Analise das escrituras, traduções e elementos pagãos colocados posteriormente no cristianismo. "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" Jo8,32
terça-feira, 26 de junho de 2012
A história da bíblia (Antigo testamento)
A Bíblia não é como muitos pensam um livro só, constando na realidade de numerosos livros, escritos em diversas épocas por vários autores. Já pelo seu nome, percebe-se o que significa: os livros (de biblia, plural de biblion, diminutivo do grego biblos, o livro). Fundamentalmente, ela se divide em: Velho Testamento ou coleção de livros escritos antes de Jesus; e Novo Testamento, composto dos livros que apareceram com o Cristianismo.Os livros reconhecidos como sagrados, como inspirados diretamente por Deus, constituem o cânon do Velho e do Novo Testamento.
A primitiva literatura do povo hebreu era composta de cânticos, a forma pela qual esse povo, no principio nômade e pastoril, reverenciava seu Deus e transmitia seus feitos à posteridade.
Ao se compulsar a Bíblia, encontram-se esses cânticos esparsos em diversos pontos do Velho Testamento: Canção de José (Gén. XLIX); Canção de Moisés (Êxodo XV); Canção de Moisés (Deuteronômio XXXII e XXXIII); Canção de Débora (Juízes V); e outros (Números XXI, 14, 15, 27 a 30; 1 Samuel, II, 1 a 11; II Samuel, XXII; II Reis, 21 a 35), canções estas anteriores às narrativas de que fazem parte.
Com a fixação do povo hebreu na Palestina, foram se formando os livros que deveriam compor o seu livro sagrado. Mas, devido às continuas guerras e às muitas vicissitudes pelas quais passou o povo, os documentos originais perderam-se ou foram destruídos para não caírem em mãos inimigas.
Os escribas e doutores da lei eram forçados, então, a reconstituir, de memória ou com os escritos fragmentários, os primitivos livros. O cativeiro da Babilônia, em 586 a.C., foi de enorme significação, porque dividiu o povo hebreu, destroçou toda sua organização e provocou a perda de todos os manuscritos sagrados até então existentes.
Coube a Estiras, no ano 458 a.C., reconstituí-los. Não está bem esclarecido se ele achou cópias escondidas ou se foi o próprio autor de todos os livros, inclusive o Pentateuco ou Torá, que muitos atribuem a Moisés.
Com efeito, segundo um manuscrito apócrifo considerado não canônico ou não fidedigno encontrado no ano 96 d.C. e denominado Livro VI de Esdras (Cap. XIV 37 48), tendo sido os documentos primitivos destruídos pelo fogo, Esdras os recompôs por inspiração divina. Ditou, então, em 40 dias, a 5 escribas, 94 livros, dos quais 24 constituíam o antigo cânon dos hebreus e os restantes 70, tidos depois como apócrifos, continham ensinamentos esotéricos.
Conforme se vê, a literatura religiosa hebraica consolidou-se ou reafirmou-se depois do cativeiro da Babilônia, o que é confirmado pela presença, até no Pentateuco, de trechos que reproduzem mitos caldeus.
Assim, os fragmentos do sacerdote babilônico Berósio (III a.C.) e milhares de documentos cuneiformes relatam que os homens foram criados da argila, mas que, por sua impiedade, foram afogados por um dilúvio do qual só escapou Utnapixtim, o Noé babilônico, que construiu uma arca e nela se encerrou com os seus. Após 7 dias, a arca parou numa montanha e Utnapixtim solta uma pomba e depois uma andorinha, que voltam, por não encontrarem onde pousar. Depois solta um corvo, que não volta. Utnapixtim sai, então, da arca e oferece um sacrifício aos deuses.
Sargão, filho de pai desconhecido, é abandonado em um cesto de caniço no Eufrates, por sua mãe, e depois encontrado por um camponês. Mais tarde torna se o senhor do país.
Os exegetas discutem sobre o verdadeiro autor ou autores dos livros do Velho Testamento. Com efeito, encontram se em muitos livros sinais evidentes de que foram escritos por mais de um autor, não só pela coexistência de relatos diferentes, como também de estilos dessemelhantes. Assim, por exemplo, no Gênesis conta-se a criação de Adão e Eva de duas maneiras (versão jeovista e versão eloísta).
Assinalam-se, mesmo, quatro autores no Gênesis. O autor "J", assim chamado porque empregava a denominação Jeová para Deus, era do sul da Palestina e seus escritos parecem remontar a 1000 ou 900 anos a.C. Já o autor "E", que atribuia a Deus o nome Elohim, era do norte e deve ter escrito mais ou menos pela mesma época. O terceiro autor parece ter sido um profeta de Judá, que viveu em aproximadamente 722 a.C., chamado de "JE" porque juntou trechos de "J" e de "E" e adicionou outras narrativas. E, finalmente, há trechos mais recentes que constituem a versão "P", que devem ter sido obra de um corpo sacerdotal, após a destruição do templo.
Uns atribuem o Pentateuco (os cinco primeiros livros da Bíblia) a Moisés, outros, a Esdras e outros, a diversos autores. A análise dos manuscritos é delicada, porque muitos são freqüentemente discordantes, não havendo nenhum manuscrito original, pois todos se perderam, bem como as cópias de cópias mais antigas.
Assim, o Deuteronômio (o livro 5 do Pentateuco) foi encontrado somente no ano 622 a.C., no reinado de Josias ou de Manassés. Mesmo que tivesse sido atribuído a Moisés, é estranho que o capítulo XXXIV relate sua morte e seu enterramento. Deuteronômio significa recapitulação da lei, ou a lei 2, fazendo ver que é uma reprodução ou atualização da antiga lei mosaica.
O Levítico (3° livro do Pentateuco) parece ter sido posterior ao exílio e a Ezequiel, depois do ano 358 a.C.
Os outros livros do Velho Testamento (Provérbios, Cânticos, Salmos) estavam completos pelo 4° ou 3° século a.C.
Os livros de Esdras e de Neemias foram obra de um só compilador e apareceram pelo ano 300 a.C.
Os livros dos Profetas (completos entre 250 e 200 a.C.) e os Hagiógrafa (completo entre 150 e 140 a.C.) parecem não ter sido feitos por Esdras.
Todos esses livros foram escritos originalmente em hebraico , com alguns trechos em aramaico (Daniel II, 4 a VII, 28; Esdras IV, 8 a VI, 18 e VII, 12 26; Jeremias X,11).
No Velho Testamento existem outros livros, muito mais recentes, escritos originalmente em grego e não em hebraico. Não foram, por isto, reconhecidos pelos hebreus ortodoxos como canônicos (sagrados, inspirados por Deus).
Os católicos incluem-nos em sua Bíblia, mas os protestantes repelem-nos. São os chamados deuterocanônicos, em número de 7: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico (não confundir com o Eclesiastes), Baruc com a Epístola de Jeremias, os dois livros dos Macabeus. Há também trechos deuterocanônicos no livro de Ester (X, 4 até XVI, 24, inclusive) e no Daniel (111, 2490; XIII, XIV).
Os livros canônicos dos hebreus ortodoxos eram em número de 24, assim divididos:
1 Torá, a Lei (O Pentateuco, dos gregos). São os cinco primeiros livros da Bíblia: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronómio.
2 Nebhiím, os Profetas. Em número de 8, cujos primeiros: Josué, Juizes, Samuel, Reis (4 livros) e últimos:
a) Maiores Isaias, Jeremias, Ezequiel (3 livros);
b) Menores: os 12 profetas menores, enfeixados em um único livro.
3 Kêthubim, ou Hagiógrafa. Escritos sagrados em número de 8, sendo:
Poéticos: Salmos, Provérbios, Jó (em número de 3);
Megilloths ou rolos: Cântico dos Cânticos, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Ester (em número de 5).
4 Restantes, em número de 3: Daniel, Esdras com Neemias, Crônicas.
O Canon hebráico era contado ora com 24, ora com 22 livros (por causa das letras do alfabeto). Orígenes e São Jerônimo procuraram subdividir os livros de forma a darem um total de 27, para coincidir o número com mais cinco letras finais do alfabeto hebraico.
Modernamente conhecemos esses livros divididos em 39, pela distribuição do livro dos 12 profetas menores em 12 livros, pela separação do livro de Neemias, do de Esdras e pela subdivisão dos livros de Samuel, Reis e Crônicas, cada um em dois livros.Toda a dificuldade na exegese bíblica está em que os manuscritos originais, inclusive os de Esdras, perderam-se.
Não existe nenhum manuscrito bíblico anterior ao século IV d.C. Convém ter em mente que, antes da invenção da imprensa, em fins do século XV, a Bíblia só existia sob forma de manuscrito. Ora, as cópias e cópias de cópias tiveram que passar pela compilação e pela reconstituição dos copistas.
Além de se tratar de manuscritos, sujeitos a desgaste, de leitura e reprodução difíceis, expostos a omissões, alterações, interpolações e até a falsificações, havia a extrema dificuldade de interpretação e tradução do hebráico.
Com efeito, os manuscritos hebraicos formavam um todo contínuo, sem capítulos e sem versículos. Somente no ano 1228, o cardeal Langton teve a idéia de subdividir a Bíblia (ainda manuscrita) em capítulos. E foi o editor Robert Stephen quem estabeleceu a divisão em versículos, no ano 1555.
Outra dificuldade enorme e insuperável naquele tempo é que a língua hebraica era composta apenas de consoantes e não havia pontuação. Além disto, não havia dicionário ou gramática, enfim, nada que orientasse a interpretação ou a significação de palavras ou frases. Em suma, o manuscrito hebraico era uma sucessão interminável de consoantes, sem pontuação, sem parágrafos, sem versículos, etc.
Assim, Yhvhthstsrcdmndknntm significa "Yaveh, tu procuraste-me e conheceste-me". Imagine-se o que não seria o trabalho de cópia e interpretação de um livro assim constituído!
A transmissão da versão tradicional se fazia à custa da memória extraordinariamente cultivada e desenvolvida dos doutores da lei, mesmo assim, exposta a interpretações ou intromissões indevidas no texto exato.
O cânon hebraico, tal como o conhecemos hoje, já existia no século II a.C. Por esta época, os hebreus, embora concentrados na Palestina, estavam espalhados pelo resto do mundo. Muitos, fugindo à rígida tradição ortodoxa, foram admitindo alguns preceitos dos gentios e mostravam-se muito liberais em matéria de religião. Eram os chamados hebreus helenizantes.
Por isto mesmo e pelo fato de a língua grega ser a língua internacional no século II a.C., Ptolomeu Filadelfo pediu aos hebreus de Alexandria que lhe fizessem a tradução grega dos livros religiosos hebraicos.
O sumo sacerdote Eleazar forneceu os documentos hebraicos e, segundo uma tradição meio histórica e meio lendária, reuniram-se 72 eruditos, seis de cada tribo de Israel, para fazerem aquele trabalho. Entre outras lendas, conta-se que terminaram todos a sua tarefa no mesmo momento, com um altissonante Amém e que foram tiradas 70 cópias da tradução.
Esta, à qual os hebreus helenizantes de Alexandria acrescentaram os deuterocanônicos, escritos em grego, é a famosa Septuaginta, ou Versão dos 70. Esta obra foi de grande significação, pois até essa época a leitura dos livros religiosos hebraicos estava reservada ao templo e às sinagogas. A partir daí, difundiu-se o conhecimento da Bíblia entre os não hebreus e mesmo entre os descendentes de Israel que, longe de sua pátria, estavam mais familiarizados com o grego do que com o hebraico . Entretanto, os hebreus ortodoxos repeliram-na, tanto mais que encontraram infidelidades na dificílima tradução.
Assim, diz Salomon Reinach que os 70 traduziram, em Isaías VII, 14, o hebraico "almah", por "virgem", quando a tradução exata seria"moça" ("pois por isso mesmo o Senhor vos dará este sinal: uma virgem conceberá e dará a luz a um filho e seu nome será Emanuel"). Pode-se avaliar a importância de tal mudança de tradução dessa frase profética, de profunda significação para o futuro cristianismo.
Aliás, erros desta natureza poderiam-se dar com relativa frequência e facilidade. Assim, por exemplo, a simples transposição de um sinal podia modificar todo o sentido de uma frase. Em Gênesis XLIX, 21, conforme a pontuação, pode se ler: "Neftali é um veado solto, que pronuncia formosas palavras", ou: "Neftali é uma árvore frondosa da qual brotam formosos ramos". Na tradução dos 70, foi a primeira frase a que prevaleceu.
Os originais e cópias da Septuaginta perderam-se. Hoje, conhecem-se perto de 4 mil manuscritos, dos quais os mais antigos remontam ao século IV d.C.
Os mais importantes e antigos são os conhecidos pelos nomes de: Manuscrito do Vaticano (Século IV d.C.); Manuscrito Sinaitico, de Tischendorf (Século IV d.C.); Manuscrito Alexandrino (Século V d.C.).
Os hebreus, não conformes com a tradução grega da Septuaginta, continuaram a transmitir os manuscritos do Templo. Mas os exegetas ortodoxos reconheciam, pelas dificuldades já expostas de tradução e de interpretação do texto hebraico, que era necessário compor um sistema de sinais que fizessem o papel das vogais e da acentuação e assim permitissem maior fidelidade ao verdadeiro texto.
No tempo de Jesus havia dois textos: o texto grego da Septuaginta e o texto hebraico ortodoxo, proveniente do texto primitivo de Esdras.
Parece que o texto hebraico era seguido por Jesus e seus apóstolos, enquanto São Paulo e os gentios conversos, que logo se tornaram dominantes, adotavam o texto da Septuaginta pelo fato de a língua grega ser mais difundida e acessível.
Os hebreus ortodoxos empreenderam o trabalho de sinalização dos manuscritos, que passaram a ser chamados textos ou manuscritos massoréticos, do nome massora (tradição).
Apesar de tantas precauções, afirmam os exegetas que, até o século II d. C., esses manuscritos sofreram, fora de qualquer dúvida, numerosas corrupções, o que se inferiu pela comparação com outros documentos antigos.
Somente pelo século IV é que se fixou a versão massorética, conhecida presentemente. Como os demais documentos, o texto hebráico massorético e suas cópias mais antigas perderam-se. O manuscrito massorético mais antigo hoje existente é o denominado Codex Babylonicus Petropolitantis, que data do ano 910.
Além da versão dos 70, há outras traduções gregas do texto hebraico: traduções de Áquila, de Teodósio e de Simaco, que datam do século II d.C. Embora não tivessem atingido à preeminência daquela, servem para estudo comparativo.
Na versão da Septuaginta existiam alguns livros que não foram reconhecidos canônicos: os livros III e IV dos macabeus, o Salmo CLI.
Circulavam também, nos primeiros tempos do Cristianismo, manuscritos religiosos que não foram incluídos na lista dos documentos canônicos: os livros III e IV de Esdras, o livro dos Jubileus, os Paralipômenos de Jeremias, o livro do martírio de Isaías, o livro de Enoc, etc.
Em resumo, o Velho Testamento é conhecido através de cópias, cujas mais antigas datam de muitos anos depois de Cristo, sendo umas gregas (provindas dos textos de Septuaginta) e outras hebraicas (provindas dos textos massoréticos). Não se conhecem cópias sem sinalização, derivadas do texto hebraico de Esdras.
Posteriormente, apareceram os textos latinos e outros que veremos adiante.
No texto grego da Septuaginta, o Cânon do Velho Testamento é dividido em 4 seções:
1 A Tora, a lei, ou seja, o Pentateuco, com os 5 primeiros livros. Modernamente, tende se a acrescentar a estes, o livro de Josué e a denominar o conjunto de Hexateuco.
2 Os livros históricos, de Josué até Crônicas, e mais outros, como Esdras, Neemias, Ester.
3 Os livros poéticos: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos cânticos,
4 Os livros Proféticos dos 4 Maiores: Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel e os dos 12 Menores.
O nome Velho Testamento vem do grego Palaiediatheké (palaie: velho, diatheké: pacto, aliança). Essa a denominação grega pela qual era mais conhecida em Alexandria, a Versão dos Setenta.
Mas diatheké também significa testamento e foi o nome preferentemente adotado por São Jerônimo, na versão da Vulgata, e o que prevaleceu até hoje.
Neste capítulo referimo-nos à antigüidade dos documentos bíblicos comumente conhecidos. Em 1947 foram descobertos às margens do Mar Morto rolos bíblicos que datam de antes de Cristo. Estes manuscritos bíblicos, em hebraico, grego, árabe e aramaico, são todos do Velho Testamento e ainda estão sendo objeto de estudos.
Há um palimpsesto em papiro, com uma lista de nomes e números em hebraico arcaico, chamado fenício, que data de cerca de 500 a 600 a.C. e é, provavelmente, o documento mais antigo do mundo. Muitos manuscritos estão sendo decifrados por meio da fotografia pela luz infravermelha.
Não há dúvidas sobre a autenticidade e antigüidade desses documentos, cujo estudo poderá, talvez, provocar a revisão de muitos conceitos em torno da literatura do Velho Testamento.
fonte: O portal do infinito
terça-feira, 19 de junho de 2012
A teoria do intervalo
A Teoria do Intervalo em Daniel 9:27
O conhecido comentarista romano Hipólito, do séc. III confundiu os dois príncipes de Dan. 9:24-27,
concluindo que os dois eram um só, interpretando "Ele" do v. 27, como sendo um futuro Anticristo, e não Jesus Cristo que haveria de cessar os sacrifícios.
É lamentável que o erro de Hipólito tenha sido copiado por John N. Darby, no século XIX,
introduzindo o conceito de que a vinda de Cristo consiste de duas fases, o que capturou o pensamento de muitos protestantes de hoje. Uma fase é o arrebatamento secreto dos cristãos, seguido do Seu aparecimento em glória e majestade, 7 anos depois, para governar a Terra por mil anos.
Certamente, ele está baseado na "Teoria do Intervalo", que separa a última semana de Dan. 9:27,
em uma lacuna de mais de 2000 anos, após a qual virá o Anticristo que fará uma aliança com os judeus, mas quebra esta aliança na metade da semana de 7 anos. ]
O que ensina a Bíblia sobre isto? Há "13 categóricos nãos!" que justificam a não-aceitação da "Teoria do Intervalo".
1) Não é bíblica.
Não há a mínima sugestão na Bíblia de que devemos colocar um intervalo no final do período das 69 semanas de Dan. 9:27. Não há um só paralelo em toda a Bíblia de semelhante acréscimo, em um período profético que foi dado em sua perfeição completa para ser interrompido. A profecia Bíblica é a exposição que segue criteriosamente o seu contexto mediato e imediato, considerando a harmonia entre as partes e sua interpretação natural.
Mas como isso não acontece com a teoria do intervalo, ela pode ser uma interpretação humana, uma tentativa de encontrar a verdade na falta de mais sabedoria, mas não é bíblica. A teoria do hiato coloca a figura do Anticristo dentro desta profecia, para o futuro, o que não consta em nenhum texto, nem nesta parte, nem em qualquer outra parte das Escrituras, para confirmar essa conexão extra-bíblica.
Não há um "Assim diz o Senhor" para autorizar a adição de um intervalo em Dan. 9:27.
2) Não é perfeita.
A teoria do intervalo desfaz a perfeição profética tanto do período, como dos acontecimentos relacionados.
O número 70 é formado de 7 x 10; o número 7 indica a perfeição do período (como na própria semana de 7 dias); o número 10 indica a perfeição do governo e da vontade divina (como visto nos 10 mandamentos). Dan. 9:24 expõe o período, colocando o limite próprio, além de definir claramente o propósito sêxtuplo, acrescido do 7º propósito no verso 27, que descreve o acontecimento que seria exato em sua perfeição para dar o sentido mais bíblico e exato, na morte do Messias. Isto tudo deve se cumprir dentro das 70 semanas. Ora,separar a última semana, uma única, de 69 outras semanas é tornar imperfeito um período perfeito, de 70 semanas, e frustrar o acontecimento mais perfeito que foi o sacrifício do Messias na Cruz do Calvário, que deve culminar com a metade da semana dos 7 anos restantes,no ano de 31 d.C.
É por esse perfeito sacrifício que Jesus Cristo comunica a perfeição à Sua Igreja (Heb. 10:14).
A teoria do intervalo retira essa perfeição profética, colocando sobre os ombros do Anticristo uma obra que não lhe foi atribuída, mas foi atribuida a Cristo. Portanto, não é perfeito separar um período perfeito, cujos propósitos se ajustam e se cumprem com exatidão.
3) Não é necessária.
Os advogados da teoria do intervalo afirmam que se não houver uma lacuna entre as 69 semanas e a 70ª,
se o período for contínuo, não haveria mais nada a dizer-se sobre o futuro. Dizem que esse hiato é necessário para que tenhamos uma visão do futuro.
Entretanto, esta necessidade não existe, porque a profecia das 70 semanas não foi dada para o mundo em geral, mas para o povo judeu:
"Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade." (Dan. 9:24),
delimitando a Teocracia de Israel para apenas mais 490 anos daquela parte do tempo do profeta, e no final desse tempo, não haveria mais chance para uma nação que rejeitaria o Messias de Deus dizendo: "O Seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos". (Mat. 27:25).
Ademais, esta profecia é uma ampliação do capítulo 8:14, para explicar a primeira parte e o ponto de partida da profecia dos 2300 anos (Dan. 8:26-27; 9:21-22). Mas, falando desta visão disse o anjo: "... esta visão se refere ao tempo do fim" e "há de acontecer no último tempo da ira, porque esta visão se refere ao tempo determinado do fim." (Dan.8:17,19,26).
Ora, se esses intérpretes da profecia estão procurando um período que se estenda até o "tempo do fim",
devem então procurar no capítulo anterior, em Dan. 8, porque este, sim, é claro em afirmar a verdade sobre o fim dos séculos.
Mas como esses teólogos liberais sustentam a doutrina extra-bíblica do Dispensacionalismo, que ensina a conversão futura da nação israelita ao verdadeiro Messias, e a separação de judeus e gentios, se vêem na necessidade de criar um intervalo para adaptar a profecia às suas crenças preconcebidas.
Entretanto, a Bíblia ensina claramente o fim da Teocracia judaica no próprio texto estudado, onde o profeta Daniel expõe o tempo de graça para Israel: "Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade." (Dan. 9:24).
Cristo confirmou esta interpretação, quando diante dos líderes judeus falou: "Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos." (Mat. 21:43).
Logo depois, Ele chorou ao contemplar a cidade condenada, dizendo que o seu tempo de graça estava expirando, ao afirmar: "Eis que a vossa casa vos ficará deserta." (Mat. 23: 37-38).
O Espírito Santo estaria fora de qualquer templo que fosse reedificado após a destruição do seu santuário,
predito por Daniel (9:26) e também profetizado pelo grande Profeta e Mestre (Mat. 24:1-2).
Acabou-se a Economia judaica, cumpriu-se a profecia de Dan. 9:26-27. Após isto, o evangelho foi pregado para os gentios que também deveriam ter a sua oportunidade.
Mas ainda assim, lá estavam os judeus atrapalhando a pregação que era dirigida aos gentios. Pelo que disse o apóstolo Paulo: "a ponto de nos impedirem de falar aos gentios para que estes sejam salvos, a fim de irem enchendo sempre a medida de seus pecados. A ira, porém, sobreveio contra eles (contra os judeus – v. 14-15), definitivamente." (1Tes. 2:16).
Portanto,não é necessário um intervalo para nos indicar o futuro, porque as profecias relativas ao tempo do fim se encontram explanadas nos capítulos escatológicos de Dan. 2, 7, 8, e 11-12.
4) Não é cronológica.
A teoria de que tratamos segue a cronologia profética até o seu final, percorrendo as 69 semanas, mas quando abandona a seqüência para adicionar um hiato perde a cronologia exigida pelo próprio texto que se pretende explicar.
É de se admirar que as duas primeiras partes (7 semanas e 62 semanas) seguem o padrão cronológico
sugerido pelo texto, mas que logo ao chegar à terceira unidade (1 semana), sem nenhum motivo para isso, o autor da teoria abandona a cronologia, para se satisfazer em criar um intervalo, inadmissível em qualquer estudo sério de escatologia.
Toda escatologia sem cronologia evidente por si mesma e pelo texto estudado sofre do perigo de ser considerada uma falsa teoria e perigosa interpretação, da qual muitos vão depender até o seu modo de vida, como acontece nesse caso, em que muitos estão acomodados, julgando que tudo já está resolvido para o seu futuro, e que nada mais tem a fazer a não ser continuar em sua fé pelo que Cristo já fez na Cruz.
O resultado é um preparo frouxo e acomodado.
"É somente mediante uma ginástica hermenêutica e uma suspensão da razão que um intervalo imenso pode ser importado para Daniel, a fim de interromper o período de tempo de outra forma cronologicamente exato." (Dr. K.L.Gentry Jr., As 70 Semanas de Daniel).
Portanto, é grave toda interpretação escatológica que não se preocupa com a cronologia, mas muito mais grave quando essa cronologia é claramente indicada pelo texto profético estudado, como base e fundamento da verdade.
5) Não é natural.
Espera-se de uma interpretação profética que seja natural e espontânea, seguindo-se as mínimas regras de interpretação, que parta a sua exposição do próprio texto, conforme a indicação do mesmo. Mas se há um acréscimo de alguma coisa estranha ao texto, que não tenha um relacionamento natural e comum das partes entre si, é uma falsa interpretação, que precisa ser reestudado, sem isenção.
O apóstolo Pedro advertiu à igreja primitiva: "Tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles." (2Ped. 3:15-16). Uma interpretação profética jamais deveria ser torcida, deturpada, ou forçada, em seu significado original para que seja natural em sua compreensão.
6) Não é exegética.
O ensino da teoria do hiato se perde por sua falta de exegese séria do texto bíblico. Para se fazer uma exegese, são necessários alguns elementos indispensáveis, como: estudo das línguas originais, estudo do contexto mediato e imediato, gramática, estrutura literária do texto, bem como o tipo de literatura apresentada, para citar algumas ferramentas.
Mas,para não nos alongarmos demasiadamente, vamos considerar apenas o tipo de literatura que foi usada. Muitas vezes, a poesia hebraica é um recurso usado nos escritos proféticos, dando beleza e força de expressão. Na poesia, logo nos deparamos com o método dos paralelismos: sinônimos, sintéticos, antitético, alternativos e quiasmas.
A estrutura literária poética de Dan. 9:24-27 possui sinônimos, antíteses, e quiasmas (linhas em X, "qui" – do grego), além do jogo de palavras [como a palavra "cortar" que no original tem a mesma raiz das palavras traduzidas por "valados", "determinadas" e "decretada"].
Mas o grande auxílio da poesia neste caso são os contrastes que nos ajudam a identificar o sujeito "Ele" do v. 27. O grande problema por que muitos não podem ver a Cristo é a identificação do sujeito "Ele" com o Anticristo futuro. Mas tudo se esclarece se podemos ver dois príncipes em luta e em frisante contraste:
v. 26 :
1) será morto o Ungido, (Príncipe no v. 25: morte ao 1º Príncipe)
e já não estará ("não estará" na destruição que segue logo abaixo)
2) e o povo de um príncipe que há de vir ("estarão" para destruir:) destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, (morte ao 2º príncipe: o destruidor é destruído.) e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas.
v. 27:
1)" Ele fará firme aliança com muitos, (Retorna ao 1º Príncipe)por uma semana; na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares;
2)" sobre ... abominações virá o assolador, (Retorna ao 2º príncipe)até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre ele.
É evidente o contraste dos dois príncipes em luta. A ordem é esta:
1) Primeiramente, destaca-Se o Messias, que morre.
2) Logo após, vem o destruidor, que também morre.
1)" A seguir, Gabriel retorna com o 1º Príncipe, Cristo que constrói.
2)" Logo, vem o assolador que é destruído.
As linhas 1) e 2) estão em paralelo, mas em contraste.
A mesma estrutura se vê nas linhas 1)" e 2)": estão em paralelo, mas em contraste.
Entretanto, as linhas 1) e 1)" estão em harmonia, como também as linhas 2) e 2)".
Esta é a estrutura poética e profética dos versos 26-27. A identificação desta forma poética ajudará a identificar os personagens, e trará a verdadeira interpretação dos termos.
A conclusão é clara: o maior personagem é enfatizado como sendo o Messias e Sua obra redentora.
O anjo Gabriel não estava tão preocupado com o inimigo, mas com o perigo de rejeitar o Messias,
porque isso traria o destruidor da própria nação e do templo. Essa seria a sorte do povo judeu, embora havia um escape para os arrependidos. A identificação também virá com a resposta à palavra-chave destruição".
Quem é o assolador, quem é que destrói? É evidente que no verso 27, o assolador é apresentado como o segundo personagem, após o Cristo identificado como o "Ele" do início do verso. A teologia identifica o fato de que Cristo (Ele) ao morrer na Cruz, não só (1) cessa os sacrifícios, como também (2) triunfa sobre o assolador e seus aliados, mencionados na segunda parte do verso.
O apóstolo Paulo disse: "[1] tendo cancelado o escrito de dívida, ... que constava de ordenanças, ...
removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, [2] despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz." (Col. 2:14-15).
Comentando a teoria do parêntesis ou intervalo, diz o teólogo Gentry:
"Esse argumento ignora as peculiaridades do estilo poético hebraico. A mente oriental frequentemente confunde a preocupação ocidental com uma sucessão cronológica; a estrutura ocidental não pode ser inserida na passagem. Esse "padrão revelacional" permite uma repetição paralela e expansão do assunto, sem exigir uma sucessão real no tempo." (Dr. K.L.Gentry Jr., As 70 Semanas de Daniel).
E mais: "Essas propostas futuristas repousam, essencialmente, sobre uma compreensão errônea dos padrões de pensamento da poesia hebraica... elas representam uma leitura do idioma hebraico através de óculos ocidentais". (Frank Holbook, Symposium on Revelation - Book 1, pág. 327). "
7) Não é climática.
O modo de colocação dos termos da profecia, a ordem dos temas, a seqüência das divisões do período,
e a explicação do anjo levam ao pontomais climático que é a realização de todo o período das 70 semanas com o seu ponto climático na última semana.
O clímax é esperado na profecia imediatamente na sua parte final. O texto não sugere um anticlímax, como a teoria do intervalo quer impor, dogmaticamente. O texto sugere fortemente um momento culminante, e tem uma tendência para o seu final imediato. Nada de um hiato distanciando a parte mais esperada da profecia para um povo que aguardava ansiosamente o Messias, na plenitude dos tempos.
8) Não é cristocêntrica.
A teoria do intervalo ignora que a principal Figura apresentada em Dan.9:27 seja o Messias, sendo a Sua morte e rejeição do Crucificado pelos judeus a própria razão da destruição de Jerusalém: "Porque estes dias são de vingança, para se cumprir tudo o que está escrito." (Luc. 21: 22; Ver Mat. 24:15).
O período começa com vários objetivos que tratam do pecado e sua vitória esmagadora. Mas se as partes em que o período é dividido são importantes, apontam, no entanto, para a parte superimportante, que é o seu final cristocêntrico: a obra de Jesus Cristo para cumprir os 7 objetivos na sua morte como o Messias.
Esta é a parte mais importante, porque é o acontecimento sobre o qual gravitam todas as verdades da Bíblia. Esta profecia bíblica encontra o seu cumprimento máximo na Pessoa de Cristo, que morreu na metade da semana, realizando a sua obra salvífica para a humanidade.
A teoria do intervalo falha em não reconhecer essa verdade cristocêntrica, para dar lugar ao Anticristo e, portanto, perde-se no intuito de apresentar um futuro personagem estranho à profecia, e deixa de visualizar a mensagem cristocêntrica do "Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (João 1:29).
9) Não é proporcional.
Um período de 383 anos, seguido por outro período de 7 anos, um período quase terminado num total de 490 anos, mas interrompido abruptamente para além de 2000 anos é algo simplesmente desproporcional. De novo, retirar 1 simples semana de 70 semanas e lançá-la inadequadamente para um futuro indefinido de mais de 2000 anos, sem nenhuma certeza de seu cumprimento, é completamente desproporcional e descabido.
10) Não é segura.
A teoria do hiato não é uma interpretação segura porque não encontra nenhum apoio contextual. Não está segura no contexto imediato, nem no contexto mediato. Não se baseia em nenhuma segurança próxima ou distante. Não tem nenhum "Assim diz o Senhor" para certificar a certeza de sua pretensão. E não é sábio se aventurar numa interpretação insegura, vacilante e comprometedora.
A grande falácia da doutrina do intervalo é que promove insegurança espiritual à Igreja que ficando confusa sobre o tempo de sua tribulação, recebe a promessa de que no tempo do Anticristo ela será retirada da Terra pelo Arrebatamento Secreto, mas peca ao se deparar com muitos textos que indicam claramente que a Igreja passaria pela tribulação e seria provada nela, tendo experimentado a fúria de Satanás e do Anticristo. (Dan. 12:1; Apoc. 7:14; 12:17; 13:15-17).
11) Não é lógica.
O pensamento de um possível intervalo dentro de um período profético criteriosamente estabelecido na Escritura não é lógico. As lógica exige uma proposição e as provas que a estabelecem. A proposição do profeta Daniel se encontra no v. 24 (Dan. 9:24); as provas seguem através da divisão do período em 7 + 62 + 1, resultando em 70. Não é lógico separar a última semana, que é uma das três unidades que complementam e exatificam o número 70, com todas as explanações do anjo assistente Gabriel, que se deu ao trabalho de unir as partes ligadas pelos números e acontecimentos correlatos.
A coisa mais lógica que se espera de um período profético é que ele tenha um início e um fim,
como é o caso dos períodos de 1260, 2300, 1290, 1335 anos (Dan. 7:25; 8:14; 9:24; 12:7, 11, 12; Apo. 11:2,3; 12:6,14; 13:5) – todos eles contínuos, sem nenhum intervalo entre eles, como é também o caso de 70 semanas que também são uma unidade inseparável e contínua (Dan. 9:24). Se não fosse assim, não haveria por que procurar exatidão profética.
É lógico que a 70ª semana se refira aos 7 anos seguintes à 69ª, isto é, ao período em que o ministério do Messias tomou o lugar. As palavras do texto em nenhuma forma indicam uma quebra ou intervalo.
Ora, sair da lógica mais simples, é errar na interpretação e violentar o texto, fazendo-o dizer o que a profecia não diz.
12) Não é coerente.
A teoria do hiato, da descontinuidade do período profético de Dan. 9:27, não é coerente com o próprio ensino da profecia. O Anticristo não pode realizar a obra estipulada como sendo os 7 acontecimentos e propósitos do v. 24 e 27:
(1) "para fazer cessar a transgressão",
(2) "para dar fim aos pecados",
(3) "para expiar a iniqüidade",
(4) "para trazer a justiça eterna",
(5) "para selar a visão e a profecia",
(6) "para ungir o Santo dos Santos", e
(7) "cessar o sacrifício e a oferta de manjares".
Tudo isso é Obra exclusiva do Messias e tudo isso pertence ao propósito final das 70 semanas:
(1) É Cristo que trata com o pecado de modo a extirpá-lo: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!" (João 1:29).
"...agora, ... ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar,
pelo sacrifício de si mesmo, o pecado."
(2) É Cristo quem traz a justiça eterna: "A Tua justiça é justiça eterna" (Sal. 119:142).
"Justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os que crêem" (Rom. 3:22).
(3) É Cristo quem sela a profecia: "O tempo [Dan. 9:24-27] está cumprido, e o reino de Deus está próximo;
arrependei-vos e crede no evangelho." (Marc. 1:15).
(4) É Cristo quem unge o Santo dos Santos: "Ora, o essencial das coisas que temos dito é que possuímos tal sumo sacerdote, que se assentou à destra do trono da Majestade nos céus, como ministro do Santuário [celestial]" (Heb. 8:1). "...pelo Seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção." (Heb. 9:12).
(5) É Cristo quem faz cessar a lei cerimonial,os sacrifícios e as ofertas de manjares: "E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito. Eis que o véu do santuário [terrestre] se rasgou em duas partes de alto a baixo" (Mat. 27:50-51).
"Aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças" (Efé. 2:15).
"Tendo cancelado o escrito de dívida, ... que constava de ordenanças, ... removeu-o inteiramente,
encravando-o na cruz." (Col. 2:14).
(6) É Cristo quem faz uma "firme aliança",tão firme que é eterna:
"Farei com eles aliança eterna" (Jer. 32:40).
"Porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos,
para remissão de pecados." (Mat. 26:28).
A idéia do original hebraico é "confirmar a aliança", que evidentemente já existia,por ser eterna;
não tanto fazer uma aliança ainda inexistente.
(7) É Cristo quem deu esta profecia e a interpretou:
"Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel [9:27],
no lugar santo (quem lê entenda),então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes."
(Mat. 24:15-16).
"Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a sua devastação...
Porque estes dias são de vingança, para se cumprir tudo o que está escrito...
Cairão a fio de espada e serão levados cativos para todas as nações." (Luc. 21:20, 22, 24).
É evidente que Cristo interpretava Dan. 9:27, predizendo a destruição da cidade de Jerusalém no ano 70 d.C. pelos romanos, considerados por Ele como "o abominável da desolação".
Introduzir o futuro Anticristo nesse meio é colocar um corpo estranho para a realização dos santos propósitos divinos; Seria fazer o texto dizer o que não tem a intenção de dizer. Seria forçá-lo à incoerência.
Faltaria espaço para considerar em maior profundidade outra grande incoerência sobre a metade da semana
(Dan. 9:27), que todos concordam ser de 3 ½ anos: Como podem os teólogos da teoria do intervalo tomar o período de Dan. 7:25 (Dan. 12:7; Apo. 11:2,3; 12:6,14; 13:5), que descreve um período profético de 1260 dias-anos e usá-los como 3 ½ anos para se adaptarem à metade da última semana em Dan. 9:27?
(1) Se o princípio dia-ano (Núm. 14:34; Eze. 4:6-7, 1 dia = 1 ano) foi usado para chegarem aos 490 anos (70 semanas x 7dias = 490 dias), então, pelo menos por amor à coerência, 1260 dias também devem ser 1260 anos.
Por que as 70 semanas são interpretados como tempo profético e os 1260 dias não são?
Mas, se forem entendidos como devem ser, tempo profético de dias-anos, como poderiam caber 1260 anos dentro de 1 semana de 7 anos, para ser a metade da semana?
(2) Ademais, onde estão os períodos de 1290 e 1335 dias-anos (Dan. 12:11-12)
que se encontram próximos cronologicamente dos 1260? (Dan. 12:7: 3 ½ tempos = 1260 dias).
(3) E ademais ainda, onde estão os diferentes contextos dessas profecias relacionadas aos 1260 dias?
Conseqüentemente, desfaz-se o período de 3 ½ anos, baseados em 7 textos extemporâneos, e está desfeita a teoria do intervalo. Simples-mente, não há coerência.
Portanto, a teoria do intervalo não é coerente com o ensino bíblico geral nem com o ensino particular do anjo Gabriel de Dan. 9:24-27, que interpreta esse período como sendo um período completo, terminado, acabado.
13) Não é conservadora.
Há um grande número de teólogos conservadores que interpretam o período das 70 semanas como sendo
uma unidade completa e inseparável. Aqueles que aceitam a interpretação que conecta a 70ª semana com o Messias e não com o Anticristo incluem os seguintes eruditos:
1- Pais da Igreja primitiva: Tertullian, Eusebius, Athanasius, Cyril de Jerusalém, Polychronius, e Augustine.
2- Escritores cristãos medievais: O Venerável Bede, Thomas Aquinas, and Arnold de Villanova.
3- Líderes da Pré-Reforma: Wycliffe e Brute, junto com tais reformadores como Luthero, Melanchthon,
Funck, Selnecker, Nigrinus, e Heinrich Bullinger.
4- Eruditos da Pós-Reforma: Joseph Mede, Sir Isaac Newton, William Whiston, Johann Bengel,
Humphrey Prideaux, John Blair, e James Ferguson.
5- Exegetas do Mundo Antigo do Século IXX: Jean de la Flechere, William Hales, George Faber,
Thomas Scott, Adam Clarke, Thomas Horne, Archibald Mason, John Brown, John Fry,
Thomas White, Edward Cooper, Thomas Keyworth, Alfred Addis, William Pym, Daniel Wilson,
Alexander Keith, Matthew Habershon, Edward Bickersteth, e Louis Gaussen, como também o último Havernick, Hengstenberg, e Pusey.
6- Expositores Americanos do Séc. IXX: Elias Boudinot, William Davis, Moderador Joshua Wilson,
Samuel McCorkle, Robert Reid, Alexander Campbell, Jose de Rozas (Mexico), Adam Burwell (Canadá),
Robert Scott, Stephen Tyng, Isaac Hinton, Richard Shimeall, James Shannon, e John Robinson.
7- Expositores do Século XX: C.H.Wright, R. D. Wilson, Boutflower,
e outros muito numerosos para serem mencionados.
shalom!
O conhecido comentarista romano Hipólito, do séc. III confundiu os dois príncipes de Dan. 9:24-27,
concluindo que os dois eram um só, interpretando "Ele" do v. 27, como sendo um futuro Anticristo, e não Jesus Cristo que haveria de cessar os sacrifícios.
É lamentável que o erro de Hipólito tenha sido copiado por John N. Darby, no século XIX,
introduzindo o conceito de que a vinda de Cristo consiste de duas fases, o que capturou o pensamento de muitos protestantes de hoje. Uma fase é o arrebatamento secreto dos cristãos, seguido do Seu aparecimento em glória e majestade, 7 anos depois, para governar a Terra por mil anos.
Certamente, ele está baseado na "Teoria do Intervalo", que separa a última semana de Dan. 9:27,
em uma lacuna de mais de 2000 anos, após a qual virá o Anticristo que fará uma aliança com os judeus, mas quebra esta aliança na metade da semana de 7 anos. ]
O que ensina a Bíblia sobre isto? Há "13 categóricos nãos!" que justificam a não-aceitação da "Teoria do Intervalo".
1) Não é bíblica.
Não há a mínima sugestão na Bíblia de que devemos colocar um intervalo no final do período das 69 semanas de Dan. 9:27. Não há um só paralelo em toda a Bíblia de semelhante acréscimo, em um período profético que foi dado em sua perfeição completa para ser interrompido. A profecia Bíblica é a exposição que segue criteriosamente o seu contexto mediato e imediato, considerando a harmonia entre as partes e sua interpretação natural.
Mas como isso não acontece com a teoria do intervalo, ela pode ser uma interpretação humana, uma tentativa de encontrar a verdade na falta de mais sabedoria, mas não é bíblica. A teoria do hiato coloca a figura do Anticristo dentro desta profecia, para o futuro, o que não consta em nenhum texto, nem nesta parte, nem em qualquer outra parte das Escrituras, para confirmar essa conexão extra-bíblica.
Não há um "Assim diz o Senhor" para autorizar a adição de um intervalo em Dan. 9:27.
2) Não é perfeita.
A teoria do intervalo desfaz a perfeição profética tanto do período, como dos acontecimentos relacionados.
O número 70 é formado de 7 x 10; o número 7 indica a perfeição do período (como na própria semana de 7 dias); o número 10 indica a perfeição do governo e da vontade divina (como visto nos 10 mandamentos). Dan. 9:24 expõe o período, colocando o limite próprio, além de definir claramente o propósito sêxtuplo, acrescido do 7º propósito no verso 27, que descreve o acontecimento que seria exato em sua perfeição para dar o sentido mais bíblico e exato, na morte do Messias. Isto tudo deve se cumprir dentro das 70 semanas. Ora,separar a última semana, uma única, de 69 outras semanas é tornar imperfeito um período perfeito, de 70 semanas, e frustrar o acontecimento mais perfeito que foi o sacrifício do Messias na Cruz do Calvário, que deve culminar com a metade da semana dos 7 anos restantes,no ano de 31 d.C.
É por esse perfeito sacrifício que Jesus Cristo comunica a perfeição à Sua Igreja (Heb. 10:14).
A teoria do intervalo retira essa perfeição profética, colocando sobre os ombros do Anticristo uma obra que não lhe foi atribuída, mas foi atribuida a Cristo. Portanto, não é perfeito separar um período perfeito, cujos propósitos se ajustam e se cumprem com exatidão.
3) Não é necessária.
Os advogados da teoria do intervalo afirmam que se não houver uma lacuna entre as 69 semanas e a 70ª,
se o período for contínuo, não haveria mais nada a dizer-se sobre o futuro. Dizem que esse hiato é necessário para que tenhamos uma visão do futuro.
Entretanto, esta necessidade não existe, porque a profecia das 70 semanas não foi dada para o mundo em geral, mas para o povo judeu:
"Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade." (Dan. 9:24),
delimitando a Teocracia de Israel para apenas mais 490 anos daquela parte do tempo do profeta, e no final desse tempo, não haveria mais chance para uma nação que rejeitaria o Messias de Deus dizendo: "O Seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos". (Mat. 27:25).
Ademais, esta profecia é uma ampliação do capítulo 8:14, para explicar a primeira parte e o ponto de partida da profecia dos 2300 anos (Dan. 8:26-27; 9:21-22). Mas, falando desta visão disse o anjo: "... esta visão se refere ao tempo do fim" e "há de acontecer no último tempo da ira, porque esta visão se refere ao tempo determinado do fim." (Dan.8:17,19,26).
Ora, se esses intérpretes da profecia estão procurando um período que se estenda até o "tempo do fim",
devem então procurar no capítulo anterior, em Dan. 8, porque este, sim, é claro em afirmar a verdade sobre o fim dos séculos.
Mas como esses teólogos liberais sustentam a doutrina extra-bíblica do Dispensacionalismo, que ensina a conversão futura da nação israelita ao verdadeiro Messias, e a separação de judeus e gentios, se vêem na necessidade de criar um intervalo para adaptar a profecia às suas crenças preconcebidas.
Entretanto, a Bíblia ensina claramente o fim da Teocracia judaica no próprio texto estudado, onde o profeta Daniel expõe o tempo de graça para Israel: "Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade." (Dan. 9:24).
Cristo confirmou esta interpretação, quando diante dos líderes judeus falou: "Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos." (Mat. 21:43).
Logo depois, Ele chorou ao contemplar a cidade condenada, dizendo que o seu tempo de graça estava expirando, ao afirmar: "Eis que a vossa casa vos ficará deserta." (Mat. 23: 37-38).
O Espírito Santo estaria fora de qualquer templo que fosse reedificado após a destruição do seu santuário,
predito por Daniel (9:26) e também profetizado pelo grande Profeta e Mestre (Mat. 24:1-2).
Acabou-se a Economia judaica, cumpriu-se a profecia de Dan. 9:26-27. Após isto, o evangelho foi pregado para os gentios que também deveriam ter a sua oportunidade.
Mas ainda assim, lá estavam os judeus atrapalhando a pregação que era dirigida aos gentios. Pelo que disse o apóstolo Paulo: "a ponto de nos impedirem de falar aos gentios para que estes sejam salvos, a fim de irem enchendo sempre a medida de seus pecados. A ira, porém, sobreveio contra eles (contra os judeus – v. 14-15), definitivamente." (1Tes. 2:16).
Portanto,não é necessário um intervalo para nos indicar o futuro, porque as profecias relativas ao tempo do fim se encontram explanadas nos capítulos escatológicos de Dan. 2, 7, 8, e 11-12.
4) Não é cronológica.
A teoria de que tratamos segue a cronologia profética até o seu final, percorrendo as 69 semanas, mas quando abandona a seqüência para adicionar um hiato perde a cronologia exigida pelo próprio texto que se pretende explicar.
É de se admirar que as duas primeiras partes (7 semanas e 62 semanas) seguem o padrão cronológico
sugerido pelo texto, mas que logo ao chegar à terceira unidade (1 semana), sem nenhum motivo para isso, o autor da teoria abandona a cronologia, para se satisfazer em criar um intervalo, inadmissível em qualquer estudo sério de escatologia.
Toda escatologia sem cronologia evidente por si mesma e pelo texto estudado sofre do perigo de ser considerada uma falsa teoria e perigosa interpretação, da qual muitos vão depender até o seu modo de vida, como acontece nesse caso, em que muitos estão acomodados, julgando que tudo já está resolvido para o seu futuro, e que nada mais tem a fazer a não ser continuar em sua fé pelo que Cristo já fez na Cruz.
O resultado é um preparo frouxo e acomodado.
"É somente mediante uma ginástica hermenêutica e uma suspensão da razão que um intervalo imenso pode ser importado para Daniel, a fim de interromper o período de tempo de outra forma cronologicamente exato." (Dr. K.L.Gentry Jr., As 70 Semanas de Daniel).
Portanto, é grave toda interpretação escatológica que não se preocupa com a cronologia, mas muito mais grave quando essa cronologia é claramente indicada pelo texto profético estudado, como base e fundamento da verdade.
5) Não é natural.
Espera-se de uma interpretação profética que seja natural e espontânea, seguindo-se as mínimas regras de interpretação, que parta a sua exposição do próprio texto, conforme a indicação do mesmo. Mas se há um acréscimo de alguma coisa estranha ao texto, que não tenha um relacionamento natural e comum das partes entre si, é uma falsa interpretação, que precisa ser reestudado, sem isenção.
O apóstolo Pedro advertiu à igreja primitiva: "Tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles." (2Ped. 3:15-16). Uma interpretação profética jamais deveria ser torcida, deturpada, ou forçada, em seu significado original para que seja natural em sua compreensão.
6) Não é exegética.
O ensino da teoria do hiato se perde por sua falta de exegese séria do texto bíblico. Para se fazer uma exegese, são necessários alguns elementos indispensáveis, como: estudo das línguas originais, estudo do contexto mediato e imediato, gramática, estrutura literária do texto, bem como o tipo de literatura apresentada, para citar algumas ferramentas.
Mas,para não nos alongarmos demasiadamente, vamos considerar apenas o tipo de literatura que foi usada. Muitas vezes, a poesia hebraica é um recurso usado nos escritos proféticos, dando beleza e força de expressão. Na poesia, logo nos deparamos com o método dos paralelismos: sinônimos, sintéticos, antitético, alternativos e quiasmas.
A estrutura literária poética de Dan. 9:24-27 possui sinônimos, antíteses, e quiasmas (linhas em X, "qui" – do grego), além do jogo de palavras [como a palavra "cortar" que no original tem a mesma raiz das palavras traduzidas por "valados", "determinadas" e "decretada"].
Mas o grande auxílio da poesia neste caso são os contrastes que nos ajudam a identificar o sujeito "Ele" do v. 27. O grande problema por que muitos não podem ver a Cristo é a identificação do sujeito "Ele" com o Anticristo futuro. Mas tudo se esclarece se podemos ver dois príncipes em luta e em frisante contraste:
v. 26 :
1) será morto o Ungido, (Príncipe no v. 25: morte ao 1º Príncipe)
e já não estará ("não estará" na destruição que segue logo abaixo)
2) e o povo de um príncipe que há de vir ("estarão" para destruir:) destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, (morte ao 2º príncipe: o destruidor é destruído.) e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas.
v. 27:
1)" Ele fará firme aliança com muitos, (Retorna ao 1º Príncipe)por uma semana; na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares;
2)" sobre ... abominações virá o assolador, (Retorna ao 2º príncipe)até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre ele.
É evidente o contraste dos dois príncipes em luta. A ordem é esta:
1) Primeiramente, destaca-Se o Messias, que morre.
2) Logo após, vem o destruidor, que também morre.
1)" A seguir, Gabriel retorna com o 1º Príncipe, Cristo que constrói.
2)" Logo, vem o assolador que é destruído.
As linhas 1) e 2) estão em paralelo, mas em contraste.
A mesma estrutura se vê nas linhas 1)" e 2)": estão em paralelo, mas em contraste.
Entretanto, as linhas 1) e 1)" estão em harmonia, como também as linhas 2) e 2)".
Esta é a estrutura poética e profética dos versos 26-27. A identificação desta forma poética ajudará a identificar os personagens, e trará a verdadeira interpretação dos termos.
A conclusão é clara: o maior personagem é enfatizado como sendo o Messias e Sua obra redentora.
O anjo Gabriel não estava tão preocupado com o inimigo, mas com o perigo de rejeitar o Messias,
porque isso traria o destruidor da própria nação e do templo. Essa seria a sorte do povo judeu, embora havia um escape para os arrependidos. A identificação também virá com a resposta à palavra-chave destruição".
Quem é o assolador, quem é que destrói? É evidente que no verso 27, o assolador é apresentado como o segundo personagem, após o Cristo identificado como o "Ele" do início do verso. A teologia identifica o fato de que Cristo (Ele) ao morrer na Cruz, não só (1) cessa os sacrifícios, como também (2) triunfa sobre o assolador e seus aliados, mencionados na segunda parte do verso.
O apóstolo Paulo disse: "[1] tendo cancelado o escrito de dívida, ... que constava de ordenanças, ...
removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, [2] despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz." (Col. 2:14-15).
Comentando a teoria do parêntesis ou intervalo, diz o teólogo Gentry:
"Esse argumento ignora as peculiaridades do estilo poético hebraico. A mente oriental frequentemente confunde a preocupação ocidental com uma sucessão cronológica; a estrutura ocidental não pode ser inserida na passagem. Esse "padrão revelacional" permite uma repetição paralela e expansão do assunto, sem exigir uma sucessão real no tempo." (Dr. K.L.Gentry Jr., As 70 Semanas de Daniel).
E mais: "Essas propostas futuristas repousam, essencialmente, sobre uma compreensão errônea dos padrões de pensamento da poesia hebraica... elas representam uma leitura do idioma hebraico através de óculos ocidentais". (Frank Holbook, Symposium on Revelation - Book 1, pág. 327). "
7) Não é climática.
O modo de colocação dos termos da profecia, a ordem dos temas, a seqüência das divisões do período,
e a explicação do anjo levam ao pontomais climático que é a realização de todo o período das 70 semanas com o seu ponto climático na última semana.
O clímax é esperado na profecia imediatamente na sua parte final. O texto não sugere um anticlímax, como a teoria do intervalo quer impor, dogmaticamente. O texto sugere fortemente um momento culminante, e tem uma tendência para o seu final imediato. Nada de um hiato distanciando a parte mais esperada da profecia para um povo que aguardava ansiosamente o Messias, na plenitude dos tempos.
8) Não é cristocêntrica.
A teoria do intervalo ignora que a principal Figura apresentada em Dan.9:27 seja o Messias, sendo a Sua morte e rejeição do Crucificado pelos judeus a própria razão da destruição de Jerusalém: "Porque estes dias são de vingança, para se cumprir tudo o que está escrito." (Luc. 21: 22; Ver Mat. 24:15).
O período começa com vários objetivos que tratam do pecado e sua vitória esmagadora. Mas se as partes em que o período é dividido são importantes, apontam, no entanto, para a parte superimportante, que é o seu final cristocêntrico: a obra de Jesus Cristo para cumprir os 7 objetivos na sua morte como o Messias.
Esta é a parte mais importante, porque é o acontecimento sobre o qual gravitam todas as verdades da Bíblia. Esta profecia bíblica encontra o seu cumprimento máximo na Pessoa de Cristo, que morreu na metade da semana, realizando a sua obra salvífica para a humanidade.
A teoria do intervalo falha em não reconhecer essa verdade cristocêntrica, para dar lugar ao Anticristo e, portanto, perde-se no intuito de apresentar um futuro personagem estranho à profecia, e deixa de visualizar a mensagem cristocêntrica do "Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (João 1:29).
9) Não é proporcional.
Um período de 383 anos, seguido por outro período de 7 anos, um período quase terminado num total de 490 anos, mas interrompido abruptamente para além de 2000 anos é algo simplesmente desproporcional. De novo, retirar 1 simples semana de 70 semanas e lançá-la inadequadamente para um futuro indefinido de mais de 2000 anos, sem nenhuma certeza de seu cumprimento, é completamente desproporcional e descabido.
10) Não é segura.
A teoria do hiato não é uma interpretação segura porque não encontra nenhum apoio contextual. Não está segura no contexto imediato, nem no contexto mediato. Não se baseia em nenhuma segurança próxima ou distante. Não tem nenhum "Assim diz o Senhor" para certificar a certeza de sua pretensão. E não é sábio se aventurar numa interpretação insegura, vacilante e comprometedora.
A grande falácia da doutrina do intervalo é que promove insegurança espiritual à Igreja que ficando confusa sobre o tempo de sua tribulação, recebe a promessa de que no tempo do Anticristo ela será retirada da Terra pelo Arrebatamento Secreto, mas peca ao se deparar com muitos textos que indicam claramente que a Igreja passaria pela tribulação e seria provada nela, tendo experimentado a fúria de Satanás e do Anticristo. (Dan. 12:1; Apoc. 7:14; 12:17; 13:15-17).
11) Não é lógica.
O pensamento de um possível intervalo dentro de um período profético criteriosamente estabelecido na Escritura não é lógico. As lógica exige uma proposição e as provas que a estabelecem. A proposição do profeta Daniel se encontra no v. 24 (Dan. 9:24); as provas seguem através da divisão do período em 7 + 62 + 1, resultando em 70. Não é lógico separar a última semana, que é uma das três unidades que complementam e exatificam o número 70, com todas as explanações do anjo assistente Gabriel, que se deu ao trabalho de unir as partes ligadas pelos números e acontecimentos correlatos.
A coisa mais lógica que se espera de um período profético é que ele tenha um início e um fim,
como é o caso dos períodos de 1260, 2300, 1290, 1335 anos (Dan. 7:25; 8:14; 9:24; 12:7, 11, 12; Apo. 11:2,3; 12:6,14; 13:5) – todos eles contínuos, sem nenhum intervalo entre eles, como é também o caso de 70 semanas que também são uma unidade inseparável e contínua (Dan. 9:24). Se não fosse assim, não haveria por que procurar exatidão profética.
É lógico que a 70ª semana se refira aos 7 anos seguintes à 69ª, isto é, ao período em que o ministério do Messias tomou o lugar. As palavras do texto em nenhuma forma indicam uma quebra ou intervalo.
Ora, sair da lógica mais simples, é errar na interpretação e violentar o texto, fazendo-o dizer o que a profecia não diz.
12) Não é coerente.
A teoria do hiato, da descontinuidade do período profético de Dan. 9:27, não é coerente com o próprio ensino da profecia. O Anticristo não pode realizar a obra estipulada como sendo os 7 acontecimentos e propósitos do v. 24 e 27:
(1) "para fazer cessar a transgressão",
(2) "para dar fim aos pecados",
(3) "para expiar a iniqüidade",
(4) "para trazer a justiça eterna",
(5) "para selar a visão e a profecia",
(6) "para ungir o Santo dos Santos", e
(7) "cessar o sacrifício e a oferta de manjares".
Tudo isso é Obra exclusiva do Messias e tudo isso pertence ao propósito final das 70 semanas:
(1) É Cristo que trata com o pecado de modo a extirpá-lo: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!" (João 1:29).
"...agora, ... ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar,
pelo sacrifício de si mesmo, o pecado."
(2) É Cristo quem traz a justiça eterna: "A Tua justiça é justiça eterna" (Sal. 119:142).
"Justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os que crêem" (Rom. 3:22).
(3) É Cristo quem sela a profecia: "O tempo [Dan. 9:24-27] está cumprido, e o reino de Deus está próximo;
arrependei-vos e crede no evangelho." (Marc. 1:15).
(4) É Cristo quem unge o Santo dos Santos: "Ora, o essencial das coisas que temos dito é que possuímos tal sumo sacerdote, que se assentou à destra do trono da Majestade nos céus, como ministro do Santuário [celestial]" (Heb. 8:1). "...pelo Seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção." (Heb. 9:12).
(5) É Cristo quem faz cessar a lei cerimonial,os sacrifícios e as ofertas de manjares: "E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito. Eis que o véu do santuário [terrestre] se rasgou em duas partes de alto a baixo" (Mat. 27:50-51).
"Aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças" (Efé. 2:15).
"Tendo cancelado o escrito de dívida, ... que constava de ordenanças, ... removeu-o inteiramente,
encravando-o na cruz." (Col. 2:14).
(6) É Cristo quem faz uma "firme aliança",tão firme que é eterna:
"Farei com eles aliança eterna" (Jer. 32:40).
"Porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos,
para remissão de pecados." (Mat. 26:28).
A idéia do original hebraico é "confirmar a aliança", que evidentemente já existia,por ser eterna;
não tanto fazer uma aliança ainda inexistente.
(7) É Cristo quem deu esta profecia e a interpretou:
"Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel [9:27],
no lugar santo (quem lê entenda),então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes."
(Mat. 24:15-16).
"Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a sua devastação...
Porque estes dias são de vingança, para se cumprir tudo o que está escrito...
Cairão a fio de espada e serão levados cativos para todas as nações." (Luc. 21:20, 22, 24).
É evidente que Cristo interpretava Dan. 9:27, predizendo a destruição da cidade de Jerusalém no ano 70 d.C. pelos romanos, considerados por Ele como "o abominável da desolação".
Introduzir o futuro Anticristo nesse meio é colocar um corpo estranho para a realização dos santos propósitos divinos; Seria fazer o texto dizer o que não tem a intenção de dizer. Seria forçá-lo à incoerência.
Faltaria espaço para considerar em maior profundidade outra grande incoerência sobre a metade da semana
(Dan. 9:27), que todos concordam ser de 3 ½ anos: Como podem os teólogos da teoria do intervalo tomar o período de Dan. 7:25 (Dan. 12:7; Apo. 11:2,3; 12:6,14; 13:5), que descreve um período profético de 1260 dias-anos e usá-los como 3 ½ anos para se adaptarem à metade da última semana em Dan. 9:27?
(1) Se o princípio dia-ano (Núm. 14:34; Eze. 4:6-7, 1 dia = 1 ano) foi usado para chegarem aos 490 anos (70 semanas x 7dias = 490 dias), então, pelo menos por amor à coerência, 1260 dias também devem ser 1260 anos.
Por que as 70 semanas são interpretados como tempo profético e os 1260 dias não são?
Mas, se forem entendidos como devem ser, tempo profético de dias-anos, como poderiam caber 1260 anos dentro de 1 semana de 7 anos, para ser a metade da semana?
(2) Ademais, onde estão os períodos de 1290 e 1335 dias-anos (Dan. 12:11-12)
que se encontram próximos cronologicamente dos 1260? (Dan. 12:7: 3 ½ tempos = 1260 dias).
(3) E ademais ainda, onde estão os diferentes contextos dessas profecias relacionadas aos 1260 dias?
Conseqüentemente, desfaz-se o período de 3 ½ anos, baseados em 7 textos extemporâneos, e está desfeita a teoria do intervalo. Simples-mente, não há coerência.
Portanto, a teoria do intervalo não é coerente com o ensino bíblico geral nem com o ensino particular do anjo Gabriel de Dan. 9:24-27, que interpreta esse período como sendo um período completo, terminado, acabado.
13) Não é conservadora.
Há um grande número de teólogos conservadores que interpretam o período das 70 semanas como sendo
uma unidade completa e inseparável. Aqueles que aceitam a interpretação que conecta a 70ª semana com o Messias e não com o Anticristo incluem os seguintes eruditos:
1- Pais da Igreja primitiva: Tertullian, Eusebius, Athanasius, Cyril de Jerusalém, Polychronius, e Augustine.
2- Escritores cristãos medievais: O Venerável Bede, Thomas Aquinas, and Arnold de Villanova.
3- Líderes da Pré-Reforma: Wycliffe e Brute, junto com tais reformadores como Luthero, Melanchthon,
Funck, Selnecker, Nigrinus, e Heinrich Bullinger.
4- Eruditos da Pós-Reforma: Joseph Mede, Sir Isaac Newton, William Whiston, Johann Bengel,
Humphrey Prideaux, John Blair, e James Ferguson.
5- Exegetas do Mundo Antigo do Século IXX: Jean de la Flechere, William Hales, George Faber,
Thomas Scott, Adam Clarke, Thomas Horne, Archibald Mason, John Brown, John Fry,
Thomas White, Edward Cooper, Thomas Keyworth, Alfred Addis, William Pym, Daniel Wilson,
Alexander Keith, Matthew Habershon, Edward Bickersteth, e Louis Gaussen, como também o último Havernick, Hengstenberg, e Pusey.
6- Expositores Americanos do Séc. IXX: Elias Boudinot, William Davis, Moderador Joshua Wilson,
Samuel McCorkle, Robert Reid, Alexander Campbell, Jose de Rozas (Mexico), Adam Burwell (Canadá),
Robert Scott, Stephen Tyng, Isaac Hinton, Richard Shimeall, James Shannon, e John Robinson.
7- Expositores do Século XX: C.H.Wright, R. D. Wilson, Boutflower,
e outros muito numerosos para serem mencionados.
shalom!
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