quarta-feira, 5 de março de 2014

O problema do velho testamento

O Problema do Velho testamento
por: Ronaldo Gomes

Depois de haver feito uma analise critica do novo testamento, nada mais justo que fazer também uma analise critica do velho testamento e seus problemas. Uma vez que muitas pessoas ignoram o contexto do velho testamento, como a época em que foi escrito, por quem foi escrito e sobretudo para quem foi escrito, os judeus. Muitos querem utilizar o velho testamento como se ele tivesse sido escrito hoje, e fosse universal, e na verdade não é bem assim. O velho testamento é composto de livros inspirados e também de livros históricos, que narram um período histórico de um povo, de livros sábios, de fábulas , e de livros proféticos, isto é, de revelações divinas de Deus através de seus servos, os profetas.

E este é justamente o problema. Por falta de estudo e/ou conhecimento, muitos pensam que o velho testamento é todo histórico, real e divino, e na verdade não é bem assim. O próprio judaísmo admite que boa tarde do velho testamento possui fábulas, assim como Paulo menciona em sua epístola, o que ele chama de fábulas judaicas. Isto acontece porque o velho testamento começou a ser escrito por tradições orais, de um povo até então, não monoteísta  e que sofria muita influencia de outros povos e culturas.

Após a primeira diáspora dos judeus na Babilônia, ao retornarem, os hebreus viram a necessidade de restaurarem seus livros sagrados e sua religião. Esdras e Neemias iniciaram então uma grande reforma religiosa e a leitura solene do livro da lei. Mas como não tinham certeza de tudo colocavam o que achavam, e é por isso que vemos passagens repetidas e algumas até contraditórias no VT. 

O livro de Samuel por exemplo, é campeão de duplicatas. David conheceu Saul duas vezes, uma vez tocando a harpa, outra matando o gigante; David foge duas vezes para a montanha fugindo do rei Saul no que parece ser o mesmo episódio e por ai vai. isso acontece porque quando reconstituiram o livro já não sabiam mais qual das versões era a original.

"Assim Davi veio a Saul, e esteve perante ele, e o amou muito, e foi seu pajem de armas. Então Saul mandou dizer a Jessé: Deixa estar a Davi perante mim, pois achou graça em meus olhos" 1Sm 16,21-22  (aqui Saul conheceu David e seu pai)
"E disse-lhe Saul: De quem és filho, jovem? E disse Davi: Filho de teu servo Jessé, belemita" 1Sm 17,58 (aqui Saul pergunta quem é o pai de David e no capítulo seguinte não deixa mais que ele retorna para casa, coisa que já tinha feito no capítulo 16)


Veremos a seguir.

O velho testamento é divido da seguinte forma:
   
- Torá/Lei ou Pentateuco
- Históricos
- Sábios
- Profetas

Para os judeus essa divisão é trina, sendo lei, escritos e profetas. Daí vem o acróstico em hebraico TaNaK sendo o T de Torá (lei), o N de Neviim (profetas)  e o K de Ketuvim (escritos).
Agora vamos analisar individualmente cada um desses grupos.

A TORÁ

A Torá possui cinco livros, Gênesis, êxodo, levitico, números e deuteronômio. Apesar de serem todos considerados Torá/Lei, não é bem assim. O livro de gênesis, por exemplo, não é a Lei, na verdade ele é anterior a lei. Atribui-se sua autoria Moisés, mas todas as narrativas de gênesis são anteriores a Moisés, o que nos leva a crer que Moisés escreveu o que aprendera com os anciãos de Israel. A primeira narrativa de gênesis, por exemplo, chama a Deus de Elohim, porque antes da revelação do Sinai, os hebreus ainda não sabiam o nome do Eterno, o famoso tetragrama sagrado. Pós Moisés, o eterno passou a ser chamado de IHWH. A partir disto, os teólogos e historiadores definem suas narrativas em duas:

- A de tradição Eloinista, por causa do titulo Elohim

- A de tradição Javista, por causa do tetragrama.

As tradições anteriores a Moisés não podem ser consideradas revelações divinas, uma vez que são histórias anteriores a Moisés que o povo hebreu na maioria das vezes absorveu de outros povos. Desde a narrativa de Adão e Eva até a suposta arca de Noé.

A tradição judaica não atribui como históricas essas narrativas, mas a maioria dos cristãos discorda. E ai temos alguns problemas. Adão e Eva por exemplo:

Segundo a narrativa bíblica, eles foram os primeiros seres humanos criados e responsáveis por todo o povoamento da terra. É difícil atribuir á apenas um casal todo o povoamento da terra, uma vez que pela lógica cronológica das gerações de Adão até Abraão por exemplo, já haviam na terra outras civilizações na mesma época de Adão e Eva, fazendo construções enormes como as pirâmides do Egito e América central, bem antes de Adão e Eva. E como explicar o surgimento dessas civilizações, principalmente as da América central, uma vez que o homem do mundo antigo não cruzava oceanos? Como surgiu o índio nas Américas?  Realmente não bate. A tradição judaica explica que Deus fez um casal de seres humanos em todos os pontos da terra, o que é bem mais coerente.

A serpente diz a Eva que se ela comer do fruto proibido, eles não morreriam, mas seus olhos se abririam, sendo que, segundo a narrativa,  Deus advertira a Eva que eles morreriam se comessem do fruto. Eva prova do fruto e da para Adão, e ambos não morrem. Então se formos tomar como literal esta história, teremos que admitir que Deus mentiu e a serpente não. Estranho não?

Fora que serpentes não falam, o que deixa claro a qualquer pessoa sensata que se trata de uma fábula. Uma parábola apenas. Mas como Paulo, “o maior dos apóstolos” a citou como verídica no NT, presumem ser real. 

Outro fator que notamos é que esta história não é original dos hebreus, mas na verdade existem inúmeros relatos semelhantes, alguns até idênticos de povos anteriores aos hebreus, o que explica o que disse acima, a influência que os outros povos tiveram nos hebreus antigos. A árvore da vida dos nórdicos, hagnarok que possuía uma serpente que trazia o conhecimento ao homem, ou a árvore do conhecimento Maia, e muitas outras, sempre com uma serpente, são semelhantes a narrada no gênesis.

Em seguida Adão e Eva, ao serem expulsos do paraíso tem dois filhos, Caim e Abel. Ocorre então o primeiro homicídio e Caim assassina seu irmão. Apesar de só terem sobrado três pessoas na terra, a saber: Adão, Eva e Caim, Deus lhe coloca uma marca para que ninguém lhe fizesse mal pelo caminho. Quem ia fazer mal para ele se só tinham três pessoas? E a bíblia vai mais além, diz que el foi para a terra de nod, que estranhamente já existia, e se casou!!! Com quem Caim se casou? Como foi repovoada a terra? Através de incestos como defendem alguns evangélicos? Fora que Adão depois teve mais um filho, um varão, set. E com quem Set teve relações sexuais para procriar? Com sua mãe? Com uma suposta irmã que Adão e Eva tiveram depois? Hoje a medicina sabe que relações incestuosas geram esterilidade, e muitas vezes deformidade, impossibilitando qualquer uma dessas teorias.

Notaram que quando se toma literalmente uma fábula, torna-se Deus um ser ingênuo?



Depois vem a narrativa do dilúvio, narrativa que quase todas as civilizações do mundo antigo narraram, mas como figura na bíblia, todos acreditam ser original dos Hebreus. A placa de Hamurabi, a mais antiga escrita do homem já narra uma história idêntica, no mito de EnKi, que salva sua família de um dilúvio de proporções globais. No mito de Atlântida de Platão, a humanidade junto com esta suposta cidade foi destruída quando as águas cobriram a terra em um grande dilúvio. Textos hindus de milênios antes de Cristo também narram um dilúvio, assim como antigos escritos chineses da cidade proibida. E ai? Qual é o original? O de Noé só porque esta na bíblia? Existem mais de 500, eu disse 500 relatos de dilúvios em todas as civilizações do mundo antigo.

Fora que segundo a bíblia Noé salvou todos os animais da terra. Difícil imaginar que em uma arca caberiam tantas espécies, sobretudo que algumas sobreviveriam pois são de climas diferentes como os pingüins ou um urso polar por exemplo.

Mas esta parábola, fascina tanto que foi e é utilizada para justificar preconceitos como conceito teológico. Noé teve três filhos, Sem que deu origem aos semitas, ou morenos. Cãn que deu origem aos negros, e Jafé que deu origem aos brancos, segundo a bíblia. Estes nomes surgiram devido as três etnias que os hebreus conheciam em sua época, os brancos ao norte (Europa) os negros ao sul (África) e eles mesmos, os mouros. Por isso que cada nome significa uma raça. Não por terem sido pessoas reais, mas por serem representações alegóricas de povos, etnias.

Mas como Noé amaldiçoou os descendentes de Cãn, isso sempre foi utilizado para justificar teologicamente o preconceito racial, contra os negros, por mera ignorância ou tendenciosidade mesmo. Que na verdade não tem nada a ver.




A LEI E DEUTERÔNOMIO

O livro de deuteronômio, apesar de ser atribuído a Moisés, não tem como ser dele. Este livro parece ser apenas uma recapitulação da lei. Alguns acreditam que ele foi escrito por Josué, sucessor de Moisés, outros que foi escrito por Esdras, e outros pelos anciãos de Israel. E porque não Moisés?

Porque primeiro, o livro narra a morte de Moisés e continua. Não tem como Moisés ter narrado sua própria morte, é obvio! Segundo que a maioria de suas leis, são apenas repetições dos livros anteriores, e outras, provavelmente foram criadas pelos hebreus mesmo na época e eles atribuiam a Deus.

Então lei mesmo, só podemos considerar três livros, êxodo, levitico e números, e mesmo êxodo, tem todo um conteúdo histórico em sua primeira parte, que narra a saída do povo hebreu do Egito, portanto este livro mistura história e lei.

A lei, como já disse em outras postagens, faz parte de um pacto sagrado entre Deus e um povo. Os sábios judeus dizem até que as tabuas da lei foram escritas em uma tabua apenas os dez mandamentos e na outra uma cópia, como um contrato que possui duas vias. Um contrato entre um Deus e um povo. E nesse contrato Deus não manda os outros seguirem ou fazerem parte. Foi entre Deus e seu povo. 

Nabucodonossor, Ciro, Raabe etc... são alguns personagens que sempre cito que agradaram a Deus e nunca foram nem sequer coagidos a se converterem ao judaísmo, porque Deus não fez um acordo com eles, fez com seu povo e seus descendentes. Engraçado que hoje muitas pessoas querem empurrar este contrato goela abaixo nos outros como se fosse para todos. Como eu disse na postagem anterior, foi o que fizeram com os negros.

OS HiSTÓRICOS

A serpente em uma haste de Moisés, é a
mesma dos gregos de mercúrio ou esculápio
e sempre foi o símbolo da medicina
Os livros históricos, como o nome já diz, são histórias, crônicas de um povo. O povo hebreu, pós Moisés, era muito devoto a Deus e era comum eles atribuírem tudo a Deus, mesmo que nós saibamos que a revelação terminou na Torá até os profetas, eles atribuíam, de acordo com sua crença, tudo a Deus. E é por isso que hoje surgem estas teorias de que o Deus do antigo testamento não era Deus.

Josué estava conduzindo um povo difícil e rebelde a terra prometida. Claro que no caminho eles encontravam povos bárbaros e hostis, que os viam como escravos foragidos do Egito. Josué então para encorajar o povo exortava a fé. A fé de que Deus iria ajuda-los a vencer todos estes povos no caminho. E então toda guerra, toda briga, toda disputa acabou sendo atribuída a Deus. Ai hoje as pessoas lêem e se chocam com o “sanguinário” deus do velho testamento, e tudo porque elas acreditam que os livros históricos são divinos. Vou citar um exemplo:

Na guerra civil Americana, o norte guerreou contra os estados separatistas do Sul dos EUA. O norte acreditava que tinha a missão divina de lutar pela independência americana e abolição da escravatura. O sul, por sua vez, acreditava que a escravidão era apoiada por Deus e tinha também a missão divina de mantê-la para manterem sua economia. Os dois lados usavam Deus para justificar sua causa a ambos atribuiriam a vitória a deus. É isso que acontece com os livros históricos. Os hebreus usavam da fé para respaldar suas guerras e atribuíam tudo a Deus.

O PROBLEMA DE JUIZES

simbolo presente em todas as culturas com a mesma hitória de origem, uma serpente

Todos sabemos que Israel não teve doze juízes, mas na verdade foram no máximo sete ou oito. Mas no livro de juízes nós temos doze juízes. Por que? Porque doze era um número sagrado para os judeus, como as doze tribos de Israel. Quando o livro de Juizes foi sendo reconstituído, eles iam colocando personagens para preencher o número de doze. Alguns não foram juízes de Israel, como Abimeleque que era apenas um valente guerreiro. Outros eles não tinham certeza. E outros eram fábulas que ouviam de seus pais, e que acabaram entrando como históricas, como o caso de Sansão. Não existe nenhuma evidência histórica, arqueológica ou teológica da existência de Sansão. O judaísmo mesmo considera esta personagem um mito apenas.

Um homem que parece mais um semi-deus grego, com força de mil homens, que matava mil filisteus com uma queixada de burro, e que sua força vinha de seus cabelos. Estranho que só figura na bíblia, pois um homem desses deveria ter sido narrado por vários povos, ou pelo menos suas façanhas. Mas só figura na bíblia e somente após a reconstituição do livro de juízes.

sansão, personagem semelhante aos semi-deuses gregos como Hércules
Recentemente quando disse isto a um irmão, e só faltei ser apedrejado. Porque se esta na bíblia, é real e ai de quem contextar!

OS LIVROS SÁBIOS

Os livros sábios, como o próprio nome diz, são livros de filosofia onde o leitor deve absorver algum tipo de conhecimento elevado. São: Salmos, Provérbios, eclesiastes e Jó. Lembre-se que não são históricos ou proféticos, mas sábios.

Os salmos desde o começo do cristianismo, são utilizados como se fossem profecias de David sobre o messias. David nunca foi profeta. Na verdade seus salmos eram muitas coisas, desde lamentos até louvores, mas não profecias. Mas como existe um número muito grande de salmos, 150, compondo o maior livro da bíblia, é muito fácil utilizar-se desse livro para respaldar algo. Seja La o que for que você quer respaldar, é só procurar nos salmos que você vai achar um versículo para respaldar, mesmo que no contexto o versículo não diga isso. Se eu quiser dizer, por exemplo que Deus não existe, eu posso isolar um versículo de um salmo e dizer: Deus não existe Sl 10,4. Pronto!. Muitos estudos protestantes são assim, cheios de versículos isolados de salmos pra respaldar algo.

O PROBLEMA DE JÓ

Jó era tão bom, mas tão bom, que quando ele ia oferecer um sacrifício para Deus caso tenha pecado, ele oferecia pelos filhos também, caso eles viessem a pecar. Puxa vida! Esse homem não existe, tamanha fé e devoção! Mas ai Deus, sendo tentado pelo diabo, mesmo a bíblia dizendo que Deus não pode ser tentado, faz uma aposta com o diabo, mesmo sendo Deus onisciente , ele aposta com o diabo sobre a fé de Jó e lhe tira tudo: A mulher, os filhos e os bens. Mas,....devolve-lhe tudo em dobro!! O que? E a dor de perder todos os filhos? E a saudade? É só dar outros e pronto? E tudo por uma aposta entre Deus e o diabo?? Fala sério!

O livro de Jó não possui autor. Uns pensaram ser Moisés, outros Salomão, mas ninguém sabe quem o escreveu. O livro não situa um Rei, uma época, nada. Por que? Porque é só uma fábula judaica. Tomar este livro literalmente envolve todos estes problemas citados, que são um prato cheio para os ateus. Fora que isto transforma Deus em um monstro! É o primeiro livro que satanás aparece na escritura. A lição que o livro quer ensinar é a relação de Deus com o sofrimento humano, e a fé mesmo ante as dificuldades. Mas a maioria toma este livro como literal e o utiliza como base teológica.

O livro cita seres mitológicos como behemot, lilith, e leviatã. É muito utilizado por crenças pessoais como os espíritas.

Ah, mas Jesus citava alguns destes personagens- dizem! Jesus falava por parábolas. Eles mesmo contou inúmeras parábolas. Da mesma forma pode ter se utilizado das parábolas de seu povo para ilustrar algo. Eu não posso tomar uma parábola como literal, senão significaria mesmo que o Reino dos céus é uma semente de mostarda!

OS DOZE PROFETAS

Os profetas são considerados livros divinos e inspirados, e compõem um quadro dramático dos profetas de Deus. Abrangem um longo período bíblico  desde os reis de Israel até o retorno da Babilônia.

Não vejo problema nos livros proféticos (exceto Jonas), mas problemas na interpretação que alguns dão a eles. Os profetas, assim como seus oráculos tinham um fim especifico, para o seu povo e para sua época. A maioria ignora isto. Como por exemplo, Daniel:

Daniel profetizou setenta semanas para seu povo e para sua cidade santa. Muitos pastores dizem que sua profecia é para nós, que é para a igreja de hoje de mais de três mil anos depois. Isolam a ultima semana e dizem que é um evento global para um futuro bem distante. Daniel não disse nada disso, mas eles usam este oráculo para respaldarem seus estudos de anti-cristo e fim do mundo.



Esse é o problema. Como já disse em alguns vídeos, certas expressões judaicas são exclusivas mesmo como os últimos dias. Cada vez que a bíblia cita os últimos dias, esta se referindo aos últimos dias de Israel. Ai você vê nos estudos eles dizendo: “Estão vendo, Deus falou que nos últimos dias aconteceria isso”. Basta ver hebreus capitulo 1, que Jesus veio no últimos dias.

1 Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho,Hb1,1

Quando se contextualiza, nota-se que não se refere a nossa época!


Ai o profeta fala de guerras, morte etc...e já jogam para nossa época. Em todas as épocas existem guerras! Em todas as épocas existem terremotos, epidemias e mortes. Tem que se contextualizar o texto e ver para quem o profeta esta direcionando a profecia.

Esse é o problemas da falta de estudo que vejo hoje que cada vez mais subdivide a igreja cristã e cada vez mais da força para teorias malucas de conspiração. Se eu quiser respaldar uma teoria é só eu pegar um versículo de um profeta e dizer: “Estão vendo? Foi profetizado”! é lamentável!

Este é um resumo rápido e pessoal meu. Como eu trabalho, não da para me estender muito. Mas em um ponto eu concordo com Paulo: "Não de ouvidos a fábulas judaicas" (1 Tm 1,4).Qualquer duvida ou pergunta estarei sempre disposto a responder e auxiliar. Grato pela visita e paz a todos! Em breve mais textos!

Ronaldo



terça-feira, 4 de março de 2014

Porque os judeus não aceitam Jesus - O problema do NT

O problema do novo testamento

Muitas pessoas me perguntam o porque o judeus não aceitam Jesus como messias. Isto acontece porque os judeus são testemunhas oculares da história e não tem como base o novo testamento, eles não aceitam o novo testamento. A não aceitação dos judeus não é de hoje, é desde a época de Jesus mesmo. Mas quando um cristão lê o novo testamento, ele pensa: “Nossa, como os judeus são hereges! Jesus cumpriu todas as profecias e mesmo assim eles não aceitam, são cegos!”. Ai que esta o maior problema, o novo testamento e como ele foi construído. Se todos que lêem o novo testamento, lessem cada citação que o mesmo faz do velho testamento começaria a entender os judeus.

O novo testamento cita inúmeras profecias que Jesus cumpriu, fascinando os leitores e levando eles a crerem cada vez mais na sua autenticidade. Legal! Mas o problema é que a maioria das profecias que o novo testamento cita, não são profecias. A maioria são versículos isolados, fora do contexto, e algumas nem sequer existem. Em Mateus por exemplo, a sagrada família retorna do Egito para cumprir uma profecia que diz: “Do Egito chamei meu filho”. Mas quando nós vamos ver esta suposta profecia que se encontra em Oséias, diz: “Quando Israel era menino eu o amei, e do Egito tirei meu filho e nunca mais retornarão para lá”. Ou seja, não é uma profecia. Deus esta se referindo a Israel e ainda diz que eles não voltariam mais para La.


Isaias nunca profetizou um nascimento virginal, apenas deu
um sinal para o Rei Acaz
Mas como a maioria apenas lê o novo testamento, eles talvez inocentemente acreditam mesmo que ali Jesus esta cumprindo uma profecia, e a maioria nem sequer tem o trabalho de ler a suposta profecia. Alguns lêem apenas o versículo isolado “do Egito chamei meu filho”  pronto. É uma profecia cumprida. E isso acontece em todo o novo testamento, nem precisa ir muito longe. A profecia de Isaias 7 de uma suposta virgem que foi um sinal para o rei Acaz, figura no novo testamento como uma profecia cumprida no nascimento de Jesus, e isso é aceito pela maioria cristã, ainda que Isaias não tenha dito nada disto. Este é o problema e a diferença. Mas inúmeros estudos mostram tabelas mostrando que Jesus cumpriu todas as profecias do antigo testamento. Pegam versículos aleatórios e citam como se fosse uma profecia que Jesus esta cumprindo. por exemplo: David estava sendo perseguido pelo Rei Saul e escreveu em um salmo: "Cães me rodeiam", isto já figura como se David estivesse profetizando que o messias seria perseguido pelos fariseus. Mas David não foi profeta e ao ler o restante do salmo vemos que david estava falando de sí mesmo e da situação que estava passando. Mas como o NT cita como profecia, a maioria não observa nem sequer o salmo inteiro. 
  

O novo testamento, por exemplo cita um oráculo de Zacarias 13 como sendo uma profecia messiânica, onde diz: "Espada, fere meu pastor e as ovelhas serão dispersadas" . Mas quando a gente lê o contexto, vemos que isso não é uma profecia, mas uma punição para um mau pastor. Na verdade Deus esta condenando este pastor com a espada dizendo: 

"Espada, levanta-te contra meu pastor, e contra o homem meu companheiro. oráculo de Deus dos exércitos. Fere o pastor que as ovelhas sejam dispersadas! Eu voltarei minha mão contra os pequenos." Zc 13, 7

Se voltarmos alguns versículos apenas vemos que o pastor que Zacarias profetiza não é um ungido, mas um falso profeta:

"E acontecerá naquele dia que os profetas terão vergonhas de suas visões, quando profetizarem e não vestirão o manto de pele para mentir (trajes que caracterizava os profetas nômades; ver João batista). Cada um dirá: "Não sou profeta, sou homem que trabalha a terra, pois a terra é minha propriedade desde minha juventude (ara. Adamah Qinyani; jogo de palavras em aramaico). e se lhe disserem: "Que feridas são estas em teu peito?"( versão hebarica: Que chagas são estas em tuas mãos e em teu peito?) Ele responderá: "Aquelas que recebi na casa de meus amigos". Zc 13, 4-6

Dentro do contexto, não fazendo esta separação de capítulos e versículos isolados, vemos que o profeta de Zacarias seria um falso profeta, (ver capitulo 12,15) e estes oráculos figuram no Novo testamento como se fossem profecias messiânicas.

Ai muitos me perguntam: “O evangelista mentiu?”. Não, seria imprudente fazer tal afirmação, uma vez que o novo testamento não possui autógrafos, isto é, nenhum original sequer escrito pelo próprio autor. O novo testamento foi sendo montado a partir de papiros que datam a partir do segundo século, de histórias de tradição oral e de memória, e , por interesse também. Seria difícil imaginar que um evangelista judeu não conhecesse as profecias ou as colocasse simplesmente por má fé. O mais provável é que tais associações proféticas foram feitas por terceiros, talvez copistas, ou pais da igreja, para respaldar a sua fé.

Uma pessoa racional começa a perceber tais detalhes e faz uma separação de fatos. Uma pessoa guiada estritamente pela fé (fanática) ignora todos os fatos ou tenta harmoniza-los, por mais absurdo que pareça. Cada vez que eu analiso uma contradição ou acréscimo do novo testamento, sempre sou alvejado por ofensas de religiosos fanáticos. Um pessoa sensata não deveria saber a verdade sobre aquele que consideram seu messias? Se alguém acrescentou uma letra que seja na sua boca, eles não deveriam saber se foi mesmo o salvador que disse ou não? Na teoria funciona assim, mas na prática é o oposto. Seguem mais a tradição que ouviram e aprenderam desde criança, e qualquer pessoa que tente falar a verdade eles pintam como um inimigo da igreja e atacam. Irônico não!. Como eu já disse em postagens anteriores, pedem tantas coisas para Jesus, desde emprego, saúde, bens etc... e não dão a mínima para quem ele foi de verdade. A maioria não sabe nem sequer que ele era judeu. É tipo um não importa. “Ah, eu adoro Jesus e não me importo nem um pouco com quem ele foi”. Ai citam aqueles velhos chavões que favorecem a ignorância, tipo a letra mata ou devemos pedir orientação do espírito santo. Engraçado que quando é para falar mal da igreja católica ou dos espíritas ai eles dizem: “os católicos não lêem a bíblia!”.

 
Na pratica é assim!
Imaginem então o seguinte caso: Você é fanático por Jesus. Ai um livro diz que ele nasceu em Belém e outro livro diz que ele nasceu em Moscou, Rússia. Como fanático, o que você faria? 

A) Iria procurar saber qual é a verdade, ou nasceu em Belém ou nasceu em Moscou. 

B) Iria harmonizar os livros, dizendo que ele nasceu em Belém mas sua mãe era de Moscou por isso que o outro livro diz isso. 

Infelizmente a maioria faz o B. Mesmo se um evangelho dissesse que Jesus era alto e loiro e outro dissesse que ele era negro e baixinho, eles iriam tentar harmonizar de uma forma ou de outra. “Não, ele era alto e baixinho, pois era alto para uns e baixinho para outros maiores que ele, e negro e loiro ao mesmo tempo. Não tem contradição nenhuma!” Isso é o que geralmente acontece.

O novo testamento, tem mais de cinqüenta por cento de variação textual, isso do que nós temos como antigos, como papiros e códices. Variações simples até graves, incluindo acréscimos e omissões. E é obvio que se existiu um Jesus histórico ele não pode ter sido alto e baixo ao mesmo tempo, como no exemplo citado, ou ele foi uma coisa ou foi outra, mas nós vemos nesses documentos divergências similares a do exemplo e por mais absurdo que pareça, tentam harmoniza-las. E qualquer um que discorde, eles atacam. Ou seja, se eu disser que um quadrado cabe no espaço de um triângulo, a pessoa tem que concordar. Ou concorda ou morre! Não foi assim a inquisição? Por mais absurdo que pareça um fato, a pessoa se vê obrigada a concordar com um fanático sob ameaça: “Cabe, certinho!”

Na pratica é assim! Não importa o quanto seja contraditório,
"Não existe contradição alguma!"

Que existiu um Cristo histórico isso é inegável. Nós sabemos que houve um homem, um grande profeta da Galiléia, que curou doentes, ressuscitou mortos, fez milagres, pregava uma doutrina nova e exortava seus seguidores a paz. Mas que a sua história não é cem por cento idêntica as narrativas dos evangelhos também temos certeza. Porque? Vamos ver alguns pontos:

Se nós pegarmos todas as frases que Jesus disse vamos notar que:

- Algumas frases não são originais sua, são apenas citações da Torá como o “amar ao próximo como a si mesmo” que se encontra em levitico 19,18 (todos pensam que é de Jesus que estava ensinando o amor ao contrario do Deus malvado do antigo testamento)

- Outras frases são Do famoso Rabino Hiliel que viveu até a época de Jesus, e alguns acreditam inclusive que Jesus tenha sido seu seguidor, pois muitas de suas frases são apenas citações do Rabino que viveu antes dele e que teve seu trabalho registrado, como por exemplo as bem-aventuranças ou o dar a outra face.

- Outras frases são similares a filosofias que existiam no império Romano e eram discutidas pelos filósofos da época, ou seja, eles conheciam, como por exemplo: “Não guardar tesouros na terra” frase que é atribuída a Sidarta Gualtama, o Buda, séculos antes. Também outras como “mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha....” também de Buda.

- Outras frases e versículos do novo testamento não são nem doutrinas, nem filosóficas, mas parecem terem sido inseridas apenas para manipular as massas, como era típico dos romanos, como a repetição de coríntios e de Pedro que diz que toda autoridade vem de Deus e que exorta aos cristãos a não se rebelarem. Sendo que na história dos judeus nós vemos inúmeras rebeliões que garantiam a sobrevivência da cultura e do povo judeu.

Então fazendo uma análise assim, mesmo que superficial, sobra muito pouco do que é original dos ensinos de Jesus, menos de quarenta por cento. É como se tivessem pegado um personagem que teve muitos seguidores, e foram colocando coisas na sua história para defender certos interesses. Nós sabemos que os pais da igreja faziam correções nos evangelhos e os copistas também. Tanto que foi inserido na bíblia aquela advertência de que não se tirasse ou colocasse nada na escritura devido a isto, que era uma prática comum nos primeiros séculos.


O que lembra muito a profecia de Daniel do ferro misturado com barro, que seria um reino diferente que surgiria após os romanos. Eu vejo o novo testamento assim. Ensinos bonitos de Jesus (ferro) misturados com barro .

Quando a gente vai eliminando o barro, matamos inúmeras contradições e vemos um Jesus mais real, mais humano e menos contraditório. Mas como disse no inicio, as pessoas que tem a mente cauterizada pelas religiões não aceitam isto. Mesmo que você mostre através de documentos antigos que certo ponto não existia nos primeiros séculos, para eles não importa. O que importa é que eles acreditam que aconteceu, mesmo não tendo respaldo nas escrituras. E ainda querem converter todo mundo e demonizam qualquer um que discorde. É o que aconteceu com os judeus. Durante séculos a igreja sempre tentou empurrar neles goela abaixo todos esses equívocos do novo testamento. Os perseguiu e os expulsou porque os judeus se recusam a aceitarem tais coisas.

AS DUAS INFÂNCIAS DE JESUS

No começo dos evangelhos vemos que dois evangelistas supostamente narraram a genealogia e infância de Jesus, Mateus e Lucas. Parece que os dois estão falando de duas pessoas completamente diferentes. A começar pela genealogia. A de Mateus tem 27 gerações de David até Cristo. A de Lucas tem 43. Uma diferença enorme de anos. A de Mateus vem a partir de Salomão, a de Lucas de Natã, irmão de Salomão. E mesmo sendo obviamente duas genealogias diferentes, elas citam o mesmo nome, Salatiel nas duas, e seus descendentes.. Alias são os poucos nomes que coincidem de ambas. Como alguém pode ser descendente de dois irmãos? Fora que se formos contar cada geração, da uma diferença de mais de dois séculos! Mas não precisa ser nenhum gênio para perceber que são duas genealogias diferentes, impossível serem ambas de Jesus. Diga isso a um religioso e ele de uma forma ou de outra vai tentar a todos custo harmonizar. Como eu disse acima: “Não há contradição nenhuma!”

Mateus diz que Jesus após nascer, sua família já fugiu para o Egito, na mesma noite mesmo (Mt 2:13). Mas segundo Lucas, Jesus foi circuncidado no oitavo dia, no templo conforme a lei (Lc 2: 22) isto é, naquela semana só pode ter ocorrido uma coisa. Ou ele foi circuncidado em Jerusalém ou estava a caminho do Egito, quase chegando lá. É difícil harmonizar isto! Mateus diz que eles permaneceram no Egito enquanto Lucas diz que eles permaneceram em Jerusalém, tanto que Lucas narra uma passagem onde Jesus se perde de seus pais aos doze anos. Não, mas ai dizem que ele foi para o Egito, permaneceu lá e em menos de uma semana já estava em Jerusalém sendo circuncidado. Viram? Não tem contradição nenhuma, é exatamente a mesma história!



E Mateus cita que Jesus também estava cumprindo a profecia de que seria chamado Nazareno. Essa profecia não se encontra em nenhuma parte do antigo testamento. A própria cidade de Nazaré só figura nos evangelhos, mas não existe nenhuma evidência externa de sua existência!


A ORIGEM DO NOVO TESTAMENTO RESUMO

Quando eu ia nas igrejas dar palestras sobre o novo testamento, eu explicava mais ou menos resumindo a origem do novo testamento. Vou tentar dar mais uma resumida aqui:

Todos teólogos e historiadores acreditam que os evangelhos possuíam uma fonte original, que serviu de base para os evangelhos sinóticos, chamado de evangelho Q. Mateus, Marcos e Lucas devem ter usado desta fonte para compor seus evangelhos. O de João não é sinótico e hoje sabemos que não pode ser atribuído a João, o apóstolo.(ver: João não é o autor do quarto evangelho
http://exegeseoriginal.blogspot.com.br/2012/04/joao-nao-e-o-autor-do-quarto-evangelho.html)

Se você comparar os três evangelhos sinóticos, você observa uma coincidência cronológica dos fatos, raras exceções, mas coincidências até de erros. Exemplo:

Mateus primeiro narra a morte de João batista e em seguida a duvida de João. Ou seja, primeiro ele menciona que João já havia morrido, quando se lembra de mais um ultimo fato dele e narra  a seguir. Os outros evangelistas seguem na mesma ordem cronológica, mostrando que eles devem ter se utilizado de uma mesma fonte. Segundo Pápias, um dos pais da igreja do primeiro século, eles utilizaram um suposto evangelho de Pedro como fonte para comporem seus relatos.

Esse evangelho Q não existe hoje e não sabemos seu conteúdo. Pelos testemunhos dos pais da igreja, sabemos mais. Sabemos que o evangelho de Mateus foi escrito originalmente em hebraico e pelas citações, sabemos que deveria ter pelo menos um 300 versículos a menos do que temos hoje. A recente descoberta de outros manuscritos de Mateus como o Shem Tov ou o Du Tilet, reforçam essa teoria.

Então havia um evangelho original, e com ele os evangelistas foram compondo seus evangelhos, somando o que eles mesmo sabiam e lembravam. Mas mesmo assim os evangelhos ainda eram menores do que os que temos hoje.



Nessa época, os pais da igreja eram todos gentis. Nenhum judeu, apesar da igreja ter nascido em Jerusalém. Os gentios tinham toda uma filosofia grego-romana, e a sua religião, o helenismo, era baseada mais em filosofias que em fatos. Basta ver a história romana de semi-deuses, seres mitológicos etc....



Com isso, os convertidos a fé cristã, adaptavam suas filosofias a história de Jesus, uma vez que para eles, Jesus não era um messias, mas um semi deus como os que eles já tinham em Roma. Basta ver a discussão de Trifon, o judeu com Justino que vemos exatamente isso. Justino acreditava de acordo com ele mesmo que o messias nascera de uma virgem conforme seus deuses pagãos. Trifon, sendo judeu lhe diz que se ele quer acreditar que Jesus foi um messias, que o fizesse da maneira como foi e não com fábulas mitológicas. A partir daí, vemos a influência dos copistas para respaldarem suas crenças filosóficas na história de Jesus.

Para tentar convencer os judeus e os novos convertidos, eles faziam isto que os judeus conheciam muito bem, tipologia. Iam adaptando a história de Jesus com o antigo testamento para tentar convencer a todos que Jesus era um novo Moisés e que sua história era toda uma tipologia do antigo testamento. Foi ai que passagens como o nascimento virginal foram parar nos evangelhos, pelo menos é o que da a entender.

Outros pontos sérios também foram sendo corrigidos. Na cruz por exemplo, a ultima frase de Jesus foi: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?” Como a oração de Jesus ficou sem resposta, os pais da igreja acrescentaram o versículo que diz: “Pai, perdoai-vos, eles não sabem o que fazem!”. Este versículo não contém na maioria dos manuscritos. Foi mais uma correção para respaldar uma crença. E estas correções foram gerando mais força e poder para a então religião cristã, pois uma vez que o livro corrigido não contém erros, não da brechas para duvidas e questionamentos. Em hebreus capítulo 2,9 por exemplo, o autor escreveu, segundo os manuscritos: ...por causa dos sofrimentos da morte, abandonado por Deus, provou a morte...... Eles alteraram para : “...por causa dos sofrimentos da morte, coroado de honra e de glória, é que pela graça de Deus provou a morte....”. Viu a diferença? Se um versículo pode dar brechas para a duvida ou questionamento, eles corrigiam! Simples! Esta fórmula funciona até hoje. Afinal, se a bíblia dissesse que Jesus morreu abandonado por Deus, os cristãos iriam começar a pensar:

“Como que Jesus é Deus se morreu abandonado por Deus?”

Fora que no primeiro século, Jerusalém fervia de supostos messias, a maioria registrados na história. Jesus mesmo não havia apenas um, pois Yeshua era um nome comum na época. Teve Apolônio de Tiana, Simão o mago (citado em atos), Simão pirineu, Simão Barjonas, Jesus o encantador etc.... Haviam vários messias e escritos sobre quase todos eles pelos seus seguidores. Quase todos com poderes super-humanos e extraordinários. Simão dizem que até levitava, segundo os atos de Pedro.

O PROBLEMA PAULO

É obvio que apenas um se destacou, e sua história era mais simples e sua mensagem mais profunda, Jesus. Mas ai surge no cenário um outro personagem, que mesmo não tendo conhecido Jesus começa a pregar sua mensagem a todos os cantos, e mesmo discordando em muitos pontos de Jesus, Paulo.

Paulo chega a dizer em uma epístola que o importante é Cristo ser pregado, seja com falsidade, ou por interesse, não importa, o importante é pregar e converter o máximo de pessoas. Com esta mensagem inclusiva, e destinada aos gentios, Paulo transforma o cristianismo numa expansão sem limites e gera uma ruptura histórica com o judaísmo e suas raízes.




Paulo profetizou aos cristãos que eles não morreriam mas seriam arrebatados aos céus em sua segunda epístola aos tessalonissensses. Como isto não aconteceu, e constrangidos por isso, os pais da igreja corrigiram o versículo de sua epístola, como aliás faziam com toda escritura e o versículo que dizia: “Todos nós não morreremos” ficou: “nem todos morreremos”. Pedro já havia advertido em sua epístola que os ignorantes faziam isto com a escritura para a própria perdição.

Em 1coríntios 15 Paulo já muda o discurso e não fala mais em arrebatamento, mas em transformação. O versículo dizia: “Nós não dormiremos” e os pais da igreja corrigiram pára: “nem todos dormiremos”. Simples! Tudo para esconder que Paulo foi um falso profeta, pois suas profecias nunca se cumpriram. Pós isso, todas igrejas jogam estas profecias de Paulo para o futuro, mesmo o contexto não dizendo isto. Ou seja, o fato de Paulo ter feito falsas profecias e mesmo Jesus tendo advertido sobre os falsos profetas, a igreja não liga e Paulo continua sendo o Pilar mais importante da fé.



No primeiro século, a igreja queria mais Paulo devido a sua mensagem destinada aos gentios. Não seguir a lei principalmente, uma vez que a maioria dos apóstolos exortavam o cumprimento da lei, Paulo era mais conveniente para a igreja gentílica. Por isso eles iam corrigindo suas epístolas. A concepção de uma salvação gratuita, exclusivamente crendo em Jesus, soou bem aos gentios e serviu como forma de manipulação e expansão.


Epístolas como a de Tiago que era uma resposta a epístola de Romanos, ou a segunda de Pedro, não entraram no cânone, mas só foram aceitas séculos depois por força de grupos isolados.

Mentira, falsidade e dissimulação são comuns nas epístolas de Paulo, como entregar alguém a satanás (1co 5,5) ou dizer que o importante é pregar mesmo com falsidade, ou criticar os demais apóstolos, os que de fato aprenderam com jesus. Esse é considerado o maior dos apóstolos e suas epístolas são a maior base da fé cristã.

O PROBLEMA CONSTANTINO

A esta altura, primeiro e segundo século, o novo testamento já não era original. Já tinha interesses pessoais nele. Mas ai surge mais uma mudança, o concilio de Nicéia.

Constantino foi o rei Pagão, que um dia em um campo de batalha teve uma visão no céu, de um sinal em forma de uma cruz que dizia: “Sobre este símbolo conquistarei”. Após vencer a batalha ele se converte a religião cristã, mas nunca deixou de ser um sacerdote do Deus sol. Oficializa o cristianismo como religião oficial do império, e os cristão deixam de serem perseguidos. Como no império não haviam apenas cristãos, ele decide através de concílios com os bispos, moldar a religião a fim de unifica-la, e agradar a gregos e troianos. Apesar dos bispos cristãos, a palavra final acabou sendo de Constantino, e certos dogmas foram definidos neste concilio, como a divindade de Jesus, a trindade, a data do natal etc... Vários elementos das religiões pagãs foram adaptados ao cristianismo para atrair os pagãos para uma religião única. 

A deusa mãe Osiris por exemplo, que era cultuada em Roma, passou a ser chamada de virgem Maria. Isis e o menino Hórus passaram a ser Maria e o menino Jesus.

E pra respaldar isto, os novos dogmas, seria necessário uma escritura. Constantino então realiza a canonização dos livros, isto é, nestes concílios eles decidem quais livros deveriam compor ou não o novo testamento e de que forma, uma vez que após decidirem faziam uma cópia do livro e queimavam o original que tinham.

Por isso que no novo testamento vemos passagens que se assemelham  em muito com passagens dos messias solares. Mas naquela época não tinha internet e o mundo não era globalizado. A maioria dos Romanos não tinham o menor conhecimento do oriente ou de outras religiões, então eles não viam as semelhanças. Hoje, os que vêem, fingem que não vêem, ou não querem aceitar.

Buda, por exemplo, nasceu de uma virgem Maia, foi tentado quarenta dias no deserto por um demônio chamado Mara e andou sobre as águas, isso muito antes de Jesus. Naquela época, os habitantes nem sequer imaginavam isto, pois não tinham contato com outras culturas, ainda mais distantes. Ficavam maravilhados com estas histórias como se fossem originais e sinais divinos. Foi assim que o cristianismo foi se expandido cada vez mais, e todos que se opunham ou não aceitavam como os judeus, eram perseguidos, expulsos e mortos.

A EXPANSÃO DA RELIGIÃO

Quando o cristianismo se tornou a religião dominante, todos os grupos que se opunham a certos dogmas foram exterminados. Com o surgimento da inquisição a perseguição apenas piorou e a única religião permitida  era o cristianismo. Com o descobrimento da Américas, os europeus catequizavam os índios a força: "ou se convertem ou morrem"

Iam até a África, escravizavam os negros, traziam para o novo mundo e os impediam de cultuar suas crenças, obrigando-os a se converterem a religião cristã.

Dizer que o cristianismo é a maior religião do mundo pelo poder de Deus é um desconhecimento histórico. Não havia outra opção. Ou se convertia ao cristianismo (quer o catolicismo romano, quer o protestantismo) ou era perseguido e sofria as represálias. O escritor americano negro Cris Rock disse: "Se você é negro e cristão, você tem uma memória muito curta". De fato, a igreja dizia que os negros não tinham alma. Utilizava-se da maldição de canaã para respaldar a escravidão, fazia maldades e depois da abolição da escravatura, os negros mesmo livres, se viam forçados a se converterem ao cristianismo. basta ver nos dias de hoje mesmo, o preconceito que as religiões afro-brasileiras sofrem de grupos evangélicos:


Ou seja, os negros estavam lá sossegados, vivendo sua cultura, com suas esposa, filhos e amigos na África. De repente eram capturados como bichos, pelos que alegam seguir a religião do amor, apartados de seus amigos e familiares, trazidos a força para uma terra estranha, selvagem cheia de animais e índios. Obrigados a trabalhar de sol a sol, proibidos de entrarem em uma igreja, Sofrendo todo tipo de doença, castigos e maldades, e depois quando são finalmente libertos, não podem nem sequer cultuar suas crenças de origens, mas são forçados pelos brancos a seguirem uma religião que era originalmente exclusiva dos judeus. Tem que se converter a um messias que disse que veio exclusivamente para as ovelhas perdidas da casa de Israel, e nem os judeus mesmos o aceitaram. Usam do pretexto de "salvação" para isso, sendo que na própria escritura mostra vários personagens pagãos que agradaram a Deus e não foram obrigados a se converterem (Ciro, nabucodonossor, raabe, o centurião). irônico não!

Este é apenas um resumo meu dos problemas do novo testamento, o porque de sua rejeição pelos judeus e por teólogos que se aprofundam como o professor Fabio Sabino, Severino Celestino dentre outros. Porque mais da metade no novo testamento não é original.

Existiu um Jesus? Sim, existiu. Sua história é a mesma dos evangelhos? Não, os evangelhos apenas contém um pouco de sua história, mas o todo não é de Jesus. Por dois mil anos a igreja tem obrigado pessoas a se converterem. Acho que este período já esta chegando ao fim, onde hoje podemos estudar, analisar, separar o joio do trigo e chegar cada vez mais próximos do Jesus original. “Desconhecimento na era digital é ignorância”

Para saber mais ou mais detalhado, acompanhe a página, o blog, agende uma palestra por email. ou envie um email com duvidas e perguntas. Ou adiquira este estudo completo com informações que não foram omitidas aqui. Ascesse: http://exegeseoriginal.blogspot.com/2014/09/livro-o-problema-do-novo-testamento-e.html e saiba mais teclando aqui

Paz a todos! Ronaldo



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