segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Como a fofoca e a calunia podem causar Lepra


O apótolo Tiago nos diz em sua epístola acerca de um pecado que parece tão banal mas é tão grave quanto a idolatria, o adultério ou assassinato e pode levar até a morte de quem o comete. É a fofoca, o falar mal dos outros, o que é chamado no judaísmo de Lashom hará. 

"A língua também é um fogo; como mundo de iniqüidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno. Porque toda a natureza, tanto de bestas feras como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, se amansa e foi domada pela natureza humana; Mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal. Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim".Tg 3,6-10

Lashon Hará (em hebraico לשון הרע) é um termo judaico para 'fofoca', 'calúnia' ou mesmo difamação para com alguma pessoa seja contra um judeu ou contra um não-judeu. Maimônides, em seu comentário sobre Pirkei Avot (Ética dos Pais) Condena tanto o lashon hará como qualquer outro ato que venha a quebrar uma lei da halachá, a lei judaica.

Lashon hará é uma observação negativa verdadeira sobre outra pessoa. A Torá nos proíbe de fazer tal declaração ou de dar ouvidos a ela. Nossos sábios nos ensinam que um judeu que fala lashon hará peca tão gravemente como um assassino, um adúltero ou um idólatra. Na época do Bet Hamicdash um judeu que falasse lashon hará era punido com tsaráat.

É fácil entendermos porque um judeu que cometeu assassinato ou roubo ficou com tsaráat. São crimes graves. Mas por que um judeu que profere umas poucas palavras proibidas também recebe tsaraát?

Eis algumas das razões pelas quais lashon hará é considerado uma falha tão séria.

É muito difícil, e às vezes quase impossível, fazer teshuvá por haver falado lashon hará. Para fazer teshuvá, a pessoa deve sentir-se arrependida por haver falado lashon hará e decidir nunca mais repetir este falha. Mas não é suficiente. Ela deve também dirigir-se à pessoa sobre a qual falou e desculpar-se. É muito difícil procurar um parente ou amigo e dizer: "Falei lashon hará sobre você; por favor, perdoe-me!" Isto é tão constrangedor que a maioria das pessoas não o fará. Mesmo se uma pessoa deseja pedir o perdão de outra, pode acontecer de ter falado lashon hará sobre um grupo de pessoas e não pode desculpar-se com todas elas. Ou pode ter falado lashon hará sobre alguém que viajou ou faleceu.

A teshuvá completa pela grave falha de lashon hará é muito difícil. Por isso, devemos ser cuidadosos para evitar este pecado.

Lashon hará frequentemente é cometido mais de uma vez. Quando se trata de roubo ou assassinato, um judeu entende que deve fazer teshuvá e nunca cometer o ato novamente. Mas quando trata-se de lashon hará, a pessoa erroneamente pode pensar: "Que diferença faz umas poucas palavras?"
D’us quer que todos os judeus vivam em paz uns com os outros.

O lashon hará causa ressentimentos e brigas entre o ouvinte e aquele de quem se falou. Frequentemente alguém pode recusar-se a ser amigo de outro, apenas porque certa vez escutou algo de negativo sobre ele.
O metsorá era obrigado a sair do acampamento e ficar isolado, pois foi ele quem causou rompimento de amizades. Mesmo fora do acampamento ninguém tinha permissão de aproximar-se dele. Ficava separado da família, amigos e vizinhos.

A lashom hara, fofoca, malidicencia, poderia também causar um sério dano a quem cometia tal ato, a tsaraat, o que nós chamamos de lepra vulgarmente. A Tsaráat aflige, progressivamente, a casa, as roupas e a pele da pessoa, a menos que purifique a sua forma de falar.Uma terrivel maldição espiritual toma conta da vida da pessoa que cometeu lashom hara.

A lepra
A palavra “lepra”, no original hebraico, é “tsaráat”. Ela significa mais coisas do que apenas uma doença física. Se você observar em Levítico 13: 2-28, verá a Bíblia lidando com o diagnóstico de, pelo menos, 21 aflições da pele, que são expressas por um termo que inclui tudo, o termo lepra.
Se falasse de uma doença caracterizada pela brancura, conforme Êxodo 4:6, caracterizada por inchações, tumores ou manchas que desfigurassem a pele, provavelmente, seria lepra. Então, é claro que a descrição desses dois capítulos, provavelmente, incluía outras doenças da pele, além da lepra ou da hanseníase, conhecida hoje.

Por exemplo, se você observar em Levítico 13:47-59; 14:33-57, verá que até um tipo de mofo seria chamado de lepra. Então era assim: a palavra lepra denotava uma variedade de doenças da pele, incluindo psoríase, favo, leucodermia e, também e principalmente, a terrível hanseníase. Terrível hoje, mas muito pior naquela época. Abra sua Bíblia em Levítico 13-14 você verá as instruções bíblicas sobre como os israelitas deviam tratar-se ou como deviam tratar alguém quando tivesse lepra.

Hoje, podemos ver em muitos cartazes em instituições de saúde, dizeres do tipo: “Hanseníase tem cura”. Graças a Deus! Mas você já pensou, no tempo que a medicina não sabia lidar com essa moléstia, que praga que não era? Se a pessoa pegasse lepra, além de não ser curada nunca mais, ia morrendo aos poucos. A pessoa parava de ter sensibilidade na pele, em partes extremas como as pontas dos dedos, nariz, etc. Depois, essas partes iam apodrecendo, fedendo, caindo, e a pessoa nem sentia. Que coisa terrível!
Aí, os leprosos eram forçados a morar longe das outras pessoas, porque a lepra era uma doença contagiosa, e eles não sabiam como evitar isso. Então, os leprosos se isolavam da sociedade, da família, amigos, todo mundo. Já pensou? Se acontecesse de um leproso se aproximar das outras pessoas, tinha a obrigação de gritar: "Imundo, Eu sou o imundo!" para as pessoas fugirem dele!

Mas acho que existe uma parte mais bonita. Relacione sua leitura de hoje com Mateus 8:2-4; Lucas 17:11-19 e você entrará um grande exemplo. É Jesus! Ele não correu da lepra e ainda curou os leprosos.

Hoje, pouco se fala sobre este pecado, porque parece banal e a lepra mais rara do que nos tempos bíblicos, hoje conhecida como hanseniase. Por isso existem sempre no meio do povo de Deus, pessoas que clamam e oram e depois saem difamando os outros e falando mal. Porque este pecado tornou-se superfulo na mente das pessoas, mas vemos na escritura que era talvez um dos mais graves e podia contaminar a vida do pecador com lepra e obriga-lo a se isolar até a morte.

Aliás, algumas igrejas falam tanto da idolatria católica, dos espiritas, dos homosexuais e nada sobre calunia, difamação, fofoca, que é considerado tão grave dentro da bíblia, podendo acometer o caluniador de uma maldição terrível e um enorme pertubação espiritual. Mas quase não se fala disso. O lashom hara esta presente no oitavo mandamento, "não levantarás falso testemunho contra teu próximo" e vemos também que Jesus nos ensinou a não fazermos ao próximo o que não queremos que façam a nós, e ainda nos disse que da mesma forma que perdoamos, somos perdoados. Mas devido a pouca importância que se da a este pecado, ele parece superfulo, banal.

Portanto, como disse Tiago, a lingua é como o leme de um navio, que pode levar a um destino ou a perdição, apesar de ser um membro pequeno. Cuidado irmãos para não falarem palaras torpes, nem ofensas ou difamações contra o seu próximo, para sua vida espiritual não se tornar amaldiçoada e impura. Falai sempre a verdade, e coisas boas, e sempre clamando em nome do senhor, para que o espírito do senhor esteja sempre presente em vossas vidas.

Shalom!

2 comentários:

  1. shalom Ronaldo,

    cada dia que passa mais conhecimento retenho.

    Agradeço ao Eterno pelo seus estudos.
    Continue perseverante e confiante.

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    Respostas
    1. Obrigado irmão! Continue acompanhando meu blog, post comentarios e até criticas se for necessário pois aprendemos todos com todos.

      Fique com Deus!

      Excluir

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