segunda-feira, 23 de julho de 2012

Os ensinos de Jesus e dos Rabinos


O Mashiach Yeshua deixou muitos ensinamentos, não escreveu nenhum livro mas sua biografia foi exposta em quatro livros chamados de Evangelhos, muitos religiosos, educadores e até mesmo filósofos ao longo dos
séculos vêm se maravilhando com tais ensinamentos deixados pelo Grande Rabbi judeu que viveu no primeiro século, porém, para os ocidentais que desconhecem em sua grande maioria os escritos judaicos que compõem o Talmud não percebem uma grande semelhança de ensinamentos do Talmud com os ensinos de Yeshua, em consequência deste fato, os judeus hassídicos acusam Yeshua de ter cometido plágio, isto é, ter copiado ensinamentos de rabinos que viveram antes dele, dentre estes rabbis, o que é mais citado ou pelo menos seus ensinamento muito se parecem com os de Yeshua, estou me referindo ao grande e respeitado Rabbi Hillel, algumas citações deste Rabbi chegam ser as mesmas citações na íntegra de Yeshua.

Sobre Hillel o Talmude Sukot 28a. nos dá algumas informações, judeu da tribo de Benjamim que viveu entre os anos de 60ac. à 9dc., era um Rabbi amável com seus discípulos e com estranhos também, tinha 80 discípulos dispostos em pares(2 em 2) que difundiam seus ensinamentos, o que nos chama a atenção é o fato de Yeshua também possuir discípulos dispostos em pares de 2 em 2, apenas com uma diferença, Yeshua tinha 70 discípulos(Lucas10:1). Para que os chaverim possam analisar melhor esta questão, passarei a expor uma lista das principais citações de Hillel,juntamente com as citações de Yeshua e no final farei uma análise geral do assunto.  

As citações de Yeshua e de Hillel - Semelhanças
Passarei agora a mostrar as principais citações de Yeshua que são muito parecidas quando não idênticas com as citações do Rabbi Hillel que chegou a ser contemporâneo de Yeshua, quanto este era menino.

Yeshua: "Bendizei aos que vos maldizem e orai pelos que vos caluniam"(Lucas6:28)
Hillel: "Se alguém busca em te fazer o mal, farás bem em orar por ele"(Talmud Bavil Shabat 158c)

Yeshua: "Porque eu vos digo: até que o céu e a terra passem, nenhum yod ou til jamais passará da Torah, até que tudo se cumpra"(Mateus5:18)
Hillel: "Nenhuma letra da Torah jamais será abolida"(Talmud Shemot Raba 6.1)

Yeshua: "Bem-aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia"(Mateus5:7)
Hillel: "Aquele que é misericordioso para com os outros receberá misericórdia do Céu"(Talmud Bavil Shabat 158b)

Yeshua: "Porque vês o cisco no olho de teu irmão, e não reparas a trave que está no teu próprio olho"(Mateus7:3)
Hillel: "Eles falam: 'Remova o cisco de teu olho', e ele retrucará: 'Remova a trave que está em seu próprio olho"(Talmud Bavil Baba Bathra 15b)

Yeshua: "O Shabat foi feito por causa do homem e não o homem por causa do Shabat"(Marcos2:27)
Hillel: "O Shabat foi feito em prol do homem e não o homem por causa do Shabat"(Talmud Bavil Yoma 85b)

Yeshua: "Tudo, quanto pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o  vós a eles, porque esta é a Torah e os Profetas"(Mateus7:12)
Hillel: "Não faça aos outros o que não deseja que façam a você, esta é toda a Torah, o restante é comentário, vai e pratica isto"(Talmud Bavil Shabat 31a)

Yeshua: "Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança fora de ti........"(Mateus5:29)
Hillel: "Se o teu olho direito de ofende, arranca-o e corta fora......(Talmud Bavil Nidah 13b)

Yeshua: "Não julgueis para não serdes julgado, pois, com a medida com que julgares, sereis julgado também, e com a medida com que tiverdes medido vos medirão também"(Mateus7:1e2)
Hillel: "A mesma medida com que um homem mede, eles usarão para medi-lo em retorno"(Talmud Sotah 8b - middah keneged middah)

Yeshua: "Qualquer, porém, que fizer ropeçar a um destes meus pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado nas profundezas do mar"(Mateus18:6)
Hillel: "Com tamanha pedra amarada ao pescoço, como poderá ele ocupar-se de estudar a Torah"(Talmud Bavil Kidushin 29b)

Yeshua: "Estava nu e me vestistes, enfermo e me visitastes, preso e foste ver-me"(Mateus25:36)
Hillel: "Adonai Eterno é descrito vestindo os nus(Adão e Eva - Gên.3:21), visitando os doentes(Abraão - Gên.18:1), confortando os enlutados(Isaak - Gên.24:63) e sepultando os motos(Moisés - Deut.34:5e6)"(Talmud Sotah 14a)

Esta próxima citação de Yeshua é muito semelhante a de um outro Rabbi chamado Shammai que foi também contemporâneo de Hillel e que aliás eram opositores um do outro, Yeshua concorda com Shammai no caso do divórcio.

Yeshua: "Eu porém, vos digo: Qualquer que repudiar sua mulher, exceto no caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera......"Mateus5:32)
Shammai: "Vocês só deverão dar carta de divórcio se vossas mulheres cometerem adultério....."(Talmud Bavil em Mishinah Gittin 9:10)

Nisto vemos que Yeshua conhecia muito bem o Talmud ensinado em seu tempo, e em sua grande maioria são bons ensinamentos, não concordo com meus irmãos hassídicos quando acusam Yeshua de plagiar os rabinos do passado, afinal, isto é muito comum até hoje, um rabino usar ensinamentos de outro rabino famoso, entendo que foi o que aconteceu com Yeshua.

Quem tomou de quem?

"Os rabinos costumam dizer: “Yeshua, o Nazareno, não ensinou coisas novas; todos os belos provérbios que ele usava não provinham dele. Todas as palavras de moral que ensinava não eram dele. Ele bebeu toda sua inovação dos ensinos rabínicos.” Opiniões como esta são as difundidas nos meios judaicos, e que freqüentemente os propagadores das Boas Novas de Yeshua o Messias se deparam com ela freqüentemente"

Nas próximas linhas, serão comparadas as proclamações do “Nazareno” e as proclamações de diferentes rabinos, com seus respectivos nomes, bem como a época que viveram. Com isso, discutiremos quem poderia ter recebido de quem seus respectivos ensinamentos.

1. Rabi Gamaliel Barabi, disse: “todo aquele que se compadece pelas pessoas, haverá compaixão sobre ele desde os Céus; e todo aquele que não se compadece pelas pessoas, não virá
sobre ele a compaixão desde os Céus.” (Talmude babilônico, Shabat 151a).

Yeshua, o Nazareno, disse: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.” (Mt 5;7).

Estes dois ditos são semelhantes, sendo um longo e o outro curto. Quem foi o primeiro a ensinar ao mundo a importância da misericórdia e a sua grandeza? Sem dúvida que foi Yeshua, o Nazareno, que viveu quase duzentos anos antes de Rabi Gamaliel Barabi!

2. Disse o Rabi Abahu: “Um homem deve sempre tentar ser [parte do grupo] dos perseguidos, e não [ser parte do grupo] dos perseguidores, já que não existe nenhuma dentre as aves mais perseguidos do que pombas e pombos, e ainda Escritura os [privilegiou] serem preparados sobre o altar1. (Talmude Babilônico, Bavá Qamá 93a).

Disse Yeshua o Nazareno: “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.” (Mt 5:10). Yeshua precedeu a Abahu em 300 anos; por isso não há como argumentar que ele extraiu suas palavras de Rabi Abahu.

3. Resh Lakish disse: “Todo [aquele que] estende a mão contra seu companheiro se chama iníquo”2.

Yeshua disse: “Eu, porém, vos digo que todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo;” (Mt 5:22).

Entre estes dois princípios há uma similaridade interna e não exterior. Há entre eles uma relação sinalizando que os dois procederam de uma única origem. Qual é a origem? Yeshua, o Nazareno, já que Resh Lakish não nascera a não ser quase 180 anos depois de Yeshua, o Messias.

4. Disse Rabi Yossi, em [nome de] Rabi Yehudá: “Será, pois, teu sim justiça e o teu não justiça!”, Abaiê disse: “que não fale uma coisa no coração e outra pela boca” (Baba Metsiá 49a).

Yeshua, o Nazareno, disse: “Seja, pois, teu falar sim sim e não não” (Mt 5:37). Rabi Yossi e Abaiê ensinaram sua doutrina 250 anos depois de Yeshua.

5. Raba disse: “Todo [aquele] que perdoa as suas retaliações, são perdoados todos os seus pecados” (Derech Eretz Zutá 8).

Yeshua, o Nazareno, disse: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós;” (Mt 6:14) –quase 300 anos antes de Raba.

6. Ensinava Rabi Shimeon bar Eliezer: “Vistes dentre teus dias animais e aves que possuem criadores e eis que se alimentam estes seres e não vivem em sofrimento, e não foram criados a não ser para nós os usemos? E eu, que fui criado para se utilizar da criação, não terei minhas necessidades, pois, saciadas e não serei livrado de aflições”? (Talmude Babilônico, Kidushin 82a).

Yeshua, o Nazareno, ensinou: “Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em
celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não valeis vós muito mais do que elas?” (Mt 6:26). Yeshua ensinou este princípio 200 anos antes do Rabi Shimeon bar Eliezer

7. Rabi Eliezer disse: “Todo aquele que tem uma fatia de pão no seu cesto e diz: que comerei amanhã?
Este é o que possui um ato digno dos pequenos de fé” (Talmude Babilônico, Sotá 48b).

Yeshua, o Nazareno, cem anos antes do grande Rabi Eliezer, tinha dito: “Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que havemos de comer? ou: Que havemos de beber? ou: Com que nos havemos de vestir? [...] Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.” (Mt 6:31;34).

8. Rabi Meir tinha dito: “Na medida em que um homem mede lhe medirão.” (Sanhedrin 2b).

Yeshua, o Nazareno, dizia: “Porque com o juízo com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medis vos medirão a vós.” (Mt 7:2). Rabi Meir viveu e exerceu [seu ministério] quase que 130 anos depois de Yeshua, o Messias.

9. Palavras do Rabi Yochanan, filho de Nafcha: “Diz-lhe: lança o argueiro de entre os teus olhos; diz-lhe: Lança a trave de entre os teus olhos” (Talmude Babilônico, Baba Batra 15b).

As palavras de Yeshua, o Nazareno, 180 anos antes do Rabi Yochanan: “E por que vês o argueiro no olho do teu irmão, e não reparas na trave que está no teu olho?” (Mt 7:3).

10. Ensinou Elisha ben Abuyá: “um homem que tem boas obras e ensina muito a Torá, a quem ele se
assemelha? Ao homem que constrói pedras em baixo e depois tijolos; e, vindo muitas águas e irem de encontro a elas, não as mudam de lugar. E um homem que não tem boas obras e estuda a Torá, a quem ele se assemelha? A um homem que construiu inicialmente [com] tijolos e depois [pôs] as pedras; e, vindo então muitas águas correntes, de repente as despedaça [as pedras e os tijolos]” (Pirkêi de-Rabi Natan 24;1-2).

Yeshua, o Nazareno, ensinou, quase 200 anos antes de Ben-Abuyá: “E aquele que ouve estas minhas palavras e as não cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda” (Mt 7;26-27).

11. Disse o Rabi Shimeon ben Gamaliel: “não é o estudo o fundamental, mas a prática” (Talmude Babilônico, Avôt 1;7).

100 anos antes deste disse Yeshua: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mt 7;21).

12. Rabi Tarfon disse: “hoje [o dia está] curto e muita é a obra, e os que trabalham são preguiçosos e o galardão é muito e o dono da casa está necessitado”.

Yeshua, o Nazareno, 100 anos antes de Rabi Tarfon, disse: “Então, disse aos seus discípulos: A seara é realmente grande, mas poucos são os obreiros” (Mt 9;37).

13. Rabi Shmuel haKatan, disse aos seus discípulos: “da forma como ensinei [diligentemente] ante vós de graça, do mesmo modo ensinareis [diligentemente] de graça”.

200 anos antes dele, disse Yeshua, o Nazareno, aos seus discípulos: “de graça o recebestes, de graça o daí” (Mt 10;8b).

14. Ensinava Rabi Yirmeyah: “todo aquele que humilha a si próprio por causa das palavras da Torá neste
mundo, será engrandecido no mundo vindouro; e todo [aquele que] se coloca como um servo, por causa das palavras da Torá, neste mundo, será feito livre no mundo vindouro” (Talmude Babilônico, Bavá Metziá, 85b).

Ensinou Yeshua, o Nazareno, 200 anos antes daquele: “Porque o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado” (Mt 23;12).

15. Yochanan, em [nome de] Rabi Yosef pôs [em questão]: “o Shabat foi entregue em vossas mãos, e nãos vós entregues a ele [ao Shabat]” (Talmude Babilônico, Yomá, 85b).

Yeshua, o Nazareno, ensinou: “O Shabat foi feito por causa do homem, e não o homem, por causa do Shabat” (Mc 2;27).

16. Disse Rav Sheshet: “todo [aquele que] olhar para o menor dedo de uma mulher, é como se olhasse para a vergonha [dela]” (Talmude Babilônico, Shabat, 64b).

Disse Yeshua, o Nazareno: “qualquer que atentar numa mulher, para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mt 5;28).”

Isso nos mostra duas coisas fundamentais:

Primeiro que Yeshua conhecia o Talmud e também extraiu o de melhor dos sábios Rabinos de sua época.

Segundo que os Rabinos posteriores, também extrairam o que há de melhor no Talmud e chegaram a conclusões semelhantes as de Jesus.

Ou seja, o judaísmo e o cristianismo são religiões distintas, mas em essência, pregam a mesma filosofia altruista.

Compare !


Shalom!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Os profetas no antigo testamento



Is 6.8,9 "Depois disso, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então, disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim . Então, disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis."

O LUGAR DOS PROFETAS NA HISTÓRIA DE HEBREUS.

Jeremias
Os profetas do AT eram homens de Deus que, espiritualmente, achavam-se muito acima de seus contemporâneos. Nenhuma categoria, em toda a literatura, apresenta um quadro mais dramático do que os profetas do AT. Os sacerdotes, juízes, reis, conselheiros e os salmistas, tinham cada um, lugar distintivo na história de Israel, mas nenhum deles, logrou alcançar a estatura dos profetas, nem chegou a exercer tanta influência na história da redenção.

Os profetas exerceram considerável influência sobre a composição do AT. Tal fato fica evidente na divisão tríplice da Bíblia hebraica: a Torá, os Profetas e os Escritos (cf. Lc 24.44). A categoria dos profetas inclui seis livros históricos, compostos sob a perspectiva profética: Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis. É provável que os autores desses livros fossem profetas. Em segundo lugar, há dezessete livros proféticos específicos (Isaías até Malaquias). Finalmente, Moisés, autor dos cinco primeiros livros da Bíblia (a Torá), era profeta (Dt 18.15). Sendo assim, dois terços do AT, no mínimo, foram escritos por profetas.

PALAVRAS HEBRAICAS APLICADAS AOS PROFETAS.

Ro’eh. Este substantivo, traduzido por "vidente", em português, indica a capacidade especial de se ver na dimensão espiritual e prever eventos futuros. O título sugere que o profeta não era enganado pela aparência das coisas, mas que as via conforme realmente eram — da perspectiva do próprio Deus. Como vidente, o profeta recebia sonhos, visões e revelações, da parte de Deus, que o capacitava a transmitir suas realidades ao povo.

Nabi’. (a) Esta é a principal palavra hebraica para "profeta", e ocorre 316 vezes no AT. Nabi’im é sua forma no plural. Embora a origem da palavra não seja clara, o significado do verbo hebraico "profetizar" é: "emitir palavras abundantemente da parte de Deus, por meio do Espírito de Deus" (Gesenius, Hebrew Lexicon). Sendo assim, o nabi’ era o porta-voz que emitia palavras sob o poder impulsionador do Espírito de Deus. A palavra grega prophetes, da qual se deriva a palavra "profeta" em português, significa "aquele que fala em lugar de outrem". Os profetas falavam, em lugar de Deus, ao povo do concerto, baseados naquilo que ouviam, viam e recebiam da parte dEle. (b) No AT, o profeta também era conhecido como "homem de Deus" (ver 2Rs 4.21 nota), "servo de Deus" (cf. Is 20.3; Dn 6.20), homem que tem o Espírito de Deus sobre si (cf. Is 61.1-3), "atalaia" (Ez 3.17), e "mensageiro do Senhor" (Ag 1.13). Os profetas também interpretavam sonhos (e.g., José, Daniel) e interpretavam a história — presente e futura — sob a perspectiva divina.

HOMENS DO ESPÍRITO E DA PALAVRA. O profeta não era simplesmente um líder religioso, mas alguém possuído pelo Espírito de Deus (Ez 37.1,4). Pelo fato do Espírito e a Palavra estarem nele, o profeta do AT possuía estas três características:

(1) Conhecimentos divinamente revelados. Ele recebia conhecimentos da parte de Deus no tocante às pessoas, aos eventos e à verdade redentora. O propósito primacial de tais conhecimentos era encorajar o povo a permanecer fiel a Deus e ao seu concerto. A característica distintiva da profecia, no AT, era tornar clara a vontade de Deus ao povo mediante a instrução, a correção e a advertência. O Senhor usava os profetas para pronunciarem o seu juízo antes de este ser desferido. Do solo da história sombria de Israel e de Judá, brotaram profecias específicas a respeito do Messias e do reino de Deus, bem como predições sobre os eventos mundiais que ainda estão por ocorrer.

(2) Poderes divinamente outorgados. Os profetas eram levados à esfera dos milagres à medida que recebiam a plenitude do Espírito de Deus. Através dos profetas, a vida e o poder divinos eram demonstrados de modo sobrenatural diante de um mundo que, doutra forma, se fecharia à dimensão divina.

(3) Estilo de vida característico. Os profetas, na sua maioria, abandonaram as atividades corriqueiras da vida a fim de viverem exclusivamente para Deus. Protestavam intensamente contra a idolatria, a imoralidade e iniqüidades cometidas pelo povo, bem como a corrupção praticada pelos reis e sacerdotes. Suas atividades visavam mudanças santas e justas em Israel. Suas investidas eram sempre em favor do reino de Deus e de sua justiça. Lutavam pelo cumprimento da vontade divina, sem levar em conta os riscos pessoais.

OITO CARACTERÍSTICAS DO PROFETA DO ANTIGO TESTAMENTO. Que tipo de pessoa era o profeta do AT?

(1) Era alguém que tinha estreito relacionamento com Deus, e que se tornava confidente do Senhor (Am 3.7). O profeta via o mundo e o povo do concerto sob a perspectiva divina, e não segundo o ponto de vista humano.

(2) O profeta, por estar próximo de Deus, achava-se em harmonia com Deus, e em simpatia com aquilo que Ele sofria por causa dos pecados do povo. Compreendia, melhor que qualquer outra pessoa, o propósito, vontade e desejos de Deus. Experimentava as mesmas reações de Deus. Noutras palavras, o profeta não somente ouvia a voz de Deus, como também sentia o seu coração (Jr 6.11; 15.16,17; 20.9).

(3) À semelhança de Deus, o profeta amava profundamente o povo. Quando o povo sofria, o profeta sentia profundas dores (ver O LIVRO DAS LAMENTAÇÕES). Ele almejava para Israel o melhor da parte de Deus (Ez 18.23). Por isso, suas mensagens continham, não somente advertências, como também palavras de esperança e consolo.

(4) O profeta buscava o sumo bem do povo, i.e., total confiança em Deus e lealdade a Ele; eis porque advertia contra a confiança na sabedoria, riqueza e poder humanos, e nos falsos deuses (Jr 8.9,10; Os 10.13,14; Am 6.8). Os profetas continuamente conclamavam o povo a viver à altura de suas obrigações conforme o seu concerto estabelecido com Deus, para que viesse a receber as bênçãos da redenção.

(5) O profeta tinha profunda sensibilidade diante do pecado e do mal (Jr 2.12,13, 19; 25.3-7; Am 8.4-7; Mq 3.8). Não tolerava a crueldade, a imoralidade e a injustiça. O que o povo considerava leve desvio da Lei de Deus, o profeta interpretava, às vezes, como funesto. Não podia suportar transigência com o mal, complacência, fingimento e desculpas do povo (32.11; Jr 6.20; 7.8-15; Am 4.1; 6.1). Compartilhava, mais que qualquer outra pessoa, do amor divino à retidão, e do ódio que o Senhor tem à iniqüidade (cf. Hb 1.9 nota).

(6) O profeta desafiava constantemente a santidade superficial e oca do povo, procurando desesperadamente encorajar a obediência sincera às palavras que Deus revelada na Lei. Permanecia totalmente dedicado ao Senhor; fugia da transigência com o mal e requeria fidelidade integral a Deus. Aceitava nada menos que a plenitude do reino de Deus e a sua justiça, manifestadas no povo de Deus.

(7) O profeta tinha uma visão do futuro, revelada em condenação e destruição (e.g., 63.1-6; Jr 11.22,23; 13.15-21; Ez 14.12-21; Am 5.16-20,27, bem como em restauração e renovação (e.g., 61– 62; 65.17–66.24; Jr 33; Ez 37). Os profetas enunciaram grande número de profecias acerca da vinda do Messias

(8) Finalmente, o profeta era, via de regra, um homem solitário e triste (Jr 14.17,18; 20.14-18; Am 7.10-13; Jn 3– 4), perseguido pelos falsos profetas que prediziam paz, prosperidade e segurança para o povo que se achava em pecado diante de Deus (Jr 15.15; 20.1-6; 26.8-11; Am 5.10; cf. Mt 23.29-36; At 7.51-53). Ao mesmo tempo, o profeta verdadeiro era reconhecido como homem de Deus, não havendo, pois, como ignorar o seu caráter e a sua mensagem.

O PROFETA E O SACERDOTE. Durante a maior parte da história de Israel, os sacerdotes e profetas, constantemente, entravam em conflito. O plano de Deus era que houvesse cooperação entre eles, mas os sacerdotes tendiam a aderir ao liberalismo e deixavam de protestar contra a decadência do povo de Deus.

(1) Os sacerdotes muitas vezes concordavam com a situação anormal reinante, e sua adoração a Deus resumia-se em cerimônias e liturgia. Embora a moralidade ocupasse um lugar formal na sua teologia, não era enfatizada por eles na prática.

(2) O profeta, por outro lado, ressaltava fortemente o modo de vida, à conduta, e as questões morais. Repreeendiam constantemente os que apenas cumpriam com os deveres litúrgicos. Irritava, importunava, denunciava, e sem apoio humano defendia justas exigências e insistia em aplicar à vida os eternos princípios de Deus. O profeta era um ensinador de ética, um reformador moral e um inquietador da consciência humana. Desmascarava o pecado e a apostasia, procurando sempre despertar o povo a um viver realmente santo.

A MENSAGEM DOS PROFETAS DO ANTIGO TESTAMENTO. A mensagem dos profetas enfatiza três temas principais:

(1) A natureza de Deus.

(a) Declaravam ser Deus o Criador e Soberano onipotente do universo (e.g., 40.28), e o Senhor da história, pois leva os eventos a servirem aos seus supremos propósitos de salvação e juízo (cf. Is 44.28; 45.1; Am 5.27; Hc 1.6).

(b) Enfatizavam que Deus é santo reto e justo, e não pode tolerar o pecado, iniqüidade e injustiça. Mas a sua santidade é temperada pela misericórdia. Ele é paciente e tardio em manifestar a sua ira. Sendo Deus santo, em sua natureza, requer que seu povo seja consagrado e santo ao SENHOR (Zc 14.20; cf. Is 29.22-24; Jr 2.3). Como o Deus que faz concerto, que entrou num relacionamento exclusivo com Israel, requer que seu povo obedeça aos seus mandamentos, como parte de um compromisso de relacionamento mútuo.

(2) O pecado e o arrependimento. Os profetas do AT compartilhavam da tristeza de Deus diante da contínua desobediência, infidelidade, idolatria e imoralidade de seu povo segundo o concerto. E falavam palavras severas de justo juízo contra os transgressores. A mensagem dos profetas era idêntica a de João Batista e de Cristo: "arrependei-vos, senão igualmente perecereis". Prediziam juízos catastróficos, tal
como a destruição de Samaria, pela Assíria (e.g. Os 5.8-12; 9.3-7; 10.6-15), e a de Jerusalém por babilônia (e.g., Jr 19.7-15; 32.28-36; Ez 5.5-12; 21.2, 24-27).

(3) Predição e esperança messiânica.
(a) Embora o povo tenha sido globalmente infiel a Deus e aos seus votos, segundo o concerto, os profetas jamais deixaram de enunciar-lhe mensagens de esperança. Sabiam que Deus cumpriria os ditames do concerto e as promessas feitas a Abraão através de um remanescente fiel (ver o estudo O CONCERTO DE DEUS COM ABRAÃO, ISAQUE E JACO). No fim, viria o Messias, e através dEle, Deus haveria de ofertar a salvação a todos os povos.

(b) Os profetas colocavam-se entre o colapso espiritual de sua geração e a esperança da era messiânica. Eles tinham de falar a palavra de Deus a um povo obstinado, que, inexoravelmente rejeitavam a sua mensagem (cf. Is 6.9-13). Os profetas eram tanto defensores do antigo concerto, quanto precursores do novo. Viviam no presente, mas com a alma voltada para o futuro.

OS FALSOS PROFETAS. Há numerosas referências no AT aos falsos profetas. Por exemplo: quatrocentos falsos profetas foram reunidos pelo rei Acabe (2Cr 18.4-7); um espírito mentiroso achava-se na boca deles (2Cr 18.18-22). Segundo o AT, o profeta era considerado falso:

(1) se desviasse as pessoas do Deus verdadeiro para alguma forma de idolatria (Dt 13.1-5);

(2) se praticasse adivinhação, astrologia, feitiçaria, bruxaria e coisas semelhantes (ver Dt 18.10,11 notas);

(3) se suas profecias contrariassem as Escrituras (Dt 13.1-5);

(4) se não denunciasse os pecados do povo (Jr 23.9-18); ou

(5) se predissesse coisas específicas que não cumprissem (Dt 18.20-22). Note que os profetas, do novo concerto não falavam de modo irrevogável e infalível como os profetas do AT, que eram a voz primacial de Deus no que dizia respeito a Israel. No NT, o profeta é apenas um dos cinco dons ministeriais da igreja

Os profetas no NT tinham limitações que os profetas do AT desconheciam (cf. 1Co 14.29-33), por causa da natureza multifacetada e interdependente do ministério nos tempos do NT

fonte: http://www.oapocalipse.com/home/estudos/cristao_profeta_no_antigo_testamento.html
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