sábado, 5 de maio de 2012

Como persuadir e alienar as pessoas


Técnicas de persuasão utilizadas por seitas
dominado
Muitas vezes, somos surpreendidos por notícias de que adeptos de determinada seita religiosa cometeram suicídio coletivo ou que são conduzidos a desfazer-se de seus bens, renegarem suas famílias, odiar minorias e perseguir membros de outras denominações religiosas. Ou ainda, eleger um credo religioso como inimigo de suas crenças - em geral, o catolicismo. Em todos esses doentios desvios de comportamento está um componente perigoso quando usado para subjugar a consciência individual: a doutrinação religiosa, que é o primeiro degrau do fanatismo.

Todo o processo de doutrinação dessas seitas é, em grande parte, dirigido por técnicas de persuasão que já estão diretamente ligadas à forma de conquistar as pessoas alcançadas por sua mensagem e, principalmente, manter sob controle os seus adeptos, de tal forma que, mesmo inconscientemente, tais técnicas já fazem parte da identidade dessas organizações.

Em se tratando do Brasil, que se tornou um verdadeiro paraíso para a disseminação de novas seitas a cada dia, os fundadores dessas seitas levam para suas denominações toda a ideologia persuasiva dos credos dos quais se desligaram, formando um ciclo vicioso de persuasão e fanatismo. São fanáticos que geram mais fanáticos, que por sua vez produzem mais e mais fanáticos.

Entre as técnicas existentes, as mais comuns são:

1. Uso de Estereótipos (generalizações)

2. Substituição de Nomes

3. Seleção e Indução

4. Distorções e Falsidade

5. Repetição

6. Escolha de Um Inimigo

7. A Doutrina do Medo

Cada um destes tópicos está explicado abaixo:

1.       Uso de Estereótipos 
O doutrinador utiliza estereótipos para criar impressões fixas sobre determinado grupo de pessoas ou povos. Os indivíduos que compõem estes povos não recebem julgamento em base individual, suas ações são interpretadas de acordo com as expectativas da imagem estereotipada aplicada sobre eles. A propaganda incentiva o estereótipo, seja com conotações positivas ou negativas, para angariar simpatia à mensagem propagada e criar ou aprofundar a hostilidade a outras idéias. Como exemplos de povos quase sempre estereotipados podemos citar os judeus (sovinas), os japoneses (só pensam em trabalho), os árabes - em geral os muçulmanos - (terroristas), os católicos em geral (papistas, mariólatras, idólatras) entre outros.

A mais poderosa arma psicológica usada pelas seitas para incrementar o preconceito é criar estereótipos tanto para si mesma, e seus adeptos, quanto para seus rivais. Os líderes das seitas costumam apresentar as outras organizações religiosas cristãs sob a pior luz possível, de acordo com sua própria interpretação particular da Bíblia, além de uma seletiva interpretação de fatos históricos. Esmera-se em criar estereótipos desfavoráveis com o objetivo de degradar o cristianismo praticado por outras religiões, selecionando aspectos negativos de determinados grupos cristãos durante a história, tal como o conflito entre católicos e protestantes na Irlanda e as Cruzadas. E generaliza suas conclusões aplicando ao todo das religiões cristãs – no presente e no passado – as características negativas específicas de grupos locais ou de determinada época. Devido ao estereótipo das demais religiões cristãs, cultivado com imagens negativas selecionadas.

Não há surpresa em verificar que os líderes dessas seitas minimizam e desprezam qualquer boa ação da parte de cristãos individuais de outros grupos religiosos. Para essas seitas, as demais denominações cristãs são todas igualmente más e fazem parte de “Babilônia, a grande”, o império mundial da religião falsa, nome extraído do livro bíblico de Revelação 18:2. Somente elas possuem a verdade “verdadeira” e devem divulgá-la aos falsos cristãos das outras denominações religiosas, para encontrar entre eles as ovelhas perdidas, os que “amam a Deus”, livrá-los da idolatria, da infidelidade literal à Bíblia, da veneração aos santos e a Maria.

Ainda conforme os estereótipos criados por essas seitas na mente de seus adeptos, o ensinamento e as publicações da seita são os verdadeiros alimentos espirituais providos por Deus. Todas as demais fontes de informação resumem-se a filosofias e pensamentos de homens, devendo ser tratadas como tal. Estes estereótipos inseridos nas mentes dos seus seguidores são baseados exclusivamente em informações tendenciosas, preparadas de maneira a justificar a ascendência da seita sobre eles e assim conduzi-los a compartilhar das mesmas conclusões propostas pelos seus líderes. Dando a impressão de que existem “provas” apontando que sua seita e, por conseguinte, que seus membros são os únicos “portadores da verdade”.

2. Substituição de Nomes 
A substituição de nomes é uma prática comum do doutrinador. Ao criar a mensagem, o doutrinador substituirá algumas palavras por outras, que produzirão uma impressão diversa do sentido original, com objetivo de realçar ou diminuir emoções e assim conquistar a aceitação da mensagem pelo público-alvo. Exemplificando, para os defensores da legalização do aborto, o bebê que a mulher grávida carrega na barriga torna-se um “feto”, pois é evidente que a morte de alguma coisa chamada feto choca muito menos que a de um bebê. Da mesma forma, para seus defensores, o capitalismo feroz transforma-se num singelo “livre empreendimento”.

Essas seitas fazem exatamente o mesmo em suas abordagens de forma a conseguir a aceitação de seus ensinamentos por parte daqueles que são alcançados por sua mensagem. Desta maneira, as demais religiões são reunidas em designações depreciativas que as designe: Os católicos são tratados por “papistas ou idólatras”; os adeptos do candomblé ou espíritas, por “feiticeiros”. A depender da linha protestante, os estereótipos podem ser ainda mais abrangentes: “os pentecostais”, os “neo-pentecostais”, os “renovados”, os “conservadores” e etc. Mais interessante é o fato dessas seitas estarem inclusas, em sua maioria, entre os últimos quatro grupos citados, e ainda assim criarem substituições entre si.

A forma pejorativa visa, naturalmente, diminuir ou eliminar qualquer base de respeitabilidade de tais denominações religiosas. Qualquer que não seja membro da seita é chamado simplesmente de “mundano” e aqueles que abandonam a denominação recebem o rótulo negativo de “apóstata”. Similarmente, porém com sentido positivo, os integrantes da seita são chamados constantemente de “cristãos”, “ungidos”, “povo de Deus”, “escolhidos”, “rebanho”, “crentes”, “escravo fiel e discreto”, identificando-os com passagens bíblicas. Estes termos, que são definidos como linguagem descritiva, provocam reações emocionais instantâneas, com julgamentos positivos ou negativos, cada vez que as palavras ou frases são verbalizadas ou lidas.

3 Seleção e Indução 
Na técnica de “Seleção”, o doutrinador seleciona cuidadosamente a informação para que os pontos destacados estimulem os leitores ou ouvintes para as conclusões que, espera-se, eles atinjam. Informações são cuidadosamente omitidas quando são inúteis para influenciar a conclusão final, pois do “fiel” é esperado um julgamento baseado única e exclusivamente nas indicações e dados fornecidos. Freqüentemente, o “fiel” não tem conhecimento da existência de outras informações que possam contradizer a conclusão que dele se espera. A seleção cuidadosa das evidências limita a possibilidade do leitor questionar as afirmações e conclusões do doutrinador, isto é deliberadamente planejado para evitar ou desestimular raciocínios pessoais e avaliações independentes.

Similar a esta é a técnica de “indução”. Indução é uma forma de argumentação onde toda a evidência (verdadeira ou falsa) é simbolicamente empilhada, em ordem, de modo que sejam lidas ou ditas uma a uma, em seqüência, fazendo com que no final a única conclusão, possível, seja aquela que o doutrinador quer ver aceita. É freqüente nesta técnica a comparação das idéias do doutrinador com as idéias dos opositores, porém é feita de tal maneira que o ponto de vista do primeiro parece ser sempre a idéia correta.

Não raro ao sermos abordados por um membro de uma seita, o mesmo utiliza desse recurso (mesmo que inconscientemente, já que sua formação nele se baseou), habitualmente faz perguntas fechadas, por sinal, perguntam muito e respondem muito pouco, e tentam conduzir as conclusões do interlocutor aos seus objetivos.

1.       Por exemplo: 

- Você crê na Bíblia, crê que ela seja a palavra de Deus? – pergunta o adepto da seita.
- Sim, claro que creio – responde o desinformado.
- Bem, se você crê na Bíblia, crê que ela seja a palavra de Deus, logo, você crê que tudo o que esteja fora dela não vem de Deus.
- É né... Parece que é isso mesmo. – responde o fiel que desconhece os pilares da sua própria doutrina, nada sabe da Bíblia e foi fisgado por uma argumentação “indutiva” das mais fajutas.

Uma pessoa desinformada, bombardeada por esta saraivada de informações e evidências apresentadas por essas seitas, provavelmente concordará com o ponto de vista das mesmas. Contudo, assim como em toda informação prestada por essas seitas, existe sempre um outro lado que está ausente, que não foi apresentado ou foi apresentado fora do contexto, deslocado do objetivo original, mutilado e editado. O destinatário da mensagem dessa seita é induzido a concluir que a opinião dela (da seita) é a única solução viável. De uma coisa é preciso estar bem ciente: a seita e seus doutrinadores usarão somente informações - mesmo sendo questionada no contexto original - que apontem na direção de suas conclusões e ignorará ou desconsiderará qualquer outra informação que possa levar alguém a uma outra conclusão diferente.

4. Distorções e Falsidade
A falsidade é um método comumente usado pelos doutrinadores. Fabricando, torcendo, esticando ou omitindo evidências utilizadas na doutrinação obtendo resultados eficazes. Histórias falsas de atrocidades têm sido usadas nas Cruzadas, na inquisição e em todos os períodos negros da história da Igreja, isso sem considerar que os fatos reais ocorridos nesses períodos falam por si. Mas, é necessário para essas seitas dramatizar situações, ressaltar ou inventar fatos tendo em vista a despertar a ira e o desprezo de seus adeptos pela Igreja Católica e seus fiéis, e demais religiões, e isso tem sido feito com grande eficácia. Exemplo:

´A 500 anos atrás o Papa mandou ´matar´ Galileu só porque ele disse que a terra é redonda. A 2.700 anos atrás a Bíblia já dizia que a terra é redonda (Isaías 40:22)´.

Fonte: Do livro "Será Mesmo Cristão o Catolicismo Romano?" - Hough P. Jeter.

Estas frases contêm várias imprecisões, próprias de quem fala sem saber ao certo o que diz:

· Galileu faleceu em 1642, portanto há pouco mais de 350 anos - e não há 500 anos; faleceu de morte natural, não foi assassinado a mando de nenhum papa. Foi perseguido pela inquisição? Sim foi, mas por defender o heliocentrismo - o sol como centro do universo - e não que a terra era redonda. E Isaías (Is 40´55) profetizou durante o exílio (587´538 aC), ou seja, há 2.500 anos aproximadamente; ao falor do ´ciclo da terra´, não se pode dizer que tinha em vista a esfericidade da terra, já que ciclo refere-se a conjunto de tudo o que havia no mundo conhecido, e não necessariamente a forma arredondada do globo.

Ou seja, quem vier a ler esse texto tomará uma mentira por uma verdade, pior, o autor cita fontes em seu livro, entre elas, documentos da própria Igreja Católica que não cita em nenhuma de suas linhas qualquer referência à mentira descrita. Ou seja, não há a intenção de informar, mas confundir.

Em suma, não há limite ético ou moral nesse recurso, deseja-se apenas que o membro da seita acredite na mentira que lhe é passada, afinal, não dispondo de informações que contradigam os argumentos da seita, fatalmente o adepto não discutirá as fontes e nem a procedência da informação, principalmente quando vê citadas tantas fontes aparentemente fidedignas como enciclopédias e documentos da própria Igreja Católica. Ademais, qualquer mínima contestação coloca o adepto e não a seita sob suspeição, o adepto passará a ser visto como uma "ovelha negra" no meio do rebanho, e passará a ser coagido e vigiado de todas as formas. O objetivo final não é passar uma informação, mas desenvolver no adepto uma atitude hostil frente as outras Igrejas e seus fiéis, se o caminho para isso é lícito ou não, pelo exemplo acima é bastante fácil chegar a uma conclusão.

5. Repetição
O doutrinador usa a repetição para gravar a mensagem nas mentes da audiência. Joseph Goebbles, ministro da propaganda de Adolf Hitler, sustentava: "Se uma mentira for repetida mil vezes, sempre com convicção, tornar-se-á uma verdade". Portanto, se uma palavra ou frase for usada repetidas vezes, depois de algum tempo será aceita, tendo significado verdadeiro ou não.

As seitas usam muito esta técnica e repetem exaustivamente muitas palavras, e tais palavras ganham a conotação mental de um estigma. Ao referir-se a católicos dizem exaustivamente palavras como "idólatras", "papistas" ou ainda "romanistas".A utilização repetitiva desses termos automaticamente remontam às substituições de nomes que tratamos neste artigo, provocam a imediata associação de tais termos a negatividades, a coisas que devem ser combatidas, coisas que devem ser evitadas ou subjugadas.

Por outro lado, utilizam da mesma técnica quando desejam atribuir a si próprios uma conotação diferente quando se referem ao universo de religiões. Habitualmente chamam a si próprios de "cristãos" numa referência exclusivista, ou ainda atribuem à palavra "irmão" apenas àqueles que compartilham de seu credo, colocando inclusive laços consangüíneos apartados dessa definição. Atribuem a todos os demais seres humanos da terra a definição "do mundo", como se estivessem à parte do necessário bom convívio humano. Enfim, repetem, repetem e repetem, até que essas palavras repetidas ganhem uma conotação automática. Os adeptos não são apenas doutrinados com a repetição de palavras, mas com o uso repetido das mesmas associadas ao estigma aplicado a elas, ora positivo, ora negativo.

6. Escolha de um Inimigo
O doutrinador terá sempre um inimigo. A mensagem "não é somente PARA algo mas também CONTRA algo, um inimigo real ou imaginário que tenta frustrar a suposta vontade de sua audiência" . Dois efeitos são observados:

1. A agressividade é direcionada para outros e não para as causas defendidas pelo doutrinador;

2. Ajuda consolidar a lealdade dos que estão dentro do grupo. O doutrinador descreve com imagens estereotipadas e diabólicas o inimigo identificado. Quanto mais forte o inimigo, mais forte será a unificação do grupo à causa, uma unificação que é baseada no medo e no ódio.

As seitas, em geral, sempre foram bem sucedidas em criar imagens temíveis de inimigos maléficos para incutir medo e suspeita nos seus adeptos. Instilou também a imagem de que Deus protege aqueles que mantêm a obediência dentro da organização e os que estão fora dela serão fatalmente destruídos por Deus. Toda e qualquer crítica dirigida à seita, ou mesmo ao que ela acredita, será maximizado como uma perseguição declarada, e como crêem ser os únicos detentores da verdade, essa imaginária perseguição afeta diretamente o estabelecimento do Reino de Deus, e todos os seus adeptos têm por obrigação assumir a defesa desse "reino" personificado nessa seita. Ou seja, a seita será sempre uma vítima e todos os demais são inimigos em potencial quando se contrapõem a ela.

Da mesma forma, eleger um inimigo facilita bastante as coisas. É com base nesse inimigo que a doutrinação encontrará seu ápice. Não são poucas as denominações religiosas que fazem da Igreja Católica o centro de sua existência. "Se há algo a combater, vamos combater aquela a quem todas as outras seitas combatem", pensa o doutrinador. Esse é o único pensamento no qual há consenso entre as diversas seitas existentes. Se há algo a comparar negativamente, compara-se com a Igreja Católica. Se houve uma reforma nas instalações do templo, o doutrinador dirá: "Vejam como ficou belo o nosso templo... e sem precisar de qualquer imagem". Se houvesse a mínima possibilidade da Igreja Católica sucumbir, certamente que futuro dessas seitas seria muito curto.

7. A Doutrina do Medo
Por fim, temos o mais terrível estágio da doutrinação: o medo que a própria seita infunde no indivíduo, e que tem graves desdobramentos e, não raro, conduz a graves danos psicológicos e morais.

O adepto é conduzido a ter medo da própria seita, não de forma direta, mas através de vários conceitos que lhe são impostos. A seita, a todo o tempo, se ocupa de manter sob seu controle os membros já conquistados. Para isso, utiliza de todos os recursos de persuasão antes citados, mas aplica-os de forma perspicaz entre seus adeptos.

Não raro, vários membros dessas seitas são conduzidos a ver naqueles que não professam a sua crença um oponente. Pouco importando se esse oponente imaginário seja alguém de seu convívio mais próximo ou um parente que não comungue da mesma crença. Famílias são destruídas por conta dessa linha doutrinária, casamentos são desfeitos, filhos são abandonados, relações estáveis de amizade são rompidas. A seita incutiu no adepto a noção de que ele faz parte da "luz", é um "filho da luz" pelo fato de integrar a seita, e todos os demais são "trevas", e a luz não se deve misturar com as trevas. Incute, ainda, outro temor que impede o livre pensar do adepto: o de que ele - o adepto - caso se desligue da seita passará a fazer parte desse reino de trevas. Muitas vezes o adepto sente-se motivado a abandonar a seita, mas permanece fiel por medo de ver-se segregado pelos amigos e parentes.

Um outro aspecto da doutrina do medo se reflete nos graves danos psicológicos provocados naqueles que se desligam da seita. Perdem o convívio dos amigos e da família, perdem suas casas, sua identidade social, muitas vezes perdem seus empregos ou oportunidades de trabalho, além de não mais conseguirem se ajustar socialmente a qualquer outro grupo.

Não raro, sentimentos de culpa passam a permear a vida do ex-adepto, ele passa a sentir-se culpado pela ruptura familiar, tem sobre si a impressão de falência existencial. Tudo isso somado ao pior dos frutos: o ceticismo. A religião e a fé se tornaram fonte de sofrimento, ou seja, a seita que não escraviza; indiferentiza. Cria um ser humano onde a fé, antes fecunda, se verteu em indiferentismo e ceticismo. Isso é facilmente explicável: o deus de uma seita, é ela mesma.


fonte: http://www.universocatolico.com.br/index.php?/religiao-e-lavagem-cerebral-tecnicas-de-persuasao-utilizadas-por-seitas-religiosas.html

As igrejas utilizam estas técnicas, sobretudo a teologia do medo como meio de escravizar seus fiéis. Você é proibido de pensar, de questionar e de analisar. Se você fizer isso, vai perder sua salvação, vai para o inferno por que esta sendo usado pelo satanás.

Saia da prisão! Pense! "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" Jo 8,32

Não se deixe escravizar por medos e dogmas!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

As 95 teses de Martinho Lutero


As 95 Teses de Martinho Lutero!
Com um desejo ardente de trazer a verdade à luz, as seguintes teses serão defendidas em Wittenberg sob a
Martinho Lutero
presidência do Rev. Frei Martinho Lutero, Mestre de Artes, Mestre de Sagrada Teologia e Professor oficial da mesma. Ele, portanto, pede que todos os que não puderem estar presentes e disputar com ele verbalmente, façam-no por escrito. Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

1. Ao dizer: "Fazei penitência", etc. [Mt 4.17], o nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que
toda a vida dos fiéis fosse penitência.

2. Esta penitência não pode ser entendida como penitência sacramental (isto é, da confissão e satisfação
celebrada pelo ministério dos sacerdotes).

3. No entanto, ela não se refere apenas a uma penitência interior; sim, a penitência interior seria nula se,
externamente, não produzisse toda sorte de mortificação da carne.

4. Por conseqüência, a pena perdura enquanto persiste o ódio de si mesmo (isto é a verdadeira penitência interior) ou seja, até a entrada do reino dos céus.

5. O papa não quer nem pode dispensar de quaisquer penas senão daquelas que impôs por decisão própria ou dos cânones.

6. O papa não tem o poder de perdoar culpa a não ser declarando ou confirmando que ela foi perdoada por Deus; ou, certamente, perdoados os casos que lhe são reservados. Se ele deixasse de observar essas limitações, a culpa permaneceria.

7. Deus não perdoa a culpa de qualquer pessoa sem, ao mesmo tempo, sujeitá-la, em tudo humilhada, ao sacerdote, seu vigário.

8. Os cânones penitenciais são impostos apenas aos vivos; segundo os mesmos cânones, nada deve ser imposto aos moribundos.

9. Por isso, o Espírito Santo nos beneficia através do papa quando este, em seus decretos, sempre exclui a
circunstância da morte e da necessidade.

10. Agem mal e sem conhecimento de causa aqueles sacerdotes que reservam aos moribundos penitências canônicas para o purgatório.

11. Essa cizânia de transformar a pena canônica em pena do purgatório parece ter sido semeada enquanto os bispos certamente dormiam.

12. Antigamente se impunham as penas canônicas não depois, mas antes da absolvição, como verificação da verdadeira contrição.

13. Através da morte, os moribundos pagam tudo e já estão mortos para as leis canônicas, tendo, por direito, isenção das mesmas.

14. Saúde ou amor imperfeito no moribundo necessariamente traz consigo grande temor, e tanto mais quanto menor for o amor.

15. Este temor e horror por si sós já bastam (para não falar de outras coisas) para produzir a pena do purgatório,
uma vez que estão próximos do horror do desespero.

16. Inferno, purgatório e céu parecem diferir da mesma forma que o desespero, o semi-desespero e a segurança.

17. Parece necessário, para as almas no purgatório, que o horror devesse diminuir à medida que o amor crescesse.

18. Parece não ter sido provado, nem por meio de argumentos racionais nem da Escritura, que elas se encontrem fora do estado de mérito ou de crescimento no amor.

19. Também parece não ter sido provado que as almas no purgatório estejam certas de sua bem-aventurança, ao menos não todas, mesmo que nós, de nossa parte, tenhamos plena certeza disso.

20. Portanto, por remissão plena de todas as penas, o papa não entende simplesmente todas, mas somente
aquelas que ele mesmo impôs

21. Erram, portanto, os pregadores de indulgências que afirmam que a pessoa é absolvida de toda pena e salva pelas indulgências do papa.

22. Com efeito, ele não dispensa as almas no purgatório de uma única pena que, segundo os cânones, elas deveriam ter pago nesta vida.

23. Se é que se pode dar algum perdão de todas as penas a alguém, ele, certamente, só é dado aos mais perfeitos, isto é, pouquíssimos.

24. Por isso, a maior parte do povo está sendo necessariamente ludibriada por essa magnífica e indistinta promessa de absolvição da pena.

25. O mesmo poder que o papa tem sobre o purgatório de modo geral, qualquer bispo e cura tem em sua diocese e paróquia em particular.

26. O papa faz muito bem ao dar remissão às almas não pelo poder das chaves (que ele não tem), mas por meio de intercessão.

27. Pregam doutrina mundana os que dizem que, tão logo tilintar a moeda lançada na caixa, a alma sairá voando [do purgatório para o céu].

28. Certo é que, ao tilintar a moeda na caixa, pode aumentar o lucro e a cobiça; a intercessão da Igreja, porém, depende apenas da vontade de Deus.

29. E quem é que sabe se todas as almas no purgatório querem ser resgatadas, como na história contada a respeito de São Severino e São Pascoal?

30. Ninguém tem certeza da veracidade de sua contrição, muito menos de haver conseguido plena remissão.

31. Tão raro como quem é penitente de verdade é quem adquire autenticamente as indulgências, ou seja, é raríssimo.

32. Serão condenados em eternidade, juntamente com seus mestres, aqueles que se julgam seguros de sua salvação através de carta de indulgência.

33. Deve-se ter muita cautela com aqueles que dizem serem as indulgências do papa aquela inestimável dádiva de Deus através da qual a pessoa é reconciliada com Ele.

34. Pois aquelas graças das indulgências se referem somente às penas de satisfação sacramental,
determinadas por seres humanos.

35. Os que ensinam que a contrição não é necessária para obter redenção ou indulgência, estão pregando doutrinas incompatíveis com o cristão.

36. Qualquer cristão que está verdadeiramente contrito tem remissão plena tanto da pena como da culpa, que
são suas dívidas, mesmo sem uma carta de indulgência.

37. Qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, participa de todos os benefícios de Cristo e da Igreja, que são dons de Deus, mesmo sem carta de indulgência.

38. Contudo, o perdão distribuído pelo papa não deve ser desprezado, pois – como disse – é uma declaração da remissão divina.

39. Até mesmo para os mais doutos teólogos é dificílimo exaltar simultaneamente perante o povo a liberalidade de indulgências e a verdadeira contrição.

40. A verdadeira contrição procura e ama as penas, ao passo que a abundância das indulgências as afrouxa e faz odiá-las, ou pelo menos dá ocasião para tanto.

41. Deve-se pregar com muita cautela sobre as indulgências apostólicas, para que o povo não as julgue erroneamente como preferíveis às demais boas obras do amor.

42. Deve-se ensinar aos cristãos que não é pensamento do papa que a compra de indulgências possa, de alguma forma, ser comparada com as obras de misericórdia.

43. Deve-se ensinar aos cristãos que, dando ao pobre ou emprestando ao necessitado, procedem melhor do que se comprassem indulgências.

44. Ocorre que através da obra de amor cresce o amor e a pessoa se torna melhor, ao passo que com as indulgências ela não se torna melhor, mas apenas mais livre da pena.

45. Deve-se ensinar aos cristãos que quem vê um carente e o negligencia para gastar com indulgências obtém para si não as indulgências do papa, mas a ira de Deus.

46. Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem bens em abundância, devem conservar o que é necessário para sua casa e de forma alguma desperdiçar dinheiro com indulgência.

47. Deve-se ensinar aos cristãos que a compra de indulgências é livre e não constitui obrigação.

48. Deve ensinar-se aos cristãos que, ao conceder perdões, o papa tem mais desejo (assim como tem mais necessidade) de oração devota em seu favor do que do dinheiro que se está pronto a pagar.

49. Deve-se ensinar aos cristãos que as indulgências do papa são úteis se não depositam sua confiança nelas, porém, extremamente prejudiciais se perdem o temor de Deus por causa delas.

50. Deve-se ensinar aos cristãos que,
se o papa soubesse das exações dos pregadores de indulgências, preferiria
reduzir a cinzas a Basílica de S. Pedro a edificá-la com a pele, a carne e os
ossos de suas ovelhas.

51. Deve-se ensinar aos cristãos que o papa estaria disposto – como é seu dever – a dar do seu dinheiro àqueles muitos de quem alguns pregadores de indulgências extorquem ardilosamente o dinheiro, mesmo que para isto fosse necessário vender a Basílica de S. Pedro.

52. Vã é a confiança na salvação por meio de cartas de indulgências, mesmo que o comissário ou até mesmo o próprio papa desse sua alma como garantia pelas mesmas.

53. São inimigos de Cristo e do Papa aqueles que, por causa da pregação de indulgências, fazem calar por inteiro a palavra de Deus nas demais igrejas.

54. Ofende-se a palavra de Deus quando, em um mesmo sermão, se dedica tanto ou mais tempo às indulgências do que a ela.

55. A atitude do Papa necessariamente é: se as indulgências (que são o menos importante) são celebradas com um toque de sino, uma procissão e uma cerimônia, o Evangelho (que é o mais importante) deve ser anunciado com uma centena de sinos, procissões e cerimônias.

56. Os tesouros da Igreja, a partir dos quais o papa concede as indulgências, não são suficientemente mencionados nem conhecidos entre o povo de Cristo.

57. É evidente que eles, certamente, não são de natureza temporal, visto que muitos pregadores não os distribuem tão facilmente, mas apenas os ajuntam.

58. Eles tampouco são os méritos de Cristo e dos santos, pois estes sempre operam, sem o papa, a graça do ser humano interior e a cruz, a morte e o inferno do ser humano exterior.

59. S. Lourenço disse que os pobres da Igreja são os tesouros da mesma, empregando, no entanto, a palavra como era usada em sua época.

60. É sem temeridade que dizemos que as chaves da Igreja, que foram proporcionadas pelo mérito de Cristo, constituem estes tesouros.

61. Pois está claro que, para a remissão das penas e dos casos especiais, o poder do papa por si só é
suficiente.

62. O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.

63. Mas este tesouro é certamente o mais odiado, pois faz com que os primeiros sejam os últimos.

64. Em contrapartida, o tesouro das indulgências é certamente o mais benquisto, pois faz dos últimos os primeiros.

65. Portanto, os tesouros do Evangelho são as redes com que outrora se pescavam homens possuidores de riquezas.

66. Os tesouros das indulgências, por sua vez, são as redes com que hoje se pesca a riqueza dos homens.

67. As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como as maiores graças realmente podem ser entendidas como tais, na medida em que dão boa renda.

68. Entretanto, na verdade, elas são as graças mais ínfimas em comparação com a graça de Deus e a piedade da cruz.

69. Os bispos e curas têm a obrigação de admitir com toda a reverência os comissários de indulgências apostólicas.

70. Têm, porém, a obrigação ainda maior de observar com os dois olhos e atentar com ambos os ouvidos para que esses comissários não preguem os seus próprios sonhos em lugar do que lhes foi
incumbidos pelo papa.

71. Seja excomungado e amaldiçoado quem falar contra a verdade das indulgências apostólicas.

72. Seja bendito, porém, quem ficar alerta contra a devassidão e licenciosidade das palavras de um pregador de
indulgências.

73. Assim como o papa, com razão, fulmina aqueles que, de qualquer forma, procuram defraudar o comércio de
indulgências,

74. muito mais deseja fulminar aqueles que, a pretexto das indulgências, procuram fraudar a santa caridade e verdade.

75. A opinião de que as indulgências papais são tão eficazes a ponto de poderem absolver um homem mesmo que tivesse violentado a mãe de Deus, caso isso fosse possível, é loucura.

76. Afirmamos, pelo contrário, que as indulgências papais não podem anular sequer o menor dos pecados venais no que se refere à sua culpa.

77. A afirmação de que nem mesmo São Pedro, caso fosse o papa atualmente, poderia conceder maiores graças é blasfêmia contra São Pedro e o Papa.

78. Dizemos contra isto que qualquer papa, mesmo São Pedro, tem maiores graças que essas, a saber, o Evangelho, as virtudes, as graças da administração (ou da cura), etc., como está escrito em I.Coríntios XII.

79. É blasfêmia dizer que a cruz com as armas do papa, insigneamente erguida, eqüivale à cruz de Cristo.

80. Terão que prestar contas os bispos, curas e teólogos que permitem que semelhantes sermões sejam difundidos entre o povo.

81. Essa licenciosa pregação de indulgências faz com que não seja fácil nem para os homens doutos defender a
dignidade do papa contra calúnias ou questões, sem dúvida argutas, dos leigos.

82. Por exemplo: Por que o papa não esvazia o purgatório por causa do santíssimo amor e da extrema necessidade das almas – o que seria a mais justa de todas as causas –, se redime um número infinito de almas por causa do funestíssimo dinheiro para a construção da basílica – que é uma causa tão insignificante?

83. Do mesmo modo: Por que se mantêm as exéquias e os aniversários dos falecidos e por que ele não restitui ou permite que se recebam de volta as doações efetuadas em favor deles, visto que já não é
justo orar pelos redimidos?

84. Do mesmo modo: Que nova piedade de Deus e do papa é essa que, por causa do dinheiro, permite ao ímpio e inimigo redimir uma alma piedosa e amiga de Deus, mas não a redime por causa da necessidade da mesma alma piedosa e dileta por amor gratuito?

85. Do mesmo modo: Por que os cânones penitenciais – de fato e por desuso já há muito revogados e mortos – ainda assim são redimidos com dinheiro, pela concessão de indulgências, como se ainda estivessem em pleno vigor?

86. Do mesmo modo: Por que o papa, cuja fortuna hoje é maior do que a dos ricos mais crassos, não constrói com seu próprio dinheiro ao menos esta uma basílica de São Pedro, ao invés de fazê-lo com o dinheiro dos pobres fiéis?

87. Do mesmo modo: O que é que o papa perdoa e concede àqueles que, pela contrição perfeita, têm direito à plena remissão e participação?

88. Do mesmo modo: Que benefício maior se poderia proporcionar à Igreja do que se o papa, assim como agora o faz uma vez, da mesma forma concedesse essas remissões e participações cem vezes ao dia a qualquer dos fiéis?

89. Já que, com as indulgências, o papa procura mais a salvação das almas do que o dinheiro, por que suspende as cartas e indulgências, outrora já concedidas, se são igualmente eficazes?

90. Reprimir esses argumentos muito perspicazes dos leigos somente pela força, sem refutá-los apresentando razões, significa expor a Igreja e o papa à zombaria dos inimigos e fazer os cristãos infelizes.

91. Se, portanto, as indulgências fossem pregadas em conformidade com o espírito e a opinião do papa, todas essas objeções poderiam ser facilmente respondidas e nem mesmo teriam surgido.

92. Portanto, fora com todos esses profetas que dizem ao povo de Cristo "Paz, paz!" sem que haja paz!

93. Que prosperem todos os profetas que dizem ao povo de Cristo "Cruz! Cruz!" sem que haja cruz!

94. Devem-se exortar os cristãos a que se esforcem por seguir a Cristo, seu cabeça, através das penas, da morte e do inferno.

95. E que confiem entrar no céu antes passando por muitas tribulações do que por meio da confiança da paz.

[1517 A.D.]

Lutero deixou de ser católico?
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