sexta-feira, 25 de maio de 2012

A bíblia de Jerusalém

Bíblia de Jerusalém
Mutos me perguntam, qual é a melhor versão bíblica. Existem muitas bíblias de estudo e com excelentes rodapés, mas a melhor versão na minha opinião é a bíblia de Jerusalém. Não existe uma tradução fiel da bíblia, por mais que se queira pelas diferenças linguisticas. O hebraico, idioma em que foi escrito o antigo testamento é muito complexo, e existem palavras que não existem nos demais idiomas, então as bíblias utilizam similares, como Elohim, por exemplo. Elohim tanto é traduzido como Deus, como deuses, anjos e até juizes. Pois não tem nos demais idiomas e no hebraico, esta simples palavra tem diversos significados. Já o novo testamento, apesar de termos os manuscritos em grego, nós não temos os originais, isto é, os autógrafos. O manuscrito mais antigo de Marcos, por exemplo, não é o mesmo que o próprio Marcos escreveu, mas uma cópia do livro de Marcos. E como existem várias cópias, elas diferem entre sí. Não existem dois manuscritos iguais, pois sempre haverá palavras e expressões diferentes. Isto se deve aos copistas, ou por erro ou por tendenciosidade.

A bíblia começou a ser escrita em hebraico, o antigo testamento. Depois tivemos a versão dos setenta, a septuaginta, uma tradução para o grego do Tanakh, com erros diversos e a substituição de termos hebraicos por termos gregos, como senhor. Depois tivemos a versão latina, a vulgata sendo a mais popular, sendo uma péssima tradução do grego para o latim. Jerônimo, responsável pela tradução foi quem colocou lucifer na profecia de Isaias 14 e chifres na cabeça de Moisés, tamanho era seu desconhecimento linguistico. A Vulgata foi base de diversas traduções bíblicas, inclusive a de Lutero e a ferreira de Almeida. A bíblia do rei James já foi uma tradução melhor, apesar de alguns erros de tradução. As traduções do novo mundo dos testemunhas de Jeová, é considerada pelos teólogos uma das piores em tradução, onde inclusive, substituem a proibição de ingerir sangue por transfusão. Ela prisma por não conter os acréscimos, ou seja, não tem o que não tem nos textos gregos. As ferreiras de Almeida não tem uma unidade, pois devido as divergências dos textos gregos, fizeram várias revisões e várias edições. O ideal para quem estuda a bíblia é ter mais de uma versão e sempre consultar todas ou as que mais confia. Mas no geral, a bíblia de Jerusalém é uma das melhores em tradução e rodapé. Apesar de ser católica, é uma versão ecumênica, isto é, ela foi feita com a colaboração de católicos e protestantes nas traduções e também contou com a ajuda de judeus ortodoxos.Portanto, é uma versão imparcial.


A Bíblia de Jerusalém apresenta um TEXTO com muitas revisões e novas opções textuais. Certos livros (Miquéias, Eclesiástico, p. ex.) foram substancialmente remodelados. No Antigo Testamento há considerável volta ao texto hebraico, deixando de lado versões preferidas anteriormente. Certos textos do Novo Testamento também trazem uma tradução inteiramente nova (cf. p. ex. Filipenses 2,6-11).

Como conseqüência das novas opções de tradução do texto, as NOTAS também foram modificadas, ampliadas ou substituídas. O volume de notas aumentou consideravelmente.

É visível a incorporação das novas pesquisas e estudos posteriores à edição do texto francês em 1973. As INTRODUÇÕES apresentam novas opções que também estão refletidas nas notas. Isso se verifica principalmente na visão da formação do Pentateuco. O evangelho de João, p. ex., mostra uma virada hermenêutica total, que se pode constatar tanto na introdução como nas notas. Vários livros e conjuntos literários receberam novas introduções, completamente diferentes das anteriores (p. ex.: Cântico, Sinóticos, João, Hebreus etc.).

A Bíblia de Jerusalém é a edição brasileira (1981, com revisão e atualização na edição de 2002) da edição francesa Bible de Jérusalem, que é assim chamada por ser fruto de estudos feitos pela Escola Bíblica de Jerusalém, em francês: École Biblique de Jérusalem. De acordo com os informativos da Paulus Editora, a edição revista e ampliada inclui as mais recentes atribuições das ciências bíblicas. A tradução segue rigorosamente os originais, com a vantagem das introduções e notas científicas.

Essas notas diferenciais em relação às outras traduções prestam-se a ajudar o leitor nas referências geográficas, históricas, literárias, etc. Suas introduções, notas, referências marginais, mapas e cronologia ? traduções de material elaborado pela Escola Bíblica de Jerusalém ? fazem dela uma ferramenta útil como livro de consulta, para quem precisa usar passagens bíblicas como referência literária ou de citações.

Se para os cristãos e parte dos judeus a Bíblia foi escrita por homens sob inspiração divina, para um não-cristão, um ateu ou um agnóstico, a Bíblia pode servir como referência literária, já que se trata de um dos mais antigos conjuntos de livros da civilização.

Traduções da Escola Bíblica de Jerusalém

A Escola Bíblica de Jerusalém é o mais antigo centro de pesquisa bíblica e arqueológica da Terra Santa. Foi fundada em 1890 pelo Padre Marie-Joseph Lagrange (1855-1938) sobre terras do convento dominicano de St-Étienne à Jérusalem, convento fundado em 1882 sob o nome original de Escola Prática de Estudos Bíblicos, título que sublinhava sua especificidade metodológica.

Quase sessenta anos depois, em 1956, foi publicada pela primeira vez, em francês, em um só volume, a Bíblia da Escola de Jerusalém, contemplando uma tradução que levava em consideração o progresso das ciências. Para tanto, foram convidados para a colaboração os mais diversos pesquisadores: historiadores, arqueólogos, lexicógrafos, lingüistas, teólogos, exegetas, cientistas sociais, geógrafos e cartógrafos. Atribui-se que foi a diversidade de colaboradoras que garantiu traduções acuradas, em temas que cada qual conhecida com profundidade. Mas, em contrapartida, a Bíblia não tinha homogeneidade de texto. Cada qual escrevia no seu estilo.

A próxima etapa, portanto, foi empreender esforços na harmonização do texto, trabalho terminado quase duas décadas depois, em 1973, quando se publicou uma edição revisada, aí então já sob o título Bible de Jérusalem, cuja primeira edição no Brasil chamou-se Bíblia de Jerusalém (1981, Paulus Editora). A revisão francesa, de 1998, acabou gerando a nova edição brasileira (Nova Bíblia de Jerusalém), revista e atualizada, pela mesma Paulus Editora, em 2002. Nesta tradução dos originais para a língua portuguesa, também colaboraram exegetas católicos e protestantes.

Contextualização

Os exegetas apontam que o grande diferencial da Bíblia de Jerusalém é que, além da tradução dos originais do hebraico, aramaico e grego, existe a contextualização histórica, dentro do ambiente físico, ambiental e cultural relativo à época em que cada livro foi escrito. Trata-se de uma obra que representara a união do monumento e do documento, de acordo com Lagrange, criador da Escola Bíblica de Jerusalém, unindo assim a arqueologia, a crítica histórica e a exegese dos textos.

A Bíblia de Jerusalém é considerada atualmente, pela maioria dos lingüistas, como uma das melhores Bíblias de estudo, aplicável não apenas ao trabalho de teólogos, religiosos e fiéis, mas também para tradutores, pesquisadores, jornalistas e cientistas sociais, independente de serem católicos, protestantes, ortodoxos ou judeus, ou mesmo de qualquer outra religião ou crença.


Rodapé de uma página da bíblia
Sem dúvida, a Bíblia de Jerusalém é a preferida pelos acadêmicos ecumenicistas. Aliás, a própria Bíblia é uma tradução ecumênica e imparcial. Parte de seus tradutores eram protestantes.

Por exemplo, o tradutor de Levítico, Números e Josué, Samuel Martins Barbosa, foi pastor da IPB, tendo passado posteriormente para a IPUB (http://www.mackenzie.com.br/10188.html).

O tradutor de Juízes, 1 e 2 Samuel, Marcos e Tito, Jorge César Mota, foi pastor da IPB e capelão do Mackenzie (http://www.ultimato.com.br/pg=show_artigos&artigo=252&secMestre=194&sec=213&num_edicao=275)

Isaac Nicolau Salum (tradutor de Efésios, Filipenses e Colossenses) foi hinólogo e professor do  Instituto José Manuel da Conceição, mantido pela IPB e IPI até 1969 (http://jmc.org.br/sono.htm).

Em relação às Escrituras gregas, ela evidentemente usa o Texto Crítico e sempre faz comparações com o texto receptus, e com as demais versões gregas, como o sinaiticus.

As notas de rodapé, os comentários e até as citações do quem não contém nos manuscritos gregos, fazem desta bíblia realmente única. Passagens que não existem como 1Jo5,7-8 ou que foram alteradas como Mt 28,19 ou que simplismente não figuram nos melhores manuscritos gregos como João 8, são sempre citadas imparcialmente em seus rodapés, fazendo um diferencial enorme desta bíblia para as demais. Enfim, para quem estuda a bíblia e gosta da verdade, doa a quem doer, atualmente é com certeza, uma das melhores versões bíblicas.

Outra versão igualmente diferente que corrige certos erros do grego é a versão peshitta, traduzida do aramaico, onde vemos que alguns termos gregos foram revisados em sua época. Por exemplo, Mt26,6 onde o grego diz que Jesus estava na casa de Simão o leproso, indo contra a lei judaica e a cultura da época, a peshitta diz, Simão o oleiro. Também é uma excelente versão. Mas como não existe apenas uma pesshitta hoje em dia, recomendo que não utilizem algumas versões falsas e tendenciosas que tem circulado por ai.

Shalom!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Paulo versus Tiago. Salvação pela graça ou pelas obras?


A teologia cristã sempre defendeu que a salvação é única e exclusivamente pela fé em Jesus. Não importa suas ações ou obras, pois elas não podem garantir a salvação, mas única e exclusivamente a fé. Como ficaria neste caso, por exemplo, um indígena bom, que não é cristão, mas é um bom homem, respeita a natureza, sua esposa, sua família e só praticou o bem, mas não se converteu ao cristianismo? Segundo essa lógica, este homem já esta automaticamente condenado. Em contra partida, um homem que é por exemplo, um canalha, ladrão, mentiroso mas cristão pode ser salvo, pois é a fé que salva e não as obras. 

Mas será que foi sempre assim? Será que os primeiros cristãos pensavam desta maneira? Será que foi essa a mensagem de Jesus?

Vejamos a seguir, um debate entre um irmão que é a favor da lei e outro que considera que a lei foi abolida. Vamos chamar o que é a favor da lei de legalista só para diferenciar:

Legalista_ Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo?

Refutação_ Nós Concluímos, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei.

Legalista_Ó homem incensato, queres tu saber que a fé sem as obras é morta? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.

Refutação_Se nosso pai Abraão, foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus.

Legalista_Porventura o nosso pai Abraão não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque? Bem vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada.

Refutação_Aquele que não pratica qualquer obra, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça.

Legalista_Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé.

Refutação_Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.

Legalista_A Escritura diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus.

Seria um dialogo interessante entre dois irmãos com pontos de vista diferentes, mas nesse caso, este debate esta na bíblia. Não como debate e não de forma explicita, mas em livros diferentes. Trata-se das epistolas de Paulo aos romanos (Rm 4,1-5) e a epístola de Tiago (Tg 2,14-26). É interessante notar que em ambas as epístolas, além de utilizarem as mesmas palavras, os mesmos termos gregos inclusive, ambos fazem menção a Abraão e citam o mesmo versículo de Gênesis 15,6 mas sob perspectivas diferentes. Parece ser uma carta em resposta a outra. Paulo entende que Abraão foi justificado perante Deus pela sua fé apenas enquanto que Tiago entende que a fé de Abraão foi acompanhada de uma obra, o sacrificio de seu filho, e isso foi o que o justificou e não apenas a crença em Deus.

Qual dos dois esta certo? Será que se Abraão não tivesse oferecido o filho em holocausto como Deus ordenara e apenas acreditado ele teria sido justificado? Ou será que Paulo esta dizendo que mesmo se ele tivesse feito tudo, mas não crido, teria sido em vão? Ainda que seja bem dificil imaginar que Abraão tivesse feito tudo aquilo sem acreditar!




O que acontece neste exemplo, comparando duas epístolas que se contrapõem, é que notamos que havia um certo diferenciamento na maneira de entender de Paulo e dos demias apóstolos. Alguns seguidores do messias do primeiro século, por exemplo, não consideravam Paulo um apóstolo e rejeitavam suas epístolas, devido a essas divergências. Vale a pena ressaltar também que Paulo era o apóstolo dos gentios, portanto sua mensagem era menos legalista do que a dos apóstolos que pregavam à Judeus. As suas pregações cheias de fé, mas desobrigando os gentios de seguirem a Torá não eram bem vistas por algumas comunidades judaicas do primeiro século. Na verdade, vemos no próprio novo testamento estas acusações contra Paulo, quando este esteve na casa de Tiago em Jerusalém:

"E, ouvindo-o eles, glorificaram ao Senhor, e disseram-lhe: Bem vês, irmão, quantos milhares de judeus há que crêem, e todos são zeladores da lei. E já acerca de ti foram informados de que ensinas todos os judeus que estão entre os gentios a apartarem-se de Moisés, dizendo que não devem circuncidar seus filhos, nem andar segundo o costume da lei" At 21,20-21

Estas acusações não partiam apenas dos fariseus ou dos sacerdotes, mas também de judeus crentes no messias que não gostavam das pregações de Paulo sobre o não cumprimento da lei. Neste mesmo trecho de Atos, vemos que o irmão, supostamente Tiago, lhe diz que deve mostrar aos judeus que é guardador da lei e que com relação aos gentios, não impuseram a lei, como aliás, até hoje, o judaísmo determina, que os gentios não são obrigados a seguirem a lei:

Esta diferença de exegese entre Paulo e Tiago, reflete esse pensamento ambíguo que já havia no primeiro século dentre os seguidores do messias. Haviam os messiânicos que seguiam a Torá e os messiânicos que não achavam mais necessário o cumprimento da lei. Alguns achavam que a salvação era pelas obras e outros, como Paulo, que era apenas pela fé.

Hoje, é muito fácil tomar partido nesta questão. Qualquer um pode abrir sua bíblia e citar diversos versículos a favor da salvação pela fé. Mas isso é porque a forma como a bíblia chegou até nós, ela foi compilada com mais epístolas de Paulo, na verdade, mais da metade do novo testamento é atribuído a Paulo. Hoje sabemos que havia uma disputa no primeiro século entre os seguidores de Paulo e os seguidores dos outros apóstolos, e que no final, os Paulinos saíram vitoriosos quando no concilio de Nicéia, diversas epístolas suas foram incluídas no cânone e muitas das dos demais apóstolos foram descartadas, porque os gentios convertidos não viam como agradável a lei de Moisés e preferiram criar as suas próprias. Fica uma pergunta no ar: Se a bíblia tivesse sido montada com mais epistolas de Tiago e menos de Paulo, será que o cristianismo seguiria essa linha teológica de salvação gratuita?

Nas palavras do messias, vemos que Jesus dizia que a forma como julgaria, não era tão gratuita assim ou apenas pela crença nele:

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade Mt 7, 21-23

Paulo influenciou a doutrina cristã de uma maneira um tanto diferente. Desde as pregações de João batista, vemos uma exortação a pratica de obras. João, mesmo sabendo e anunciando a vinda do messias, exortava, na condição de profeta, que os fariseus produzissem boas obras e não apenas que cressem:

“Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento;” Mt 3,8

Em outras passagens como a do jovem rico, onde Jesus lhe diz que deve seguir os mandamentos e depois diz que lhe falta a caridade, exortando-o a vender seus bens e dar aos pobres e depois segui-lo, não parecem condizentes com este conceito de salvação gratuita. Vemos que o homem rico creu que Jesus era um homem enviado de Deus, mas não praticou a obra que Jesus pedira.

Talvez Paulo, por pregar aos gentios, não achasse importante uma exortação exagerada a obras, mas sim a aceitação da mensagem de Jesus e de que ele era o messias. Talvez suas palavras tenham sido tão fervorosas, que entendemos que a crença em Jesus é mais fundamental que as obras, garantindo a salvação. Contradizendo mesmo o que Jesus disse que uma arvore se conhece pelos frutos. E por isso havia essa disputa entre os seguidores do messias convertidos por Paulo e pelos demais. Paulo dizia que não aprendeu sua doutrina com homens (Gl1,12) e que os apóstolos não lhe acrescentaram nada e se auto denominava apóstolo (Rm 11,13)

Seja como for, fica a reflexão! Será que a salvação é tão gratuita assim? Será que da para conciliar a justiça divina com isso? Mais da metade do planeta não é cristã. Será que todos os budistas, hinduístas, mulçumanos, orientais, indígenas etc... já estão automaticamente condenados? Para um fundamentalista sim. Mas se for dessa maneira, porque Deus chamou a Ciro, rei da Pérsia de Ungido e nunca foi imposto a Ciro uma conversão ao judaísmo? O mesmo aconteceu com outros personagens, como Nabucodonossor por exemplo.ou Raabe.

“Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta” Tg 2,26

salvo?
 Hoje vemos igrejas multimilionárias que não praticam a menor caridade ou filantropia, mas de tudo que arrecadam só serve para enriquecer seus líderes cada vez mais. E cada vez que alguém critica tais atitudes ou os pedidos exagerados de dinheiro, as alegações são que o dinheiro é para se abrir mais igrejas e salvar mais almas. Mas quantas almas estão sendo de fato salvas? Se a salvação é só pela fé em Jesus, não há a necessidade de se fundar tanta igreja, pois os católicos e cristãos de outras religiões já crêem em Jesus. Se a salvação é pelas obras, onde estão as obras destas igrejas? Um irmão que parou de beber? Outro que parou de se drogar? E as obras altruístas como estas mencionadas na bíblia, onde estão? Porque uma transformação pessoal e individual não é uma obra, é uma graça de Deus. Jesus curou dez leprosos no caminho e apenas um se salvou. (Lc 17,16-17) mostrando que curas e libertações não significam salvação. Eu posso ser curado de uma doença grave pela fé, mas isso não me garante em nada que eu serei salvo, como vemos nesse exemplo de Lucas. Então, onde estão de fato as obras que Tiago menciona?

Entre a teologia da salvação gratuita e da salvação pelas obras, talvez devêssemos ficar com os ensinamentos do messias mesmo:

“Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me. Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes Mt 25, 34-40




Paz a todos!
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