terça-feira, 10 de abril de 2012

Dois pesos e duas medidas


Recentemente eu estava converssando com alguns amigos sobre temas bíblicos, quando alguém abordou a questão do dizimo. Este sempre é controversso e gera muita discussão, mas sempre procuro trata-lo com respeito, isto é, respeitando a opinião dos que são contra e dos que são a favor do dizimo.

Como neste caso, havia um irmão evangélico, ele naturalmente defendeu a prática do dizimo veementemente, e quando confrontado sobre certas atitudes erradas de seu pastor, este irmão se baseou em um conhecido chavão gospel. Disse ele:

"Quando eu dou o meu dizimo, eu dou para Deus, aliás, dou não; devolvo dez por cento do que Deus me da. Se o pastor faz falcatrua ou não com o dinheiro isto é entre ele e Deus, eu fiz a minha parte com Deus e ele sabe disso"

Coerente até a linha de raciocinio. Nada contra. Mas depois em outro ponto da mesma converssa, falamos sobre a caridade e o auxilio aos pobres. Este mesmo irmão, quando indagado se praticava caridade, disse que não, e se justificou dizendo:

"Eu não dou esmola para mendingos, porque eles gastam o dinheiro com pinga. Se fosse para eles comprarem comida ou algum alimento, até daria, mas como sei que eles vão comprar pinga não dou"

Sabe o que percebi com isso? Que a maioria dos religiosos utilizam dois pesos e duas medidas, isto é, dois critérios diferentes. Se formos analisar bem, ambos os casos são identicos. Tanto o pastor quanto o mendigo, quando ajudado financeiramente, tem as mesmas possibilidades de usufruirem bem deste auxilio ou mau. Ou seja, tanto um quanto o outro podem tanto gastar o dinheiro com bobagens ou com alimento. Não tem como saber da itegridade de uma pessoa só pela aparência. Assim como o mendingo pode utilizar a esmola para comprar cachaça o pastor também pode. Da mesma maneira assim como o pastor pode utilizar parte das ofertas e ajudar os pobres o  endingo também pode utlizar a esmola para comprar umpão por exemplo. Os casos são identicos. Então porque para UM se ajuda idependente de caráter e o outro não?


Ao ser questionado sobre isto, este mesmo irmão argumentou que o pastor no caso, é um representante de Deus na terra, pois prega sua palavra. Mas quando nós vemos na bíblia, Jesus disse: "Uma vez que fizeste aos pequeninos a mim fizeste; Quando não fizeste aos pequeninos a mim não fizeste" (Mt 25,31-46)

Ou seja, não é engraçado que a bíblia diz exatamente o oposto? Segundo a bíblia, o mendingo é o verdadeiro representante de Deus na terra, não o pastor. Fora que Jesus disse: "Dai a todo que pede" referindo-se aos pobres e não aos sacerdotes. Isso não seria agir seguindo dois pesos, sendo abominavel a Deus como diz em provérbios 20,10?


"Dois pesos diferentes e duas espécies de medida são abominação ao SENHOR, tanto um como outro"



Mas segundo a crença comum, independente de ambos poderem gastar donativos com bobagens, o pastor merece por ser um homem de Deus e o mendingo não. Mesmo que você mostre provas de que tal pastor é pilantra, desonesto, já foi preso até em países extrangeiros por falcatruas, isso não importa, pois a pessoa cre que fez sua parte. Já o mendingo, ser ajudado, jamais, pois ele pode maldosamente comprar um aguardente. Mesmo que você prove que aquele mendingo vai comprar pão e te trazer até a nota fiscal para provar onde foi usada a esmola, não importa, ele não é um homem de Deus.

Vendo a bíblia sagrada e as pessoas que o Eterno ungiu, é engraçado também que nós só vemos pobres e aflitos. Todos os profetas foram pessoas humildes e tiveram mil aflições. Mas seguindo a linha de raciocinio deste irmão, que aliás, é um pensamento comum até, o mendingo esta na condição em que esta porque é um endemoniado, por isso Deus não o abençoa e não merece ser ajudado.

Então será que Moisés também era endemoniado? Porque de principe do Egito ele ficou perdido no deserto. E Jeremias, Isaias, Amós, Daniel etc...? Seriam endemoniados também? Ou o próprio Jesus que disse que o filho do homem não tinha nem onde repousar a cabeça, seria também endemoniado? Aliás, nos evangelhos vemos inclusive várias vezes os fariseus o chamando disso. Ele mesmo disse: "Se chamam o dono da casa de belzebu, o que não dirão de seus servos"

Então realmente é incoerente essa linha de raciocinio de alguns irmãos. Eu não ajudo o mendingo porque ele pode gastar minha oferta com pinga. Mas ajudo o meu pastor, mesmo que ele pode fazer e faz pior, porque pelo menos eu fiz minha parte. O critério não deveria ser igual nos dois casos? Se ajuda um mesmo sabendo que ele pode fazer coisa errada com o dinheiro que ajude o outro rtambém. Ou se não se ajuda um por medo que seu dinheiro seja gasto em futilidades, que não ajude o outro também.

Realmente, é dificil imaginar o que as pessoas tem aprendido nestes templos religiosos, mas o evangelho que não é. Infelizmente, o meio religioso tornou-se cego e ignora as próprias escrituras sagradas e fazem exatamente o oposto do que o nosso messias ensinou:

"Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, e sois redargüidos pela lei como transgressores."  (Tiago 2 : 9)

Shalom!

4 comentários:

  1. muito bom e muito coerente

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  2. Muito Bom!!! Verdade!! Parabéns pelos argumentos!!!

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  3. Extremamente sábio seu raciocínio rapaz, que Deus o abençoe por nos presentear com grande conhecimento!

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  4. Muito bom Ronaldo, EXCELENTE!mesmo porque os dízimos era para a tribo de Levi, e para os pobres(viúvas, estrangeiros)e hoje o que se vê é cristão dando dinheiro, justamente para áquele que não tem direito(bíblico)de recebê lo.

    Roberto Nogueira
    nogueirapi@hotmail.com

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