sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Pecado original não existe!


Muito me perguntam acerca do conceito de pecado original. Este conceito foi criado e definido pelos pais da igreja, mas não é bíblico. Para ser imparcial, vou expôr aqui a visão judaica e a islamica acerca disso, pois em ambas religiões monoteistas, não existe tal conceito.
Adão e Eva

A VISÂO JUDAICA
Os judeus acreditam que chegamos ao mundo com pureza original, e não com pecado original. Os judeus não acreditam no pecado original. ENFIM… Os judeus não acreditam na existência do pecado original. O conceito do pecado original indica simplesmente pelo fato de que Adão e Eva trouxeram morte ao mundo por terem pecado no Jardim do Éden. Segundo este conceito, cada ser humano morre porque Adão e Eva cometeram um pecado, e pelo pecado deles castigam todos os seres humanos com a morte. Contudo, a Bíblia descreve algo inteiramente diferente. Adão e Eva foram retirados do jardim do Éden porque se permanecessem ali, poderiam comer o fruto da Árvore da Vida, que os faria imortais (quando desde o princípio Deus os fez mortais). A crença de que eles trouxeram morte ao mundo e que morremos porque eles pecaram é incorreta. Como questão de fato bíblico, a resposta à pergunta demonstra que uma pessoa não pode morrer como castigo pelos pecados cometidos por outra. Morremos porque a morte é uma parte natural da existência e este é o nosso destino desde a criação dos primeiros seres humanos. Portanto, Adão e Eva comeram da fruta da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal conscientemente, mas Deus não os tirou do jardim por esta razão. Deus os tirou dali para evitar que eles comessem do fruto da Árvore da Vida e se tornassem imortais.

UMA EXPLICAÇÃO COMPLETA…
O conceito cristão do pecado original é o do pecado cometido por Adão e Eva no jardim do Éden. Dali em diante, todos os seres humanos nascem não apenas com uma tendência ao pecado, mas também com a culpa de Adão e Eva, e por esta culpa todos os seres humanos morrem (ver Coríntios 15:21-22). Em outras palavras, Adão e Eva trouxeram morte ao mundo como resultado de seu pecado, e devido a este pecado, todos os seres humanos são pecadores.

Isto é simplesmente não é bíblico. O texto bíblico nos diz que Adão e Eva não foram tirados do jardim do Éden porque pecaram (observe, por favor, que na primeira vez em que a Bíblia utiliza o termo “pecado”, não o faz em referência a Adão e Eva. Esta se refere à inveja de Caim contra Abel em Gênesis 4:7). O que despojou Adão e Eva do jardim do Éden foi a Árvore da qual Deus não queria que eles comessem. Esta era a Árvore da Vida.

Mas pensem racionalmente! Como Adão e Eva teriam que comer o fruto da Árvore da Vida para serem imortais, se Deus os fez mortais desde o início! Ele os criou de uma maneira tal que a morte fosse uma parte natural de sua existência, a partir do momento de sua criação! Ou seja, eles já eram mortais!

O texto bíblico de Gênesis 3:22-24 nos diz que Adão e Eva foram quase como Deus e os anjos, porque sabiam a diferença entre o Bem e o Mal. Deus e os anjos sabem a diferença entre o Bem e o Mal, mas Deus e os anjos também são imortais. Por Adão e Eva terem comido o fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e o Mal, eles sabiam a diferença entre o Bem e o Mal como Deus e os anjos. Contudo, Adão e Eva ainda não eram imortais porque ainda não haviam comido o fruto da Árvore da Vida. Por isso Deus os afastou da Árvore da Vida retirando-os do Jardim. Isto significa que Adão e Eva não trouxeram morte ao mundo! Em outras palavras, os seres humanos não morrem devido ao pecado deles. Nós morremos pois Deus fez a morte como parte da vida a partir do momento da Criação. Não existe o pecado original!

“E o Eterno Deus disse: ‘Eis que o homem é como um de Nós, conhecedor do Bem e do Mal: agora, pois, talvez estenda sua mão e tome também da Árvore da Vida, e coma e viva para sempre.’ E o Eterno Deus o enviou do Jardim do Éden – de onde havia sido tomado - para cultivar a terra. Colocou, pois, o homem para fora, e o pôs ao oriente do Jardim do Éden – os querubins com uma espada flamejante que se revolvia para todos os lados, a fim de guardar o caminho da Árvore da Vida.” (Gênesis 3:22-24)

Lembre-se também que ninguém pode morrer pelos seus pecados. Isto significa que ainda que se acredite que Adão e Eva pecaram no Jardim do Éden (o que não fizeram), seus descendentes não podem morrer, e não morreram, pelo pecado de Adão e Eva.

* Autor - Rabino Stuart Federow, reproduzido com autorização no site : http://judeus.blogspot.com.br/

A VISÂO ISLÃMICA

A crença nessa doutrina diz que Adão trouxe a morte e a passou para todos os seus descendentes e todos nós já nascemos com uma culpa herdada. Essa doutrina pertence ao cristianismo paulino (fundado por Paulo de Tarso e atualmente seguido por quase a totalidade dos cristãos) segundo ele, todos os seres humanos nascem não apenas com uma tendência ao pecado, mas também com a culpa de Adão e Eva, e por esta culpa todos os seres humanos morrem (ver Coríntios 15:21-22).

Porém, isso é o que ensina Paulo e não o que ensina o restante da bíblia, que é muito clara em dizer que não se herda pecado:

"Naqueles dias não se ouvirá mais dizer: os país comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos ficaram botos. Mas cada um morrerá por sua própria iniqüidade; todo o homem que comer uvas verdes, a este é que ficarão botos os dentes." (Jeremias 31:29-30)

Ezequiel ainda é mais completo e detalhado e não deixa dúvidas:

"E me veio mais uma vez a palavra do Senhor que disse, o que pretendes com o converter em provérbio esta parábola sobre a terra de Israel em que se diz: Os pais comeram as uvas em agraço e os dentes dos filhos é que se acham botos? Assim como Eu sou, disse o Senhor Deus, não se passará mais ocasião de usar este provérbio em Israel. Eis que todas as almas são Minhas, assim como a alma do pai, também a alma do filho Me pertence; a alma que pecar, esta é que perecerá. Se um homem for justo e proceder conforme o que é lícito e correto, se não tiver comido nos montes, nem tiver levantado os olhos para os ídolos da casa de Israel, se não houver pervertido a mulher do seu próximo, e não tiver se juntado com uma mulher menstruada,..."

continua:

"...nem houver oprimido a ninguém, e devolver o penhor ao seu devedor, se não houver prejudicado a ninguém pela violência, houver dado pão aos famintos, e houver coberto com vestes aos nus, aquele que não houver emprestado com usura, e não receber mais do que emprestou; que tenha afastado sua mão da iniqüidade, e decidido com justiça entre um homem e outro, tem caminhado conforme os Meus preceitos, e respeitado Meus mandamentos, para que procedesse de acordo com a verdade; este é justo, e viverá com certeza, diz o Senhor Deus... o filho não suportará a iniqüidade do pai, nem o pai sofrerá pela iniqüidade do filho; a probidade do justo recairá sobre ele, e a impiedade do ímpio recairá sobre este. Mas se o ímpio renunciar a todos os pecados que houver cometido, e guardar os Meus preceitos, e fizer aquilo que é lícito e correto, ele certamente viverá e não perecerá." (Segundo a Profecia de Ezequiel, 28. 1 a 19 e 20 21, essas foram as palavras de Deus).

Bom, que é verdade, que não se herda pecado, nós todos já sabíamos, não é? É uma questão de justiça que cada um pague e seja culpado exclusivamente pelo que cometeu de ilícito. Isso por si já refutaria a crença numa sucessão eterna de herdeiros de um pecado. Porém eu quero levantar aqui mais um ponto.

Adão foi expulso do paraíso porque pecou, porque trouxe a morte? A resposta positiva de alguns cristãos aqui pode ser imediata, porém, mais uma vez, não é o que ensina as escrituras.Segundo o cristianismo: Adão teria comido da arvore da sabedoria o que lhe teria dado discernimento do bem e do mal, então Deus o expulsou (junto com sua esposa).Então eu pergunto: porque foram expulsos?

Adão por ter comido da arvore do conhecimento, teria trazido a morte ao mundo, pois era imortal e porque pecou perdeu a imortalidade.Então eu pergunto: adão era imortal? 

Segundo as escrituras

Adão foi expulso não porque que pecou, mas sim para que, tendo conhecimento do bem e do mal, não comece também da arvore da vida (o que ai sim o deixaria imortal)

“E o Eterno Deus disse: ‘Eis que o homem é como um de Nós, conhecedor do Bem e do Mal: agora, pois, talvez estenda sua mão e tome também da Árvore da Vida, e coma e viva para sempre.’ E o Eterno Deus o enviou do Jardim do Éden – de onde havia sido tomado - para cultivar a terra. Colocou, pois, o homem para fora, e o pôs ao oriente do Jardim do Éden – os querubins com uma espada flamejante que se revolvia para todos os lados, a fim de guardar o caminho da Árvore da Vida.” (Gênesis 3:22-24)

Não herdamos a morte de Adão.
Primeiro: porque ele não era imortal, portanto a morte já o era natural e não foi uma punição. Então a morte não foi um castigo nem para o próprio Adão, que dirá para os seus descendentes.

Segundo: Mesmo que Adão tivesse cometido algum pecado imperdoável, esse não poderia nos ser transmitido, já que vai de encontro a justiça de Deus e contra o que está registrado dos profetas Jeremias e Ezequiel de que Cada um é responsável por seu próprio pecado e que não se pode herdar o pecado dos pais.

acabou? os cristãos com isso já se contentam? Não, eles têm sim versículos para provar que nascemos com pecados. Eles descontextualizam alguns versículos e mantêm, para eles mesmos, a farsa.

Apenas vamos considerar o antigo testamento aqui. Pois se havia pecado original porque apenas os livros após a morte de Jesus o citam? Como eu disse no começo no texto, essa é uma doutrina inventada por Paulo de Tarso e as unicas menções a essa doutrina se encontram nas cartas.

Os versículos coringa estão no livro de Jô. Vejamos:

“Como pode o HOMEM SER PURO, como pode ser inocente quem nasceu de mulher? Deus não confia nem mesmo em seus anjos, nem o céu é puro aos olhos dele. Quanto menos o homem detestável e corrompido” Jó 15:14

“Como seria justo o homem diante de Deus, como seria puro o filho da mulher? Até mesmo a luz não brilha, e as estrelas não são puras a seus olhos. Quanto menos o homem, esse verme, e o filho do homem, esse vermezinho.” Jó 25: 4

Há duas formas de responder isso.

1° - É dito que o homem é corrompido, portanto em algum momento foi corrompido.

2° - A pessoa que aí fala está mentindo. Isso mesmo. Não é uma evasiva minha não, é isso mesmo.

Explico:

Leiam com atenção por favor:Esses versículos que são parte de um discurso do acusador Bildade. Bildade era um dos companheiros de Jó que o acusava de ser transgressor.

Vejam: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bildade

O capítulo 25 de Jó, é um curto discurso acusatório de Bildade contra Jó.E no capítulo 26 e 27 Jó se defende das falsas acusações.

"Jó, porém, respondeu: Como sabes ajudar ao que não tem força e prestar socorro ao braço que não tem vigor! Como sabes aconselhar ao que não tem sabedoria e revelar plenitude de verdadeiro conhecimento! Com a ajuda de quem proferes tais palavras? E de quem é o espírito que fala em ti?" Jó 26:1,2,3

Os irmãos cristãos usam as palavras de um acusador falso para embasar sua crença. .O seu erro, sempre, é se apegar a versículos isolados e nunca ler a bíblia. Leiam os capítulos seguintes e verão que Jó não concorda com as palavras do falso acusador..Bildade acusava Jó de ser transgressor e usava as palavras do capítulo 25 que você reproduziu. Mas Jó se defende:

"Prosseguindo Jó em seu discurso, disse: Tão certo como vive Deus, que me tirou o direito, e o Todo-Poderoso, que amargurou a minha alma, enquanto em mim estiver a minha vida, e o sopro de Deus nos meus narizes, nunca os meus lábios falarão injustiça, nem a minha língua pronunciará engano. Longe de mim que eu vos dê razão! Até que eu expire, nunca afastarei de mim a minha integridade." Jó 27:1,2,3,4

Os cristãos ainda usam:

Salmo 51: 5 – “Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe”

Davi aí fala do pecado em que vivia a geração em que ele nasceu. Ele nasceu em pecado e não com pecado. Ele nasceu dentro do pecado e não com pecado. RELEIA: Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe. Salmos 51:5

Eram todos pecadores a sua volta, é isso que o versículo diz.

Mostram também Salmos 58:3: “Desviam-se os ímpios desde a sua concepção; nascem e já se desencaminham, proferindo mentiras.”

Precisa falar? Ta ok.

Desviam-se DESDE (a partir do momento em que nascem)Nascem E JÁ SE DESENCAMINHA (porém apenas depois do nascimento)O versículo 4 diz: Têm peçonha semelhante à peçonha da serpente; são como a víbora surda, que tapa os ouvidos,Portanto, ninguém nasce com pecados e a doutrina do pecado original não foi ensinada por Jesus (nem por ninguém além de Paulo)

Mas e Jesus, será que concordaria com essa doutrina de que todos já nascemos carregados com a culpa e o pecado de outra pessoa? "Deixai vir a mim as criancinhas, e não os impedis, pois é de tais que é o reino de Deus. Em verdade vos digo, Todo aquele que não merecer o reino de Deus como criança, não entrará nele." (Marcos 10: 14 e15). Jesus falava da pureza, da inocência das crianças, e desconhecia essa doutrina que fala em pecado e culpa que já nasce com as pessoas.

*Texto de Antônio Andrade junior (Arhmed) do seu blog: http://por-que-deixei-o-cristianismo.blogspot.com.br/2009/01/pecado-original-no-existe-crena-nessa.html

Como vemos não tem nenhum versículo que respalde o conceito de pecado original exceto o de Paulo:


"Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo" 1Cor 15,21-22

Isso contradiz a escritura e coloca em cheque a justiça divina. Por isso que ambas as religiões monoteístas não creem nesse conceito e descartam a interpretação Paulina. Talvez Paulo estivesse fazendo uma simples analogia apenas ou parábola, mas não condiz com o restante da escritura. A verdade é que a morte não entrou no mundo por Adão, pois ele já era mortal. E nem deixou de existir em Cristo pois ainda somos mortais. Creio que a morte que Paulo se referia era a espiritual e não fisica, pois em suas epístolas, é comum notarmos este tipo de analogia de morte e vida espiritual.


Sobre a doutrina de Paulo, leia: http://exegeseoriginal.blogspot.com.br/2012/06/paulo-foi-mesmo-apostolo.html

Paz á todos!





quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Os sinais em jerusalém,segundo Josefo

História dos hebreus de Flavio Josefo
Historiador judeu do primeiro século

Todos os que acreditam na Volta de Jesus (1ª Tessalonicenses 5: 1 a 11), devem observar o relato do Escritor Judeu Flávio Josefo (37 a 103 DC) no seu Livro “A História dos Hebreus”- Obra Completa –II Parte – livro sexto, capítulo 31, página 680 e 681, publicado pela CPAD – em que Deus procura de todos os meios, avisar antes de executar o Seu Juízo.

O relato de Flávio Josefo se refere aos Sinais antes da  destruição de Jerusalém no ano 70 DC, os quais eu transcrevo na sequência. O relato de toda a operação de Guerra dos Romanos contra a Cidade por ser muito extenso não tenho como transcrever. É impressionante como Deus usou , e usa,  dos mais variados modos para avisar.

Todo evangélico deve conhecer esse relato antes de formular opinião apressada ou irônica sobre o que afirmo em relação “A Volta de Jesus”.
Abaixo transcrevo na íntegra o relato de Flávio Josefo, sobre os Sinais antes da destruição:

“Sinais e predições da desgraça que sobreveio aos judeus, aos quais eles não deram crédito.
Relatarei aqui alguns desses sinais e dessas predições. (relato de Flávio Josefo)
Um cometa, que tinha a forma de uma espada (CRUZ), apareceu sobre Jerusalém, durante um ano inteiro.(Mt 24,30)
Antes de começar a guerra, o povo reunira-se, a oito de abril, para a festa da Páscoa, e pelas nove horas da noite, viu-se, durante uma meia hora, em redor do altar  do Templo, uma luz tão forte que se teria pensado que era dia.

Os ignorantes tiveram-na como um bom augúrio, mas os instruídos e sensatos, conhecedores das coisas santas, consideraram-na como um presságio do que depois sucedeu. Durante essa mesma festa uma vaca que era levada para ser sacrificada, deu à luz, um cordeiro no meio do Templo.

Pelas seis horas da tarde a porta do Templo que está do lado do oriente e que é de bronze e tão pesada que vinte homens mal podem empurrar, abriu-se sozinha, embora estivesse fechada com enormes fechaduras, barras de ferro e ferrolhos, que penetravam bem fundo no chão, feito de uma só pedra.
Os guardas do Templo avisaram imediatamente o magistrado do que acontecera e lhe foi bem difícil tornar a fechá-la.

Os ignorantes interpretaram-no ainda como um bom sinal, dizendo que Deus abria em seu favor suas mãos liberais, para cobri-los de toda sorte de bens. Mas, os mais sensatos julgaram o contrário, isto é, que o Templo destruir-se-ia por si mesmo e que a abertura de sua porta era presságio, o mais favorável, que os romanos pudessem desejar. Um pouco depois da festa, a vinte e sete de maio aconteceu uma coisa que eu temeria relatar, de medo que a tomassem por uma fábula, se pessoas que também viram, ainda não estivessem vivas e se as desgraças que se lhe seguiram não tivessem confirmado a sua veracidade.

Antes do nascer do sol viram-se no ar, em toda aquela região, carros cheios de homens armados, atravessar as nuvens e espalharem-se pelas cidades, como para cercá-las. (Mt 24:30)

No dia da festa de Pentecoste, os sacrificadores estando à noite, no Templo interior, para o divino serviço, ouviram um ruído e logo em seguida uma voz que repetiu várias vezes: Saiamos daqui !

Quatro anos antes do começo da guerra, quando Jerusalém gozava ainda de profunda paz e de fartura, Jesus, filho de Anano, que era um simples camponês, tendo vindo à festa dos Tabernáculos, que se celebra todos os anos no Templo, em honra a Deus, exclamou: “Voz do lado do oriente, voz do lado do ocidente, voz do lado dos quatro ventos, voz contra Jerusalém e contra o Templo: voz contra todo o povo”.
Dia e noite ele corria por toda a cidade, repetindo a mesma coisa. Algumas pessoas de condição, não podendo compreender essas palavras de tão mau presságio, mandaram prendê-lo e vergastá-lo; mas ele não disse uma só palavra para se defender, nem para se queixar de tão severo castigo e repetia sempre as mesmas coisas.

Os magistrados, então, pensando, como era verdade, que naquilo havia algo divino, levaram-no a Albino, governador da Judéia. Ele mandou açoitá-lo até verter sangue e nem assim conseguiram arrancar-lhe um único rogo, nem uma só lágrima, mas a cada golpe que se lhe dava, ele repetia com voz queixosa e dolorida: “desgraça sobre Jerusalém”.

Quando Albino lhe perguntou quem ele era, de onde era, o que o fazia falar daquela maneira, ele nada respondeu. Assim despediu-o como um louco e não o viram falar com ninguém, até que a guerra começou.
Ele repetia somente e sem cessar as mesmas palavras: “Desgraça, desgraça sobre Jerusalém”, sem injuriar nem ofender aos que o maltratavam, nem agradecer aos que lhe davam de comer. Todas as suas palavras reduziam-se a tão triste presságio e as proferia com uma voz mais forte nos dias de festas. Assim continuou durante sete anos e cinco meses, sem interrupção alguma, sem que sua voz se enfraquecesse ou se tornasse rouca.

Quando Jerusalém foi cercada viu-se os efeitos de suas predições. Fazendo então a  volta às muralhas da cidade, ele se pôs ainda a clamar: “Desgraça, desgraça sobre a cidade, desgraça sobre o povo, desgraça sobre o Templo”. Tendo acrescentado “desgraça sobre mim”, uma pedra atirada por uma máquina, derrubou-o por terra e ele expirou proferindo ainda as mesmas palavras.

Se quisermos considerar tudo o que acabo de dizer, veremos que os homens perecem somente  por própria culpa, pois não há meios de que Deus não se sirva para procurar-lhes a salvação e manifestar-lhes por diversos sinais o que eles devem fazer. Assim, os judeus, depois da tomada da fortaleza Antônia, reduziram o Templo a um quadrado embora não pudessem ignorar o que está escrito nos livros sagrados, que a cidade e o Templo seriam destruídos quando aquilo viesse a acontecer.

Mas o que levou principalmente a encetar aquela infeliz guerra, foi a ambiguidade de outra passagem da mesma Escritura, que dizia que se veria naquele tempo, um homem de seu país, governar toda a terra.
Eles o interpretavam em seu favor e vários mesmo dos mais hábeis enganaram-se” (Até aqui o relato de Flávio Josefo)

Como disse Jesus:  "Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam" Mt 24,34

O preterismo prova através da bíblia e da história que a grande tribulação já aconteceu! Ignorar isto é transformar Jesus em um falso profeta! 





Se alguém acha que Flávio Josefo havia perdido o juízo ao narrar todos esse feitos sobrenaturais que precederam a destruição de Jerusalém, veja o que diz Publius Cornelius Tacitus (55 À 120 d.C.), um romano daquele tempo, que não era cristão nem Judeu e nem estava interessado em defender lado nenhum:

   "Haviam acontecido vários prodígios em que esta nação, que é muito suscetível a superstições (mas que no entanto odiava todos os rituais religiosos) não considerou legítimo fazer a expiação através de ofertas e sacrificios.

...Haviam sido vistos exércitos participando de uma batalha nas nuvens, o fulminante brilho das armas, o templo iluminado por uma repentina radiação que vinha das nuvens.

...As portas do local sagrado interior foram subitamente abertas, e uma voz em um tom mais que mortal foi ouvida, e essa voz clamava que os deuses estavam indo embora.
...Na mesma hora, houve um poderoso movimento como de algo indo embora".[2]
 .......................................

..."No início desse ano, Tito César, foi escolhido por seu pai para completar a subjugação da Judéia, e aqueles que se distinguiram como soldados quando ambos eram ainda súditos começaram a ganhar poder e reputação, os exércitos e províncias buscaram superar uns aos outros em sua fidelidade a ele. O próprio rapaz, ansioso para ser considerado superior em sua posição, buscou demonstrar sua habilidade e energia na guerra. Devido à sua cortesia e afabilidade ele inspirou obediência, e usualmente misturava-se aos soldados comuns, quando trabalhavam ou marchavam, sem arriscar sua dignidade de general.

...Ele encontrou na Judéia três legiões, a 5a., a10a., e a 15a., todas tropas de veteranos de Vespasiano. A estas, ele adicionou a 12a. da Síria, e alguns homens pertencentes à 18a. e 3a., as quais ele trouxe de Alexandria. Esta força foi acompanhada de vinte coortes de tropas aliadas e oito esquadrões de cavalaria, pelos dois reis Agrippa e Sohemus, pelas forças auxiliares do rei Antíoco, por um forte contingente de árabes, que odiavam os judeus com o usual ódio de vizinho e, por último, por várias pessoas trazidas da capital e da Itália com a particular esperança de granjear o afeto ainda não garantido do príncipe. Com esta força, Tito entrou no território inimigo, preservando estrita ordem em seu avanço, fazendo o reconhecimento de cada ponto, e sempre disposto a engajar em uma batalha. Enfim, ele acampou perto de Jerusalém".[3]

Simolismo talmudico
A história de Kamtza e Bar Kamtza
Um homem tinha um amigo chamado Kamtza e um inimigo de nome Bar Kamtza. Certa vez, organizou um banquete e pediu a seu ajudante que encontrasse Kamtza e o convidasse para o banquete. Mas o ajudante trouxe, por engano, Bar Kamtza. Quando o anfitrião chegou e viu o inimigo lá sentado, enfureceu-se, gritando: Você é meu inimigo, o que está fazendo aqui? Levante-se e vá embora!. Bar Kamtza, que se sentiu humilhado com a possibilidade de ser expulso na presença de outros, implorou para ficar. Já que estou aqui deixe-me ficar, e pagarei por tudo que eu consumir, bebidas e comidas. O anfitrião não concordou. Bar Kamtza disse então: Deixe-me ficar e pagarei a metade de seu banquete. Novamente, o anfitrião negou o pedido. Bar Kamtza tentou uma última cartada: Pagarei pelo banquete inteiro. Mas o anfitrião nem se comoveu. Na frente de todos os convidados, pegou Bar Kamtza pela mão, expulsando-o do recinto.

Bar Kamtza saiu, constrangido e com muita raiva – não apenas do anfitrião. Como os rabinos estavam no banquete e não repreenderam o anfitrião pela forma como me tratou, ficou evidente que aceitaram o que ele fez raciocinou. Por isso, tramou sua vingança. Decidiu difamar os rabinos perante o imperador romano. Foi até César e disse: Os judeus se rebelaram contra Vossa Majestade! Quando César pediu algumas provas, ele fez a seguinte sugestão: Mande-lhes um animal para ser sacrificado e veja se o oferecem no Templo! César, então, enviou um bezerro perfeito com Bar Kamtza. Quando este se dirigia a Jerusalém, fez uma marca no bezerro tornando-o impróprio para o sacrifício no Templo. Interessados em manter a paz com o governo de Roma, os rabinos aceitaram a oferta do sacrifício, apesar da imperfeição. Todavia, Rabi Zechariah ben Avkulus opôs-se ao ato: Dirão que animais impróprios podem ser oferecidos no altar do Templo! Os rabinos, então, pensaram em matar Bar Kamtza para que ele não fosse até César delatar que sua oferenda havia sido recusada. Mas Rabi Zechariah disse: Dirão que aquele que macula animais é morto!

O bezerro marcado não foi ofertado nem tampouco Bar Kamtza foi impedido de ir ao encontro do imperador. Os romanos consideraram tal atitude um ato de revolta e César enviou o general romano Vespasiano contra os judeus. Enquanto estavam fora de Jerusalém, as tropas romanas se prepararam para sitiar a cidade, mas na cidade os judeus travavam uma guerra civil suicida. Os líderes judeus mais moderados, à frente do governo no início da revolta, foram mortos por seus compatriotas. Na expectativa de um cerco romano, os judeus de Jerusalém haviam estocado uma grande quantidade de alimentos, que poderia sustentar a cidade sitiada por muitos anos. Mas uma das facções dos zelotas ateou fogo nos mantimentos e suprimentos. Esses zelotas tinham esperança de que destruindo os víveres, os judeus não conseguiriam resistir ao cerco e se sublevariam contra os romanos. Mas a fome que resultou da destruição dos alimentos causou um tremendo sofrimento e morte entre os judeus.

No ano 70 de nossa era, os romanos finalmente romperam as muralhas de Jerusalém. Em Tisha B’Av daquele ano, o Segundo Templo Sagrado foi destruído. Calcula-se que mais de um milhão de judeus morreram na Grande Revolta contra Roma. O povo judeu foi exilado de sua terra natal.
O Talmud nos ensina que o primeiro Templo Sagrado de Jerusalém foi destruído por causa dos atos de idolatria, homicídios e imoralidade, comuns entre os judeus. Durante a época do Segundo Templo, os judeus estudavam a Torá e respeitavam suas leis, além de praticar atos de caridade. Todavia, eles se odiavam. Nossos sábios equiparam o ódio infundado com os pecados capitais da idolatria, imoralidade e homi-cídio
Um midrash lança mão da linguagem figurativa para relatar o seguinte conto e a lição óbvia a ser tirada: na noite de Tisha B’Av (a data que marca a destruição dos dois Templos Sagrados), a alma de nosso patriarca Avraham adentrou o “Santíssimo” – o lugar mais sagrado do Templo em que apenas o Sumo Sacerdote, o Cohen Gadol, podia entrar em Yom Kipur. O Todo-Poderoso, Bendito Seja, segurou a mão de Avraham e o fez caminhar com Ele. D´s perguntou, O que te traz, filho amado, à Minha Casa?” (Jeremias 11:15). Avraham respondeu: Meu D´us, onde estão meus filhos? D´us disse, Eles pecaram, portanto os exilei entre as nações. Avraham argumentou, Mas não havia nenhum virtuoso entre eles?
D’us explicou, …Cada um se regozijou com a ruína do outro (Midrash Eicha Rabba 1:21).

A história de Kamtza e Bar Kamtza é simbólica desse ódio infundado e de como as pessoas respeitavam “a letra” da Lei, mas desonravam seu “espírito”. A lei judaica permite violar até mesmo uma proibição da Torá por meio da oferenda de um animal maculado no Templo em prol da manutenção de boas relações com um governo não-judaico, evitando, dessa forma, o risco de perder vidas. Todas as proibições, com exceção da idolatria, assassinato e atos imorais como adultério e incesto, são permitidos quando o objetivo é o de sal- var vidas. O Talmud também ensina que a tolerância e a compaixão quando mal orientadas, como no caso demonstrado pelo Rabi Zechariah ben Avkulus, levaram à destruição do Templo. Qualquer pessoa que esteja, de forma justificada, incitando o governo contra seus irmãos judeus, pode ser condenada à morte. Por outro lado, o sábio que não permitiu o sacrifício de um animal maculado no Templo também recusou sentenciar Bar Kamtza à morte, apesar de sua trama diabólica.

Há muitas lições a serem tiradas do incidente entre Kamtza e Bar Kamtza e da guerra civil insensata que resultou na Diáspora de quase 2.000 anos. Mas, acima de tudo, há a lição do Talmud na conclusão dessa trágica história: Rabi Elazar disse: ‘Venham ver como é grande o poder da vergonha! Pois o Todo-Poderoso, Bendito Seja, permitiu que Bar Kamtza se vingasse da vergonha pela qual passou e Ele destruiu Seu Templo’” (Gittin 57a).

Nossos sábios ensinam que, como os judeus foram exilados de sua Terra natal por causa do ódio infundado, a Diáspora se encerrará quando eles praticarem o amor com desprendimento. O Primeiro Templo foi destruído porque o povo menosprezou a Torá. O Segundo Templo foi destruído porque os judeus se desprezaram. O Terceiro Templo será erigido quando os judeus aprenderem a seguir a Torá, realizando atos de caridade e bondade entre si. Há uma tradição segundo a qual o Messias, que será o construtor do Terceiro Templo, nascerá em Tisha B’Av. Este dia de luto e jejum, em que comemoramos a destruição de ambos os templos, será então revertido e o celebraremos com grande júbilo.




Shalom!

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