito claro ao dizer: "Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei de Tiro" (Ez28,12)Mas muitos atribuem esta profecia a Lucifer, um deus grego romano criado por homens séculos depois, ou ao diabo. Ou seja, Deus disse: profetiza para o rei, mas a tradição diz, a profecia foi para o diabo. Isto se deve ao desconhecimento bíblico. O texto menciona o Édem, jardim de Deus. Edém era uma cidade, basta ver no capitulo anterior. Jardim de deus, na verdade é plural, jardim dos deuses, que era comum em toda cidade do mundo antigo. A mesma expressão o mesmo profeta utilizou no capitulo trinta um contra o faraó do Egito. E mesmo o jardim do édem de gênesis também era na terra.
O texto menciona o monte santo de Deus. Também é na terra, é o monte Sião. Menciona as pedras que o rei usava, seus comércios, seus filhos, seu reino, outros reis etc... É claro que foi para um rei, mas mesmo assim, alguns que se dizem judeus, atribuem este texto ao diabo, como a teologia protestante o faz. Onde esta o midrash e a interpretação coerente? Isso não é judaismo. Parece mesmo catolicismo messianico.
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| P.Quevedo |
Estes são apenas três pontos interessantes que podemos notar na diferença entre o que prega o judaismo e o que prega o falso judaismo. No judaismo não existe nem trindade e nem dualidade, mas Monoteismo. E a interpretação judaica das escrituras tenta ser coerente e não ultrapassar o que esta escrito. Independente dos judeus não acreditarem que Jesus foi o messias, eles não distorcem os textos messianicos ou os ignoram, eles só não entendem que Jesus cumpriu as profecias, mas não ultrapassam o que foi escrito.
Portanto, é nescessario também ao fiel, saber distinguir pela lógica certas coisas. O falso judaismo não é nenhuma novidade, já havia na época de João e só não sobreviveu devido ao anti-semitismo histórico. Quem quer ser judeu durante uma inquisição, cruzada ou holocausto? Ninguém né. Mas agora que o anti-semitismo é combatido, todo mundo quer ser judeu, mesmo que seja de qualqeur jeito. Mas na época de João, ele já advertiu sobre isso:
"Eis que eu farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não são, mas mentem: eis que eu farei que venham, e adorem prostrados a teus pés, e saibam que eu te amo." (Apocalipse 3 : 9)
São a sinagoga de Satanás, isto é, da oposição. Nem pregam a verdade e ainda prejudicam os que pregam. Muitos pecados considerados graves no judaismo, são ignorados, como a lashon hará, a avareza, e a arrogância por exemplo, porque o judaismo prega que todo ser humano é a imagem de Deus. Do presidente da republica ao mendigo da sua rua. Que um mendigo as vezes pode ter um espirito mais evoluido que de um rico até. Por isso as leis para com o próximo, são mais importantes, como a caridade, a justiça, o amor e o respeito ao próximo. O judaismo diz inclusive que a caridade salva da morte, por isso que os judeus geralmente são generosos. Lembrando que Jesus que também foi judeu disse: "Dai a todo que pede"
Há uma diferença enorme entre fazer retorno ao judaismo bíblico e fazer retorno ao judaismo tradicional. Bíblico é o da bíblia, isto é, judeus que seguem aquilo que Deus mandou. Tradicional é o que segue as tradições dos rabinos, isto é, o que não esta na bíblia, e que Jesus tanto condenava:
"E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus." (Mateus 15 : 6)
Seguir o judaismo tradicional, é fazer exatamente o oposto do que Jesus pregou. Muitas coisas que alguns tem usado e pregado não estão de fato nas escrituras, pois são apenas a tradição dos judeus. Não se pode servir a dois senhores, ou se segue o que esta na bíblia ou se segue o que não esta. Quem segue estas tradições, se passando por judeus, e dizendo que é bíblico deveriam responder então com a bíblia algumas indagações:
Onde na bíblia se ordena acender velas no shabat? Onde na bíblia se ordena o uso da Quipá? Onde na bíblia se ordena a celebração de festas tradicionais como o Purim ou o Chanuká? Onde na bíblia se ordena vestir preto, sendo que Deus determinou até as cores das vestes dos sacerdotes? Onde na bíblia Deus instituiu as parashás? e por ai vai...
Sabe porque estas coisas não estão na bíblia? Porque todas estas coisas foram criadas pelos Rabinos. faz parte da tradição judaica, de um povo, de sua cultura. Mas não são mandamentos de Deus. Isso não é judaismo bíblico!É vontade de se parecer com judeu.
Portanto, que todos analisem tudo com muita cautela, e tenham um bom discernimento. Pregar somente o cumprimento da lei e ignorar todo o resto é legalismo apenas. Usurpar a tradição de um povo, mesmo sendo contra o que seu próprio Messias disse é errado! Façam um bom retorno as raizes judaicas, bíblicas, mas cuidado com os que se dizem judeus e não são de verdade, pois como disse João, são na verdade, a sinagoga de Satanás.
E é claro que existem verdadeiros judeus messiânicos, judeus que acreditam que jesus foi o messias e estudam o novo testamento. esta postagem não é para generalizar, mas para exortar o leitor ao bom discernimento, não a a aversão.
Paz a todos!
Ronaldo
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