quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O dom de profetizar

1) O que é um profeta

O que define um verdadeiro profeta? Existem certos crítérios que definem um verdadeiro profeta e o distingue de um falso profeta. Muitas pessoas pensam que profeta é quem encherga o futuro. Na verdade, os profetas não viam o futuro, mas anunciavam coisas que o próprio Deus dizia que iria fazer. Por exemplo: Imagine que você compre uma passagem para ir de uma cidade para outra. Ai você liga para algum parente avisando que em tal dia você chegará na cidade. Isso não é uma visão do futuro ou advinhação, mas um aviso sobre algo que você irá fazer e que pode até mudar a qualquer momento. As profecias bíblicas eram mais ou menos assim. Eram alertas de coisas que o próprio Deus iria fazer. É claro que os profetas tinham visões, mas eram visões de Deus mostrando o que ele mesmo iria fazer.
Como exemplo posso citar a profecia de Jeremias, onde o profeta disse que os judeus seriam cativos na Babilônia por 70 anos, mas na verdade eles ficaram lá somente por 50 anos. Isso mostra e prova que Jeremias não teve uma visão do futuro, mas alertou seu povo sobre o que o próprio Deus iria fazer. E depois Deus teve misericórdia de seu povo e os livrou do cativeiro antes do que ele disse.

"E toda esta terra virá a ser um deserto e um espanto; e estas nações servirão ao rei de Babilônia setenta anos." (Jeremias 25 : 11)
 

Então isso não foi uma visão do futuro, senão eles teriam sido cativos por cinquenta anos, mas foi um alerta de Deus do que ele faria e que depois o próprio Deus teve misericórdia e abreviou o tempo.

Outro exemplo que posso citar é o livro do profeta Jonas, onde o o profeta disse que Nínive seria destruida e depois Deus viu o arrependimento dos habitantes de Ninive e os perdoou. Isso prova que não foi uma visão do futuro, mas um alerta sobre o que Deus iria fazer.
Nabi’. (a) Esta é a principal palavra hebraica para "profeta", e ocorre 316 vezes no AT. Nabi’im é sua forma no plural. Embora a origem da palavra não seja clara, o significado do verbo hebraico "profetizar" é: "emitir palavras abundantemente da parte de Deus, por meio do Espírito de Deus" (Gesenius, Hebrew Lexicon). Sendo assim, o nabi’ era o porta-voz que emitia palavras sob o poder impulsionador do Espírito de Deus. A palavra grega prophetes, da qual se deriva a palavra "profeta" em português, significa "aquele que fala em lugar de outrem". Os profetas falavam, em lugar de Deus, ao povo do concerto, baseados naquilo que ouviam, viam e recebiam da parte dEle. (b) No AT, o profeta também era conhecido como "homem de Deus" (ver 2Rs 4.21 nota), "servo de Deus" (cf. Is 20.3; Dn 6.20), homem que tem o Espírito de Deus sobre si (cf. Is 61.1-3), "atalaia" (Ez 3.17), e "mensageiro do Senhor" (Ag 1.13). Os profetas também interpretavam sonhos (e.g., José, Daniel) e interpretavam a história — presente e futura — sob a perspectiva divina.

Mais sobre os profetas bíblicos:
Os profetas no antigo testamento
2) Como reconhecer um profeta

Sempre existiram falsos profeta dentre os povos, mas o que define um verdadeiro profeta são alguns critérios simples:

- Um profeta deve dizer somente aquilo que realmente irá acontecer, ou que Deus disse que faria e faz de fato:

"E, se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o SENHOR não falou?
Quando o profeta falar em nome do SENHOR, e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim; esta é palavra que o SENHOR não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele" Dt 18, 21-22
Se o profeta falar e não suceder assim, loucamente falou tal profeta. O próprio Deus deixou bem claro isto como alerta para seu povo e todos nós.

É claro que existem casos como o de Jonas que falou e não suscedeu assim, mas como já explicado anteriormente, houve um arrependimento do povo e um perdão divino.

- O profeta deve falar em nome de Deus e não em nome de outros deuses, portanto, deve ser monoteísta:

"Porém o profeta que tiver a presunção de falar alguma palavra em meu nome, que eu não lhe tenha mandado falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta morrerá" Dt 18,20

Como vemos, um profeta fala somente em nome de Deus, o único e não em nome de trindades ou de três deuses ou coisas parecidas. Nem em nome de santos, intercessores, espiritos etc...

- O profeta deve saber o nome de Deus. Seria ilógico alguém dizer que profetiza em nome de Deus e não saber o nome indizivel ! Se Deus lhe revela coisas, é óbvio que lhe revelaria seu nome. E somente um judeu poderia confirmar isso, pois o nome de Deus é indizivel e desconhecido pelos gentios.

- O profeta deve pregar teshuvá. Retorno as raizes da fé e nunca pregar nada além da bíblia. Nem acréscimos, nem adulterações, nem tradições etc....Mas só o que for a palavra de Deus. Nunca ultrapassar o que esta escrito.

- O profeta deve ser humilde. Todos os profetas de Deus foram humildes, pobres e tementes a Deus. Não fizeram riquezas para sí.

- O profeta não pertence ao sistema religioso. Todos os profetas pregavam contra o sistema religioso de sua época e foram mortos pelos religiosos. Inclusive Jesus. Pois eram os próprios religiosos que distorciam as escrituras em beneficio próprio e quando um profeta surge pregando a escritura, é óbvio que não é aceito pelos mesmos.

- Os profetas não eram santos. Vemos nas escrituras que os profetas eram homens comuns, sujeitos a erros e falhas como todos nós. Com erros, relutações, e principalmente medo!

Estes são só alguns critérios que definem um profeta.

3) Existem profetas hoje em dia

A tradição judaica sempre acreditou que Deus sempre levanta profetas dentre as gerações. Paulo, apesar de eu ser critico de alguns pontos de sua doutrina, nos diz em corintios que o espirito santo as vezes concede a alguns o dom de profetizar. Vou postar alguns homens de Deus que tiveram de fato, profecias e visões que aconteceram. Sejam por sonhos, sejam por revelações.




Existem revelações que são por sonhos, como José do Egito. Outras por visões como Daniel ou João, e outras simplismente por ouvir a palavra de Deus como jeremias.

"Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer" 1Co 12, 8-11

 Ano passado, teve um homem que recebeu revelações. Algumas por sonhos, outras por visões. Devido a suas profecias se concretizarem, foi motivado a divulga-las, mas o medo do sistema religioso foi maior e portanto, ele preferiu se manter no anonimato. Mas certa vez, ano passado, ele fez um vídeo, tão curto que chega a ser despercebido. Ele fez na verdade dois vídeos, Um de 9 segundos e outro de oito. Neste vídeo ele fala em poucas palavra um atentado que lhe foi revelado que aconteceria na Europa. Foi o atentado do atirador da noruega.

Muitas pessoas poderiam pensar em charlatanismo, mas no segundo vídeo, ele postou a data, dia 23. Um charlatão ou vidente, é alguém que acerta coisas no chute, Tipo assim: "Em Janeiro, mais ou menos vai haver um terremoto no japão ou china". Isso é um chute, tanto pode acontecer quanto não. Se for na indonésia, o charlatão diz: "Eu não disse que seria na Ásia, no Japão ou china ou proximidades?". Já o autêntico geralmente não chuta, ele cita o evento, o lugar e a data.

Vou postar aqui os dois vídeos que sempre estiveram públicos no youtube mas não tiveram expressão. Para ser imparcial vou deixar a critério do leitor avaliar se é autêntico ou um charlatanismo, apesar de eu conhecer tal homem:




No mesmo ano eu fiz uma postagem em meu blog sobre isso, devido a veracidade do que ele disse. Mas o fundamentalismo me levou a bloquear a postagem, pois já estavam dizendo que tal homem era o anti-cristo que faria sinais e prodigios para enganar os escolhidos. Engraçado que João diz em sua epístola que o anti-cristo já estava no mundo em sua época e mesmo assim associaram este homem a ele.
Como amigo e como já contei muito com sua colaboração em meus estudos,sobretudo no que se refere a tradição oral judaica, gostaria de terminar este ano fazendo ao menos uma menção, ou agradecimento a este homem que não deixa de ser um Nabi, profeta. E que Deus lhe revela certas coisas. Ninguém é obrigado a concordar com essa postagem ou com o que foi mostrado aqui, mas como é um assunto no minimo intrigante, só quis partilhar com vocês e explanar um pouco sobre é que é um profeta, para que haja discernimento entre um verdadeiro e um falso profeta.

Pena que as pessoas colaboram tanto com falsos profetas, dando dizimos, ofertas, e até vendendo as coisas para darem para estes cães gulosos e não colaboram com nenhum centavo com alguém que faz um trabalho filantrópico maravilhoso, que ajuda muitas pessoas por ano e que nem sabem que ele existe. Muitas vezes eu colaboro quando posso, mas como também não recebo colaborações, não posso fazer muito, infelizmente! Eu mesmo já estou desanimando do meu blog porque as pessoas perguntam muito, pedem muito, atacam muito e não colaboram com nada! É uma pena!

Termino essa postagem desejando a todos um Shalom e que o espirito de HaShem esteja sempre com vocês que acompanham meu blog. Que vocês possam sempre estudar mais, aprender mais e até
ensinar mais. Somos todos irmãos e apesar de minhas falhas, desejos a todos tudo de bom e uma boa reflexão sobre todos os temas postados aqui!

Grato á todos pela particípação e pela visita em meu blog em mais um ano ! Fiquem com Deus!

Shalom!

sábado, 27 de outubro de 2012

A história de Jerusalém

                                                                                                   Jerusalém e a guerra dos deuses
Cidade sagrada para árabes, judeus e cristãos, Jerusalém, graças ao seu poder simbólico, tem sido historicamente palco de terríveis guerras e massacres entre os seguidores de Deus, de Jeová e de Alá. Leia a seguir uma síntese do milenar combate entre os deuses pela posse dos lugares santos.

Imaginem um jardim situado entre dois desertos e próximo a um mar que não tem vida, o Mar Morto. Ao sul dele espalha-se o terrível Neguev e, ao oriente, as áridas areias avermelhadas da Judéia. A escassa água que por ele corre tornou-se através dos séculos motivo de lutas entre todos os povos vindos das terras escaldantes dos arredores. Além disso, entre os ciprestes e rochas que se espalham pelos Montes de Sion, Scopus, Moriah e Oliveiras, encontram-se inúmeras grutas e cavernas que todos supõem serem sagradas.

De pedra cinza-claro, a beleza e mistériodelas exerceu sempre um espantoso efeito de atração sobre
os habitantes da antiga Canaã.Pensavam que por aquelas aberturas  naturais feitas na rochas os deuses enviavam-lhes augúrios ou advertências.Eram, diziam, as gargantas dos deuses.
Os ruídos e estranhos sons por elas omitidos somente cabia aos profetas e aos iluminados de Deus entender.
 

A capital das 12 tribos

Bem ali, em meio àquele desconsolo de pedras e areia que cercava um riacho, envolvida por um ar de magia e fé, formou-se Jerusalém! Num dos seus primeiros momentos, as lutas pela sua posse entre filisteus politeístas e monoteístas hebreus, conduziram a que o rei Davi, o sucessor de Saul, conquistasse-a dos jebusianos. Supõe-se que ao redor do ano 1000 a.C., o rei-pastor consagrou-a como a capital de todas as 12 tribos de Israel. Sucedido em 970 a.C. pelo seu magnífico filho, o sábio rei Salomão, com seus tributos de 666 talentos de ouro, com quatro mil estábulos para os seus 12 mil cavalos, Jerusalém tornou-se a digna morada de Jeová, em honra de quem o lendário rei, trazendo cedros do Líbano, reformou o Primeiro Templo. O deus dos hebreus deixava de ser uma divindade dos desertos para ir habitar um grande centro. Confirmação da magnificência do poder e da sabedoria do grande rei foi a visita que lhe fez a tão celebrada e bela rainha de Sabá.




Da idade do ouro ao cativeiro

Aqueles bons tempos idílicos do povo de Israel, quando Jeová reinou poderosamente sobre as terras da Palestina, vivem até hoje na memória dos judeus. Foi sua Era de Ouro. Mas então pairou sobre eles uma enorme nuvem vinda do Oriente. A era das delícias encerrou-se bruscamente em 597 a.C., quando o rei babilônio Nabucodonosor II marchou contra Jerusalém. Conforme as terríveis previsões do profeta Ezequiel, que prognosticou a catástrofe, Naburzadã, o general babilônico, para sufocar a revolta de Sedecias, destruiu o templo sagrado e pulverizou a capital no ano de 586 a.C.. Os seus habitantes viram-se reduzidos à escravidão. Os templos e os céus daquela Cidade Santa esvaziaram-se, enquanto a parte mais aquinhoada do povo hebreu foi levada em cativeiro para a Babilônia.



Ciro ordena a reconstrução

Ciro, o Grande, rei dos persas, o conquistador da Babilônia, condoído com a situação dos judeus escravizados, decidiu permitir que o povo de Jeová, então agrilhoado àquela grande cidade, retornasse ao seu sítio. Pelo decreto real de 538 a.C., autorizou a saída dos hebreus de lá e sua reinstalação na Palestina. De volta à sua antiga capital, o rei permitiu que o altar dos holocaustos fosse novamente erguido. O alto comissário persa Zorobabel e o supremo sacerdote Josué supervisionaram então o reerguimento do Segundo Templo(obra que imagina-se ter-se iniciada ao redor do ano de 520 a.C.). Com ele restaurado, os persas manifestaram a sua intenção estratégica de fixar os hebreus recém-retornados libertos do cativeiro da Babilônia para que servissem como uma forte barreira contra os egípcios, inimigos do grande rei.

Macabeu contra Zeus

Dois séculos mais tarde, foram os deuses olímpicos que vieram atormentar o remanso de Jeová. Zeus e Marte trazidos em 332 a.C. nas pontas das lanças das falanges de Alexandre, o Grande, tomaram de assalto a cidade sagrada. A política de tolerância religiosa do afamado conquistador macedônico, porém, não foi seguida pelos seus sucessores. Antíoco Epifanes, um inábil governante, exigiu que Zeus fosse cultuado dentro do templo, enquanto proibia aos judeus de praticar os seus ofícios. O resultado não se fez esperar. Em 168 a.C., eclodiu a terrível rebelião dos macabeus. Primeiro foi o sacerdote ancião Matatias, o Hasmodeu quem comandou a resistência, em seguida foi seu filho Judas, o Macabeu ("o martelo") que liderou a revolta até que Zeus e Marte fossem expulsos dos altares do Templo de Jerusalém. Depois, devidamente purificados, instituiu-se a festa da Hanucá, a "festa das luzes".

A política de Herodes

Nem bem o todo-poderoso do monte Olímpico retirara-se de Jerusalém quando, em 63 a.C., chegou a vez Júpiter Capitolino lá ir assentar-se. Dessa vez o novo deus viera trazido pelas poderosas legiões romanas de Pompeu.
 
Percebendo que a sobrevivência de um estado hebreu seria impossível sem o apoio de Roma, o rei Herodes, também um Hasmodeu, o tão odiado tirano das lendas cristãs, resolveu submeter-se ao novo poder emergente. O Reino de Israel, de 37 a.C. a sete d.C., tornou-se um estado vassalo dos césares. O soberano governante não sentiu nenhum pudor em batizar uma série de localidades hebréias com nomes romanos (tais como o porto de Cesaréia ou o Lago Tiberíades), afirmando publicamente aquela subordinação.

Foi por essa época, da aliança entre Jeová dos judeus e Júpiter Capitolino dos romanos que uma seita de camponeses, pastores e alguns pescadores floresceu na Galiléia, aproximando-se depois para as cercanias da cidade.

Jesus Cristo

Eles seguiam um pregador milagroso de Nazaré chamado Jesus. Para os crentes, era evidente que aquele homem santo tratava-se do tão esperado messias, o salvador, anunciado pelo profeta Elias. Apesar de ter concentrado sua atividade ao redor do Mar da Galiléia (Lago Tiberíades), Jesus Cristo percebeu que a grande batalha se daria com a conversão de Jerusalém. A qual ele também previu maus agouros. Quando ele saía do Templo em Jerusalém e os discípulos mostravam-lhe as construções do grande edifício, ele lhes disse; "Estais vendo tudo isto? Em verdade vos digo: não ficará pedra sobre pedra que não seja demolida"(Mateus, 24). Numa das páscoas, ele fizera uma entrada triunfal na cidade sagrada, onde a multidão o acolheu com palmas. Mas foi só. Os demais hebreus, principalmente os sacerdotes do Sinédrio, viram-no como um herético, um desordeiro.



Julgado e crucificado

"Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados, quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos... e não o quiseste!"
Jesus Cristo (Mateus, 23)

 

 
Denunciado à autoridade romana ("Em verdade, em verdade, vos digo: um de vós me entregará"- João,13), preso e acusado, levaram-no perante a Anás, e ao Sumo Sacerdote Caifás, que, por sua vez, o conduzem ao pretório do procurador romano Pôncio Pilatos. Apontaram-no como um agente da dissolução religiosa por se fazer passar como filho de Deus. Jesus Cristo, após ser flagelado e ridicularizado pela guarda romana e ter percorrido doloroso calvário pelas ruelas de Jerusalém, foi crucificado no Gólgota, no "Lugar da Caveira", provavelmente no ano de 33. Renascido depois de três dias, fez por estimular os seus discípulos, Pedro e depois Paulo, a levar a boa nova, da eminente chegada do Reino dos Céus, para bem mais longe de Jerusalém, para a Grécia, para Roma, afim de converter os gentios.

A rebelião dos judeus

No ano de 66, a sempre tensa paz entre romanos e hebreus foi rompida. Milhares deles, a partir de Cesaréia, durante quase quatro anos, pegaram em armas numa tentativa inútil de expulsar os funcionários de César da terra prometida. A vingança de Júpiter Capitolino foi terrível. Em 70, o general romano Tito, obedecendo as ordens do seu pai Vespasiano, enviados ambos à Palestina para reestabelecer a ordem imperial, assaltou Jerusalém, e incendiou e arrasou o templo, não sem antes promover-lhe o saque completo. Deu-se assim a segunda destruição do templo, separada da primeira, executada pelos babilônicos fazia quase 600 anos atrás. No arco comemorativo de Tito, erguido em Roma,
celebrando o episódio, pode-se ver num dos frisos o desfile dos troféus pilhados pelos romanos. Entre eles, o enorme Candelabro de Hanuká, o das sete velas, carregado pelos vitoriosos. A destruição do templo desarticulou o povo hebreu. Doravante o seu único amparo viria do Livro, das rezas e das súplicas.
 

Os hebreus, gente sem terra, sem templo e sem rei, a partir de então, principalmente depois do fracasso do levante de Bar Kokhba (esmagado pelo general romano Julius Severus no ano de 135), passaram a ser referidos como judeus. Marcados como um povo danado, obrigado a errar para cá e para lá aos sabores do acaso. Espalharam-se. Jeová, reduzido ao nomadismo dos tempos das tribos de Israel, rumou então para a longa diáspora que se estendeu por dezenove séculos. Nesse tempo todo virou um errático, num deus quase clandestino, cultuado muitas vezes à socapa. Cumpria-se, assim diziam, coletivamente, a maldição que Jesus teria lançado sobre o sapateiro Aasverus de Jerusalém o qual, negando-se a dar-lhe apoio quando cambaleava indo com a cruz para o Gólgota, foi condenado a vagar pelo mundo sem lar e sem sepultura por toda a eternidade.

Enquanto isso, a cidade de Jerusalém transformou-se num quartel romano. O imperador Adriano, que a visitou no ano de 131, chamou-a de Aelia Capitolina.


Jerusalém cristã

Entrementes, o Cristianismo ganhava adeptos em Roma e em Bizâncio, ofuscando Júpiter Capitolino. O mundo pagão declinava e o dos seguidores de Jesus ascendia. Jerusalém, quase deserta, empobrecida e abandonada por todos, foi salva do mais completo desconsolo pela conversão do imperador Constantino, o Grande (ocorrida em 312). Foi Helena, a imperatriz-mãe, uma fervorosa adepta da nova religião, quem lá chegando atrás da cruz, providenciou o reconhecimento dos lugares santos por onde Jesus passara e sofrera, restaurando o trajeto do calvário e mandando erguer a Igreja do Santo Sepulcro. Assim por meio de uma série de obras piedosas fizeram com que dali em diante Jerusalém também se tornasse um lugar de devoção dos cristãos. Os seus portões passaram então a abrir-se, acolhendo as levas de peregrinos recém-convertidos à nova fé do Império Romano.

A chegada de Alá
Tudo parecia indicar que Jerusalém, com o banimentos dos judeus, daria abrigo perpétuo ao deus cristão. Então um novo e empolgante deus emergiu dos desertos da Arábia, logo trazido até a Palestina pelas cimitarras dos beduínos. Foi a vez de Alá deslocar o deus cristão, instalando-se na cidade santa pelas mãos do califa Omar, que a ocupou em 636. Em pouco tempo, os minaretes dominaram a paisagem. Não demorou muito para que o grande edifício da Esplanada da Mesquita, com sua maravilhosa cúpula dourada - que brilha como um sol no seu esplendor -, afirmasse que dali em diante a Palestina inteira deveria seguir os ensinamentos do profeta. Construíram-na sobre o Monte Moriah, bem sobre a pedra em que o patriarca Abrãao teria feito o sacrifício do seu filho Isaac e de onde, bem mais tarde, o espírito de Maomé erguera-se em direção ao além.


Maomé e os hebreus

 
O profeta Maomé, num primeiro momento ainda em Medina, pensava ordenar aos seguidores que fizessem a qibla, a orientação das suas preces, na direção de Jerusalém. O motivo era que lá também celebrava-se um só deus, o "Mericordioso", como tantas vezes os hebreus testemunhavam. Mas os judeus de Medina zombaram da nova fé. Maomé lhes moveu guerra e os submeteu a um imposto. Isso não o impediu que, quando Alá o avisou da proximidade da sua morte, ele ter feito uma longa cavalgada noturna de Meca a Jerusalém para ir dali direto ao Sétimo Céu, para um encontro com o Eterno. O califa Omar ( não se sabe se Omar I, ou Omar II, que governou de 717 a 720) porém, uns tempos depois, elaborou para o "Povo do Livro" um estatuto melhor, tornando-os seus protegidos ( dimis). Desde que aceitassem o domínio do Islã poderiam manter a sua liberdade religiosa, ainda que sob certas restrições.


Jerusalém, três vezes sagrada

Dessa forma, com a conquista árabe, o polígono amuralhado da cidade que já abrigava o deus dos cristãos e o pouco do que restara de Jeová, passou a celebrar doravante o poderoso Alá. Assim, desde o século VII, Jerusalém tornou-se triplamente sagrada: era o repouso da Arca Sagrada dos judeus, a Cidade Santa dos cristãos, e o santuário dos islâmicos. Em cada uma das suas pedras havia a lembrança de uma história, em cada esquina ou sobrado dera-se uma aparição, ora era um anjo muçulmano, um arcanjo cristão, ou ainda uma assombração para um rabino. Em cada uma das suas inúmeras ruelas passara um homem santo, um profeta ou um provável messias. Jerusalém inteira e seus arredores estava coberta de sinais da santificação, do miraculoso, do inescrutável, do sobrenatural. Para as três grandes religiões, era o vestíbulo dos céus, um prévio entreposto humano antes da chegada do reino de deus.

As Cruzadas

 
No século XI, uma tribo de turcos seljúcidas, recém-convertidos ao islamismo, deu-se a cercear as peregrinações feitas pelos cristãos. Tal atitude fez por provocar um furor inaudito no papado e na nobreza européia, fazendo com que Jerusalém terminasse por ser conquistada por eles. Em 1099, um arrogante deus da cristandade, invocado pelo Papa Urbano II e protegido pelas cotas de malhas e pelos espadões dos cruzados, trazidos por Godofredo de Bouillon, Balduino e Tancredo, voltou a pôr os pés na cidade sagrada, esmagando as forças de Alá e os sobreviventes de Jeová. As estreitas ruas de Jerusalém viraram riachos de sangue. E não foi em sentido figurativo. Depois que os mandados de Godofredo abriram uma brecha no Portão de Herodes, nem os animais domésticos dos infiéis foram poupados pelos invasores. Na ocasião, os cristãos fanatizados perpetraram um massacre de tais proporções que estremeceram para sempre as relações entre cristãos, os opressores, e os muçulmanos e judeus, as vítimas. Nunca tanta hediondez fora cometida em nome de Cristo.


A tolerância de Saladino

 
Em 1187, Saladino, sultão do Egito e da Síria, estimulando todo o povo árabe à Jihad, a um levante sagrado contra os cristãos, conseguiu, graças as suas habilidades guerreiras e às artimanhas diplomáticas, retomá-la dos cruzados. Demorara 88 anos para que um muçulmano voltasse a pôr os pés na no Haram As-Sharif, o monte onde se encontra a Grande Mesquita em Jerusalém. Em seguida, permitiu que os judeus para lá voltassem. Alá, então, foi misericordioso com o povo de Jeová, aceitou que lá abrissem a sinagoga de Ben Najmam em 1267. Mais tarde, com a proteção da Sublime Porta Otomana, Alá reinou quase que absoluto na Cidade Santa por sete séculos seguidos, até a chegada das tropas britânicas. Em 1918, sob o comando do general Allenby, a cidade sagrada foi resgatada dos turcos. Então deu-se a vez do deus cristão voltar a dominar.

O retorno de Jeová
 
 
Jeová enquanto isso preparava-se para voltar. Depois de ter padecido nas mãos da Inquisição do Santo Ofício, de ter sido humilhado nos pogroms dos cristãos ortodoxos no leste europeu, e de ter sido quase exterminado pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial, o deus dos judeus começou seu caminho de retorno a Jerusalém. Em cinco de maio de 1948 fundou-se o Estado de Israel. Hoje, é Jeová quem conta com o apoio do seu antigo algoz, o Deus da cristandade, em sua luta contra Alá. Desde então, há mais de meio século, Jerusalém voltou a ser palco de intensas disputas. Os israelenses querem-na por inteiro pelo seu simbolismo, por representar a sua unidade, por ter sido a antiga capital das 12 tribos de Israel. Os árabes, por sua vez, sofrem pesadelos em imaginar que a Esplanada do Templo, da sacrossanta Al Aqsa Mosque, possa vir a cair definitivamente nas mãos dos israelenses. E assim se encontra até hoje a Cidade Santa. O que deveria ser o exemplo da concórdia e da tolerância entre os homens do mundo inteiro tornou-se o seu contrário.


Shalom!
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