quinta-feira, 30 de abril de 2015

Ateísmo fundamentalista, a nova religião

Ateísmo fundamentalista, a nova religião

Desde que comecei com meu blog, sempre tentei transmitir conteúdo teológico respeitando as crenças (ou não) das pessoas. Como agnóstico eu entendo que nós vivemos num país livre e laico, e a luta da Atea, inclusive, é contra a intolerância. Ateus e agnósticos lutam por um estado livre onde cada um possa professar ou não uma fé.

Mas infelizmente, todos sabem tive muito problemas com intolerantes religiosos e ultimamente tenho tido com intolerantes ateus. Por incrível que pareça!

Há alguns anos, eu havia excluido a amizade virtual com um ateu no facebook. Porque tudo que eu postava em minha linha do tempo, seja relativo a religião ou não ele vinha comentar que Deus não existe, que era uma lenda e coisa e tal. poxa, eu sempre respeitei o fato dele ser ateu, mas ele estranhamente não respeitava o fato de eu não ser.

Fundamentalismo ou fanátismo inclusive é isto, a pessoa é um a coisa e quer que todo mundo seja também e não consegue respeitar as diferenças. Tem fanático por time de futebol, fanático gay, fanático homofóbico , fanático religioso e ateu inclusive.

Eu trabalhei há muitos anos com um casal de lésbicas que eram minhas superiores que elas por serem lésbicas achavam que o mundo todo era gay e quem não era seria. E ai de quem discordasse. Elas diziam: "Você conhece ele? Sabe da vida pessoal dele? Então não fica falando merda que aquele kara deve mais gay que eu". Isso é fanátismo, intolerancia, a incapacidade de respeitar as diferenças que existem em uma sociedade.

E esse colega do meu face, eu postei uma vez uma situação do meu trabalho e comentei: "Graças à Deus consegui resolver o problema" eu estava falando exclusivamente do meu trabalho.Não tinha absolutamente nada a ver com religião ou crença. Mas o simples fato de eu ter posto a expressão "graças à Deus" já foi o suficiente para ele comentar: "Tirando o fato de que Deus não existe o resto eu concordo", e isso me irritou e iniciamos uma discussão que culminou com o fim da nossa amizade. Eu disse para ele: "Para kara, isso é fanátismo, funda logo a igreja do ateísmo e sai pregando de porta em porta a palavra de Darwin, como os testemunhas de Jeová". "Coincidentemente" o porta dos fundos fez um vídeo assim meses atrás. rs Depois de um tempo fizemos as pazes!

Agora raciocinem comigo. A atea prega que crenças e dogmas devem ser combatidos para se evitar guerras, brigas e discórdias e que crenças não devem ser motivos para discórdias, e um ateu termina uma amizade com um "crente" (não evangélico) por que ele acredita em um Deus e utiliza a expressão "graças à Deus"! Qual é a lógica disso? Podiamos ser amigos, conversar sobre política, futebol, música etc.... Mas se eu não tiver a mesma não crença dele não da! Não é semelhante a religiosos fanáticos que não conseguem sequer conviver socialmente com pessoas de crenças diferentes?
Quem critica isso pode fazer o mesmo?

Mas isso não foi o pior, o pior foram dois casos que me aconteceram recentemnete.

Como eu havia sofrido N ataques de intolerantes religiosos, eu decidi pausar um pouco meus estudos religiosos, porque religião sempre gera isso e estressa. Voltei a me dedicar a música que eu gosto, e voltei a fazer e divulgar minhas composições caseiras, que eu fazia desde o tempo em que eu colhia café no interior, na região de Garça e Marília.

Primeiro tive novamente a intolerancia de religiosos por causa de uma música católica que havia feito há muitos anos. Como se isso fosse algum crime ou proibido.

Sempre disse que vivemos num país livre e num estado laico. Se eu quiser ser católico, espirita, macumbeiro, ateu, budista, satanista, o que for, eu posso. O Páis é livre, a vida é minha e ninguém tem nada a ver com isso! Ninguém me sustenta ou sequer colabora com meus estudos! Pela lei o que eu não posso é invadir o espaço dos outros e tentar impôr minhas idéias ou impedir que os outros tenham as suas. Mas no meu espaço eu sou livre.

Depois, eu entrei em uma comunidade do google+ chamada, não sei se é isso mesmo mas acho que era "Aparecida sertaneja". Era um comunidade de um grupo de pessoas que gostam de sertanejo, mas um público católico. Então eu decidi compartilhar nessa comunidade um vídeo meu do youtube, de ma música sertaneja chamada "Saudade sertaneja", que na época estava subindo, tendo muitas visitas e pensei que o pessoal iria gostar. Legal!

Primeiro tive alguns likes no vídeo e comentários bons. De repente, do nada, chega um ateu, que nem sei o que estava fazendo naquela comunidade, e comenta: "Deus não existe, é uma invenção humana". Como eu estranhei o comentário, eu respondi: "Relaxa kara, esse vídeo é sertanejo, não é de religião". Nisso o kara respondeu: "Mas essa comunidade é e se você esta postando aqui é porque é cristão e ....." Nisso começou uma discussão. Como se não bastasse, o camarada ainda negativou meu vídeo e pediu aos amigos ateus dele para fazerem o mesmo. resultado? O vídeo estagnou!



E o vídeo, como vocês pode ver, não tem absolutamente nada, NADA A VER COM RELIGIÃO!
Depois eu fui ver o perfil deste kara no google, até porque depois de tantos casos de intolerância eu fui orientado printar, salvar código fonte etc... de pessoas que propagam intolerância na rede. Sou até amigo e parceiro hoje da delegacia de crimes virtuais porc ausa, disso. E quando fui ver o eprfil do camarada ele fica na rede comentando nos vídeos de cristãos que fazem cagadas e diz: "Ta vendo, religião é uma doença! Religiosos são fanáticos". O mesmo kara que me xingou e negativou meu vídeo até estagnar, mesmo meu vídeo não tendo PORRA NENHUMA A VER COM CRENÇAS. É uma musica sertaneja, SERTANEJA!

Ai eu criei um outro canal, só para postar além de músicas, vídeos e coisas relativas ao mundo sertanejo. Opinião, piadas, causos, animais etc..... Já que eu sou pobre, e não recebo colaborações eu criei esse canal para chamar a galerinha sertaneja e me socializar, afinal, para isso serve uma rede social. Fazer parcerias, um ajudar o outro etc....

Criei uma lista de reprodução onde posto causos caipiras e histórias reflexivas que conheço desde a época em que vivia na roça. E decidi contar uma história que tenho aqui neste blog inclusive, o bebe cristão e o ateu.

Esta história é uma analogia que serve para tudo, pois depende da interpretação da pessoa. Relata a história de dois bebes num ventre sendo um cético e o outro crente de que há um mundo exterior. Podemos analogar isso a um mundo espiritual, ao reino dos céus, a vida em outros planetas ou que for. Eu já cheguei a analogar esta história a depressão onde a pessoa vive presa num mundo isolado e não consegue perceber a vida exterior.

Ma sai um ateu chegou a este vídeo por acaso, comentou negativamente e negativou o vídeo. Normal. Mas ai começaram a vir os amigos deste ateu a fazerem o mesmo. Comentaram ofensivamente e negativaram o vídeo. O primeiro a ser hostil inclusive comentou duas vezes e foi quem chamou a galerinha "racional" que não possui crença para negativar o vídeo. Estranhamente ele se sentiu ofendido com o vídeo só porque um dos bebes da analogia eu chamei de ateu. Ué, pessoas que não tem crenças se ofendem quando são criticadas em suas não crenças?

Obvio que começou uma discussão, e devido a discussão e o tanto que negativaram o vídeo acabei deixando o mesmo privado, pois já estagnou.

Este ateu ainda argumentou que estava usando sua liberdade de expressão. o mesmo atue que se um religioso dissesse o mesmo em um vídeo dele ele diria: "Isso é intolerância"

Perceberam a hipocrisia? Quando é um religioso que ofende é intolerancia, quando é um ateu é liberdade de expressão. Fazem o mesmo que eles passam o dia todo criticando.

Nietzchie dizia que quem caça muito monstros pode acabar se tornando um. E ele ara um ateu! Vemos isso nos intolerantes que adoram acusar os outros de crimes e comentem os mesmos crimes e essa não é a luta da Atea. Por exemplo, evangélicos adoram acusar a igreja católica de crimes de inquisição mas invandem terreiros e atacam igrejas fazendo o mesmo que eles tanto criticam.

O doutor Bezerra de Menezes era espirita e depois
dizem que os que tem crenças é que são intolerantes!
Os maiores pensadores ateus e agnósticos sempre tentaram transmitir conhecimento com educação, argumentação, lógica e até humor. Todos eles conviveram com pessoas religiosas. Porque um ateu prega que ele tolera o religioso e o religioso não o tolera. Mas hoje no Brasil devido a inclusão digital esta surgindo uma leva de pseudo-ateus que não conhecem um pensador ateu sequer e agem pior que os religiosos que eles tantos criticam.

É o ateísmo socialista onde o estado não pode ser laico, mas tem que ser ateu ao extremo.

Os próprios membros da Atea postaram uma vez uma imagem mostrando os três estados e dizendo que eles defendem o estado laico e não o estado comunista onde o estado é a religião e a adoração à Deus proibida. Os ateus tentam pregar sua não crença em Deus usando a lógica, argumentos racionais, e intelectuais não agressões.

E o mais engraçado nessa história é que neste canal meu foco é música  e não religião ou teologia, mas ai de mim se eu postar alguma mensagem ou história que envolva a palavra Deus, é proibido!

Daqui a pouco vou ter que fazer que nem o Fábio sabino e postar um vídeo dando uns tiros rss Fora que a internet é cheia desses covardes que formam grupos porque não são homens suficientes para serem sózinhos e atrás de um computador é todo mundo valente!

Depois se a gente processa um camarada destes ou faz alguma maldade, ai os religiosos vão dizer que é o diabo e que estão sendo perseguidos. Os ateus vão dizer que o direito deles a liberdade de expressão esta sendo negado, eles não estão podendo exercer o direito deles de irem nos canais alheios ofender, coitadinhos!.

Durante a discussão eu comentei com um mais educado que estava converssando, eu perguntei: "O que vocês ganham negativando meu vídeo?" Por que se alguém me preguntar, o que eu, como agnóstico ganho transmitindo valores espirituais, nem que seja com o adesnse eu ganho. Agora o que um grupo de ateus ganha me prejudicando? Alguém vai pagar alguma pra eles por isso?

Hipocritamente, o ateísmo prega que suas crenças não fazem de você uma pessoa melhor, suas atitudes fazem. E eu concordo, já até compartilhei isto na minha página. Agora, prejudicar o próximo gratuitamente só por uma questão de crença é uma atitude qe torna alguém melhor?

Mandei até um email para um dos cabeças da Atea perguntando o que eles estão ensinando. As pessoas a se tornarem intolerantes ateus? É uma nova religião? vai haver uma cruzada ateia? Ou é exatamente o oposto que a ATEA sempre prega e defendeu?

Lamento ver na sociedade virtual que estamos vivendo hoje tem explodido focos de itolerancias de todas as partes, inclusive dos que sempre foram contra intolerancia. Por isso que hoje até um vídeo que eu posto eu tenho que medir as palavras, porque se eu disser alguma expressão que contenha a palavra Deus posso começar uma guerra rs

Em vez da pessoa curtir a vida, namorar, pegar uma mulher, ir num cimena, fica o dia todo na rede prejudicando os outros por crenças! PQP

Eu, que sempre trabalhei com o público, principalmente comércio, sempre aprendi a respeitar as diferenças, porque não existe uma verdade absoluta, nem no Ateísmo nem no Teísmo. Nossa vida é curta e limitada neste pálido ponto azul no sertão do sistema solar. Ninguém o que pode ter la fora. Pode tanto ter um Deus como pode não ter. Por isso sou agnóstico. Não vale a pena brigar por coisas que desconhecemos completamente, é ridículo isso! Por isso que a definição de agnóstico é quele que não pode provar nem negar que existe um Deus!  Mas enquanto estivermos neste pontinho, temos que saber respeitar os que acreditam e não acreditam e acima de tudo, jamais prejudicar o próximo, independente de crença, orientação sexual, raça, cor ou o que quer que seja. Bom deixa pra la, enquanto alguns perdem tempo com isso eu perco meu tempo vivendo em paz minha vida, trabalhando e sendo feliz e em paz com a minha consciência (meu Deus) de que não prejudiquei ninguém!

Paz à todos, fiquem com D....ops, fiquem na... ah, só fiquem!

Ronaldo

sexta-feira, 13 de março de 2015

Politica e religião ! Porque não sou petista!

Quando eu posto alguma denúncia envolvendo algum pastor picareta, sempre vem aquelas pessoas comentar assim: "Porque você não fala dos políticos que são piores?". Mas quando eu falo dos políticos, o discurso não é muito diferente não. Recentemente postei na minha página um vídeo do pastor Silas Malafaia pedindo para as pessoas protestarem do dia 15 contra o governo e muitos petistas vieram em defesa do governo com argumentos do tipo: "Ah o Malafaia é isso e aquilo". Todo mundo sabe que sou contra o Malafaia teologicamente, mas em questão politica concordo com ele em gênero e número e grau! Até porque as pessoas não gostaram não porque é o Malafaia, mas porque são petistas. Quando eu mostrei o Caio Fábio dizendo a mesma coisa os argumentos foram os mesmos em defesa do PT. Ou seja, não importa quem diga, seja um padre, um pastor, um ministro, um rabino não importa, os argumentos não são contra as pessoas que estão falando, mas em favor do governo incondicional.




Lembra do filme Matrix, naquela parte que o personagem Morpheu diz a Neo que as pessoas são tão dependentes do sistema que fariam de tudo para protege-lo? Pois é bem assim, quer seja o sistema religioso ou político. Uma pessoa ainda argumentou que política não tem nada a ver com religião. Ué, se não tem porque existe uma bancada evangélica no congresso impedindo direitos cívis por crenças religiosas?

Não tinha na bíblia, na historia de Israel, Juízes e reis? Jesus não disse a César o que é de César? O que acontece é como disse o Caio Fabio certa vez, as pessoas hoje tem preguiça de pensar e preferem que os outros pensem por elas. Vivem nessa bolha imaginária acreditando que política e religião não se discute, sendo manipuladas que por charlatões da fé, quer por corruptos inescrupulosos. Para mim, discutir religião e política não é e nem deve ser um tabu. É um exercício mental, analisar e pensar por sí próprio.

E eu, como cidadão,como trabalhador tenho todo o direito garantido pela constituição de analisar e não concordar com corruptos, independente de partido. Nunca apoiei o PSDB assim como não apoio o PT agora, pois corrupto é corrupto independente de partido. Se amanhã ou dois o PMDB assumir o governo e o Renan Calheiros for corrupto vou me opor do mesmo jeito. Não sou contra o partido A ou B, mas contra os corruptos em sí e no caso o PT, o partido todo esta mergulhado numa lama só.

Acontece que as pessoas ingenuamente pensam que se você é contra os corruptos do PT significa que você seja a favor dos corruptos do PSDB. Não tem nada a ver. Gente de bem não apoia corruptos,sejam do partido A, B, C tanto faz!

Pessoas que pensam sabem que um golpe comunista esta ameaçando o Brasil todo, independente de religião!


E depois ainda vem cristãos defenderem o PT! Fala sério! E isso porque viram um cara no youtube que diz que prega a "verdade" é financiado pelo PT , ataca tudo quanto é religião, fala da elite mas não fala um A do governo e agora ajudando essa implantação comunista dizendo que quem protesta é golpista!



Oração á Hugo chaves o Chaves Nostro que estais em cielo. Num estado comunista é assim, a adoração à Deus é substítuida por adoração aos líderes comunistas.






HOMEM DE BEM

Imagina você, um trabalhador como eu, que sua o mês inteiro para ganhar seu salário, leva marmita, pega condução lotada, engole sapos para sustentar sua família. Ai quando você recebe seu pagamento após um mês suado, chega um assaltante vagabundo,te assalta e leva todo o dinheiro que você levou um mês inteiro para ganhar. Mesmo se você for na delegacia você dificilmente vai recuperar seu dinheiro e o abalo emocional que você teve, a humilhação. Seria legal isso? O que você desejaria para um assaltante que fizesse isso, sem ser vingativo? No minimo justiça, não?

Creio que a maioria das pessoas de bem e de caráter pensariam assim. Que a justiça seja feita e que o vagabundo vá para a cadeia. Certo. Então porque na política é diferente?

Você trabalha o mês inteiro e parte do que você ganha vai para impostos para sustentar o salário de políticos. Aquele remédio que falta no posto de saúde, aquele aumento do preço do ônibus, do quilo do açúcar, tudo isso não aconteceria se esses mesmos políticos não desviassem milhões do dinheiro público de impostos para suas contas bancárias. E isso em todos setores, municipal, estadual e federal. Não são ladrões? Um politico que desvia milhões de uma estatal pública como a Petrobrás, maior que o PIB de muitos países, para sua própria conta não é um ladrão? Ele não esta roubando toda a nação?



Como o ex-presidente Fernando Collor que recebeu três MILHÕES de dólares em propina da Petrobrás, não é um roubo isso? O mesmo collor que foi impichado por ter metido a mão na poupança do Brasil,e até hoje a maioria nem sequer foi ressarcido. Meu irmão é um que perdeu tudo no governo Collor e até hoje nunca foi indenizado! Isso não é um roubo?

Ai eu pergunto: Você no caso do assaltante, defenderia o bandido? "Ah,ele assaltou mas foi menos que o da semana passada, soltem ele". Defenderiam? Pois é, mas no caso de corruptos as pessoas não associam eles a bandidos e os defendem com unhas e dentes. Como eu falei na minha página, pessoa de bem não defende bandido. A não ser que seja um advogado ou coisa assim, mas defender quem estar na prática do crime é ediondo!

PROGRAMAS SOCIAIS ? SÉRIO?

"Ah, mas o PT criou o maior programa social, que ajuda os pobres"! _ argumentam
Que mentira! O PT pegou alguns programas sociais que foram criados no governo anterior do FHC, como o vale gás, vale alimento, por exemplo, juntou tudo num só, deu o nome de bolsa família e criou o maior cabo eleitoral da história de um país.

Já dizia a sabedoria popular: "Melhor que dar um peixe ao homem é da-lo condições dele mesmo pescar". Não seria melhor o governo dar um emprego decente para cada uma dessas pessoas? Porque o dinheiro que é gasto nesse programa são bilhões dos cofres públicos. E a geração de emprego e renda? Cade? Então quem ganha seu bolsa família vive acomodado com essa mixaria e dane-se o resto do Brasil?

Um País não cresce com programas sociais, cresce com geração de emprego e renda para todos! Se o País não cresce nem o programa social vai durar porque o governo não vai ter de onde tirar o dinheiro!

TODOS PAÍSES QUE IMPLANTARAM SOCIALISMO CRIARAM PROGRAMAS SOCIAIS E FIZERAM REFORMA AGRÁRIA E AO INVÉS DE DIMINUIR A FOME, AUMENTOU E MILHARES MORRERAM DE FOME!! Sabe porque? porque capitalismo gera renda e consequentemente empregos. Socialismo não, pois impedir que as pessoas tenham capital estatitiza a ecônomia. Um homem que enriquece com certeza vai ter empregados. Um homem que não pode crescer mas viver só com o que o governo determina não pode ter empregados, ou seja, não gera emprego! A Venezuela fez isso,e  olha o que deu: Acabou coma  fome? Ou aumentou significativamente?



MENTIRAS

Ai, nas ultimas eleições o governo prometeu que não mexeria nos direitos trabalhistas nem que a vaca tussa! Pois é a vaca tussiu! E para economizar dinheiro a primeira coisa que o governo fez foi mexer nos históricos direitos trabalhistas. Se você for demitido com um ano de carteira esqueça seguro desemprego. Pensão por morte agora são dois anos. E a aposentadoria vai ser dificultada pelo governo.



Ah, mas segundo os petistas imbecis isso são falácias da elite branca! Imagina! E é só coincidência que o valor pretendido ser economizado pelo governo ser o mesmo do aumento dos parlamentares, 18 milhões!!

Ou seja, para aumentar o salário dos parlamentares, foi necessário ter dinheiro, e para isso, cortaram os benefícios sociais! Tiraram os direitos de milhões de trabalhadores para aumentar o salário deles mesmos! E ai de quem falar contra isso, é elite branca! PQP! Quero ver quando algum ente querido deles precisar se aposentar eles vão ver só se vão conseguir.

Só que quem ta se prejudicando com isso não é uma suposta elite branca do sudeste e sul é todo o Brasil. O Cearense, o Bahiano, o Gaúcho, o Carioca, o Minero, o Brasil todo ! Todos esses direitos foram dificultados para o trabalhador e para parlamentar não falta aumento de salario!

Você acha mesmo, que uma pessoa de bem, sensata, vai apoiar que o governo corte benefícios trabalhistas, de quem trabalha para viver, para aumentar salário de deputados e senadores? Sério?


E não existe isso de elite branca do sudeste, isso e uma tática do PT para dividir o Brasil e se manter no poder. Porque ai quando alguém fala mal do governo como eu os petistas dizem: "Ah, é porque você é paulista." É só Paulista que esta perdendo? Aliás,em São Paulo tem só paulista? Ou por acaso São Paulo não é a maior cidade nordestina do Brasil? Alguém acredita mesmo que esses protestos aqui em São paulo são só de paulistas? E os nordestinos que moram aqui e também estão protestando? Até nas redes sociais já tem um monte de nordestino protestando contra o governo, e dos que moram no nordeste mesmo.




Porque o governo prometeu que não ia mexer nos direitos trabalhistas e mexeu! Isso é coisa da
Elite branca? Ou será que porque o governo tem um programa social isso não importa? Tipo assim: "Ah,eu tenho meu bolsa família,para mim não importa se o governo mentiu e dificultou o direito dos trabalhadores". É assim que funciona? O governo da com uma mão e tira com a outra. Da bolsa família para uns e para pagar isso tira dos direitos trabalhistas, é isso? Essas pessoas não pensam que um dia vão ter dificuldades para se aposentar, assim como seus parentes.

AUMENTOS

Eu vivo no Brasil,trabalho graças á Deus e sei como são as coisas na prática. Remédios, aumentou. Do ano passado para este só minha conta na farmácia teve um aumento demais de cinquenta por cento.Luz, aumentou também. Gasolina? Eu não tenho carro mas sei que os transportes públicos vão subir por conta disso, assim como os derivados, como o gás de cozinha por exemplo. Fora que o Barril de petróleo baixou no mundo todo, isso mesmo, BAIXOU, e aqui a gasolina aumentou.

Porque? Porque o esquema de corrupção (ROUBO) roubou tanto a Petrobrás que tiveram que fazer um reajuste nos preços para segurar a estatal. Resumindo num português bem claro: Eles roubaram pra caramba e deram a conta pro povo pagar! Isso mesmo! O roubo na petrobrás foi maior que o PIB de muitos países.

Agora fala isso para um petista! Ele vai dizer: AH, mas o PT fez os programas sociais que ajuda os pobres!


Ajuda no que? Da um beneficio aqui e tira outros? Da uma ajuda de 70,00 mas aumenta os preços de tudo? Isso não é ajudar! Adianta receber uma ajuda do governo mas pagar mais caro, água,luz, remédio, alimento, condução? Adianta?

Quando que essas pessoas vão entender que o Brasil só não é um País rico por causa da corrupção? Esse dinheiro que é maior que o PIB do Uruguai por exemplo, daria para fazer, estradas, escolas, hospitais, indústrias e gerar mais empregos.

A taxa de desemprego aliás, esta disparada assim como a taxa da inflação. Ah, mas para quem recebe seu beneficio não importa isso, se milhares e milhares de irmãos Brasileiros estão ficando desempregados e passando mais dificuldades todo dia! O importante é o meu e foda-se o resto né, vamos defender bandidos!

O meu salário não aumentou! Eu não sou parlamentar, não recebo dizimos e ofertas, não vivo do salário alheio, mas as minhas contas fixas aumentaram todas! E eu não sou elite branca. Sou um cidadão e trabalho para viver.

O Brasil esta entrando numa recessão econômica tamanha, que depois nenhum politico vai conseguir resolver. NEM BOLSA FAMÍLIA VAI TER MAIS SE O BRASIL QUEBRAR!

Dessa conspiração ninguém fala né, só dos ziluminatis:



INVESTIMENTOS COMUNISTAS

O mesmo governo, sempre tem dinheiro para investir nos Países comunistas. Cuba e Venezuela tiveram várias obras financiadas com o dinheiro federal, desde portos e aéroportos até escolas e estradas. Tudo financiado com dinheiro do governo federal, para isso não falta.

Já as obras aqui caminham a passos de tartaruga. O metrô de Salvador ou a transposição de águas do São francisco por exemplo, em doze anos ainda não estão completos. Fizeram um trechinho aqui outro ali só para calar a boca da oposição. Doze anos! é mole? Mas ai os petistas dizem que as obras estrangeiras são estratégicas! As daqui não né!

Cuba tem o absurdo de ter câmeras nas ruas publicas para evitar manifestações e protestos, de tão maravilhosa que é a vida em Cuba! Falta tudo, mas dinheiro para reprimir o próprio povo não falta! Afinal, o Brasil ajuda. Porque será que as pessoas deste maravilhoso País fogem até a nado para os EUA?

Na Coréia do norte , outro país comunista, eles vendem até leite estragado nos supermercados tamanha é a fome e carência, e todo o povo é obrigado a idolatrar o grande líder! Os relatos de fugitivos da Coréia são chocantes! Absurdamente chocantes. Morte por fome, estupro, paredão, violência e todo mundo é obrigado a louvar o grande líder.

Veja um ativista cristão explicando sobre comunismo:



GOLPE?

Ai os petistas acusam os que protestam de golpe. Golpe? Engraçado que o PT pediu o impeachement do COllOR e duas vezes do FHC, mas ai não era golpe né, era democracia! Quando é com o PT é golpe, sei!

Tivemos dois protestos semelhantes recentemente o dos caminhoneiros e do MST. Nos caminhoneiros a presidente discursou que o governo não ia permitir que se bloqueassem as rodovias e a guarda nacional agrediu caminhoneiros trabalhadores que estavam protestando democraticamente. O MST fechou mais rodovias, invadiu fábricas e bancos, causou mortes, e cade a guarda nacional? Cade o governo que não permite que protestos fechem rodovias? Cade? A guarda nacional só serve para agredir trabalhadores?

E isso segundo os petistas é democracia!

Canais censurados, pessoas processadas por falarem mal do governo é democracia?
Canais, sites e blogs financiados pelo PT para falar bem do governo é democracia? Porque que esses sites e canais falam tanto da elite global mas não falam um A sequer do governo? Porque eles falam de golpe militar?



Petrolão, mensalão, lava jato e muito mais, é só a ponta do iceberg do tanto o quanto esse governo roubou. E quando eu digo roubou é roubou mesmo. Essa semana eu fui no posto de saúde com minha mãe e nem aquela fitinha de se medir diabéts o posto tinha! Mas BILHÔES para politicos tem. E ainda vem as pessoas defenderem essa corja toda por causa de um programa social! O crescimento do Brasil em 2014 foi de um por cento e a inflação de 7%!

CONSPIRAÇÃO


Fora que isso é um efeito em cascata, que esta sendo implantado no Brasil. Para quem não sabe comunismo não permite religiões em seus países, as perseguem. Quer seja cristão, judeu, muçulmano não importa. Será que não é por isso que aqueles sites que são financiados pelo governo falam contra todas religiões? Ah,mas como disse uma pessoa na minha página, politica não tem nada a ver com religião,imagina!

BOLSA TRAVESTI

Os programas sociais aqui em São paulo são estes, bolsa crack e bolsa travesti. Isso mesmo. A prefeitura paga um salário para viciados em crack para ajudar na recuperação deles. Sabe quantos se recuperaram? Zero. Sabe quanto aumentou o tráfico no centro de São Paulo? 100%. Fora hotel e outros benefícios do mesmo programa social.

E agora os travestis também ganharão um salário minimo e mais benefícios. Viva o PT! Vai ser um trabalhador pra ver o que você vai ganhar, cortes nos direitos trabalhistas. Agora se você for viciado ou travesti, ou os dois, o governo te da uma ajuda. Nada contra os homosexuais, até tenho postagens aqui a favor dos mesmos, mas, e os benefícios para os trabalhadores cade?

Agora imagina isso implantado no Brasil todo! Vai diminuir o número de usúarios de crack e travesti ou vai incentivar mais ainda?



É assim que esse regime pseudo-comunista governa. Com programas tapa buracos que mais prejudicam que ajudam.

Cade as rodovias, os portos, o trem bala que segundo a presidente estaria pronto até 2012? Cade? Alguém viu algum trecho dele por ai no Brasil? Cade a transposição de águas que também estaria pronta até 2012? Parece que inauguraram um trechinho mas ainda não podem distribuir a água pois tem que analisar primeiro, e, com todo respeito , isso vai ser quase a morte do rio São Francisco. Na verdade existem alternativas.

EFEITO DOM QUIXOTE

Respeito claro a visão politica de cada um, mas acho um absurdo as pessoas que além de se iludirem com esses corruptos ainda querem convencer os outros ao mesmo. É o que eu chamo de efeito Dom Quixote.Dom quixote era um velho louco que via moinhos e pensava que eram gigantes, via galinhas e enxergava exércitos inimigos etc.... Ele ser louco, tudo bem, mas e o Sancho pança, que apesar de não ver nada disso ainda continuava o fiel seguidor de D. Quixote?
É mais ou menos assim. Mesmo com tudo isso, e com tantos prejuízos na mesa dos Brasileiros, as pessoas ainda tentam te convencer que é tudo um mar de rosas, e que protestar contra esse governo é golpismo de uma elite branca. Como eu disse, pessoas de bem não defendem corruptos! Não é porque uma pessoa recebe algum beneficio do governo que justifica prejudicar os outros.


Perceberam que sobre a Unasul, o foro de São paulo nenhum canal conspiracionista grande fala? Só falam de conspirações invisíveis mas não falam dessa. Ao contrário, falam contra os protestos! Ué, se falam a verdade sobre a elite global porque não falam dessa elite? Não é global? Não é uma conspiração? Porque nenhum vídeo deles até hoje jamais foi retirado pelo governo? Ué,se eles falam contra a elite a elite não deveria persegui-los? Ou será que é porque tem conchavo com o governo?



E é por isso que eu não voto e não apoio o PT! Não sei se vou poder manter esse artigo no ar,porque tem petistas que conhecem meu blog! Mas nem que seja temporariamente deixo aqui meu protesto! Pessoas de bem não defendem corruptos que tiram direito dos trabalhadores para dar para políticos e comunistas! Nessa questão, apoio sim o pastor, o padre, o rabino, o ministro e todas pessoas de bem que estão se opondo a maior quadrilha institucionalizada do Brasil!

BRASIL ENTRE DUAS DITADURAS
O povo Brasileiro vive ameaçado pelo perigo de duas iminentes. Uma ditadura comunista e uma ditadura militar. Se caso o governo, devido a pressão popular, decidir comandar uma reforma política como muitos tem pedido, eles só vão aumentar os poderes da presidente como houve recentemente na Venezuela, onde o então presidente Nicolás Maduro pode governar por decreto, como desculpa para manter a ordem no país. Não esta muito diferente aqui.

Ou, devido a pressão popular, insatisfeita com um governo incompetente, que se mostrou incapaz de governar o Brasil, os militares podem atender ao clamor de uma parcela da população e fazer uma intervenção militar e assim implantar no Brasil uma nova ditadura como já houve em 64 no governo de João goulart, o Jango. O governo Jango inclusive tem algumas coincidências com o governo Dilma.

No dia 13 de março manifestantes ligados a sindicatos como CUT e MST fizeram uma marcha a favor do governo jango, exatamente como dia 13 de março esses mesmos movimentos fizeram uma marcha a favor do governo Dilma.

Depois se seguiu uma marcha  expressiva principalmente em São paulo e Rio de Janeiro contra o governo jango. No dia 15 de março também se seguiu uma marcha expressiva, principalmente em São paulo e Rio de Janeiro contra o governo Dilma.

No final do mês de março os militares chegaram ao Rio de Janeiro e despuseram o presidente em um ato constitucional para restabelecer a ordem e impedir um golpe comunista, apoiado pelos Estados Unidos. Não estamos muito diferente agora.

O comunismo já se mostrou uma ideologia fracassada, ditatorial e cruel com o próprio povo, e ainda hoje divide as pessoas e países inteiros, e , no Brasil , empurra o futuro da nação para o perigo de uma nova ditadura militar que nossos País lutaram tanto para acabar.

E a culpa disso primeiro é do PT, que se mostrou o governo mais incompetente e mais impopular da história (mais que o de Jango inclusive) e mais corrupto e que ainda por cima financia governos comunistas que oprimem seu próprio povo como Cuba e Venezuela. E em segundo lugar a culpa é do eleitor Brasileiro que na hora de votar escolhe sempre os mesmos candidatos corruptos e incompetentes, mergulhando o Brasil nessa eterna política café com leite, PT e PSDB, Direita e Esquerda. Sempre isso! De que adianta ter democracia se na hora de votar botam sempre os mesmos corruptos! Não adianta!

No dia que estourar uma ditadura quer da direita quer da esquerda, milhares vão perder a liberdade de expressão, serão oprimidos e perseguidos e expulsos, e muitos assassinados por um regime ditatorial. Países comunistas sempre colocaram no paredão seus opositores, e países ditatoriais de direita como já tivemos aqui também. Ou seja, um banho de sangue.

Se for uma ditadura de direita, a história só vai se repetir. Estudantes, artistas e intelectuais serão perseguidos, exilados, torturados e assassinados como foi no passado. Repressão e censura serão rotina e o medo voltará a atormentar a população. Se for uma ditadura comunistas, igrejas, padres, pastores e religiosos no geral serão perseguidos, assim como direitistas no geral.

A única saída segura nesse momento critico seria a renúncia ou impeachement da presidente para acalmar os ânimos antes que um dos dois lados imponha uma ditadura afim de manter a ordem!

Parabéns eleitores e apoiadores do PT! Vocês tiveram a chance de mudar o governo e mesmo assim colocaram no poder um partido mergulhado até o pescoço em sujeira e corrupção levando a um clamor popular sem tamanho no Brasil! Se um dia, Deus nos livre disso, mas se um dia acontecer algum dos dois regimes ditatoriais para se restabelecer a ordem no Brasil devido ao caos, qualquer que seja o regime inocentes pagarão. Resumindo: O governo rouba até não poder mais, o povo reclama, uma ditadura se instala, e inocentes opositores morrem. Simples! E que Deus tenha piedade! E que o eleitor imbecil Brasileiro aprenda a criar vergonha na cara e nas próximas eleições aprenda a votar em candidatos honestos e que tenham propostas que vão trazer crescimento econômico para o Brasil e entendam que não existe só PT e PSDB!



Paz á todos!

dinheiro para os benefÍcios sociais falta, mas para o salário dos parlamentares tem né petistas!




Ronaldo


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O Politeísmo no Antigo testamento

Segundo a própria escritura e tradição, os hebreus se tornaram monoteístas a partir do patriarca Abraão. Segundo a tradição, o pai de Abraão era um fabricante de ídolos e um dia Abraão percebeu que só havia um Deus. Ele se revoltou, quebrou as imagens de seu pai, e então achou graça aos olhos de Deus, que fez um pacto com ele e lhe disse para deixar a terra de Ur, dos caldeus e seguir para a terra prometida. Então é obvio que se Abraão foi o primeiro monoteísta, os persnagens anteriores a ele não foram, como Noé, Enoque, Matusalém etc.... Mas na escritura da a entender que sim. 

O fato é que o monoteísmo, foi adotado e sendo desenvolvido pelo povo judeu através dos anos, e só se solidificou de fato após o cativeiro Babilônico.

Até o ano de 586 a.C. quando começou o exílio dos israelitas em Babilônia o politeísmo fazia parte da cultura de Israel. Foi apenas após o exílio que a adoração única e exclusiva de Yahweh (Javé ou Jeová) tornou-se estabelecida e possivelmente só mais tarde no tempo dos Macabeus (2º século a.C.) que o monoteísmo se tornou universal entre os judeus. O Deus bíblico do Antigo Testamento provavelmente foi uma fusão de vários Deuses pagãos. 

escultura antiga do deus El, cananeu
A personalidade e os atributos de Yahweh foram influenciados por outras antigas divindades do Oriente como o Pai celestial El, o jovem guerreiro Baal e a senhora Asherah. Especialistas que estudam os textos bíblicos, leem antigas inscrições encontradas nos arredores de Israel e escavam sítios arqueológicos estão reconhecendo a influência conjunta de diversos Deuses pagãos antigos no retrato de Yahweh traçado pela Bíblia que parece ter múltiplas personalidades. Elementos comuns à cultura das antigas civilizações do Oriente Médio, principalmente da região onde hoje ficam o estado de Israel, os territórios palestinos, o Líbano e a Síria, contribuíram para as ideias que os antigos israelitas tinham sobre os seres divinos (Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman, The Bible Unearthed: Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. Simon & Schuster, 2002, pág. 241-42). 


     Há bons indícios de que o Deus do Velho Testamento é uma fusão entre um Deus idoso e paternal (El), um jovem Deus guerreiro (Baal) e a Deusa do sexo feminino (Asherah). 

Baal em hebraico significa senhor, mas também era o nome de uma divindade dos caldeus. Todos conhecem a história do profeta Elias contra os profetas de baal ou as várias menções a essa divindade nos livros proféticos, sobretudo jeremias:

"Os quais cuidam fazer com que o meu povo se esqueça do meu nome pelos seus sonhos que cada um conta ao seu próximo, assim como seus pais se esqueceram do meu nome por causa de Baal."  (Jeremias 23 : 27)

"Porque edificaram os altos de Baal, para queimarem seus filhos no fogo em holocaustos a Baal; o que nunca lhes ordenei, nem falei, nem me veio ao pensamento."  (Jeremias 19 : 5)

"E quando nós queimávamos incenso à rainha dos céus, e lhe oferecíamos libações, acaso lhe fizemos bolos, para a adorar, e oferecemos-lhe libações sem nossos maridos?"  (Jeremias 44 : 19)

Existe uma base cultural comum entre o antigo povo de Israel e seus vizinhos e adversários, os cananeus, moradores da terra de Canaã, como era chamada a região entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo em tempos antigos. A Bíblia retrata os israelitas como um povo quase totalmente distinto dos cananeus, mas os dados arqueológicos revelam profundas semelhanças de língua, costumes e cultura material. A língua de Canaã, por exemplo, era só um dialeto um pouco diferente do hebraico bíblico. Os cananeus não deixaram para trás uma herança literária tão rica quanto a Bíblia, no entanto, poucos quilômetros ao norte de Canaã, na atual Síria, ficava a cidade-Estado de Ugarit, cuja língua e cultura eram praticamente idênticas às de seus primos do sul. Ugarit foi destruída por invasores bárbaros em 1200 a.C., mas os arqueólogos recuperaram numerosas inscrições da cidade, nas quais dá para entrever uma mitologia que apresenta semelhanças impressionantes com as narrativas da Bíblia (Mark S. Smith, The Origins of Biblical Monotheism: Israel's Polytheistic Background and the Ugaritic Texts. Oxford University Press, USA, November 6, 2003. ISBN 978-0195167689).

     Uma das figuras mais proeminentes nesses textos é El, nome que quer dizer simplesmente “Deus” nas antigas línguas da região, mas que também se refere a uma divindade específica, o patriarca, ou chefe de família dos Deuses. O El de Ugarit tem paralelos muito específicos com a figura de Deus durante o período patriarcal, retratado no livro do Gênesis e personificado pelos ancestrais dos israelitas, Abraão, Isaac e Jacó. Nesses textos da Bíblia há, por exemplo, referências a El Shadday (literalmente “El da Montanha”, embora a expressão normalmente seja traduzida como “Deus Todo-Poderoso”), El Elyon (“Deus Altíssimo”) e El Olam (“Deus Eterno”). O curioso é que, na mitologia ugarítica, El também é imaginado vivendo no alto de uma montanha e visto como um ancião sábio de vida eterna.  Tal como os patriarcas bíblicos, El é uma espécie de nômade, vivendo numa versão divina da tenda dos beduínos e mais importante ainda, El tem uma relação especial com os chefes dos clãs e tal como Abraão, Isaac e Jacó, ele os protege e lhes promete uma descendência numerosa. Ora, a maior parte do livro do Gênesis é o relato da amizade de Deus com os patriarcas israelitas, guiando suas migrações e fazendo a promessa solene de transformar a descendência deles num povo “mais numeroso que as estrelas do céu”.

     Segundo o professor Frank Moore Cross, professor de Hebraico e outras Línguas Orientais, emérito da Universidade de Harvard, notável por seu trabalho na interpretação dos Manuscritos do Mar Morto, Yahweh (YHWH) era um título dado pelos primeiros israelitas à suprema divindade El, durante o período da Idade do Bronze (aproximadamente 1200 a.C.). Posteriormente, o contrário aconteceu, tornando-se a palavra El um título e Yahweh o nome próprio da suprema divindade israelita, talvez num ímpeto nacionalista daquele povo em querer se perceber diferente dos outros povos que habitavam a Palestina (Frank Moore Cross, Canaanite Myth and Hebrew Epic: Essays in the History of the Religion of Israel. Harvard University Press, 1997. ISBN 978-0674091764).

     Outra hipótese muito estudada é a chamada “Hipótese Quenita-Midianita”, proposta pelo teólogo holandês Cornelius Petrus Tiele em 1872, em que Yahweh originalmente era uma divindade originária de perto da região do Sinai, de Parã e Edom. A bíblia retrata que Moisés tinha conexões com os povos desta região, os Quenitas, por meio de seu sogro Jetro, que era Quenita:  

     “E Moisés tornou-se pastor do rebanho de Jetro, sacerdote de Midiã, de quem era genro” (Êxodo 3:1).

     “E os filhos do queneu, de quem Moisés era genro” (Juízes 1:16).

     Independentemente se um Moisés histórico existiu, esta história preserva uma tradição que os israelitas tinham em conexão com estes povos de vida nômade (Quenitas/Midianitas) que viviam na região desértica ao sul de Israel. Provavelmente a história da origem de Moisés é uma construção literária de tribos nômades como os primeiros israelitas e os cananeus adoradores da divindade El, para retratar a incorporação ao Deus do deserto Yahweh. A medida que houve uma miscigenação entre os povos, um acabou identificando sua divindade protetora com a outra, e com o tempo Yahweh foi incorporando aspectos da divindade El, numa espécie de sincretismo religioso (Donald B. Redford, Egypt, Canaan, and Israel in Ancient Times. Princeton University Press, 1992. ISBN 978-0691036069).

     Outros textos bíblicos corroboram com a tradição de que a habitação ou residência original de Yahweh (Jeová) era nesta região desértica próxima ao Sinai:

     “E ele passou a dizer: “Jeová — de Sinai ele veio, e raiou sobre eles desde Seir, reluziu desde a região montanhosa de Parã, e com ele havia santas miríades, à sua direita, guerreiros pertencentes a eles” (Deuteronômio 33:02)

     “Jeová, quando saíste de Seir, quando marchaste desde o campo de Edom, tremeu a terra... Montes fluíram de diante da face de Jeová, este Sinai, de diante da face de Jeová, Deus de Israel” (Juízes 5:4-5).

     “O próprio Deus passou a chegar de Temã, sim, um Santo desde o monte Parã. Sua dignidade cobriu [os] céus; e do seu louvor encheu-se a terra” (Habacuque 3:3).

     Uma evidência extra bíblica que concorda com esta visão de que Yahweh (YHWH) originalmente é associado com os povos de vida nômade que habitavam regiões desérticas próximas ao Sinai, foi encontrada no Templo de Amon em Soleb, Núbia, erigido pelo faraó Amenófis III (1391-1353 a.C.). Em uma parede do templo, o Faraó egípcio faz menção a um grupo de pessoas retratadas como “Shasu”, que no idioma egípcio significa “nômades/beduínos”. Dentre vários grupos de Shasu, encontram-se os “Shasu de YHW” (Michael C. Astour, Yahweh in Egyptian Topographic Lists. In Festschrift Elmar Edel, M. Gorg & E. Pusch, Bamberg, 1979 / Anson F. Rainey, Shasu or Habiru. Who Were the Early Israelites? Biblical Archeology Review 34:6, Nov-Dez / Dermot Anthony Nestor, Cognitive Perspectives on Israelite IdentityContinuum International Publishing Group, 2010 p.185) [Nota – As argumentações acima a partir da referência ao professor Frank Moore Cross são de autoria de Gustavo Padovan extraídas do link: http://extestemunhasdejeova.net/forum/viewtopic.php?f=11&t=14440#p286892].

     Quando Yahweh entra em cena na bíblia com seu “nome oficial” durante o êxodo bíblico, a impressão que se tem é que ele já absorveu boa parte das características de um outro Deus cananeu chamado Baal (literalmente “senhor”, “mestre” e em certos contextos, até “marido”), um guerreiro jovem e impetuoso que acabou assumindo na mitologia de Ugarit e da Fenícia (atual Líbano) o papel de comando que era de El. Indícios dessa nova “personalidade” de Deus surgem no fato de que, pela primeira vez na narrativa bíblica, Yahweh é visto como um guerreiro, destruindo os “carros de guerra e cavaleiros” do Faraó e mais tarde, guiando as tribos de Israel à vitória durante a conquista da terra de Canaã. Tal como Baal, Yahweh é descrito como “cavalgando as nuvens” e “trovejando”. E mais importante ainda, uma série de textos bíblicos falam de Deus impondo sua vontade contra os mares impetuosos (como no caso do Mar Vermelho) ou derrotando monstros marinhos (Isaías 51:9; Êxodo 14:15-31). 

Há aí uma série de semelhanças com a mitologia Cananéia sobre Baal, o qual derrotou em combate o Deus-monstro marinho Yam (o nome quer dizer simplesmente “mar” em hebraico) ou “o Rio” personificado. Na mitologia do Oriente Próximo, as águas marinhas eram vistas como símbolos do caos primitivo, e por isso tinham de ser derrotadas e domadas pelos Deuses. Yahweh também é associado à chuva e à fertilidade da terra pelos antigos autores bíblicos, atributos que aparecem entre as funções de Baal (John Day, Yahweh and the Gods and Goddesses of Canaan [Library Hebrew Bible/Old Testament Studies]. Bloomsbury T&T Clark; 1 edition, December 1, 2002. ISBN 978-0826468307).

     Asherah possivelmente era uma Deusa e consorte de Yahweh no Antigo Israel e não um simples atributo deste. Há referências à adoração de vários Deuses pelos reis israelitas. É relatado na bíblia que Salomão construiu vários templos para muitos Deuses e Josias destruiu as estátuas de Asherah que foram erguidas por seu avô Manassés. (1º Reis 11:1-8; 2º Reis 21:1-9) Várias descobertas arqueológicas nos ajudam nesta reflexão, destacando as de Khirbet el-Qom em 1967 e a de Kuntillet Adjrud em 1976, que traz a inscrição “abençoo-te em Yahweh de Teman e sua Asherah” mostrando claramente que a Deusa Asherah era encarada na época como uma companheira ou esposa de Yahweh. Um dos mais antigos artefatos arqueológicos de Israel datado de 1000 a.C., um púlpito politeísta de Tanach escavado em 1968 pelo arqueólogo americano Paul Lapp, apresenta representações da Deusa Asherah e Yahweh, mostrando a natureza politeísta da antiga cultura israelita. (Othmar Kell and Christoph Uehlinger, Gods, goddesses, and images of God in ancient Israel. Fortress Press, 1998, págs. 228-239 / Meindert Djikstra, I Have Blessed you by YHWH of Samaria and his Asherah: Texts With Religious Elements from the Soil Archive of Ancient Israel, in Bob Becking, Only One God? Monotheism in Ancient Israel and the Veneration of the Goddess Asherah. Sheffield Academic Press, 2001, págs. 32-34).

     O livro bíblico dos Provérbios, bem como alguns outras fontes israelitas, apresenta a figura da Sabedoria personificada, uma espécie de “auxiliar” ou “primeira criatura” de Deus que o teria auxiliado na obra da criação do mundo. Segundo o texto dos Provérbios, Deus “se deleita” com a Sabedoria e a usa para inspirar atos sábios nos seres humanos (Provérbios 8:22-31). Para muitos pesquisadores a figura da Sabedoria incorpora aspectos da antiga Asherah na maneira como os antigos israelitas viam Deus. 

Embora o próprio Deus não seja descrito como feminino, haveria uma complementaridade entre ele e sua principal auxiliar. Portanto, assim como os antigos gregos, os israelitas tinham um panteão de Deuses em sua adoração como Yahweh, Baal e Asherah, conforme comprovado por evidências arqueológicas.   

     A proibição da Deusa Asherah é fruto de um dado momento histórico de elaboração e ascensão do monoteísmo. A identidade judaica, após a drástica experiência do exílio babilônico e na tentativa de reorganização da nação, passa a se basear num só Deus. A centralidade em Yahweh se torna um fator importante da nova identidade nacional em formação, que foi moldada pelos movimentos reformadores de Esdras e Neemias






A idolatria passa a ser a causa da ruína de Israel. Vemos este reflexo no conflito que os textos bíblicos demonstram em relação a Asherah e a outros Deuses e Deusas, bem como, em relação principalmente às mulheres estrangeiras. A elaboração e instituição do monoteísmo não aconteceu de forma democrática e pacífica. A partir de um contexto politeísta, a centralidade em Yahweh é um processo violento, proibindo e demonizando o diferente como uma ameaça. Um processo nítido de intolerância religiosa e destruição da cultura anterior. A supressão do culto e da imagem da Deusa Asherah traz consequências profundas, afetando em especial as mulheres, que tinham na Deusa uma possibilidade de representação do feminino no sagrado. Assim, a religião judaica vai se constituindo em torno de um único Deus masculino, sustentando historicamente uma sociedade patriarcal (William G. Dever, Did God Have a Wife? Archaeology and Folk Religion in Ancient Israel. Wm. B. Eerdmans Publishing Co. July 23, 2008. ISBN 978-0802863942).

     Um relato bíblico que demonstra bem esta questão do politeísmo no Antigo Israel encontra-se no livro de 1 Samuel capítulo 15. Nesta passagem o profeta Samuel ordena que Saul, o primeiro Rei de Israel destrua a nação de Amaleque, que segundo o profeta havia agido mau para com os israelitas no passado. A orientação é destruir tudo sem dó nem piedade, incluindo mulheres e bebês, até mesmo os animais. Só que Saul resolveu ter compaixão e não matou o Rei Aguague e o melhor do rebanho amalequita. Quando Samuel ficou sabendo disso ficou furioso com o Rei Saul que tentava de todas as formas explicar os motivos que o levaram a agir daquela forma. Mas o profeta Samuel não quis dar ouvidos as explicações do Rei Saul, ele disse que Jeová (Yahweh) havia rejeitado Saul. Desesperado o Rei Saul agarra a aba da túnica do profeta e implora usando a seguinte expressão: “Pequei. Agora, por favor, honra-me diante dos anciãos do meu povo e diante de Israel, e volta comigo, e eu certamente me prostrarei diante de Jeová, teu Deus” (1ª Samuel 15:30).

     Observou a última expressão usada pelo Rei Saul, “teu Deus”? O texto mostra claramente que Jeová (Yahweh) era o Deus de Samuel, mas Saul prestava reverência a outro Deus além de Jeová. Samuel não era da mesma tribo de Saul, pelo visto cada tribo tinha um Deus considerado o principal e provavelmente Jeová não era o Deus principal da tribo de Saul. Se Jeová fosse o Deus principal de Saul ele usaria a expressão “nosso Deus”. Mas não foi esta expressão que Saul usou, o texto é bem claro, ele disse “teu Deus”. O fato de Saul ter dito “teu Deus” era porque Samuel era um profeta de Jeová. Havia profetas de vários Deuses no Antigo Israel, profetas de Jeová, profetas de Baal, profetas de Asherah, etc. Cada um era consultado para determinado assunto. Presume-se que Jeová era associado à guerra, portanto, esta divindade era consultada para este tipo de assunto. 

Em certa ocasião, o Rei Acazias de Israel pediu consulta ao Deus Baal-Zebube, para saber se ele se recuperaria de seu acidente. Provavelmente, Baal-Zebube era uma divindade ligada à cura: “Certo dia, Acazias caiu da sacada do seu quarto no palácio de Samaria e ficou muito ferido. Então enviou mensageiros para consultar Baal-Zebube, deus de Ecrom, para saber se ele se recuperaria” (2 Reis 1:2, Nova Versão Internacional). Se Saul estivesse interessado em saber algo relacionado com sua saúde ou de sua família possivelmente teria consultado um profeta de Baal-Zebube. É sabido que Saul tinha um filho chamado Esbaal, cujo nome significa Homem de Baal: “Ner gerou Quis, que gerou Saul. Saul gerou Jônatas, Malquisua, Abinadabe e Esbaal(1 Crônicas 8:33, Nova Versão Internacional). [Nota – O parágrafo acima é de autoria de Gustavo Padovan extraído do link: http://extestemunhasdejeova.net/forum/viewtopic.php?f=11&t=14925#p294442]

     Obviamente, depois do exilio babilônico, os escribas que reescreveram a história de Israel fizeram questão de colocar os profetas dos outros Deuses que não fossem de Jeová (Yahweh) como sendo falsos e os que os seguiam como sendo pessoas desviadas da verdadeira fé. Sempre quando havia alguma disputa entre os profetas para determinar quem era o verdadeiro e mais poderoso Deus, os escribas passaram a colocar os profetas de Jeová (Yahweh) com sendo sempre os vitoriosos, dando assim suporte a adoração monoteísta que eles queriam justificar e perpetuar. Apesar dos reformadores do período pós exilio reescreverem a história de Israel tentando retirar todos os traços de politeísmo de seus escritos sagrados, observamos em algumas passagens expressões que indicam a cultura politeísta do antigo Israel. Observe alguns versos na bíblia que mostram Yahweh (Jeová) como um entre vários outros Deuses existentes.

     “Quem entre os deuses é semelhante a ti, ó Jeová?”. Entre os deuses, Hebraico: ba·’e·lím, plural de ’El (Êxodo 15:11).

     “Não há nenhum igual a ti entre os deuses, ó Jeová, nem há quaisquer trabalhos iguais aos teus”. Entre os deuses, Hebraico: va·’elo·hím; Grego: the·oís (Salmos 86:8).

     “Agora sei deveras que Jeová é maior do que todos os [demais] deuses”. Os [demais] deuses, Hebraico: ha·’elo·hím; Grego: tous the·oús (Êxodo 18:11).

     “Pois, Jeová, vosso Deus, é o Deus dos deuses”. Ou “Deus de deuses”, Hebraico: ’Elo·héh ha·’elo·hím; Grego: The·ós ton the·ón (Deuteronômio 10:17).

     “O Deus dos deuses, Iahweh, o Deus dos deuses, Iahweh, bem o sabe, e Israel deve sabê-lo: se houve de nossa parte rebelião ou infidelidade para com Iahweh, que ele deixe de nos salvar neste dia”. Ou “Deus de Deuses”, Hebraico: ’El  ’Elo·hím  Yehwáh (Josué 22:22, Bíblia de Jerusalém).

     “Fala Iahweh, o Deus dos deuses, convocando a terra, do nascente ao poente”. Ou “Deus de deuses”, Hebraico: ’El ’Elo·hím (Salmos 50:1, Bíblia de Jerusalém).

     Expressões como “Entre os deuses”, “Os demais deuses” e “Deus de deuses” são claras em demonstrar a cultura politeísta no antigo Israel.

    O melhor termo para enquadrarmos a antiga religião israelita seria o monolatria, que significa o reconhecimento da existência de outros Deuses, mas prestação de adoração consistente e exclusiva à apenas um Deus. Porém, até mesmo esta classificação pode ser contestada, haja vista que a história israelita que sobreviveu até nós foi contada pelos Judeus séculos depois dos acontecimentos. Para os sacerdotes do Judaísmo do 2º Templo (após a queda da Babilônia) seria um vexame mencionar que outros Deuses eram adorados conjuntamente com Jeová, portanto eles reescreveram a história, apontando que a adoração de outros Deuses foi uma exceção, um desvio. Porém a arqueologia está provando cada vez mais que aquilo que a bíblia conta como exceção na verdade era a regra, o politeísmo era a principal religião deles (Mark S. Smith, The Early History of God: Yahweh and the Other Deities in Ancient Israel [Biblical Resource Series]. Wm. B. Eerdmans Publishing Company, 2 edition, August 3, 2002. ISBN978-0802839725). [Nota - O parágrafo acima é de autoria de Gustavo Padovan extraído do link: http://extestemunhasdejeova.net/forum/viewtopic.php?f=11&t=14767&st=0&sk=t&sd=a&start=10#p291998]



Fonte - Este texto foi extraído do livro "A Bíblia Sob Escrutínio", publicado pela Editora Clube de Autores. Para conhecê-lo acesse o site através deste link: www.clubedeautores.com.br/book/161402--A_BIBLIA_SOB_ESCRUTINIO 


A ORIGEM DA DIVINDADE IAVÉ E A PEQUENA HISTÓRIA DA RELIGIÃO DE ISRAEL
De Edmilson Bento da Silva

Prefácio
O ensaio que abaixo reproduzo trata-se de uma palestra por mim proferida na Universidade Federal Fluminense, no Centro de Estudos Interdisciplinar de Antiguidade (CEIA), às 08:00 horas do dia 26 de outubro de 1999. Naquela época, meu intento era rebater a visão histórica evolucionista e idealista a respeito da história da religião do antigo Israel. Por visão evolucionista os historiadores denominam a abordagem sequencial e linear: fetichismo?politeísmo? monoteísmo, e, por visão idealista, compreende o modo de explicação dos eventos históricos que privilegia o papel da consciência (as "grandes idéias"), expressas nas idéias políticas, éticas, filosóficas, científicas, etc. que mudam por si só no curso da história, sem considerar a vida social e o contexto sócio-histórico em que tais idéias emergem. Minha surpresa foi constatar que os alunos universitários ali presentes, ao no lugar de abrir um diálogo sobre as novas abordagem e novas fontes para a pesquisa, se sentiram indignados com o processo de historização do fenômeno da crença.
Por incrível que pareça, os dados descritos abaixo a respeito do desenvolvimento da religião iaveística é de conhecimento comum a teólogos (católicos e protestantes) e biblistas.

I - O nome
O nome da divindade israelita é chamada Iavé. A palavra "Yahweh" é o termo acadêmico e consagrado do nome próprio em hebraico da divindade israelita YHWH, oriundo das quatro letras hebraicas: הוהי (iod-he-vav-he) lida de trás para frente cuja leitura é aproximadamente "ieuê" ou "iaué". O nome Jeová constitui um erro de tradução; ocorreu devido ao tabu de não pronunciar o nome da divindade, assim, quando o sacerdote lia o texto do Pentateuco e aparecia as quatro letras YHWH, substituía a pronúncia pela palavra Adonai(meu senhor). Muito mais tarde, no século XVI de nossa era, os exegetas interpolaram as vogais de Adonai: a-o-ai, daí Jahovah ou Jeovah. Apesar de popular, a notação não corresponde a fatos e sim a um acidente histórico, e deve ser recusada.
A pronúncia primitiva e correta da divindade israelita não pode ser fixada com precisão. Mesmo a forma do nome Iavé não é correta, esta forma pode ter origem na teologia do estamento sacerdotal que forçou a aproximação de YHWH com a passagem do Êxodo III, 13-15:  ehyeh ,asher ,ehyeh, ao qual é traduzido por "eu sou aquele que sou" ou então, "eu sou aquele que é", sugerindo que o nome de YHWH provém da forma imperfeita da raiz qal cujo verbo é hyy (haia), o verbo ser hebraico. O prefixo "Y" põe os verbos hebraicos no futuro e anteposto à raiz "HWH" (infinitivo presente do verbo "ser"), faria o significado de YHWH em: "o ser para todo o sempre", o ser absoluto, assim entendido, como quer a versão dos Setenta, que traduziu para o grego: εãù åéìé ´ï ïí (ego eimi ho ôn). Todavia, o redator da passagem do Êxodo III, 13-15, movido pelo extremo zelo do tabu da pronúncia do nome, utilizou este recurso enigmático, para criar um rodeio poético, equivalente recusa da divindade em responder, impedindo a Moisés vir a conhecer a sua natureza. Os especialistas que fazem derivar o nome de Iavé da raiz hyy não estão em acordo sobre a forma de como reconhecê-la em Yahweh. Eles entendem que o nome de Iavé deve ser traduzido por "ele é" ou "ele faz ser". No entanto, é mais fácil reconhecer em Yahweh uma outra raiz, hwh/hwy, a raiz do verbo hebraico que significa "cair", "abater", "descer", desapareceu quase que por completo no hebraico, mas se conservou no árabe. Julius Wellhausen, D. H. Holzinger e H Bauer Leander defendem que o nome Yahweh deriva da raiz semítica hwh "cair".
Os primeiros cristãos anotavam a pronúncia de YHWH nas letras gregas Iabe(iabe), Iaone (iaoune), Iaonai (iaounai). Nos papiros míticos judeus-cristãos a forma é Iawonhe (iaôouêe). Já a transcrição grega mais freqüente e também a mais antiga é a notação Iao (íao), que é atestada desde o Qumran.
Roland de Vaux e André Caquot tentaram reconstituir a antiga pronúncia e forma do nome de Iavé. Eles acreditam que podem encontrar o antigo nome da divindade israelita nos nomes teóforos hebraicos correspondentes a Yeho eYahu. A forma Yeho é atestada nos nomes Yehokhakin (Joaquim), Yehoshuah(Josué ou Jesus). A forma Yahu é encontrada nos nomes Azaryahu (Azarias),Yahuddah (Judas) e Mattitiyahu (Matias). Também há uma forma curta Iah que aparece em outros nomes: Azaryah (Azarias), Tobiyah (Tobias) e na expressão hallelu-yah ("deus seja louvado"). Atualmente, a partir destas formas teóforas, formou-se um consenso em torno da palavra Yaho para designar o nome primitivo da divindade israelita, tal como querem Roland de Vaux e André Caquot.


II - A origem do deus
Segundo Jean Leclant, egiptólogo, o nome do deus de Israel é um topônimo. Baseando-se em escavações arqueológicas realizadas em Soleb, na margem esquerda do Nilo, foi encontrada uma inscrição na sala hipostila do templo erguido por Amenhotep III; a inscrição contida no escudete (séc. XIV a. C.) refere-se a um povo nômade inimigo do Egito ao leste. O trecho é o seguinte:to sho-su iahuo; "to" refere-se à designação geopolítica, terra estrangeira; o vocábulo "sho-su" remete-se aos habitantes do deserto, aos povos nômades; e o termo "iahuo" é identificado com o nome de alguma montanha, situada a leste do Egito e ao sul da Palestina. A decifração da inscrição é o seguinte: "terra dos shosu de Iahuo". Ou melhor "país dos beduínos de Iahuo". SeLeclant estiver certo, a inscrição é a mais antiga notação histórica conhecida do nome do deus de Israel fora da Bíblia. Argumenta Jean Leclant que do nome desta montanha, os israelitas teriam tirado o nome da divindade protetora de sua confederação. Em apoio a afirmativa de Leclant, destacamos: 1- o nomeIahuo está em acordo com a antiga pronúncia defendida por alguns biblistas juntamente com Roland de Vaux e André Caquot (Iahuo = Yaho); 2- o nome se aproxima muito da mais antiga transcrição grega (Iao = Yaho); e 3- a referência ao deus de Israel na inscrição moabita, conhecida como a estela deMesha (século IX a. C.), permite fazer a transcrição do nome da divindade com o final em "o" (Yahu = Yaho).
Assim, Yahweh é a pronúncia transfigurada de Iaho, um deus cultuado em uma desconhecida montanha Iahuo, em território madianita.
O deus dos israelitas é o resultado do sincretismo religioso do deus dos relâmpagos, Iahu, dos madianita e quenitas, conhecido também pelos arameus do norte da Síria, com a divindade das terríveis tempestades de deserto, o deus Ya'uq, temido pelos árabes, ao qual os hebreus entraram em contato nos séculos XII e XI a. C.




III - O período "pré-mosaico" (séc. XIV a. C.)
Dados da historiografia e da arqueologia não atestam o culto de Iavé antes do século XIII a. C. e, portanto, antes de Iavé tornar-se o protetor da confederação tribal israelita, os hebreus admitiam vários sistemas religiosos simultâneos, e nenhum deles entravam em conflito na cabeça daqueles nômades.
Os hebreus pertenciam a grande etnia semítica. Os antigos semitas veneravam uma força impessoal, invisível e intangível, expressa no princípio divino 'l, que agia na natureza mas não tinha consciência de si. Este princípio divino aparece em todas as civilizações semíticas posteriores como Allá dos árabes, El dos cananeus, Baal dos fenícios, Ilu dos assírios e Bel dos caldeus.

A) O culto ao "deus dos pais". Os líderes dos acampamentos, os patriarcas, rendiam culto especial ao chamado "deus dos pais", o antepassado mítico do clã. Cada clã possuía seu "deus dos pais", uma espécie de herói lendário que fundou o clã e transmitiu os costumes e instituições da família. O "deus dos pais" não tinha um local fixo de culto, residia em uma tenda especial e acompanhava as viagens do clã pelo deserto e pela estepe, assegurando o bom relacionamento com os vizinhos e protegendo os membros do clã contra os infortúnios das viagens. O "deus dos pais" não possuía uma representação figurativa, porque é extremamente difícil no deserto e na estepe a confecção de imagens.
Paralelamente ao culto do "deus dos pais", os hebreus veneravam árvores, fontes de água, grutas, montes, etc., que se relacionavam de alguma maneira com os eventos lendários do mito do "deus dos pais" (locais por onde o antepassado passou, etc.). Por outro lado, estes objetos da natureza também eram compreendido como entidades sagradas, pois, eram o receptáculo de uma força invisível, similar aos gênios das tribos árabes.

B) O culto às pedras. Os hebreus dos século XIV também veneravam pedras mágicas, os terafins, relacionados também ao culto ancestral. Apareceram após a supressão ao culto de imagens de "deusas-mães", que as mulheres recorriam a sua proteção no momento do parto. Os terafins não eram propriamente deuses mas, amuletos mágicos, símbolos da prosperidade. Estas pedras eram mantidas dentro das tendas.
 "E fez Gideão dele um éfode, e colocou-o na sua cidade, em Ofra; e todo o Israel prostituiu-se ali após ele; e foi por tropeço a Gideão e à sua casa."  (Juízes 8 : 27)
"E teve este homem, Mica, uma casa de deuses; e fez um éfode e terafins, e consagrou um de seus filhos, para que lhe fosse por sacerdote."  (Juízes 17 : 5)
Moisés faz uma serpente em uma haste e
todos que olhassem para ela seriam curados
C) O culto às forças naturais e à serpente. Era crença corrente que uma entidade furiosa habitava o deserto e os hebreus imputavam a esta força a responsabilidade pelas tempestades de areia que derrubava as tendas e desaparecia com as rezes, além de trazer as doenças como urticária que atacavam o gado. Para aplacar a ira desta entidade, os hebreus recorriam ao sacrifício do cordeiro e do bode. Era um sacrifício pascal, praticado antes do início da primavera, quando então, imolava-se um cordeiro. Um sacrifício análogo ocorria no outono, antes da transumância para a pastagem na estepe, quando então, era solto um bode no deserto. A circuncisão, prática encontrada entre os sacerdotes egípcios da Antiguidade e numerosas tribos árabes, era uma medida para afastar a infertilidade que poderia abater tanto sobre a família quanto sobre o gado: para agradá-la, recorria-se a circuncisão, a entidade fugia afugentada pelo horror ao sangue ou era aplacada com o rito. O prepúcio era oferecido e, ocorria na ocasião da passagem do membro masculino para a vida adulta ou da iniciação ao casamento. O culto à serpente era uma prática muito comum na Palestina; imagens de serpentes recebiam culto especial pois, com este culto apotropeico, os hebreus julgavam afastar ou minimizar as picadas das víboras reais, já que eram muito freqüente na Palestina.
 
A circuncisão já era praticada no Egito.
D) Práticas mágicas. Os hebreus eram um povo rude, sem escrita e muito supersticioso. Havia numerosas interdições religiosas de carácter alimentar, sexual e social. Vivendo em um ambiente hostil do deserto e da estepe, em confronto com povos vizinhos e sofrendo constantes perigos de animais selvagens, os hebreus recorriam freqüentemente às magias. Entre elas, destacam-se a crença no "mau olhado", o poder mágico da palavra (proferido como bênção ou maldição pelo moribundo), a crença na magia da dança da chuva e da dança da guerra, o uso mágico do vestuário, a magia da impostura da mão, o uso da necromancia, etc. Havia, curandeiros, videntes, adivinhos.

E) Os mitos. Há forte indícios que os antigos hebreus conheciam uma pluralidade de mitos, entretanto, a grande maioria foi combatida e propositadamente esquecida pelo clero iaveísta. Os hebreus acreditavam na existência de gigantes, do monstro marinho Tannin e no dragão Leviatã; possuíam uma concepção que acima da abóbada celeste era coberta por água. A presença mitológica de animais fabulosos, os serafins, criaturas sinuosas, serafim está na raiz srph, (seraph), que significa "abrasador", uma alusão a crença em dragões.

IV - O antigo iaveísmo (sécs. XIII e XII)
Com o assentamento em Palestina, os hebreus, agora denominados israelitas, tornaram-se agricultores e fundaram uma confederação tribal denominada Beni-Israel, filhos de Israel. Nesta época, o contato com a civilização cananéia provocou modificações na religiosidade israelita. O culto ao "deus dos pais" foi substituído pelo culto à divindade cananéia El, o deus do céu, da palavra el, originou no hebreu o termo eloá, deus; a palavra eloim é o plural intensivo de eloá, para designar a majestade divina.

A) A emergência do culto de Iavé. A origem de Iavé está ligada ao grupo que saiu do Egito em 1.200 a. C., conheceu a divindade madianita Yahu e fez o sincretismo com o Ya'uq dos árabes, constituindo, então, em Yaho. Deus guerreiro, senhor do relâmpago, tal como sugere o nome original Yaho do verbo hwh/hwy primitivo, que significa "cair", "abater", ou "descer", uma clara alusão ao relâmpago, assegurava a vitória sobre os inimigos de Israel.
O grupo que saiu do Egito dirigiu-se ao oásis de Cades, onde ali receberam elementos que futuramente iriam se constituir na tribo dos levitas. Esses futuros levitas cultuavam o deus-serpente Nehustan da palavra nahash, o deus símbolo da sabedoria e da cura medicinal. Os levitas, cuja palavra árabe lawah significa "desenroscar-se", possui uma etimologia muito parecida com Levi-athan, o dragão, adentraram ao círculo de Moisés após a saída do Egito e identificaram em Iavé atributos do seu próprio deus e foram um dos principais divulgadores do iaveísmo. Este clero trouxe para o culto israelita um nova modalidade de adivinhação: os objetos de pedra urim e tumim (que significam respectivamente "maldito" e "inocente"). Relacionados a prática oracular, estes objetos eram mantidos dentro de sacolas, e quando se fazia uma pergunta e se tirasse um tumim, significava um "sim", e se tirasse um urim significava um "não".
Iavé era sempre evocado no contexto das batalhas com os povos vizinhos como convém a um deus guerreiro, pois, era o protetor da confederação tribal israelita.

Efode, um tipo de oraculo de pedras utilizado
pelos sacerdotes em sua veste para se
comunicar com deus


B) Os outros cultos. Com a adoção da agricultura, os israelitas cultuavam os diversos "baals" de cada localidade, tidos como generosos propiciadores de abundante colheita. Era a Baal e não a Iavé que os agricultores israelitas julgavam a responsabilidade da fertilidade do solo. Os "baals" eram concebidos na forma de um tronco de árvore decepado, de uma estaca de madeira fincada no terreno ou na forma de um amontoado de pedras.
Os terafins assumiram uma forma humana e passaram a ser amuletos de cunho pessoal, em vez de ser da família, como era na época da pastorícia. Quando os terafins eram recobertos com algum tipo de metal chamavam-se de éfode. O éfode, do hebraico 'pd, significa: 1o a parte do vestuário sacerdotal, a tanga de linho, usada pelos ministros do culto, 2o o éfode do sumo-sacertode, espécie de colete preso por um cinto e suspensório, 3o os objetos oracular e surim e tumim.
 "Antes andaram após o propósito do seu próprio coração, e após os baalins (Baals , deuses), como lhes ensinaram os seus pais."  (Jeremias 9 : 14)
V - O Iaveísmo no Período dos Juízes (secs. XII - X a. C.)

A) Os ritos agrários. No período pré-estatal, os israelitas adotaram muitos deuses cananeus, além de El e de Baal, as divindades cananeias adotadas possuíam um atributo específico, de acordo com a divisão do trabalho, reflexo que se operava na complexificação da sociedade. Havia Dagon, o deus do trigo; Astarte, a deusa do amor; Tammuz, o deus da vegetação; a deusa do Sol, Shapach, e a deusa-mãe Asherah associada ao culto de Baal. 
"E levou-me à entrada da porta da casa do SENHOR, que está do lado norte, e eis que estavam ali mulheres assentadas chorando a Tamuz."  (Ezequiel 8 : 14)

A preocupação com a fecundidade da terra afetou profundamente o iaveísmo. Os camponeses adoravam Iavé na forma de um touro em um altar cercado por uma paliçada (que mais tarde a teologia sacerdotal transformou na narrativa do "Bezerro de Ouro"). A assembléia de anciãos recorria a Iavé na forma de máscaras humanas (encontradas em Hazor) para obter oráculos sobre a estratégia de guerra. E, na liturgia, os sacerdotes utilizavam um objeto, o éfode.
 "Porém ele restituiu aquele dinheiro à sua mãe; e sua mãe tomou duzentas moedas de prata, e as deu ao ourives, o qual fez delas uma imagem de escultura e uma de fundição, que ficaram em casa de Mica."  (Juízes 17 : 4) Mica, um juiz de Israel.

B) Os deuses tribais. Cada tribo, além disso, possuía um patrono: o asno, o cordeiro, o bezerro. As tribos do norte (José e Efraim) cultuavam o deus-touro, símbolo da fecundidade.

C) O deus El. A divindade cananéia El era o deus do céu, os cananeus julgavam-no o criador do mundo e da humanidade; o seu culto foi sobrepujado pelo deus Baal, tornando, assim, um deus ocioso. Entretanto, os israelitas associaram os atributos do deus El ao deus Iavé, criando agora um novo sincretismo. Acontece que o El israelita era uma divindade da confederação tribal, era uma entidade impessoal, por exemplo, Iavé-El era adorado sob a forma de vários epítetos, cada um deles evocado de acordo com um contexto específico. El Elion, o deus altíssimo (a parte mais alta de uma porta); El Shaddai, "o todo poderoso" (na verdade, a etimologia da palavra sugere ser o deus da estepe: shaddu, estepe), era cultuado em Manre; El Sebaot, o "deus das hostes celestiais", evocado no contexto da batalha, era adorado em Silo;El Ro'i, o deus da visão, "o onisciente", cultuado em Neguebe; El Olam, o deus eterno, cultuado em Berseba; El Bethel, o deus de Bethel, cultuado nesta cidade; sem mencionar, é claro nos vários qone eretz, o possessor do solo, representado pelos "baals", e o massebah (plural massebot), estela de pedra, na forma de um falo, símbolo das divindades masculinas cananéias. Havia um versão feminina dessa estela: a asherah (plural asherot).

D) A representação de Iavé. O carácter anícola de Iavé não foi uma peculiaridade na História das Religiões. Na Antigüidade houve povos que concebiam que o seu deus supremo como uma divindade cósmica, com poderes extraordinários mas, restritos ao seu país. Estes povos concebiam o seu deus sob a forma humana mas, admitiam que nenhum humano podia vê-los. Inclusive, entre os assírios, Assur, aparentemente não chegou a ter representação figurativa. Além disso, as tribos árabes do norte da Síria possuíam uma concepção metafísica de uma força invisível, o princípio 'l, que certamente contribuiu para a formação do mito de Iavé. Por outro lado, os israelitas não desconheciam ídolos religiosos, como já foi mencionado. Ademais, além do símbolo do touro, no dia a dia da vida do camponês havia o éfode, a massebah, e a arca da aliança, o símbolo da presença do deus. Os trechos do Êxodo XX, XXIII e XXIV, 17 proíbem a representação do deus de Israel moldado em metal, ouro ou prata, o que deixa livre o uso de outros materiais como osso, madeira e pedra, certamente menos custosos. Era senso comum que os israelitas concebiam do seu deus nacional Iavé na forma humana e pertencente ao sexo masculino; é um deus temível, exigente, vingativo e muito ciumento - constitui um reflexo de uma sociedade altamente militarizada, machista e patriarcal -, protegia seu povo e era implacável com quem o contestasse. Os textos do Pentateuco comentam a sua personalidade: Iavé descansa, arrepende-se, ira-se, alegra-se, ouve, vê e fala aos homens.

E) O monoteísmo. Na mente da população camponesa, iletrada e restrita ao seu território, a idéia de uma divindade humana, de carácter universal, única e sem representação figurada era deveras abstrata e difícil de conceber. Outrossim, os israelitas aceitavam normalmente que os deuses de outros povos eram tão verdadeiro quanto o seu, Iavé era o deus nacional de Israel assim como Marduc era o deus nacional da Babilônia, Assur o deus dos assírios, Quemoch o deus dos moabitas e Milcom, a divindade protetora do povo amorita, o que significava que o israelita comum professava uma monolatria (processo pelo qual um devoto diante de uma multiplicidade de divindades, declara culto exclusivo a uma só, por uma espécie de bajulação excessiva e uma relação afetiva para com o seu deus, excluindo os demais deuses mas, reconhecendo-os como reais).

VI - O iaveísmo no período da monarquia (secs. X - VII)
O iaveísmo conviveu com a religião cananéia e foi pouco a pouco absorvendo suas concepções. Tal sincretismo continuou por muitos séculos, tal como podemos encontrar na religião dos colonos judeus, no século V a. C., em Elefantina, Egito, que, inclusivamente, conceberam uma divindade fêmea consorte de Iavé: Anat Iahu.
Iavé estava a frente de uma multiplicidade de divindades, era o deus supremo de Israel, o protetor da confederação tribal, contudo, no dia a dia, os israelitas recorriam as divindades mais ligadas ao culto agrário: os deuses tribais tinham mais substância e presença do que o deus supremo - Iavé era o deus nacional da confederação tribal e não um deus de cunho pessoal. Por outro lado, devemos considerar que as concepções do iaveísmo variavam muito de aldeia para aldeia e na prática, cada pessoa interpretava livremente os mitos e os ritos.

A) A participação do Estado na religião. Quando a realeza unificou as tribos, deu realidade a idéia de Israel, mas tarde formulada na mitologia do "pacto". Neste ponto, o iaveísmo foi bastante promovido pelo Estado: foi a corte e o clero ligado ao palácio que tiveram recursos para criar a literatura religiosa e o culto elaborado. Na ideologia de Estado, Iavé foi comparado à realeza: era um deus que governava Israel com sua corte celestial; dizia-se que Iavé possuía servos, mensageiros, um trono e indumentária; reinava em Israel assim como os outros deuses reinavam em outras nações.
O clero elaborou um primitivo decálogo (dez mandamentos), mais tarde atribuído a Moisés, onde podemos encontrar as antigas concepções do iaveísmo:
1- Não curvarás a tua fronte diante de nenhum deus estrangeiro.
2- Não construirás nenhum deus de metal fundido.
3- Observarás sempre a festa dos ázimos, no mês de nisan(março/abril), para recordar a tua passagem no deserto. [O termo hebraico é pesah, em grego é dito pascha, que se tronou depois páscoa. Relacionava primitivamente à festa do início da primavera. Veja a parte III-C.]
4- Todo primogênito é meu: resgatarás com um sacrifício o primeiro parto entre a criação, grande ou pequena, o primogênito entre os filhos. [O sacrifício de crianças não era desconhecido pelo iaveísmo; sacrificava-se crianças na ocasião da erecção da pedra angular ou no término de uma construção; entretanto, considerando a alta taxa de mortalidade infantil, é possível que as crianças fossem oferecidas já mortas. Outrossim, o sacrifício a Iavé era as rezes]
5- Jamais comparecerás diante de mim de mãos vazias.
6- Três vezes por ano todos os teus filhos homens comparecerão perante o Senhor. [As três festas pastorais da primavera, do verão e do outono]
7- Jamais deixarás correr o sangue da minha vítima diante do pão fermentado. [Lembranças das velhas proibições rituais, ligado ao carácter sagrado do sangue e do lêvedo]
8- Não deixarás para amanhã o consumo de minha vítima pascal. [ Para que não se esgote a carga mágica que traz em si todo animal sacrificado aos poderes divinos]
9- Levarás a flor das flores das primícias do solo à casa de Iavé.
10- Não cozinharás o cabrito no leite da sua mãe. [Esta é uma antiga proibição tabu, encontrada, sob uma forma mágica, em uma das lâminas órficas descoberta nos túmulos da Magna Grécia, em Turi, hoje Terra Nova de Sibari, Calábria, século IV a. C.: "Cabrito cai no leite", isto é, estou para me tornar imortal]

B) Os novos mitos. Israel agora concebia a sua divindade principal com a mesma noção de deuses indo-europeus e sumero-acadiano, isto é, como um senhor poderosíssimo acima da humanidade, ao qual o devoto deveria submeter-se e servir; de fato, isto se explica pelo motivo de o iaveísmo está no contexto de uma sociedade de classes, reflexo da existência de senhores poderosos reais. O clero estatal elaborou uma mitologia para a religião, graças aos acréscimos vindo da Mesopotâmia: da Assíria, incorporaram a idéia de querube (plural, querubim), do caribu assírio, gênios com cabeça de homem, corpo de leão ou touro, asas de águia e patas de ouro, que vigiavam as portas de templo e palácios; da Babilônia, Iavé foi comparado a Marduc, o deus que derrotava o dragão Tiamat e criava o mundo, em Israel, o monstro era o dragão marinho Leviatã. Iavé estava acima do bem e do mal; a abundância, as graças, infortúnios e as pragas era devido a Iavé - os textos bíblicos mencionam que Iavé amaldiçoa gerações inteiras, destrói cidades, aflige a humanidade com dilúvios, etc. Contudo, a jurisdição de Iavé sob o mundo não era total; era idéia corrente que após a morte o defunto não estava mais sob a proteção do deus.
Um outro mito que foi combatido e propositadamente esquecido pelo clero iaveísta foi a lenda da primeira mulher de Adão: Lilith, que se revoltou contra o seu marido. Esta lenda se tornou um escândalo para a sociedade patriarcal e machista, e foi rejeitada na redação final do Gênesis.


C) Reformas religiosas. Os reis Saul, Asa, e Josafá proibiram a necromancia, a prostituição sagrada, em seguida, combateram a erecção de estacas divinas (massebah). Saul e depois Josias passaram a perseguir e a punir os feiticeiros com a morte (1Sm XXVIII, 3 e 9; 2Rs XXIII e XXIV).
Ocorre gradativamente o desaparecimento do ro'eh, vidente e adivinho para questões privadas, cujo Samuel foi um dos últimos, é substituído pelo nabi (do cananeu, nabu, "aquele que foi chamado") profeta de origem cananéia que se vestia de manto de pele preso por um cinto de couro, levava uma vida cenobítica, perambulando em grupo pelas regiões e profetizando sob a autoridade de um chefe, chamado "o pai".

VII - O Iaveísmo no século VII
Uma nova versão do decálogo foi elaborada, que remonta ao período que vai do século VII ao século VI a. C. Havia duas versões, a mais antiga está incluída no Deuteronômio V, 6-18, pode ser atribuída ao programa de reforma religiosa, e a outra, a mais recente, está transcrita no Êxodo XX, 2-17, e é de carácter litúrgico-ritual, pertence ao período de cem a duzentos anos após a tomada de Jerusalém pelos babilônios;
1- Não terás outro deus diante de Iavé. [Trata-se de uma afirmação de monoteísmo ritual, e não teológico; outros povos possuem deuses tão verdadeiros quanto Iavé, mas os israelitas não podem cultuá-los]
2- Não esculpirás nenhuma imagem e nenhuma representação de coisas que estejam no céu, sobre a terra e nas águas debaixo da terra.
3- Não pronunciarás em voz alta o nome do Senhor. [Quem possui o segredo do nome também possui o poder mágico que ele confere; é por isso que é necessários impedir que os estrangeiros possam apoderar-se do nome do deus]
4- Guardai escrupulosamente o dia de sábado. [O sábado era a festa da lua cheia dos sumérios, os babilônios tomaram dos sumérios com o nome de shabattu; abstiam de trabalhar nos dias "que traziam desgraças" (dias 7, 14, 21, e 28 dos dois meses de Elul II e Marchesvan). Os cananeus tomaram o sábado dos babilônios que, por sua vez, transmitiram aos israelitas com o nome de shabbath. Era o dia do repouso e "ação de graças" recordando os anos que os hebreus passaram como escravos no Egito, e foi mais tarde estendidos aos escravos hebreus. Sob o impulso dos profetas do século VII, teve um significado teológico: o dia de descanso de Iavé]

5- Honrarás teu pai e tua mãe. [Trata-se de um preceito que se seguido assegura longos anos de vida na terra]
6- Não matarás. [Em hebraico, a expressão é "não assassinar", isto é, não matar um membro do clã; outrossim, a morte do inimigo, mulheres e crianças, é admitida]
7- Não praticarás adultério. [Isto é, apenas não seduzir uma mulher casada ou apenas prometida a outro; seduzir uma mulher núbil ou escrava não é adultério, e o mesmo não se aplica às mulheres]
8- Não roubar.
9- Não levantar o falso testemunho contra o teu vizinho.
10- Não desejar a mulher do seu vizinho, nem o seu campo, a sua escrava, o seu escravo, o seu boi, o seu asno, etc. [O termo hebraico para desejar é "por os olhos em cima", é provável que se refira ao mau olhado, isto é, lançar um mau agouro sobre a propriedade alheia]

VIII - Epílogo
Com o cisma político, Iavé tornou-se um deus nacional de dois povos inimigos. Este foi o primeiro exemplo histórico que permitiu a concepção de um deus de uma outra nação, e daí para o universo.
Foram os nabim (singular: nab), profetas errantes que combateram o culto deBaal e outros deuses, transformando a religião iaveística centrada no templo de Jerusalém, e depois, pelos sacerdotes do exílio, em uma religião ritualista.

IX - Bibliografia
FOHRER, Georg: História da Religião de Israel, Edições Paulinas, 1982.
HUBERT, Henri et Lévy, Isidore: Manuel d’Histoire des Religions, Librairie Armand Cilin, Paris, 1904.
DONINI, Ambrogio: Breve História das Religiões, Editora Civilização Brasileira S/A, RJ, 1965.
BRANDON, S. G. F. (editor): Dictionary of Comparative Religion, The University of Manchester Press,Londres, Inglaterra, 1970.
DONNER, Herbert. História de Israel e dos Povos Vizinhos. 1a edição. Petrópolis, R. J. : Editora Vozes S. A., 1997. 535 páginas, em dois volumes.
GARELLI, Paul et NIKIPROWETZKY, V. O Oriente Próximo Asiático (impérios mesopotâmicos e Israel), 1a edição. São Paulo, S. P. : Editora Universidade de São Paulo, 1982. 338 páginas.
MOSCATI, Sabatino. Las Antigas Civilizaciones Semíticas. 1a edição espanhola. Barcelona, Espanha :Editiones Garriga S. A., 1960. 318 páginas.
CARREIRA, José Nunes. Estudos de Cultura Pré-Clássica. 1a edição. Lisboa, Portugal : Editora Presença, 1985.


fonte: http://deusesehomens.com.br/deuses/israelita-judaico/item/181-o-politeismo-no-antigo-israel
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